DEVORADO TITANIC

Cientistas acreditam que, em algumas décadas, pode ser que não sobre mais nada do navio. Tudo por causa de uma espécie de bactéria que está aos poucos comendo seu casco de ferro. Eventualmente, todos os navios – incluindo o Titanic no Atlântico – serão completamente devorados, seja por bactérias que se alimentam de metal ou corrosão da água do mar. O ferro da embarcação de 47 mil toneladas acabará no oceano. Em algum momento, parte dele será incorporado aos corpos de animais e plantas marinhos. O Titanic então terá sido reciclado.

Robert Ballard, oceanógrafo da Universidade de Rhode Island em Narragansett, descobriu o navio naufragado em 1985. O que não se sabia na época era que a descoberta só aconteceu por causa do envolvimento de Ballard em uma missão secreta da Marinha britânica para localizar os restos de dois submarinos nucleares americanos que afundaram durante a Guerra Fria. O Titanic apenas foi encontrado entre os dois submarinos.

Na época da descoberta, o navio estava impressionantemente preservado. Por estar 3,8 km abaixo da superfície, submetido a pouca luz e pressão intensa, se tornou inabitável para a maioria dos tipos de vida, o que atrasou a corrosão. Depois de 30 anos, porém, o casco está enferrujando por causa de bactérias que corroem metal. Alguns pesquisadores agora dão um prazo de validade de 14 anos até que o navio desapareça para sempre.

 

Titanic devorado

Titanic pode sumir para sempre devorado por ‘superbactéria’

Titanic sinks in REAL TIME – 2 HOURS 40 MINUTES

Eu te devoro

 

PEPINOS DA CHINA

Uma iniciativa chinesa para proteger criaturas marinhas ameaçadas proibindo a pesca contribuiu para a queda do chamado crack spread do diesel na Ásia, um indicador dos retornos da produção do combustível, para o menor patamar em nove meses. O motivo é que milhares de barcos de pesca do país ficarão ociosos de maio a setembro e, portanto, não precisarão do combustível em um momento em que a oferta normalmente é ampla porque as refinarias retomam as atividades após trabalhos de manutenção.

Esta não é a primeira vez que as traders são afetadas por mudanças nas políticas da China, maior consumidora de energia do mundo. O país elevou seus padrões de combustíveis para veículos em janeiro, levando suas refinarias a ampliarem a produção de diesel premium e, em contrapartida, reduzindo o diferencial de preço entre os tipos de combustível mais limpos e sujos na Ásia. A proibição à pesca, o crescimento econômico mais lento e o afastamento das indústrias pesadas no país poderiam afetar ainda mais a perspectiva para o combustível, segundo a BMI Research, da Fitch Group.

“A proibição nacional à pesca imposta em maio atingirá ainda mais o consumo de diesel da considerável frota de barcos da China”, informou a BMI em relatório de 25 de maio. “Considerando que a economia chinesa deverá desacelerar ainda mais no segundo semestre de 2017, a demanda por combustíveis refinados poderá sofrer uma pressão maior nos próximos meses.”

Necessidade de proteção – A pesca excessiva e a demanda crescente por frutos do mar esgotaram os recursos pesqueiros nos principais rios e mares da China, disse Liu Xiaoqiang, representante do departamento de pesca do Ministério da Agricultura. Entre as espécies com necessidade de proteção estão o pepino-do-mar, o peixe-espada e a pescada amarela. O pepino-do-mar, um reverenciado item alimentício de luxo para os consumidores chineses ricos, tem sido pescado a uma taxa insustentável, segundo a WorldFish, uma organização de pesquisas sem fins lucrativos.

A China proibiu a pesