QUER VENDER SEU PEIXE NO ORIENTE MÉDIO?

A Sial Abu Dhabi é a porta de entrada para o setor alimentício no Oriente Médio e o governo brasileiro quer que o pescado apareça por lá. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em parceria com o Ministério das Relações Exteriores (MRE), Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e a Câmara de Comércio Árabe Brasileira convidaram oficialmente o segmento para integrar o grupo de representantes brasileiros.

A 8ª edição da Sial Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, é considerado o evento de alimentos e bebidas de mais rápido crescimento na região do Oriente Médio. Em 2016, o evento atraiu 952 expositores, mais de 30 pavilhões nacionais e 16.562 visitantes.

Na edição de 2017, entre 12 e 14 de dezembro de 2017, o Brasil terá um pavilhão específico para a promoção de produtos alimentícios brasileiros com estrutura para empresas expositoras, participação em catálogo institucional e apoio de recepcionistas bilíngues.

Os custos com a contratação do espaço na feira, montagem dos estandes, apoio de recepcionistas bilíngues e confecção do catálogo do Pavilhão do Brasil serão de responsabilidade do governo brasileiro. As demais despesas, como passagens aéreas, alimentação, hospedagem, correrão por conta dos participantes.

Inscreva-se aqui. As vagas são limitadas e a inscrição vai até 29 de outubro.

 Geração de negócios – Além da participação na feira, o Mapa, em parceria com a Embaixada dos Emirados Árabes, realizará o Brazil-United Arab Emirates Agribusiness Investor Road Show, em dia 23 de outubro de 2017, em Brasília, das 14:00 às 18:00 horas.

O evento terá rodadas de negociação entre empresas brasileiras do agronegócio e delegação de alto nível de investidores de Abu Dhabi (Emirados Árabes Unidos), representando as organizações: Food Security Center, Abu Dhabi Food Control Authority, Farmers Service Center, Al-Dhahirah Agricultural Company, Al-Dhahirah ACX Feed and Nutrition Company, Agthia and Al Foa Dates Company, Emirates Food Industries Group, National Feed Company, Emirates Food Industries Group, Elite-Agro Group of Companies, Emirates Future Company, Agility (Abu Dhabi) e Jenaan Investment Company.

Nas rodadas de negócios, empresas brasileiras terão espaço para apresentar aos investidores árabes os seus projetos de captação de investimentos. O principal interesse dos investidores está voltado para os setores de frutas, orgânicos, lácteos, proteína animal, arroz, milho, outros grãos e sementes, alimentos processados, além de energias alternativas.

Mais informações e a ficha de inscrição aqui.

Para quem não pretende expor na feira ou participar da Rodada, há uma terceira opção. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), a Confederação Nacional da Indústria (CNI), por meio da Rede Brasileira dos Centros Internacionais de Negócios (Rede CIN), e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil) farão uma Missão Prospectiva à Feira SIAL, no período de 10 a 14 de dezembro.

Confira

 

 

SARDINHA E INSULTO

Setor da sardinha diz que parecer científico é um “insulto” aos sacrifícios dos pescadores. Isso é em Portugal.

A recomendação científica de suspender por completo a pesca da sardinha em 2018 “é um insulto aos sacrifícios que os pescadores fizeram para melhorar o ‘stock'” defendeu hoje a Associação das Organizações de Produtores da Pesca do Cerco.

A recomendação do Conselho Internacional para a Exploração do Mar (ICES), hoje divulgada, “é radical e é um insulto a todos os pescadores portugueses que, nos últimos quatro anos, têm realizado grandes sacrifícios para assegurar a melhoria do estado do ‘stock’ da sardinha em portuguesas”, afirmou o presidente da associação, Humberto Jorge, à agência Lusa.

Segundo a Associação das Organizações de Produtores da Pesca do Cerco (ANOP Cerco), a recomendação do ICES não tem em conta os dados de aumento do recurso nos últimos dois anos e “está em total contradição com a percepção dos pescadores de que a abundância de sardinha nas nossas águas é muito mais significativa que a que observaram nos últimos anos”.

Perante as várias hipóteses de captura até 24.650 toneladas apontadas pelo ICES, a associação representativa da frota do cerco está disponível para vir a “encontrar uma solução que não comprometa os recursos, mas sem levar à letra a recomendação de pesca zero”.

“Acreditamos que até às quase 25 mil toneladas o recurso continua a crescer 4,5%, o que não nos parece mal”, justificou Humberto Jorge.

O presidente da ANOP Cerco pediu à ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, e ao secretário de Estado das Pescas, José Apolinário, “que se empenhem” nas negociações com Espanha para encontrarem um limite de capturas para 2018 que permita pescar sardinha.

O parecer do Conselho Internacional para a Exploração do Mar (ICES) hoje divulgado refere que a pesca da sardinha deverá ser proibida em 2018 em Portugal e Espanha, que dividem a quota, face à redução acentuada do ‘stock’ na última década.

Setor da sardinha diz que parecer científico é um insulto aos sacrifícios dos pescadores

Pesca da sardinha deve ficar suspensa em 2018

 

IMPORTAÇÃO DE PESCADO

De acordo, com o estudo da Balança Comercial de Pescado realizado pela CNA, a A sardinha, o salmão, a merluza, o bacalhau, o tubarão-azul e a polaca ficaram entre as principais espécies importadas pelo país, somando 188375,9 toneladas e 704,2 milhões de dólares nos oito primeiro meses de 2017.

Entre os principais origens das importações brasileiras de pescado estão: Chile (43,80%), China (11,92%), Noruega (8,06%), Vietnã (7,88%) e Argentina (7,52%).

Os importadores brasileiros compraram duas vezes mais merluza que os espanhóis entre janeiro e julho de 2017. Com as 15,6 mil toneladas importadas, o Brasil ultrapassou os ibéricos – os primeiros do ranking no mesmo período em 2016.

Foram 5,8 mil toneladas de merluza a mais em relação às compras brasileiras ao mesmo período do ano passado, um reflexo direto da diminuição do volume de panga do Vietnã e polaca oriunda da China. O dispêndio cresceu 57%, mas o preço pago, de US$ 2,98/kg, praticamente se manteve o mesmo.

Este desempenho é majoritariamente impulsionado pela compra de filés da merluza argentina, que até julho deste ano representaram 15.464 toneladas; os volumes de peixe inteiro são um negócio pontual (234 toneladas entre janeiro e julho de 2017) para o Brasil.

 

Balança Comercial de Pescado (p. 10 a 13): SITE ANALISE COMERCIAL AGO 17

 

Brasil lidera com folga ranking de importadores de merluza argentina

 

TSUNAMI E MIGRAÇÕES MARINHAS

Tsunami de 2011 provoca uma das maiores migrações marinhas da história. 300 espécies japonesas chegaram às costas americanas em plásticos arrancados pelas ondas

Como pequenos Ulisses, milhares de mexilhões, estrelas do mar e até peixes das costas japonesas percorreram o oceano Pacífico até chegar às praias americanas. Exemplares de quase 300 espécies diferentes superaram os mais de 7.000 quilômetros de mar que há entre ambos os extremos a bordo de uma infinidade de escombros e objetos plásticos de origem japonesa arrancados pelo tsunami de 2011. O sucesso de sua travessia mostra o risco à ecologia que representa todo o lixo plástico acumulado nos mares.

De todo o lixo devolvido pelo mar, os cientistas ficaram com quase mil objetos relativamente grandes, desde barcos até caixas de plástico, passando por boias ou placas de fibra de vidro que puderam reconhecer como de origem japonesa. Encontraram-nos ao longo de toda a costa continental dos EUA, do Alasca, no norte, até a Califórnia, ao sul.

Mas estavam mais interessados nos passageiros clandestinos que pudessem trazer a bordo. Entre os que estavam grudados, em cima, embaixo ou abrigados nos objetos, identificaram pelo menos 289 espécies, mas estão convencidos de que devem ter chegado mais. No total, 85% delas pertencem a cinco grandes grupos de invertebrados: moluscos, cnidários (medusas, anêmonas…), crustáceos, briozoários (o mal chamado musgo marinho) e anélidas (vermes marinhos). Mas acharam também estrelas do mar, lapas (patella vulgata), protistas e até duas espécies de peixes.

O sismo de 2011 não foi o único de grandes proporções que se abateu sobre o Japão. Cataclismos de magnitude e altitude de ondas similares ocorreram em 1896 (o terremoto de Meiji-Sanriku) e em 1933 (o terremoto de Sanriku). Em nenhum dos dois casos os registros históricos dizem que foram avistados objetos japoneses nas costas americanas e citam ainda menos a chegada de animais. Naqueles tempos o plástico ou não existia ou ainda não era encontrado nas zonas rurais do Japão. Em contraste, ainda em 2017, seis anos depois, estão chegando plásticos japoneses às costas americanas. E, com eles, as mais variadas espécies.

 

Tsunami 1

Tsunami 2

After the Tsunami, Japan’s Sea Creatures Crossed an Ocean

 

TEMPESTADES SOLARES E ENCALHE DE BALEIAS

Cientistas alemães suspeitam que radiação causada pelas tempestades solares causou perturbações magnéticas, desviando grupo de 29 cachalotes para morrer em praias europeias no ano passado.

Tempestades solares, responsáveis pelo fenômeno conhecido como aurora boreal, podem ter sido responsáveis pelo encalhe de 29 cachalotes (um tipo de baleia) em praias do Atlântico Norte no ano passado.

É o que diz um estudo de cientistas da Universidade de Kiel, na Alemanha, para quem perturbações magnéticas podem ter interferido no senso de direção das baleias e desviado o grupo para águas rasas.

Todas as cachalotes morreram. Na autópsia, cientistas ficaram intrigados com o fato de que, em sua maioria, o organismo dos animais não exibia sinais de desnutrição ou doenças. E que os cetáceos eram jovens.

Por isso, muitas teorias sobre as possíveis causas do encalhe circularam pelo meio científico. Houve quem falasse em envenenamento ou mesmo em um acidente durante busca por alimento.

Cachalotes vivem em águas profundas e de temperatura quente para moderada. Muitos grupos vivem perto do arquipélago português de Açores. Quando atingem idade de 10 a 15 anos, porém, jovens machos migram para o norte, em direção à região polar, atraídos pela grande quantidade de lulas em águas mais frias.

A viagem normalmente passa pelas costas de países europeus. No entanto, em um espaço de apenas um mês, os animais apareceram em praias alemãs, holandesas, britânicas e francesas.

Questão magnéticaOs cientistas da Universidade de Kiel dizem que a chave para entender o mistério é a possibilidade de as cachalotes navegarem com auxílio do campo magnético da Terra.

O campo não é uniforme e varia de intensidade em diferentes regiões, algo que as baleias aprenderam a “ler” da mesma forma que humanos veem contornos em mapas.

Mas a percepção pode ter sido alterada por grandes tempestades solares. Essas explosões de massa do sol emitem radiação e partículas que, ao atingir a atmosfera da Terra, produzem o fenômeno conhecido como aurora boreal.

Tempestades mais intensas podem até danificar satélites. E alguns cientistas dizem ter evidência de que a atividade solar pode ter impactos no senso de direção de pássaros e abelhas.

A equipe comandada por Klaus Vanselow estudou a conexão entre encalhes de baleias e duas grandes tempestades solares ocorridas em dezembro de 2015. Elas produziram espetáculos de luzes vistos não apenas em países mais ao norte, como a Noruega, mas até na Escócia.

No entanto, também causaram distúrbios temporários de até 460 km no campo magnético de uma área entre as Ilhas de Shetland, no extremo norte do Reino Unido, e a Noruega, afirma Vanselow.

Isso pode ter confundido as baleias transitando pela região. Até porque a equipe de cientistas de Kiel suspeita que cachalotes usem o campo magnético da costa da Noruega como orientação.

“A região da aurora boreal é a que mais tem distúrbios geomagnéticos na superfície da Terra”, explica Vanselow. “Cachalotes são animais imensos e podem nadar no oceano por dias na direção errada por causa desse tipo de efeito, para só depois corrigir o curso. Mas se isso ocorre na área entre a Noruega e a Escócia, elas podem ficar presas (em águas mais rasas).”

Inexperientes – O cientista alemão acredita que, por ter crescido perto dos Açores, uma área com mínimo impacto de tempestades solares, as cachalotes têm pouca experiência com o tipo de evento que ocorre nos polos. Apesar de a teoria ser difícil de provar, outros cientistas dizem que ela é plausível. “É difícil dizermos que foi a causa definitiva (para os encalhes), mas pode ter sido uma das razões”, diz Abbo Van Neer, biólogo da Universidade da Alemanha que fez a autópsia das 16 baleias que apareceram na costa alemã.

A Nasa (agêncial espacial dos EUA), por exemplo, também tem feito estudos sobre o impacto de tempestades solares em cetáceos ao redor do mundo, e um grupo de cientistas ligados ao projeto publicará nas próximas semanas um estudo sobre encalhes na região de Cape Cod, na costa leste americana, e tempestades geomagnéticas.

“A teoria tem credibilidade, pois estamos falando de um potencial mecanismo que pode confundir os animais”, afirma Antti Pulkkinen, chefe do projeto da Nasa. “Mas não acho que o estudo prova tudo. Nossa análise sugere que não há um único fator que contribua para os encalhes”.

 

Tempestades solares e baleias

 

Notícias sobre Tempestades solares

 

CONTROLE DA ÁGUA DE LASTRO

A partir de 8 de setembro de 2017 passou a vigorar, mundialmente, a Convenção Internacional para o Controle e Gerenciamento da Água de Lastro e Sedimentos dos Navios. Com esta medida, os navios enquadrados na Convenção precisarão instalar um Sistema de Tratamento de Água de Lastro para cumprir a regra D-2 – Norma de Desempenho de Água de Lastro. O propósito desta regra é prevenir, minimizar e, por fim, eliminar os riscos da introdução de organismos aquáticos exóticos invasores e agentes patogênicos que possam ser transportados na água de lastro dos navios que entram nos portos.

Apesar de ter sido adotada internacionalmente em 13 de fevereiro de 2004, a própria convenção estabeleceu que somente passaria a vigorar 12 meses após a adesão de, pelo menos, 30 países cujas frotas mercantes combinadas constituíssem 35% ou mais da arqueação bruta da frota mercante mundial. A adesão da Finlândia, em setembro de 2016, fez com que esses números fossem atingidos.

Após isso, durante o decurso do prazo de um ano previsto para o início da exigência do cumprimento da Regra D-2, algumas questões de ordem técnica e logística permaneciam sem respostas satisfatórias.

Assim sendo, durante última reunião do Marine Environment Protection Comitee (MEPC-71), realizada em julho desse ano, foi decidido que o cumprimento da Regra D-2, para as embarcações existentes, estaria vinculado à data de renovação do International Oil Pollution Prevention Certificate, o que, na prática, postergou o prazo para o cumprimento da regra D-2 em pelo menos mais dois anos.

Para os navios novos, ou seja, aqueles que terão quilha batida a partir de 08 de setembro de 2017, o cumprimento da regra D-2 dar-se-á a partir da entrada em operação do navio. Com essa decisão, espera-se que todos os navios até o ano de 2024 estejam cumprindo a regra D-2.

Fonte: Diretoria de Portos e Costas

 

Controle e gerenciamento da água de lastro e sedimentos dos navios

 

BARCO COVARDIA

Navio contra imigrantes é fretado pela extrema-direita e cria polêmica na Europa. Embarcação é mantida pelo grupo francês Geração Identitária e navega pelas águas europeias com mensagens como “vocês não farão da Europa sua casa”. É o Barco Covardia.

 

 

Em um cenário de crise migratória na Europa – a maior já vivida no continente desde o fim da Segunda Guerra Mundial –, um navio contra imigrantes financiado por grupos de extrema-direita está causando polêmica no Mar Mediterrâneo.

            Isso porque, assim como já havia ocorrido no Chipre e na Sicília, na Itália, em que a embarcação C-Star buscou impedir a passagem de imigrantes pelas rotas marítimas da Europa, o navio anti-imigrantes foi bloqueado na Tunísia. .

Para impedir que a embarcação seguisse viagem, um grupo de pescadores da costa tunisiana se organizaram em diversos barcos, próximos ao porto de Zarzis, bloqueando a passagem do navio para que ele não entrasse no porto.

“Não queremos o barco fascista na Tunísia . Há 10 ou 15 anos, nós salvamos migrantes que naufragam e não queremos que um barco que deseja que eles se afoguem e que use lemas fascistas entrem em nossos portos”, disse o líder da associação dos pescadores, Shamseddin Bourasin, ao jornal espanhol El País .

            Ao jornal britânico  The Independent, um representante oficial do porto tunisiano de Zarzis afirmou que apoia a decisão dos pescadores e que “nunca” deixará “racistas entrarem” ali.

Como trabalha o barco anti-imigrantes – O polêmico barco notifica embarcações ilegais que saem da Líbia em direção às ilhas italianas e ordena que os passageiros dos barcos voltem para o porto de onde vieram.

Oficialmente, quem mantém o barco é o grupo francês Geração Identitária, mas eles contam com financiamentos de simpatizantes de várias nações europeias.

Com mensagens em seu casco de “parem com o tráfico de pessoas” e “vocês não farão da Europa a sua casa”, os militantes dizem querer alertar a União Europeia sobre o “excesso de imigrantes”.

            Entidades internacionais afirmam que a atuação do Geração Identitária em águas de outros países é ilegal.

 

 

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 Barco covardia

 

“C’est inhumain de repousser les migrants vers des camps de la mort libyens”

 

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Crise dos refugiados: mortes no Mediterrâneo em 2017 superam 2016

 

INDÚSTRIA GLOBAL DA NAVEGAÇÃO SE RECUPERA APÓS MOMENTO LEHMAN

Os enormes navios porta-contêineres que transportam tênis, bananas e bonecas Barbie por todo o mundo continuam ficando maiores. O mesmo ocorre com as empresas proprietárias deles.

Uma enorme consolidação está em andamento nessa indústria global de US$ 500 bilhões e as sobreviventes agora desfrutam de grandes economias de escala e de uma demanda maior um ano depois de a capacidade excedente ter provocado a pior crise da história do setor — a falência da sul-coreana Hanjin Shipping.

A maior linha de contêineres da Ásia, a chinesa Cosco Shipping Holdings, afirmou no mês passado que pagaria mais de US$ 6 bilhões pela rival Orient Overseas International, dona do maior navio do mundo — um cargueiro mais longo que o Empire State Building. A dinamarquesa A.P. Moller-Maersk A/S está no meio do processo de compra de uma concorrente alemã e ostenta sua própria frota de meganavios, incluindo um capaz de transportar cerca de 180 milhões de iPads.

Essas empresas de navegação superdimensionadas exercem muito mais poder de precificação sobre fabricantes e empresas de varejo como Wal-Mart Stores e Target. As cinco maiores linhas de contêineres controlam cerca de 60 por cento do mercado global, segundo a firma provedora de dados Alphaliner. As taxas de frete estão subindo e um índice que monitora os fretes dos carregamentos das principais rotas com saída da Ásia apresenta alta de cerca de 22 por cento em relação ao ano anterior.

“O transporte marítimo de contêineres atualmente é uma brincadeira apenas para gente grande com bolsos cheios”, disse Corrine Png, CEO da Crucial Perspective, uma empresa de pesquisa de transporte com sede em Cingapura. A crescente concentração do mercado “dará às linhas de navegação um maior poder de precificação e de barganha”, prevê.

O colapso da Hanjin, em agosto do ano passado, afetou a indústria de forma muito similar à influência da falência do Lehman Brothers no setor financeiro durante a crise de 2008. Uma das maiores empresas de navegação do mundo na época, a Hanjin enfrentou uma crise de liquidez quando a oferta superou a demanda no setor, enfraquecendo o poder de precificação e os lucros das empresas transportadoras. A companhia atualmente está em processo de liquidação depois que um tribunal sul-coreano declarou sua falência em fevereiro.

“Desde a falência da Hanjin Shipping, a busca pela qualidade ficou mais perceptível no negócio do transporte marítimo de contêineres”, disse Um Kyung-a, analista da Shinyoung Securities em Seul. “É por isso que o mercado está ficando cada vez mais dominado pelas maiores empresas com grandes navios e aquelas que não tiverem supernavios podem acabar se tornando cada vez mais obsoletas.”

O uso crescente de navios gigantes é a chave da recuperação. As empresas donas de navios desse tipo são capazes de usar menos embarcações e de transportar mais cargas em uma única viagem para se beneficiarem de fretes mais altos, disse Um.

Segundo suas estimativas, existem atualmente cerca de 58 cargueiros gigantes em todo o mundo capazes de transportar mais de 18.000 contêineres, e o número deverá duplicar em dois anos. Cerca de metade dos novos navios serão adicionados pelas maiores empresas.

Piratas – Enquanto isso, ao menos 11 pessoas foram detidas em flagrante por saquearem contêineres que caíram de um navio na barra de Santos, no litoral de São Paulo. Entre os produtos recuperados estão eletrônicos, eletrodomésticos, pneus de bicicleta e vestuário.

 

Indústria global 1

Indústria global 2

‘Piratas’ são flagrados saqueando contêineres

Contêineres não derramaram substâncias no mar, segundo o Ibama

 

 

FAZENDAS EM ALTO MAR

 

A colheita de peixes e mariscos de fazendas em alto mar poderia ajudar a fornecer proteínas essenciais para uma população global que está prevista para aumentar um terço, chegando a 10 bilhões em meados do século, disseram pesquisadores.

As zonas de mar aberto adequadas têm o potencial de produzir 15 bilhões de toneladas de peixe a cada ano, mais de 100 vezes o consumo mundial de frutos do mar, segundo um estudo publicado na revista científica Nature Ecology & Evolution.

A aquicultura costeira e interior já representa mais da metade dos peixes consumidos em todo o mundo. Muitas regiões, especialmente na África e na Ásia, dependem dos peixes para a ingestão de proteínas.

Mas a poluição severa, o aumento dos custos e a intensa competição por imóveis costeiros significam que a produção nessas áreas não pode se expandir indefinidamente.

As capturas de pesca selvagem, enquanto isso, se estabilizaram ou estão em declínio.

“Os oceanos representam uma imensa oportunidade para a produção de alimentos, mas o ambiente do oceano aberto é amplamente inexplorado como um recurso agrícola”, observaram os autores.

Para avaliar esse potencial, uma equipe de pesquisadores liderada por Rebecca Gentry, professora da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, realizou uma série de cálculos.

Os pesquisadores concluíram que cerca de 11,4 milhões de quilômetros quadrados de oceano poderiam ser desenvolvidos para peixes, e 1,5 milhão de quilômetros quadrados para bivalves, como os mexilhões.

“Grande potencial” – Atualmente, apenas cerca de 40 espécies representam 90% da produção mundial de frutos do mar. Apenas 4% do total consistem em peixes como salmão, perca-gigante, garoupa e robalo.

Todos os peixes selvagens colhidos no mundo poderiam ser obtidos de uma área do tamanho do Lago Michigan, ou da Bélgica e Holanda juntas, mostrou o estudo.

Muitos dos países com maior potencial – entre eles, Indonésia, Índia e Quênia – também têm previsto experimentar crescimentos populacionais acentuados, observaram.
As descobertas mostram que “esse espaço atualmente não é um fator limitante para a expansão da aquicultura oceânica”, disse Max Troell, cientista do Stockholm Resilience Center, que não participou da pesquisa.

Mas ainda há obstáculos para que a produção possa ser aumentada para atender a uma parcela significativa da demanda global, acrescentou o cientista em um comentário, também na Nature Ecology & Evolution.

“Os grandes desafios que a expansão do setor de aquicultura a curto prazo enfrenta estão no desenvolvimento de alimentos sustentáveis e na melhor compreensão de como os sistemas de exploração agrícola dos oceanos de grande escala interagem com os ecossistemas e o bem-estar humano”, escreveu.

Os custos de produção e transporte também podem ser uma restrição, acrescentou.

 

Fazendas em alto mar

 

Are floating farms the answer to solving world hunger?

 

 

 

 

 

BRASIL PODE PERDER AUTORIZAÇÃO INTERNACIONAL PARA PESCAR ATUM

A ingerência da pesca no governo federal resultou num pedido coletivo de desligamento dos técnicos que faziam parte do Subcomitê Científico do Atum e Afins, o mais antigo e um dos mais importantes grupos de discussão de gestão pesqueira no país. A decisão dos técnicos pode impactar na autorização internacional que o Brasil possui para a captura do peixe – e atingir diretamente frotas que, somente em Santa Catarina, empregam cerca de mil pescadores.

O atum é um peixe que migra durante o seu ciclo de vida, por isso é considerado um recurso internacional. Para garantir que não haja excesso de capturas, os países banhados pelo Oceano Atlântico que pescam atuns estão ligados à Comissão Internacional para Conservação do Atum do Atlântico (ICCAT). Esse órgão estabelece cotas de captura e certifica que a pesca esteja dentro dos limites.

Marco Aurélio Bailon, coordenador técnico do Sindipi, sindicato que representa armadores e indústrias de pesca no país, diz que há cerca de cinco anos os dados estatísticos brasileiros apresentados ao ICCAT são incompletos. Em 2015 o governo liberou recursos para pesquisas em gestão pesqueira, que deveriam, entre outros compromissos, atualizar os dados. Mas a pesca perdeu o status de Ministério, foi incorporada pela Agricultura e o dinheiro se perdeu.

Sem dados e sem o financiamento básico para as pesquisas, os 19 cientistas que compõe o Subcomitê Científico decidiram ‘abandonar o barco’. O problema é que, sem reportar as informações da pesca exigidas pela ICCAT, o Brasil corre o risco de perder as cotas de pesca de várias espécies de atuns, o que significa perder o direito a explorar esses recursos, incluindo a possibilidade de exportar o produto.

Somente em Itajaí há cerca de 60 barcos especializados na pesca do atum, em diferentes modalidades, que poderão ser diretamente impactados com as possíveis sanções.

Armadores perplexos – O setor pesqueiro recebeu as informações sobre a demissão coletiva no Subcomitê Científico do Atum e as possíveis consequências com perplexidade. Deixar de ter a certificação internacional pode ser o fim da linha para empresários como José Kowalsky, de Itajaí, que atua na exportação de pescado. Somente a empresa dele já chegou a enviar 3 mil toneladas de atuns ao ano para o exterior. No ano passado, problemas com a documentação já fizeram com que ele perdesse um carregamento em vias do embarque para a Europa _ um “aperitivo” dos problemas que a falta de certificação poderá trazer.

Além do atum, o órgão internacional também regulamenta a captura de meca _ outro peixe que é enviado ao exterior, especialmente aos Estados Unidos, e que é alvo da pesca catarinense.

Fragilidade – –Diretora-geral da ONG Oceana, que atua em pesca sustentável em todo o mundo, Monica Peres classificou a paralisação coletiva do Subcomitê Científico de atuns e afins como “uma noticia muito triste, que mostra a desestruturação e fragilidade institucional do sistema de gestão pesqueira no país”

Ela afirma que os cientistas são responsáveis por produzir as melhores recomendações cientificas para subsidiar o ordenamento das pescarias, mas eles precisam de dados e de apoio as pesquisas. “Sem dados, não tem gestão. Para a ICCAT, o país que não reporta dados, não pode pescar”, complementa.

Falência – O Coletivo Nacional da Pesca e Aquicultura (Conepe) emitiu nota em que afirma apoiar irrestritamente a decisão dos cientistas que se desligaram do Subcomitê Científico “por entender que estes profissionais e colaboradores tiveram o limite de sua paciência, comprometimento e honradez ultrapassado”. Para a entidade, a decisão é um retrato da falência da gestão pesqueira nacional.

 

Perdendo atum

 

Calendar of ICCAT Meetings for 2017

 

NAVIO DE PESQUISA ESTÁ À PROCURA DE CONTINENTE PERDIDO

Na escola, nós aprendemos que atualmente existem seis continentes: África, Ásia, Antártida, Oceania, Europa e América. No entanto, pode haver outro continente para adicionar à lista:  ‘Zealândia’ – e um navio está sendo enviado para investigá-lo.

Trinta cientistas saíram da Austrália nesta semana, para uma expedição oceânica de dois meses, com o objetivo de explorar o continente submerso.

Ilhas como a Nova Zelândia e a Nova Caledônia fazem parte do continente, que ocupa uma região de 7,7 milhões de quilômetros quadrados no sudoeste do Pacífico. As ilhas são conectadas por uma crosta continental submersa, que atravessa uma ampla área da superfície da Terra – por isso se qualifica como um continente separado.

Gerald Dickens, professor de Ciências Terrestres, Ambientais e Planetárias na Universidade de Rice, nos Estados Unidos, disse: “Esta expedição irá responder muitas questões importantes sobre a Zealândia”.

“Se você voltar no tempo, há cerca de 100 milhões de anos, Antártida, Austrália e Zealândia eram um único continente,” disse Dickens. “Há aproximadamente 85 milhões de anos a Zealândia se separou por si só e, por um tempo, o fundo do mar entre ela e a Austrália estava se expandindo nos lados de uma dorsal oceânica, que separava as duas”.

Veja ainda:

Continente perdido

New Continent Zealandia Is Discovered Underwater

‘Zealandia’: New continent on Earth is sitting off Australia’s coast

 

Um novo continente

 

IMO E O EFEITO ESTUFA

A demanda por transporte marítimo aumentou significativamente nas últimas décadas: navios transportam cerca de 90% do comércio mundial.  As emissões dos gases de efeito estufa do setor tiveram crescimento igualmente impressionante: 70% desde 1990. Atualmente o setor é responsável por entre 2% e 3% da emissão global de gases de efeito estufa.

Se as emissões da navegação fossem reportadas como se fossem de um único país, o transporte marítimo ocuparia um lugar entre o Japão e a Alemanha no ranking dos maiores emissores de CO2, respondendo por um volume maior do é emitido por todos os países da África juntos. Sem um esforço adicional significativo por parte da indústria marítima, o setor colocará em risco os compromissos do Acordo de Paris pela manutenção do aquecimento global bem abaixo dos 2°C sobre os níveis pré-industriais. Por isso, a IMO pretende lançar em 2018 uma estratégia inicial de redução de emissões de gases de efeito estufa, muito provavelmente envolvendo uma trajetória de longo prazo para a redução das emissões de CO2 e medidas práticas de curto, médio e longo prazos.

Para o Brasil, a navegação é um setor vital para as exportações de commodities como minério de ferro, soja, petróleo, açúcar e café, entre outras. 95% do comércio exterior passam pelos portos, que bateram o recorde de um bilhão de toneladas movimentadas em 2015. Para alguns setores, a importância é ainda maior: o Brasil é o segundo maior exportador de minério de ferro após a Austrália – tanto que a Vale está presente na IMO com dois representantes, mesmo número da Petrobras.

Os negociadores brasileiros na IMO têm tradicionalmente sido contrários ao endurecimento do regime regulatório, argumentando que isso penalizaria os países no final das cadeias de suprimento, especialmente aqueles distantes dos mercados exportadores.  As colocações do Brasil anteriores à reunião desta semana reforçam essa postura.

O país se opôs ao estabelecimento de uma meta de longo prazo para as emissões do setor, com o argumento de que esta representa ‘um impedimento não desejável para o comércio internacional’, adicionando que uma meta deste tipo pode levar a um aumento do transporte de carga via aérea.  O país também tem feito lobby pelo o estabelecimento de dados precisos de emissão de GEE como uma precondição para maiores investimentos em medidas de eficiência — um regime mandatório de reporte de emissões da IMO passará a ocorrer a partir de 2019 — e quer investimentos para o auxílio às instalações portuárias verdes.

 

IMO e as reduções de emissões 

Teor de enxofre no óleo combustível marítimo deve ser reduzido

 

A BOA VIDA DE BALEIA

Drone flagra baleia ‘brincando’ com grupo de golfinhos. Fotógrafo registra clique raro de baleias cachalote cochilando no oceano.

Um vídeo gravado no oeste da Austrália mostra uma cena encantadora do mundo animal. Nas imagens, uma baleia brinca com golfinhos – todos parecem se divertir surfando as ondas.  O registro foi feito com um drone na costa do Estado da Austrália Ocidental.

Baleias também dormem, como mostra um clique raro do fotógrafo Franco Banfi. Ele acompanhava um grupo de baleias cachalote no mar quando notou um movimento estranho entre elas. Todas apenas pararam de se movimentar, de repente.

Franco mergulhou e as encontrou em posição vertical, descansando, perfeitamente sincronizadas. As sonecas das baleias duram de 6 a 24 minutos, algo bem rápido, por isso o fotógrafo aproveitou a oportunidade e registrou esse momento mágico.

 

Baleias brincando com golfinhos

 

Cachalotes cochilando

 

 

LANCES ESTRANHOS

Peixes estão se tornando transgêneros por causa dos químicos de pílulas contraceptivas. Havaí quer proibir protetores solares para proteger seu litoral. Tempestades solares podem causar morte em massa de baleias. É preciso ler para entender.

Um em cada cinco peixes machos se tornou transgênero por causa dos químicos de pílulas contraceptivas que chegam à natureza saindo das descargas das residências, de acordo com um novo estudo.

Os peixes machos de rios estão demonstrando traços femininos, e estão inclusive produzindo ovos, de acordo com uma pesquisa realizada pela Universidade de Exeter, na Inglaterra.

Alguns peixes machos tiveram a qualidade de seu esperma diminuída, e estão menos agressivos e competitivos, diminuindo as chances de uma reprodução bem-sucedida. De acordo com o estudo, as mudanças nos peixes foram causadas por substâncias químicas encontradas em pílulas contraceptivas, produtos de limpeza, plástico e cosméticos.

Enquanto isso, o Havaí pode ser o primeiro Estado norte-americano a proibir o uso de protetores solares que usam dois tipos de produtos químicos que são eficazes ao filtrarem os raios ultravioletas, mas que podem fazer muito mal aos recifes de corais. O senador Will Espero apresentou um projeto de lei, ao legislativo estadual do Havaí, que pode banir o uso de protetores solares que contêm oxibenzona ou octinoxato, exceto em casos de prescrição médica. O argumento é de que a proibição visa proteger o turismo local, que depende muito dos recifes de corais.  A Europa também já propôs a proibição do uso da oxibenzona em cosméticos, mas a lei ainda não está vigente.

Segundo um estudo, a oxibenzona tem efeitos nocivos mesmo quando altamente diluída. Como está presente em grande parte dos protetores solares, o produto químico é encontrado em altas concentrações nos oceanos. No Havaí, a proporção varia de 800 partes por trilhão a 1,4 parte por milhão. Isso é mais de 12 vezes a concentração necessária para causar danos em corais.

O que causa o encalhe em massa de baleias e golfinhos? Esse é talvez um dos maiores mistérios da biologia marinha que os cientistas há anos tentam solucionar. Vários fatores podem estar envolvidos — doenças, ferimentos, o uso de sonares poderosos por embarcações militares e de pesca industrial e até mesmo a influência gravitacional da Lua são alguns deles. Agora, cientistas da agência espacial americana, Nasa, estudam mais uma razão possível: o efeito de tempestades solares.

Eles desconfiam que as tempestades solares severas, que afetam os campos magnéticos da Terra, são capazes de confundir as bússolas internas das baleias e outros cetáceos e fazê-los perder o rumo.

Para agravar o quadro, tempestades solares também podem estar associadas a mudanças planetárias de grande escala que incluem terremotos, erupções vulcânicas, furacões e tornados violentos. Diante de tudo isso, é possível que as anomalias magnéticas causadas pelas tempestades solares afete também o comportamento dos animais.

 

Peixes transgêneros

 

Havaí quer proibir protetores solares

 

Tempestades solares

 

NAVIO ELÉTRICO VAI CRUZAR OS MARES DE FORMA AUTÔNOMA

As norueguesas Yara International e Kongsberg Maritime estão unindo forças para criar o primeiro navio de contêineres autônomo e totalmente elétrico do mundo. Ele promete substituir, por ano, 40 mil viagens feitas por caminhões a diesel, reduzindo as emissões de NOx e CO2.

O navio Yara Birkeland terá capacidade de 100 a 150 TEUs (unidades equivalentes a vinte pés), medida usada para calcular o volume de um contêiner. Ele será movido a propulsão elétrica, terá uma bateria de 3,5 a 4 MWh, e vai operar a velocidades de 11 km/h (atingindo máximas de 18 km/h).

E, para navegar de forma autônoma, ele será equipado com câmeras, radares, LIDAR (para medir distâncias usando lasers), sensores infravermelho (para ver sob condições de pouca luz) e AIS (sistema usado para identificar e localizar embarcações próximas).

O navio vai operar dentro de 22 km de distância da costa, entre três portos no sul da Noruega. E, para garantir a segurança, haverá três centros operacionais para monitorar o navio, ajudá-lo a tomar decisões e lidar com situações de emergência.

O Yara Birkeland está previsto para ser entregue no segundo semestre de 2018; ele será operado inicialmente com um capitão e uma tripulação pequena. No ano seguinte, será a vez de realizar testes de controle remoto. E, em 2020, o navio será totalmente autônomo.

A Kongsberg ficará responsável pelo desenvolvimento e fornecimento dos sensores e dos sistemas de controle. No ano passado, ela fez parceria com a britânica Automated Ships para construir o primeiro navio autônomo do mundo para operações offshore. Ele será usado nas operações de reabastecimento em plataformas petrolíferas do Mar do Norte, e está previsto para 2018.

 

Navio elétrico autônomo

 

A era dos aviões sem pilotos vem aí

 

 

 

A CORRIDA PELA SOBERANIA DOS OCEANOS

 

É preciso ficar de olho na corrida pela soberania (e pelos bilhões) do leito dos oceanos. Ao redor do mundo, diversos países estão reivindicando soberania sobre áreas de difícil acesso no fundo dos oceanos. A atual legislação internacional estabelece que países são donos do que é encontrado em uma extensão de até 200 milhas náuticas (370 km) de suas costas. Passado esse limite, a discussão se complica.

A corrida já começou faz tempo. No século 20, por exemplo, missões para chegar ao Polo Sul foram financiadas por investidores dispostos a se beneficiar da futura exploração dessas áreas desconhecidas.

Mas o aspecto geopolítico ganhou força em 1945, quando o então presidente dos EUA, Harry Truman, reivindicou a totalidade da plataforma continental adjacente ao país.

Em 2007, a Rússia usou um submarino-robô para fincar uma bandeira no fundo do mar abaixo do Polo Norte.

A nova fronteira é o fundo dos oceanos. Explorar essas áreas pode resultar na descoberta de uma grande quantidade de recursos naturais.

Abismos e montanhas – Apenas 5% do leito oceânico, que cobre cerca de 60% da superfície da Terra, foi propriamente explorado até agora. A luz não chega às profundezas, que vivem na escuridão, em temperaturas perto de zero.

Cada missão exploratória revelou estruturas frágeis e animais nunca antes vistos. Mas empresas e governos estão de olho em minerais que potencialmente podem valer bilhões.

Nos últimos anos, houve grande avanço na tecnologia para mapear e extrair esses recursos – incluindo a construção de equipamento robótico capaz de operar em grandes profundidades.

A mineração em grandes profundidades, ideia que data dos anos 1960, pode se tornar realidade já na próxima década.

Tudo isso é alimentado também pelo crescimento populacional e econômico do mundo, além das preocupações com a oferta de recursos minerais em terra firme.

No solo oceânico, por exemplo, há cobre, níquel e cobalto em grandes concentrações, assim como depósitos de metais “estratégicos”, como é o caso dos chamados elementos terra-rara, usados em tecnologias como chips de memória e baterias para carros elétricos.

Estima-se, por exemplo, que apenas montanhas no fundo do Pacífico contenham 22 vezes mais telúrio, elemento usado em painéis de energia solar, do que em todas as reservas terrestres conhecidas.

Sob pressão – Até o momento, esses recursos minerais estão sendo apenas localizados, não extraídos. Há sérios obstáculos a superar nessas locações remotas.  O equipamento precisa funcionar em profundidades de 5 mil metros, onde a pressão é 500 vezes maior que na superfície, apenas para começar a escavar. A atual tecnologia de mineração profunda permite apenas a operação em regiões de mil metros debaixo d´água.

As regras para a exploração do fundo dos oceanos ainda não foram estipuladas, mas os interessados terão que demonstrar que avaliaram o impacto ambiental das operações e os planos de contingência para efeitos das atividades.

O grande problema é que o conhecimento humano sobre esses ambientes é limitado, o que dirá a compreensão sobre os efeitos de sua exploração para a extração de recursos.

A biodiversidade nos oceanos é espetacular, mesmo em grandes profundidades, e os cientistas sabem que há muito mais espécies a serem descobertas.

 De quem é o fundo? – A atual legislação internacional estabelece que países são donos do que é encontrado em uma extensão de até 200 milhas náuticas (370 km) de suas costas. Passado esse limite, a discussão se complica.

Um órgão das Nações Unidas, conhecido como ISA, é responsável pelo licenciamento de projetos exploratórios do leito oceânico.

Criado em 1984, o ISA é reconhecido por 168 países, entre eles o Brasil e a União Europeia, mas não os EUA.

Desde então, o órgão aprovou apenas 26 pedidos de exploração de 20 países, nenhum deles da América do Sul. China e Rússia são os países com mais licenças (quatro cada), ao passo que Reino Unido, França, Alemanha, Índia e Japão têm dois.

Por determinação da ONU, os contratos têm de ser divididos com uma nação em desenvolvimento.

Com os avanços da tecnologia, a corrida pelo fundo dos oceanos só vai se intensificar.

 

Veja ainda:

A corrida pela soberania do leito dos oceanos

 

Why are countries laying claim to the deep-sea floor?

 

The Last Gold Rush Coastal Nations Grab for Ocean Floor Riches

 

Sea of troubles

 

OS ASSASSINOS?

Quem são os assassinos por trás dos corpos de tubarões encontrados sem fígado, estômago e testículos na África do Sul.  Em apenas um mês, quatro carcaças foram encontradas em praias de Western Cape; ataques supreendem por ‘desafio à cadeia alimentar’.

Especialistas do Dyer Island Conservation Trust, entidade com base na província de Western Cape, foram acionados quatro vezes para inspecionar carcaças de tubarões-brancos que apareceram em praias da região.

Todas apresentavam a mesma característica: tinham sido basicamente dissecadas para a remoção do fígado, com precisão quase cirúrgica – algumas tinham perdido coração, estômago e mesmo testículos.

O mistério aqui não é exatamente a identidade dos autores do “crime”. Afinal, os biólogos sabem que os tubarões foram atacados por orcas e este tipo incidente já foi registrado antes. Mas chamou a atenção o fato de os animais terem se aventurado contra a espécie que está no topo da cadeia alimentar em Dyer Island.

E mais: os “criminosos” em questão sequer se deram ao trabalho de deixar a cena do crime.

Os cientistas também ficaram intrigados com a maneira seletiva com que os cetáceos atacaram a presa: em casos antes registrados, os animais também atacavam a carne do animal.

A seletividade também não é tão incomum: quando caçam baleias, orcas muitas vezes matam filhotes e comem apenas a língua. Uma possível explicação é que alguns órgãos têm concentrações maiores de nutrientes e fornecem, assim, bem mais energia do que o resto da carne – ou seja, esse tipo de alimentação seletiva seria uma forma de conservação de energia.

Por enquanto, o que se sabe é que as orcas conseguiram afetar até a indústria do turismo em Western Cape. Empresas que promovem passeios de observação de tubarões relatam que diversas viagens terminaram sem que um único animal fosse avistado.

 

Os assassinos

 

Drone captura momento em que orca ataca e come tubarão vivo

6 animais assassinos que você talvez não conheça

 

DEVORADO TITANIC

Cientistas acreditam que, em algumas décadas, pode ser que não sobre mais nada do navio. Tudo por causa de uma espécie de bactéria que está aos poucos comendo seu casco de ferro. Eventualmente, todos os navios – incluindo o Titanic no Atlântico – serão completamente devorados, seja por bactérias que se alimentam de metal ou corrosão da água do mar. O ferro da embarcação de 47 mil toneladas acabará no oceano. Em algum momento, parte dele será incorporado aos corpos de animais e plantas marinhos. O Titanic então terá sido reciclado.

Robert Ballard, oceanógrafo da Universidade de Rhode Island em Narragansett, descobriu o navio naufragado em 1985. O que não se sabia na época era que a descoberta só aconteceu por causa do envolvimento de Ballard em uma missão secreta da Marinha britânica para localizar os restos de dois submarinos nucleares americanos que afundaram durante a Guerra Fria. O Titanic apenas foi encontrado entre os dois submarinos.

Na época da descoberta, o navio estava impressionantemente preservado. Por estar 3,8 km abaixo da superfície, submetido a pouca luz e pressão intensa, se tornou inabitável para a maioria dos tipos de vida, o que atrasou a corrosão. Depois de 30 anos, porém, o casco está enferrujando por causa de bactérias que corroem metal. Alguns pesquisadores agora dão um prazo de validade de 14 anos até que o navio desapareça para sempre.

 

Titanic devorado

Titanic pode sumir para sempre devorado por ‘superbactéria’

Titanic sinks in REAL TIME – 2 HOURS 40 MINUTES

Eu te devoro

 

PEPINOS DA CHINA

Uma iniciativa chinesa para proteger criaturas marinhas ameaçadas proibindo a pesca contribuiu para a queda do chamado crack spread do diesel na Ásia, um indicador dos retornos da produção do combustível, para o menor patamar em nove meses. O motivo é que milhares de barcos de pesca do país ficarão ociosos de maio a setembro e, portanto, não precisarão do combustível em um momento em que a oferta normalmente é ampla porque as refinarias retomam as atividades após trabalhos de manutenção.

Esta não é a primeira vez que as traders são afetadas por mudanças nas políticas da China, maior consumidora de energia do mundo. O país elevou seus padrões de combustíveis para veículos em janeiro, levando suas refinarias a ampliarem a produção de diesel premium e, em contrapartida, reduzindo o diferencial de preço entre os tipos de combustível mais limpos e sujos na Ásia. A proibição à pesca, o crescimento econômico mais lento e o afastamento das indústrias pesadas no país poderiam afetar ainda mais a perspectiva para o combustível, segundo a BMI Research, da Fitch Group.

“A proibição nacional à pesca imposta em maio atingirá ainda mais o consumo de diesel da considerável frota de barcos da China”, informou a BMI em relatório de 25 de maio. “Considerando que a economia chinesa deverá desacelerar ainda mais no segundo semestre de 2017, a demanda por combustíveis refinados poderá sofrer uma pressão maior nos próximos meses.”

Necessidade de proteção – A pesca excessiva e a demanda crescente por frutos do mar esgotaram os recursos pesqueiros nos principais rios e mares da China, disse Liu Xiaoqiang, representante do departamento de pesca do Ministério da Agricultura. Entre as espécies com necessidade de proteção estão o pepino-do-mar, o peixe-espada e a pescada amarela. O pepino-do-mar, um reverenciado item alimentício de luxo para os consumidores chineses ricos, tem sido pescado a uma taxa insustentável, segundo a WorldFish, uma organização de pesquisas sem fins lucrativos.

A China proibiu a pesca em seus quatro principais mares em 1º de maio, na primeira vez em que sincronizou as datas do embargo para toda a pesca offshore. A proibição termina entre agosto e setembro e terá cerca de um mês a mais que as anteriores, afetando quase 200.000 barcos de pesca e um milhão de pescadores, segundo o Ministério da Agricultura.

Isso reduziu o preço do diesel, normalmente o combustível usado pelos barcos de pesca, segundo cinco traders e um analista consultados pela Bloomberg. Além disso, derrubou o crack spread do diesel no início de maio ao nível mais baixo desde agosto de 2016. “A atividade pesqueira na China certamente afeta a demanda doméstica por diesel”, disse WengInn Chin, analista para o mercado de petróleo da consultoria do setor FGE, acrescentando que a proibição havia gerado alguma pressão sobre o crack.

 

Veja mais:

Pepinos da China 1

Pepinos da  China 2

Pepinos do Mar

 

ONU E OS OCEANOS

Autoridades de todo o mundo se reuniram na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, para promover ações contra a degradação marinha.  A abertura coincide com o Dia Mundial do Meio Ambiente.

A primeira Conferência sobre os Oceanos busca parcerias para a implementação do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 14, que trata da conservação de mares e oceanos e do gerenciamento de recursos marinhos.

“A menos que superemos os interesses territoriais e de recursos que bloquearam o progresso por muito tempo, o estado dos nossos oceanos continuará a deteriorar-se. Devemos pôr de lado ganhos nacionais de curto prazo para evitarmos uma catástrofe global a longo prazo. Conservar os nossos oceanos e usá-los de forma sustentável, é preservar nossa própria vida”, declarou António Guterres, secretário-geral da ONU.

Os problemas que afetam os oceanos estão mais do que identificados – branqueamento dos corais, poluição por matérias plásticas, pesca excessiva, subida do nível das águas pelo aquecimento climático -; os dirigentes procuram ao longo da semana encontrar compromissos para uma estratégia comum. Entre as intenções à partida está a proteção de, pelo menos 10% dos ecossistemas costeiros ao horizonte de 2020, a redução da poluição dos oceanos e o reforço dos meios de luta contra a pesca ilegal e não regulamentada.

Os oceanos representam, em volume, 99% do espaço do planeta, sendo que 40% dos oceanos estão sendo afetados incisiva e diretamente por atividades humanas, tais como poluição, pesca predatória, o que resulta, principalmente, em perda de habitat. Ademais, os oceanos tornam a vida humana possível: sua temperatura, química, correntes e formas de vida. Os oceanos absorvem cerca de 30% do dióxido de carbono que os seres humanos produzem; e estamos produzindo mais dióxido de carbono do que nunca, o que faz com que os oceanos fiquem mais ácidos – 26% a mais desde o início da revolução industrial. Nosso lixo também ajuda na degradação dos oceanos – há 13.000 pedaços de lixo plástico em cada quilômetro quadrado.

 

ONU e os oceanos

Campanha no AquaRio

Vida na água

Dia Mundial do Meio Ambiente

 

 

 

 

 

 

 

PESCA NOS ESTADOS UNIDOS

Pescado nos EUA movimentou US$ 208 bilhões em 2016; gestão de estoques

pesqueiros mostra bom resultados.

A pesca comercial e recreativa gerou US$ 208 bilhões em vendas, contribuiu com US$ 97 bilhões para o Produto Interno Bruto (PIB) e empregou 1,6 milhões de pessoas em 2015. As informações constam em um relatório divulgado agora pela Administração Nacional de Atmosfera e Oceanos dos Estados Unidos (NOAA).

A pesca comercial e as importações de pescado respondem por US$ 144 bilhões do total de negócios gerados. Isso representa uma queda de 6% ante 2014, por conta de fatores como o El Niño e toxinas marinhas que afetaram os desembarques da costa oeste.

O NOAA também produziu um relatório endereçado ao Congresso norte-americano que demonstra o estado positivo dos estoques pesqueiros nos Estados Unidos. Em 2016, os estoques continuaram a se recuperar, segundo o órgão, e chegaram aos melhores níveis de toda a série histórica.

Quatro estoques saíram da lista de sobrepesca, enquanto seis outros foram adicionados à lista. Outros dois estoques – a raia barndoor e a albacora – foram considerados recuperados da sobrepesca, totalizando o número de 41 estoques recuperados desde 2000.

Na visão do NOAA, um estoque está em sobrepesca quando a taxa de captura é muito alta. “O relatório mostra que os EUA estão na rota certa no que diz respeito à gestão sustentável dos nossos estoques”, disse Samuel Rauch, porta-voz do NOAA Fisheries.

A indústria pesqueira também apoia o trabalho governamental. “Uma ênfase contínua em gerenciamento baseado em pesquisa científica, práticas empresarias sólidas e regulação responsável vai gerar relatórios encorajadores, como este, por anos a fio”, disse em comunicado John Connelly, presidente do National Fisheries Institute, entidade que congrega as principais indústrias pesqueiras dos EUA.

 

 

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Movimento bilionário

Participação do Brasil em feira de pescados nos EUA

Pesca ilegal: Estados Unidos seguem União Europeia

 

 

 

 

 

 

  

 

IMPLANTAÇÃO DA CONVENÇÃO DE ÁGUA DE LASTRO

O Brasil, Ilhas Cook, Índia, Libéria, Noruega e Reino Unido estão pedindo que a IMO adie a implementação da convenção de gestão de água de lastro. Em um documento enviado para discussão no MEPC 71 em julho, os estados propõem a transferência de setembro de 2017 para setembro de 2019. O documento também sugere abandonar o plano de vincular a data de cumprimento para os equipamentos em navios à renovação do Certificado Internacional de Prevenção da Poluição por Óleo (IOPP). Se isto acontecer, permitirá que o retrofit do equipamento seja realizado até 2024.

A probabilidade de este pleito passar é bastante alta, diz o consultor de gestão de água de lastro Jad Mouawad.  “Minha preferência pessoal seria iniciar a implementação da convenção como planejado (8 de setembro de 2017) e, em vez disso, espaçar o período de instalação para 10 anos em vez de cinco, por exemplo. Isto está mais em linha com a intenção original do regulador quando o primeiro rascunho da regra B-3 da convenção de gestão de água de lastro foi adotado em 2004.

O consultor de Espécies Invasoras Rob Hilliard diz que ninguém deve se surpreender se a data de implementação for adiada. Ele concorda que ainda há uma série de questões a serem resolvidas, incluindo o número muito baixo de sistemas compatíveis com os Estados Unidos que estarão disponíveis até 8 de setembro.

Água de lastro 2019

 

Água de lastro, bioinvasão e resposta internacional

 

PEIXES E UBER

Nos últimos séculos, a população cresceu vertiginosamente e nossa capacidade de consumir bens naturais aumentou exponencialmente com o desenvolvimento tecnológico. Nos séculos 19 e 20, com pequenos navios e arpões manuais, pescadores quase extinguiram a população de baleias. E a queima indiscriminada de combustíveis fósseis aumentou a quantidade do gás carbônico na atmosfera, provocando o aquecimento global. Leia artigo do biólogo Fernando Reinach, publicado no O Estado de S.Paulo

 

SÃO PAULO – Para não desaparecer do planeta, o Homo sapiens terá de preservar os bens que pertencem à toda humanidade. O ar que circunda o planeta e os peixes que vagam pelos oceanos são exemplos desse tipo de bem. No passado, a quantidade desses bens era praticamente infinita em relação ao número de seres humanos. Tribos de índios podiam pescar quanto quisessem e acender quantas fogueiras fossem necessárias. O impacto dos peixes capturados e da fumaça gerada era insignificante. Não afetava o clima ou a abundância dos mares.

Mas, nos últimos séculos, a população cresceu vertiginosamente e nossa capacidade de consumir bens naturais aumentou exponencialmente com o desenvolvimento tecnológico. Nos séculos 19 e 20, com pequenos navios e arpões manuais, pescadores quase extinguiram a população de baleias. E a queima indiscriminada de combustíveis fósseis aumentou a quantidade do gás carbônico na atmosfera, provocando o aquecimento global.

Em 1968, Garrett Hardin argumentou que o ser humano precisa abdicar de sua liberdade de explorar bens comuns, se deseja sobreviver. E a razão fica clara no exemplo clássico dos pastos públicos na Europa. Esses podiam ser usados por qualquer pessoa para alimentar seus animais. As pessoas colocavam tantos animais na área que o pasto era destruído e todos saíam perdendo. E, apesar de compreenderem o fenômeno, as pessoas são incapazes de mudar seu comportamento. A solução foi regulamentar o uso.

E foi assim que surgiram as cotas nas grandes áreas de pesca. Primeiramente se estima a quantidade de peixe que pode ser capturada sem prejudicar o ecossistema (o que chamamos de teto), depois se determinava em que período do ano essa captura pode ocorrer. Nesse período, qualquer pescador pode pescar livremente até que o número de peixes capturados atinge o teto estipulado. Executado corretamente, esse conceito é capaz de preservar o estoque de peixes e foi amplamente adotado. Mas surgiu um problema. Como todos podiam capturar quanto quisessem, a competição se tornou feroz e em alguns pesqueiros em menos de 10% do tempo alocado para a pesca o teto era atingido. Por outro lado, esse sistema tinha uma vantagem: todos tinham a liberdade de pescar quanto conseguissem contanto que respeitassem o teto. A desvantagem é que a competição levava as pessoas a literalmente morrer em meio a tempestades e a capturar peixes de qualquer tamanho e qualidade.

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Finalmente surgiu outra ideia, a combinação do conceito de teto com o de cotas. O teto determinava o máximo e as cotas, distribuídas entre os pescadores, permitia que cada um pescasse sua quota quando quisesse. Além disso, as cotas poderiam ser comercializadas. Esse sistema de teto e quotas (que em inglês é chamado de “Cap and Trade”) passou a ser utilizado em muitos pesqueiros. Ele reduz a competição, mas necessita de um sistema de distribuição de cotas, seja por sorteio, fila ou leilão. Ou seja, nem todos podem pescar. As vantagens e desvantagens desses dois sistemas foram objeto de debate nas últimas décadas.

Agora um novo estudo, onde pares de pesqueiros que utilizam cada sistema foram comparados, demonstrou que o sistema de teto e cota espalha melhor a atividade de pesca ao longo do tempo, melhora a qualidade dos peixes capturados, diminui o impacto sobre o ecossistema, aumenta a segurança dos pescadores, e permite que se aumente um pouco o teto. Ou seja, é claramente melhor do ponto de vista ambiental. Mas não elimina o problema de como distribuir as cotas e as potenciais injustiças associadas a esse processo.

Acompanhar a evolução do sistema de regulação dos pesqueiros é instrutivo, pois eles são as experiências mais antigas adotadas pela humanidade para regulamentar a utilização de bens comuns. Mais recentemente, sistemas semelhantes de teto e cotas têm sido propostos para regular o uso da atmosfera (um teto para a emissão de gás carbônicos e cotas que podem ser compradas pelos emissores desse gás) e para a exploração de florestas (teto de árvores a cortar e cotas para exploradores de florestas). Esse sistema também é utilizado em situações mais prosaicas como no sistema de táxi das grandes cidades (um teto para o número de táxis e cotas, licenças, distribuídas entre motoristas).

Cada vez mais ouviremos falar de sistemas de teto e cotas. Sua necessidade, utilidade e regras são parte de nosso esforço de salvar o planeta e farão parte de nosso dia a dia. E, apesar das discussões sobre as vantagens e desvantagens desses sistemas na regulação dos gases de efeito estufa ainda não ter chegado a toda a população, a chegada de aplicativos como o Uber e seu desafio ao sistema de teto e cotas dos táxis têm tornado essa discussão corriqueira nas grandes cidades. E isso não deixa de ser um progresso.

 

Fernando Reinach:  Peixes e Uber

 

 

DUAS TRAGÉDIAS NO MAR: AS VOZES DO DESESPERO E DA OMISSÃO

É doloroso ver o princípio de salvaguarda da vida humana no mar ser abandonado por covardia, descaso, omissão.

Onze de Outubro de 2013 foi uma das datas mais negras da crise migratória desencadeada pela Guerra da Síria. Nesse dia, 268 pessoas, entre as quais 60 crianças, morriam nas águas do Mediterrâneo, perto da ilha italiana de Lampedusa, depois de um barco pesqueiro sobrelotado proveniente da Líbia se ter virado e afundado. Quase quatro anos depois, a revista italiana L’Espresso divulga agora um conjunto de cinco gravações telefónicas que revelam como as autoridades italianas ignoraram durante cinco horas os pedidos desesperados de auxílio de um médico sírio a bordo.

Segundo a revista italiana, que reproduz as gravações áudio no seu site, o primeiro alerta foi dado às 12h39. A essa hora, o centro de operações da guarda costeira italiana, em Roma, recebe uma chamada de Mohanad Jammo, um médico sírio que dá conta dos problemas a bordo, indicando a presença de “cerca de cem crianças, cem mulheres e talvez cem homens”. Na verdade, soube-se mais tarde, estavam pelo menos 480 pessoas no pesqueiro líbio.

Às 13h17, o médico sírio volta a pedir ajuda. “Enviaram alguém? Somos sírios, somos cerca de 300”, diz. Uma voz masculina responde em tom impaciente: “Eu dou-lhe o número de Malta, porque está perto de Malta – perto de Malta, compreende?” Era o início de uma nova fase do incidente, em que Roma e La Valletta empurram entre si a responsabilidade pelo auxílio aos refugiados sírios.

A tragédia do Costa Concordia – Francesco Schettino, ex-comandante do navio Costa Concordia, foi condenado nesta quarta-feira (11 de maio) a 16 anos de prisão por causa do naufrágio do cruzeiro no qual morreram 32 pessoas, em janeiro de 2012.

De acordo com a Reuters, ele foi condenado por homicídio culposo múltiplo, por ter causado o naufrágio e por abandono do navio pelo tribunal de Grosseto, na Itália. No entanto, ele não irá para a cadeia antes da conclusão do longo processo de apelação na Itália, o que pode levar anos.

O abandono ocasionou o episódio mais famoso em todo o incidente: o momento em que o capitão da Guarda Costeira Gregorio De Falco ordena furiosamente que Schettino retorne ao cruzeiro para supervisionar as operações de resgate com a frase “Vada a bordo, cazzo!”

“Ouça, Schettino, talvez você tenha se salvado do mar, mas eu vou fazer você ficar muito mal. Farei você pagar por isto. Vá para bordo, porra!”, gritou De Falco para Schettino durante um diálogo de quatro minutos, por rádio.

 

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O dia em que a Itália deixou 60 crianças se afogarem

 

Vídeo do acidente e as vozes do desespero e da omissão

 

Costa Concordia

 

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ORCAS, TUBARÕES, MODELOS E OUTROS ACIDENTES

Os tubarões brancos, um dos mais temidos predadores do planeta, tem lá os seus dias de ser depredado. No princípio de maio deste ano, três deles foram vítimas de orcas, as baleias assassinas. Os tubarões tiveram o fígado e o coração devorados pelas orcas.

Tubarão ataca modelo – Uma modelo foi atacada por um tubarão enquanto estava dentro de uma gaiola subaquática para fazer um ensaio de fotos, no mar da Flórida, nos Estados Unidos. Um vídeo mostra o momento em que Molly Cavalli é mordida pelo animal no pé e vê o próprio sangue se espalhar pela água.

Domador sem noção – Um jovem tem sorte em estar vivo após ter sido atacado por um tubarão, que tentou montar e “domar” usando uma corda. O caso aconteceu ao norte do Queensland, na Austrália, na última semana. Depois de se dar mal na “brincadeira” e ficar ferido, Josh Neille precisou ser hospitalizado.

Tubarão mata adolescente – Uma jovem de 17 anos morreu ao ser atacada por um tubarão diante de sua família em uma praia da Austrália. A jovem estava surfando com seu pai na zona de Wylie Bay quando foi arrastada pelo tubarão.

 

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Orcas devoram tubarões brancos

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Domador sem noção

Tubarão mata adolescente

 

 

 

 

O MINIMUNDO DOS PEIXES

DAS 2.500 espécies de peixes que nadam pelos rios da Amazônia, é compreensível que a gente conheça só os que são grandes (e apetitosos), como o pirarucu e o tambaqui. É compreensível, repito, mas é uma pena, porque os milhares de quilômetros de água corrente da região guardam surpresas de todos os tamanhos — inclusive em miniatura. Leia artigo de Reinaldo José Lopes.

Considere, por exemplo, os membros do gênero Priocharax, estudados por cientistas como George Mattox, do campus sorocabano da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos). “Se você olha os cardumes de cima, parece que tem um enxame de abelhas dentro d’água”, contou-me Mattox em conversa telefônica, referindo-se aos bandos de até 3.000 indivíduos que ele já viu na natureza. Diáfanos, quase transparentes, os Priocharax pertencem à categoria dos minipeixes ou peixes miniaturizados, na qual se encaixam, por convenção, todos os peixinhos cujas formas adultas têm comprimento inferior a 2,6 cm.

Os Priocharax são parentes das piranhas, piabas e traíras, mas há ainda minipeixes do grupo dos bagres e dos tucunarés. Assim como o chão da floresta está repleto de uma diversidade incrível de invertebrados, que só aparece quando alguém se dá ao trabalho de peneirar o sedimento, os minipeixes frequentemente estão entocados mais para o fundo.

Sabemos muito pouco sobre esses bichos, claro —o tamanhinho não ajuda, assim como os hábitos esquivos. Até 2011, só duas espécies de Priocharax tinham sido identificadas. Foi nesse ano que o pesquisador da UFSCar e seus colegas Mônica Toledo-Piza, da USP, e Ralf Britz, do Museu de História Natural de Londres, identificaram um novo bicho do gênero, o Priocharax nanus (“anão”, em latim), cuja descrição oficial foi publicada em 2014. Desde então, já surgiram mais três

Os Priocharax parecem ser resultado de experimentos evolutivos intrigantes, envolvendo ajustes no ritmo do desenvolvimento embrionário, de tal maneira que os peixinhos adultos do gênero ainda guardam certas características dos embriões (como nadadeiras peitorais cartilaginosas que não chegaram a virar osso).

Tem outra espécie que evoluiu de modo semelhante: um certo Homo sapiens, cuja anatomia tem semelhanças interessantes com as de fetos e bebês de chimpanzés. Na árvore da vida, pelo visto, os galhos brotam de maneira semelhante onde a gente menos espera.”

Leia artigo de José Reinaldo Lopes

 

Pesquisadores descobrem peixe transparente de 15 mm no Amazonas

 

 

 

O APETITE DA CHINA

Apetite doméstico da China por pescado vai superar exportações até 2020. O País vai deixar de ser o maior exportador de pescado do mundo para se tornar o maior importador

A China vai continuar a liderar a lista dos principais importadores globais e puxará o crescimento do mercado de carnes bovinas, suína e de aves nos próximos anos. Essa é a conclusão do relatório recentemente publicado pelo Rabobank: “China’s Animal Protein Outlook to 2020”.
O banco estima que as importações totais de carnes, com exceção de peixes e frutos do mar, da China continental vão ultrapassar 6 milhões de toneladas em 2020. O volume pode ser ainda maior, já que boa parte das importações ocorre de maneira indireta e não oficial via Hong Kong e Vietnã. A carne suína representa metade do fluxo.
Só que o pescado deve representar 10 vezes mais este volume. De acordo com a OCDE, a China deve chegar a 2022, quando terá mais de 1,5 bilhão de habitantes, com um consumo de pescado superior a 45 kg per capita/ano. Isso exigirá um volume aproximado de 70 milhões de toneladas de pescado anuais.
A produção nacional de pescado na China deve alcançar 66 milhões de toneladas em 2020, segundo o plano quinquenal chinês divulgado em 2016. No ano passado, a China importou o equivalente a US$ 6,9 bilhões ao longo de 2016, mas vendeu ao exterior em torno de US$ 13,7 bilhões.
Aos poucos, no entanto, o País vai deixar de ser o maior exportador de pescado do mundo para se tornar o maior importador, segundo o especialista em seafood do Rabobank, Gorjan Nikolik, afirmou recentemente.
Os custos crescentes de mão de obra e limitações produtivas devem segurar a produção e o processamento. Fontes consultadas pela Seafood Brasil estimam que um funcionário de uma indústria chinesa de pescado ganhe US$ 400 ao mês, enquanto há 5 anos recebia a metade.
As mesmas fontes relataram que o Brasil tem um custo médio de US$ 800 mensais por funcionário de uma planta frigorífica, o que já deixaria o País mais competitivo inclusive para exportar aos chineses.

 

Veja mais:

Apetite doméstico da China

China’s Appetite Pushes Fisheries to the Brink

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La Chine lance son deuxième porte-avions

BRASIL, VIETNAM E RÚSSIA

Vietnamitas decidem reunir jornalistas e compradores europeus para reverter crise de imagem. Russos querem evitar intermediários e vender diretamente ao Brasil.

O Carrefour França deu início ao movimento, posteriormente seguido pelas operações da rede na Bélgica e Espanha. A comercialização de pangasius proveniente do Vietnã foi proibida de “forma preventiva” ao longo do primeiro trimestre de 2017 por “preocupações ecológicas”.

Um comunicado oficial da rede distribuído na Europa falava em “dúvidas que existem sobre o adverso impacto que os cultivos de panga têm no meio ambiente, a rede decidiu deixar de vender este pescado e suspendeu os pedidos”. Outro foco de preocupação aos vietnamitas é os Estados Unidos, que devem apertar a fiscalização sobre toda a cadeia produtiva da espécie a partir de setembro, como informa o Seafood Source.

Atentos ao impacto e disseminação da decisão a outras cadeias, o Ministério da Agricultura vietnamita e a Associação dos Produtores e Exportadores de Pescado do Vietnã (Vasep) convocaram jornalistas europeus e distribuidores para uma reunião em plena feira Seafood Expo Global, em Bruxelas, para tentar reverter esta imagem.

No Brasil, a espécie foi alvo de diversas campanhas difamatórias na internet ao longo de 2011 por conta de seu sistema de cultivo, muito embora os problemas constatados pelas autoridades eram de excesso de glazing e adição de químicos. A adoção de uma política mais rigorosa pelo Departamento de Inspeção de Origem Animal (Dipoa) conteve fraudes e gerou uma reação no tipo de produtos despachados ao Brasil.

Russos – Agricultura da Rússia, Evgeny Gromyki, que aquele país pretende iniciar a exportação direta de pescado ao Brasil. Segundo ele, as espécies capturadas na região, como a polaca e o bacalhau do Pacífico (Gadus macrocephalus), são processadas em outros intermediários.

A captura realizada na Rússia segue em geral para o processamento em plantas chinesas. Só os filés de pescado provenientes de fábricas na China renderam no ano passado US$ 79,5 milhões aos asiáticos, correspondente a um volume exportado de 33 mil toneladas – negócio do qual os russos não pretendem ficar de fora. Segundo o MDIC, a Rússia não exportou nada de nenhum produto de pescado nos últimos cinco anos.

Maggi sinalizou positivamente à intenção e disse estar disposto a aumentar o comércio do agronegócio com o país, que é parceiro no BRICS (grupo de países emergentes integrado também pela China, Índia e África do Sul). Segundo comunicado do Mapa, a expectativa é mais que dobrar o volume de negócios chegando a US$ 10 bilhões em cinco anos.

Os brasileiros têm interesse de ampliar a venda de carne bovina, suína e de aves ao país governado por Vladimir Putin, que não criou barreiras à carne brasileira após os primeiros resultados da Operação Carne Fraca. O ministro ouviu de Gromyki que o governo russo “confia no Brasil”. “Não existem objeções políticas ou econômicas para que aumentemos o comércio bilateral”, disse Maggi, durante o encontro.

 

Vietnam

 

Russos

 

‘CACHOEIRA DE SANGUE’ NA ANTÁRTIDA

Cientistas americanos descobriram a origem da ‘Cachoeira de Sangue’ que escorre pela Geleira de Taylor, no sudoeste da Antártida. Trata-se de um reservatório de água líquida, super-salgado e muito antigo, que está embaixo da geleira. Desde que foi descrita, em 1911, a queda d’água de coloração avermelhada, resultado da oxidação do ferro presente em sua composição, tem intrigado cientistas de todo o mundo por se manter em estado líquido, mesmo nas gélidas temperaturas do polo sul. Agora, com o mapeamento do fluxo da água, os geólogos identificaram que ela se formou há mais um milhão de anos, conserva-se em estado líquido dentro da geleira e flui por uma série de canais subterrâneos até chegar à superfície.

“A geleira de Taylor passa a ser a mais fria a ter água persistentemente fluindo”, disse em comunicado a pesquisadora Erin Pettit, da Universidade de Alaska Fairbanks, nos Estados Unidos, uma das autoras do estudo publicado no periódico científico Journal of Glaciology.

Descoberta pelo geocientista inglês Thomas Griffith Taylor há mais de um século, a queda d’água teve sua coloração avermelhada atribuída, a princípio, a algas. No entanto, ao analisar sua composição, os pesquisadores descobriram que se tratava de oxidação, já que a água era rica em ferro que, ao entrar em contato com o oxigênio do ar, ‘enferruja’. Os pesquisadores descobriram também, em 2009, que o local abriga um complexo ecossistema composto por microrganismos que se alimentam unicamente de ferro e enxofre. Mas, até hoje, a fonte da água líquida da cachoeira ainda não havia sido determinada.

 

Cachoeira de sangue

Bienal Antártica leva arte ao continente gelado

Alameda dos icebergs no Ártico

 

 

NAVIO COM PISTA DE KART E O CARRO VOADOR

Navio de cruzeiro terá pista de kart com tema da Ferrari. Fabricante de ‘máquina voadora pessoal’ prevê vendas para este ano.

A Norwegian Cruise Line, empresa americana de cruzeiros, vai lançar em junho seu novo navio, o Norwegian Joy, criado especialmente para o mercado chinês. Mas qual a relação da embarcação com carros?

De acordo com a companhia, este será o primeiro navio do mundo a contar com uma pista de kart. E não é qualquer pista. A Norwegian fez uma parceria com a Ferrari, que irá “assinar” o trajeto.

Mas, em vez de carros de Fórmula 1, como o de Sebastian Vettel, correrão pela pista até 10 karts elétricos por vez, em um percurso que vai ocupar uma área de parte de dois andares do cruzeiro.

Para os clientes das classes mais caras, as corridas serão gratuitas. O Norwegian Joy pode levar até 3.800 passageiros. A viagem inaugural será em junho, saindo de Xangai.

Carro voador –   A startup Kitty Hawk, que criou um “carro voador” no Vale do Silício, apoiada pelo cofundador do Google Larry Page, lançou um vídeo de seu protótipo aéreo e anunciou os planos de venda de sua “máquina voadora pessoal” neste ano.

“Nossa missão é tornar o sonho do voo pessoal uma realidade. Acreditamos que quando todos tiverem acesso ao voo pessoal, um novo e ilimitado mundo de oportunidades se abrirá”, dizia o site da empresa, localizada na cidade natal da Google, Mountain View, na Califórnia.

Navio com pista de kart

Carro voador 1

Carro voador 2:

Carro voador 3

 

 

MARINHA E PESCA: O PODER MARÍTIMO

Na segunda década deste atribulado século XXI, os pescadores brasileiros podem e merecem ser chamados de heróis na sua luta incansável por respeito e dignidade num país onde a pesca (pelo menos em terra) anda à deriva. E não deixa de ser um elogio e um reconhecimento serem considerados por uma alta autoridade como “importante parcela do Poder Marítimo”. Mas ainda há muito mar para navegar e chegar a um porto soberano e seguro.

 

Há fortes indícios da presença de diversos barcos estrangeiros pescando, muito provavelmente atuns, nas águas jurisdicionais brasileiras, escreve Flávio Leme, assessor do SAPERJ e Presidente da Comissão Nacional da Pesca da CNA em seu artigo “Atividade pesqueira na Amazônia azul”, publicado na revista Pesca & Mar 167 e reproduzido em nosso site.

A presença desses barcos operando em nossas águas fere a soberania nacional e contribui, diretamente, para que estes recursos deixem de ser capturados pela frota brasileira, impactando na baixa produtividade das nossas pescarias.

Ratificando a abordagem da matéria publicada, o SAPERJ enviou ofício assinado pelo seu presidente, Alexandre Guerra Espogeiro, ao Comando de Operações Navais do Brasil, que respondeu com o Ofício nº 30-8/ComOpNav-MB 995, datado de 9 de fevereiro de 2017, assinado pelo Almirante de Esquadra Sergio Roberto Fernandes dos Santos.

Transcrevemos:

“Assunto: Operação de embarcações estrangeiras nas AJB

Prezado Presidente,

  1. Em resposta ao vosso Ofício nº 22/SAPERJ, inicialmente agradeço pela preocupação expressada em relação à questão da pesca ilegal em Águas Jurisdicionais Brasileiras (AJB). Como é de conhecimento de Vossa Senhoria, à Marinha do Brasil (MB), decorrentes de suas atribuições constitucionais e conforme expresso na Lei Complementar (LC) nº 97 de 9 de junho de 1999, cabem a fiscalização e a implementação das leis e regulamentos nacionais nas AJB, em favor dos interesses do País.
  2. Nesse sentido, com o emprego dos seus navios, aeronaves, sistemas de monitoramento e com apoio valioso da Força Aérea Brasileira (FAB), o Comando de Operações Navais (ComOpNav) realiza esforço diuturno de patrulha, tanto na nossa Amazônia Azul quanto nas águas interiores e hidrovias, de modo a garantir que as riquezas existentes em nossas águas contribuam para o desenvolvimento do Brasil. Com ideia aproximada do nosso esforço de vigilância e patrulha, anualmente os navios da MB, em conjunto, somaram cerca de mil dias de mar. Mesmo com a realização desse esforço, a MB está ciente da possibilidade de embarcações estrangeiras efetuarem pesca ilegal nas AJB, como expresso em vosso ofício. Entretanto, ainda que considerável parte do esforço de patrulha seja direcionado ao limite de nossa Zona Economicamente Exclusiva (ZEE), justamente para verificar se há essa ocorrência e, caso exista, coibi-la, até o momento não houve confirmação de que a mencionada possibilidade tenha se transformado em fato.
  3. Por fim, gostaria de ressaltar que a comunidade pesqueira nacional, importante parcela do Poder Marítimo brasileiro, pode emprestar relevante contribuição à nossa Amazônia por meio da identificação e reporte de qualquer suspeita de presença de embarcações estrangeiras à Autoridade Marítima local, posto que os comandantes de embarcações pesqueiras são elementos importantes para a informação sobre o tráfego marítimo, bem como para a contribuição para a fiscalização de atividades ilegais em nossas águas.”

Em seu artigo já citado, Flávio Leme escreveu sobre “a necessidade de desenvolvermos uma frota oceânica moderna e que esteja capacitada a trabalhar em toda extensão da nossa ZEE, mesmo porque, se não tivermos aptos a explorar os recursos pesqueiros presentes em nossas águas jurisdicionais, outros países poderão reivindicar este direito, com base no Artigo 62 da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar que estabelece: ‘Quando o Estado costeiro não tiver capacidade para efetuar a totalidade da captura permissível, deve dar a outros estados acesso ao excedente dessa captura, mediante acordos e outros ajustes’.”

E sublinhou: “Além de todas as dificuldades que temos hoje para poder explorar esses recursos, surgiu mais um fato de extrema preocupação e relevância: na apresentação feita pelo comandante do Comando do Controle Naval do Tráfego Marítimo (COMCONTRAM) sobre o Programa Nacional de Rastreamento de Embarcações Pesqueiras por Satélites (PREPS) – durante o último seminário da MARINTEC SOUTH AMERICA – foi divulgado que, por meio da análise do AIS SATELITAL, há fortes indícios da presença de diversos barcos estrangeiros pescando, muito provavelmente atuns, nas águas jurisdicionais brasileiras (AJB).”

Para Flávio Leme e para o Saperj, “a presença desses barcos operando em nossas águas fere a soberania nacional e contribui, diretamente, para que estes recursos deixem de ser capturados pela frota brasileira, impactando na baixa produtividade das nossas pescarias. Portanto, faz-se necessário estabelecermos, com urgência, ações de presença e vigilância que venham a coibir e impedir as operações de pesca das embarcações estrangeiras nas AJB, a fim de garantirmos e preservarmos a produção pesqueira nacional.”

E conclui: “Portanto, a perspectiva de desenvolvimento da atividade pesqueira não depende exclusivamente do setor privado, mas fundamentalmente, também, do entendimento do governo brasileiro a respeito da importância e da dinâmica da rica cadeia produtiva de pescado. Só assim o Estado poderá colher resultados concretos e de substancial magnitude do promissor segmento da pesca oceânica.”

A Marinha e a Pesca – No item 3 de seu ofício, aqui citado, o Almirante de Esquadra Sergio Roberto Fernandes dos Santos afirma: “a comunidade pesqueira nacional, importante parcela do Poder Marítimo brasileiro, pode emprestar relevante contribuição à nossa Amazônia por meio da identificação e reporte de qualquer suspeita de presença de embarcações estrangeiras à Autoridade Marítima local”.

Nesse sentido, Flávio Leme concorda que “é fundamental que as embarcações de pesca também atuem como sentinelas avançadas dos nossos mares, reportando para a autoridade marítima a posição e, se possível, nome e foto das embarcações estrangeiras de pesca trabalhando em nossas águas jurisdicionais”, ressalvando: “além das necessárias operações de patrulha pelas unidades navais da Marinha”.

O fato da comunidade marítima ser “importante parcela do Poder Marítimo” não vem de hoje.

No ensaio “Colônias de pescadores e a luta pela cidadania”, Sérgio Cardoso de Moraes, professor do DFE/UFPA, lembra que “as primeiras colônias de pescadores do Brasil foram fundadas a partir de 1919, e foi levado a cabo pela Marinha de Guerra. Dois grandes fatores contribuíram para essa investida do Estado: primeiro, o país começou o século XX importando peixes, apesar de possuir um vasto litoral e uma diversidade de águas interiores; segundo, após a primeira guerra mundial, aumentou o interesse do Estado em defender a costa brasileira. O discurso instituído para fundar as colônias baseou-se na defesa nacional, pois ninguém melhor do que os pescadores, empiricamente, conhecem os ‘segredos’ do mar. O lema adotado pela Marinha para a fundação das colônias de pescadores foi: Pátria e Dever, evidenciando o pensamento positivista.”

Durante a Segunda Guerra Mundial, como lembra a historiadora Angela Fonseca Souza Assis, no seu estudo “A saga dos pescadores do Changri-lá” (Navigator , Rio de Janeiro, V.1 – N.2, pp. 87-91, Dezembro de 2005), os pescadores brasileiros eram considerados auxiliares das forças navais, na vigilância de nossas águas territoriais. “Foi o caso do barco de pesca Changri-lá, que saiu do Rio de Janeiro, em junho de 1943, com destino ao litoral de Cabo Frio, onde foi afundado, na noite de 22 de julho de 1943, pelo Submarino alemão U-199. Em 1944, o Tribunal Marítimo não pôde determinar a causa de seu desaparecimento. Em 1999, ao ser reestudado o caso, o Tribunal Marítimo, com novas provas, alterou o rumo traçado no inquérito anterior. O U-199 foi afundado, por uma aeronave da Força Aérea Brasileira, um PBY-5 Catalina, em 31 de julho de 1943, ao sul do Rio de Janeiro. Os tripulantes do Changri-lá tiveram seus nomes inscritos no Panteão dos Heróis de Guerra, no dia 6 de junho de 2004, em cerimônia no Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial.”

Na segunda década deste atribulado século XXI, os pescadores brasileiros podem e merecem ser chamados de heróis na sua luta incansável por respeito e dignidade num país onde a pesca anda à deriva. E não deixa de ser um elogio e um reconhecimento serem considerados por uma alta autoridade como “importante parcela do Poder Marítimo”. Mas ainda há muito mar para navegar e chegar a um porto soberano e seguro.

 

Leia na revista Pesca & Mar 168: Um navio-fantasma.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

BALEIA AZUL

Um sinistro jogo viral tem causado alarme no mundo todo. É o jogo da Baleia Azul, disputado pelas redes sociais, que propõe desafios macabros aos adolescentes, como bater fotos assistindo a filmes de terror, automutilar-se, ficar doente e, na etapa final, cometer suicídio.

 

 
Aparentemente o fenômeno começou na Rússia, mas está se espalhando – inclusive no Brasil, como sugerem o caso da jovem de 16 anos morta no Mato Grosso e uma investigação policial em andamento na Paraíba. Na Rússia, em 2015, uma jovem de 15 anos se jogou do alto de um edifício; dias depois, uma adolescente de 14 anos se atirou na frente de um trem. Depois de investigar a causa destes e outros suicídios cometidos por jovens, a polícia ligou os fatos a um grupo que participava de um desafio com 50 missões, sendo a última delas acabar com a própria vida.

A preocupação aumentou ano passado, quando fontes diversas chegaram a divulgar, sem confirmação, 130 suicídios supostamente vinculados a comunidades online identificadas como “grupos da morte”.

  Tudo na internet se espalha muito rápido, mesmo as coisas mais inacreditáveis. Neste caso não é diferente. O fenômeno ganhou visibilidade e vem se alastrando pelo mundo. Em alguns países, como Inglaterra, França e Romênia, as escolas têm feito alertas às famílias, depois que adolescentes apareceram com cortes nos braços, queimaduras e outros sinais de mutilação.

Jogos com apelos de riscos letais têm virado moda entre os adolescentes. Um exemplo é o jogo da asfixia, que gerou vítimas no Brasil. Outro é o “desafio do sal e gelo”, no qual, para serem aceitos no grupo, os adolescentes devem queimar a pele e compartilhar as imagens nas redes sociais. Embora exista há anos, o desafio voltou com força recentemente. Sem falar no “Jogo da Fada”, que incita crianças a usar o gás do fogão de madrugada, enquanto os pais dormem.

 

Jogo sinistro

Quais os 50 desafios do jogo baleia azul ?

 

RIO AMAZONAS TEM 9 MILHÕES DE ANOS

Estudos anteriores apontavam para 2,6 milhões de anos, mas pode ser que o rio tenha mais de 9 milhões de anos de idade

rio Amazonas pode ter entre 9 e 9,4 milhões de anos, segundo um novo estudo liderado por cientistas da Universidade de Brasília (UnB) e da Universidade de Amsterdã, na Holanda. Análises anteriores apontavam para “apenas” 2,6 milhão de anos. A nova pesquisa encontrou sedimentos compostos de fósseis de plantas, na foz do rio, no Pará, que, além de revelarem a possível idade do Amazonas, contribuem para a investigação de como as mudanças climáticas alteraram a paisagem da região.

A pesquisa foi feita em uma fenda há mais de 4,5 quilômetros abaixo do nível do mar, na parte do Oceano Atlântico alimentada pelas águas do rio Amazonas. “Os sedimentos transportados por este rio são depositados na fenda submarina e, como resultado, registram com precisão sua história evolutiva. Foram aplicadas técnicas analíticas de alta resolução nesses detritos não realizadas anteriormente na região”, disse Farid Chemale, pesquisador do Instituto de Geociências da UnB, em comunicado. Um outro estudo feito neste mesmo poço havia datado o rio entre 1 e 1,5 milhões de anos.

Antigo rio Amazonas – Por meio da análise de dados geoquímicos e do estudo de pólen e esporos de plantas fossilizados, os cientistas identificaram ainda uma clara modificação no tipo de sedimentos depositados na área. Ao longo do tempo, eles passaram de detritos de planícies tropicais a sedimentos vindos dos Andes, que teriam sido levados pelo ‘recém-nascido’ rio Amazonas. Esses vegetais andinos teriam sido modificado ao longo dos anos, conforme aponta a pesquisa.

“Os nossos novos dados confirmaram que o rio Amazonas é mais velho, mas também apontam para uma expansão de prados – terrenos de vegetação baixa – durante o Pleistoceno (entre 2,588 milhões e 11,7 mil anos atrás) que não era conhecida antes. Pesquisas futuras podem dar mais respostas, mas requerem investimento em termos de perfuração continental e marítima”, disse Carina Hoorn, pesquisadora da Universidade de Amsterdã e principal autora do artigo, em nota. Os pesquisadores acreditam que o aumento de gramíneas na Cordilheira dos Andes teria sido impulsionado pelo resfriamento de cinco milhões de anos atrás, dando espaço para a vegetação aberta e sem árvores.

Esse estudo é parte do projeto Clim-Amazon, uma iniciativa brasileira e europeia para pesquisas climáticas. Os cientistas esperam, com estas análises, descobrir as mudanças na vegetação sofridas pela região há milhões de anos e, assim, compreender as alterações do clima.

Confira

 

ÁGUA DO ÁRTICO, A 310 REAIS A GARRAFA

Sem títuloA indústria da água entrou para valer no mercado de luxo e já está de olho nas geleiras do planeta. A empresa Svalbardi começou a vender este ano água retirada de icebergs do arquipélago de Svalbard (pertencente à Noruega), no Ártico, por cerca de 94 euros (310 reais) a garrafa de 750 ml.

Embora a água seja um direito humano, ela pode também ter um preço. Para Catarina Albuquerque, que já foi relatora das Nações Unidas para a questão do Direito à Água Potável e ao Saneamento Básico, não há motivo para que a água seja gratuita. Mas, quanto seria razoável pagar por ela? É ético vender água de uma geleira? Embora esses icebergs estejam dentro do território de um país, há toda uma discussão para se saber se eles não deveriam ser considerados patrimônio da humanidade.

Para Peter Gleick, presidente do Instituto do Pacífico, a cadeia de produção no seu conjunto levanta uma dúvida em relação à sustentabilidade dessa atividade no longo prazo: a energia necessária para coletar o gelo, transportá-lo, produzir as garrafas de plástico ou de vidro, distribuir o produto para as lojas e os resíduos gerados ao final do processo. Esse especialista afirma que, mesmo em pequena escala, a atividade pode contribuir para acelerar o processo de degelo do Ártico, ao aumentar a emissão de gases de efeito-estufa.

Sem título1DIA MUNDIAL DA ÁGUA – No dia 22 de março será comemorado o Dia Mundial da Água. A falta de fornecimento de água seguro, adequado e confiável para os setores altamente dependentes de recursos hídricos resulta na perda ou no desaparecimento de empregos e pode limitar o crescimento econômico mundial nos próximos anos, “a menos que exista infraestrutura suficiente para gerenciar e armazenar a água”. O alerta foi feito pela Organização das Nações Unidas (ONU) no ano passado.

 A edição de 2016 do Relatório Mundial das Nações Unidas para o Desenvolvimento de Recursos Hídricos foi produzido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), em nome da ONU Água. Com o tema a água e o emprego, ele mostrou que 78% dos empregos que constituem a força de trabalho mundial são dependentes dos recursos hídricos. “Nós temos algo em torno de 1,5 bilhão de pessoas no mundo que ainda têm problemas de acesso à água, seja em quantidade ou em qualidade. Isso afeta o emprego delas também”, disse o coordenador do setor de Ciências Naturais da Unesco no Brasil, Ary Mergulhão.

ÁGUA DO ÁRTICO

 

DIA MUNDIAL DA ÁGUA

 

ÓLEO DE KRILL: A NOVA FONTE DE ÔMEGA-3

Sem títuloO óleo de krill, molusco abundante em águas polares do hemisfério sul, é uma fonte de ômega-3 superior àquele proveniente de peixes.

As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no mundo e estão associadas a fatores de risco como altos níveis de colesterol, hipertensão arterial, diabetes e obesidade. Esses fatores de risco podem iniciar o processo inflamatório nas artérias, chamado aterosclerose, que leva à formação de placas que obstruem os vasos sanguíneos.

O krill é um crustáceo marinho parecido com o camarão, mas muito pequeno, que serve de alimento para animais como peixes, focas e baleias. Ele é rico em proteínas e, assim como os peixes, também é uma fonte natural de ômega-3. O ômega-3 do krill difere do proveniente dos peixes por possuir uma absorção mais eficiente, o que significa que é possível obter resultados semelhantes com a ingestão de menor quantidade. Ele também contém antioxidantes naturais que, além de promoverem maior estabilidade aos componentes do óleo, também colaboram metabolicamente na redução dos processos inflamatórios.

Uma das dificuldades em utilizar o ômega-3 de origem animal nas prescrições médicas e nutricionais reside na baixa absorção intestinal e/ou na sua baixa dose por cápsula. Os pacientes, para efetivamente receberem as doses validadas na literatura científica, precisam ingerir de quatro a oito cápsulas diariamente. Com o óleo proveniente do krill, as doses podem ser reduzidas em até 60%.

A documentação efetiva da eficácia do óleo de krill, na literatura científica, vem sendo avaliada pelo Índice Ômega-3, utilizado em diversas publicações como método para quantificar diretamente a incorporação do ômega 3 pelas membranas da hemoglobina, que, comparativamente entre o animal e o de krill, mostra uma significativa superioridade do krill.

Na atualidade, a grande fronteira clínica consiste em documentar, além da maior absorção e incorporação celular do ômega 3 originário do krill, a sua efetiva redução do processo inflamatório e a relação com os eventos cardiovasculares de maior importância, como infartos e acidentes vasculares cerebrais.

Óleo de Krill

Antarctic Krill

 

O MAR DE EMOÇÃO DO CARNAVAL

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O carnaval de Veneza foi a primeira tradição carnavalesca da história. Surgida no Século XVI o hábito de usar máscaras nas ruas se tratava de uma criação da nobreza. Desejando participar das festas populares, cheias de luxúria, diversão e gula, a nobreza se adornava com máscaras e fantasias a fim de não ser reconhecida, e neste dia, serem apenas mais pessoas no meio da multidão alegre, que já se reunia para esse tipo de comemoração desde o século XIII.

Mas o maior espetáculo da Terra é o carnaval brasileiro. E o mar, um mar de emoção, está sempre presente.

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Das Maravilhas do Mar, Fez-se o Esplendor de Uma Noite

Minha alegria atravessou o mar

Veneza

 

PEIXE TRUMP

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Encontrado peixe venenoso que é a cara de Donald Trump.

Um peixe peçonhento foi fotografado pelo boxeador irlandês Steve Collins, no Sea Life, um aquário localizado em Manchester, na Inglaterra. O rapaz comparou o animal com o recém-eleito presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ele contou que quando viu o peixinho “não conseguia parar de rir”, principalmente por causa da ‘testa’ do bicho, semelhante ao topete utilizado pelo presidente.

            Depois de publicada na internet, a foto rendeu vários comentários. Muitos usuários também acharam o peixe semelhante a Trump, incluindo o cantor Billy Madison, que compartilhou a imagem em seu Twitter. O fato de o peixe excretar substância tóxica e ainda emitir um grunhido quando capturado, fez render ainda mais comparações com o temperamento ‘bravo’ de Trump.

            Não é a primeira vez que Donald Trump é comparado com um peixe. Outras duas espécies já ficaram famosas na internet.

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Leia e veja

Leia e veja 2

Em inglês

 

ATIVIDADE PESQUEIRA NA AMAZÔNIA AZUL

Há fortes indícios da presença de diversos barcos estrangeiros pescando, muito provavelmente atuns, nas águas jurisdicionais brasileiras, escreve Flávio Leme, assessor do SAPERJ e Presidente da Comissão Nacional da Pesca da CNA em artigo publicado na revista Pesca & Mar 167.

          A presença desses barcos operando em nossas águas fere a soberania nacional e contribui, diretamente, para que estes recursos deixem de ser capturados pela frota brasileira, impactando na baixa produtividade das nossas pescarias.

Em resposta a ofício enviado pelo Saperj, o Comando de Operações Navais do Brasil afirma: “Gostaria de ressaltar que a comunidade pesqueira nacional, importante parcela do Poder Marítimo brasileiro, pode emprestar relevante contribuição à nossa Amazônia Azul por meio da identificação e reporte de qualquer suspeita de presença de embarcações de pesca estrangeiras à Autoridade Marítima local, posto que os comandantes das embarcações pesqueira são elementos importantes para a informação sobre o tráfego marítimo, bem como para a contribuição para a fiscalização de atividades ilegais em nossas águas”.

         Leia a íntegra do artigo do Comandante Leme.

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“A Amazônia Azul, conceito utilizado pela Marinha do Brasil com o objetivo de alertar a sociedade sobre a importância estratégica e econômica do mar do nosso litoral, compreende uma imensa região oceânica que engloba uma faixa litorânea até a distância de 200 milhas da costa – que constitui a nossa Zona Econômica Exclusiva (ZEE) – e áreas marítimas da Plataforma Continental, que se estendem além dessa distância. São quase 4,5 milhões de km2, que correspondem a 52% da área do território nacional. Esses números dão a dimensão da importância deste território que concentra 85% da produção do petróleo nacional e 91% do comércio exterior brasileiro, e que se constitui numa das últimas fronteiras por desbravar no País, além de representar um legado de valor inestimável para o Brasil. A atividade pesqueira, a navegação de cabotagem, o turismo marítimo, a produção de energia e a extração de minérios são algumas potencialidades que também justificam a necessidade da exploração e preservação desse valioso patrimônio nacional.

No que tange à pesca, observamos uma concentração considerável de barcos operando nas regiões costeiras. Todavia a nossa frota, na sua maioria antiga e com limitações de autonomia operativa, ainda não se faz muito presente em áreas mais distantes, como nos limites da nossa ZEE.  Em alto mar, temos a incidência de pescados de grande valor comercial e fortemente disputado por países com pesca desenvolvida. São espécies da família dos tunídeos (atuns e afins) que acompanham a corrente sul-equatorial proveniente da costa africana que alcança o litoral Nordeste do Brasil, bifurcando-se para o Norte em direção ao Caribe e para o Sul, formando a chamada corrente do Brasil.

A captura desses recursos é controlada por uma organização internacional chamada Comissão Internacional de Conservação do Atum no Atlântico (sigla em inglês ICCAT), da qual o nosso País é signatário, e que define cotas de captura para esse pecado. Mas vale registrar que de uma cota máxima de captura sustentável de atuns no Atlântico de, aproximadamente, 500 mil toneladas/ano, a captura média do Brasil, com toda a nossa dimensão costeira do Atlântico Sul, é somente cerca de 5 % desse limite, o que corresponde a apenas 25 mil toneladas/ano.

Em paralelo, um dos critérios estabelecidos pela ICCAT para a definição de cotas tem sido a captura histórica, o que vai implicar que aqueles países com maior produção serão contemplados com maiores percentuais. Desta forma, para que o Brasil possa pleitear na ICCAT uma maior participação na distribuição de cotas, temos que incrementar a nossa produção atuns.

Daí a necessidade de desenvolvermos uma frota oceânica moderna e que esteja capacitada a trabalhar em toda extensão da nossa ZEE, mesmo porque, se não tivermos aptos a explorar os recursos pesqueiros presentes em nossas águas jurisdicionais, outros países poderão reivindicar este direito, com base no Artigo 62 da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar que estabelece: “Quando o Estado costeiro não tiver capacidade para efetuar a totalidade da captura permissível, deve dar a outros estados acesso ao excedente dessa captura, mediante acordos e outros ajustes.”

Além de todas as dificuldades que temos hoje para poder explorar esses recursos, surgiu mais um fato de extrema preocupação e relevância: na apresentação feita pelo comandante do Comando do Controle Naval do Tráfego Marítimo (COMCONTRAM) sobre o Programa Nacional de Rastreamento de Embarcações Pesqueiras por Satélites (PREPS) – durante o último seminário da MARINTEC SOUTH AMERICA – foi divulgado que, por meio da análise do AIS SATELITAL, há fortes indícios da presença de diversos barcos estrangeiros pescando, muito provavelmente atuns, nas águas jurisdicionais brasileiras (AJB).

A presença desses barcos operando em nossas águas fere a soberania nacional e contribui, diretamente, para que estes recursos deixem de ser capturados pela frota brasileira, impactando na baixa produtividade das nossas pescarias. Portanto, faz-se necessário estabelecermos, com urgência, ações de presença e vigilância que venham a coibir e impedir as operações de pesca das embarcações estrangeiras nas AJB, a fim de garantirmos e preservarmos a produção pesqueira nacional.

Além das necessárias operações de patrulha pelas unidades navais da Marinha é fundamental que as embarcações de pesca também atuem como sentinelas avançadas dos nossos mares, reportando para a autoridade marítima a posição e, se possível, nome e foto das embarcações estrangeiras de pesca trabalhando em nossas aguas jurisdicionais.

Portanto, a perspectiva de desenvolvimento da atividade pesqueira não depende exclusivamente do setor privado, mas fundamentalmente, também, do entendimento do governo brasileiro a respeito da importância e da dinâmica da rica cadeia produtiva de pescado. Só assim o Estado poderá colher resultados concretos e de substancial magnitude do promissor segmento da pesca oceânica.”

Flavio Leme

Assessor do SAPERJ

Presidente da Comissão Nacional da Pesca da CNA

Leia ofício do Comando de Operações Navais: OFÍCIO

ACHADOS RESTOS DE UM CONTINENTE PERDIDO SOB O OCEANO ÍNDICO

Sob as águas cristalinas que rodeiam as ilhas Maurício jazem há milhões de anos os restos de um continente perdido, que nada tem a ver com os devaneios da Atlântida. Um grupo de cientistas confirmou ter localizado sob o oceano Índico os rastros da desintegração do supercontinente Gondwana, há 200 milhões de anos, um fato que desenhou a atual face daTerra. A descoberta ocorreu a partir da presença de rochas de zircão com três bilhões de anos de idade na superfície de Maurício – uma ilha vulcânica jovem, de apenas nove milhões de anos. Isso não era normal.

Os restos agora encontrados sob o oceano Índico (e sobre Maurício) são um pedaço de crosta terrestre que foi posteriormente encoberto por lava jovem durante erupções vulcânicas na ilha. Os pesquisadores estão convencidos de que se trata de uma pequena peça do antigo continente, que se rompeu da ilha de Madagascar quando a África, a Índia, a Austrália e a Antártida se separaram e formaram o oceano Índico, segundo o trabalho publicado na revista Nature Communications.

            O geólogo Lewis Ashwal, da Universidade de Witwatersrand (África do Sul), autor principal da pesquisa, e seus colegas Michael Wiedenbeck, do Centro Alemão de Pesquisa de Geociências (GFZ), e Trond Torsvik, da Universidade de Oslo, descobriram que um mineral, o zircão, encontra-se em rochas atiradas pela lava durante as erupções vulcânicas. Os restos desse mineral eram muito antigos para pertencer à ilha Maurício.

“A Terra é formada por duas partes: os continentes, que são velhos, e os oceanos, que são jovens. Nos continentes se encontram rochas de mais de quatro bilhões de anos, mas não há nada parecido nos oceanos. É onde se formam novas rochas”, explica Ashwal. “Maurício é uma ilha, e não há rocha de mais de nove milhões de anos na ilha. Entretanto, ao estudar as rochas da ilha, encontramos zircões de até três bilhões de anos.”

Os zircões são minerais produzidos principalmente nos granitos continentais. Contêm traços de urânio, tório e chumbo e, por sobreviverem muito bem ao processo geológico, contêm um rico registro dessas atividades e podem ser datados com grande precisão.

            “O fato de termos encontrado zircões dessa idade demonstra que há em Maurício materiais da crosta terrestre muito mais antigos, que só poderiam se originar num continente”, diz Ashwal.

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TUBARÃO FÊMEA TEM CRIAS APÓS PASSAR QUATRO ANOS SEM MACHO

Sem título1Separada de seu parceiro em 2012, Leonie, um tubarão-zebra fêmea, é a primeira da espécie a passar de reprodução sexuada para assexuada

Cientistas ficaram intrigados com o estranho comportamento de um tubarão-zebra fêmea que vive no aquário Reef HQ, em Queensland, na Austrália. Leonie, como foi batizada, passou quatro anos longe de seu parceiro e, mesmo sem fecundação, surpreendeu os biólogos ao colocar ovos que continham embriões. Esse é o primeiro caso de um tubarão da espécie trocando de reprodução sexuada para assexuada, e o terceiro caso já registrado entre todos os vertebrados. Uma pesquisa sobre o caso de Leonie foi publicada revista Nature.

Caso raro – Leonie foi capturada e trazida ao aquário em 1999, onde conviveu com outro tubarão-zebra macho por seis anos. Em 2008, ela começou a colocar ovos e teve várias crias antes de ser separada de seu parceiro, quatro anos depois. Uma das crias, Lolly, dividia o tanque com a mãe desde 2013 e nunca havia sido introduzida a nenhum macho.

Em 2014, mesmo sem fecundação, Leonie e Lolly colocaram ovos. Autora do estudo sobre Leonie e bióloga na Universidade de Queensland, Christine Dudgeon disse ao The Guardian que, se as condições forem favoráveis, é comum que os tubarões-zebra, também conhecidos como tubarões-leopardo, coloquem ovos na ausência de um macho – o que intrigou os cientistas foi o fato de que os ovos de Leonie tinham embriões. Os pesquisadores tentaram incubá-los, mas nenhum deles chocou.

No ano seguinte, novamente mãe e filha colocaram ovos, e dessa vez todos continham embriões. As duas juntas produziram cinco crias, sendo que duas ainda permanecem no aquário.

Dudgeon afirma que a reprodução assexuada em tubarões fêmea que nunca se reproduziram sexuadamente, como Lolly, não era tão incomum. O caso de Leonie, no entanto, que já havia tido crias com fecundação, era o primeiro do mundo.

Registros anteriores mostram que tubarões fêmea podem estocar esperma por quatro anos, o que explicaria o caso raro de Leonie. Porém, apesar de não serem clones exatos da mãe e possuírem metade de seu material genético, análises mostraram que os filhotes apresentavam altos níveis de homozigosidade – estado em que a cria recebe o mesmo gene de dos dois pais –, indicando que a fecundação teria sido feita de maneira assexuada.

Resposta evolucionária – A bióloga diz que não se sabe ainda o que motivou a troca na maneira de se reproduzir, mas parece ser uma resposta a curto prazo para estender sua vida reprodutiva em consequência à ausência de machos.

Tubarões-zebra, que têm como nome científico Stegostoma fasciatum, são considerados uma espécie ameaçada pela União Internacional para Conservação da Natureza. Os cientistas esperam que o estranho caso de Leonie possa chamar atenção para a situação alarmante em que se encontram esses animais e ajude a preservá-los.

Confira

Brasil se destaca na reprodução de tubarão-lixa em cativeiro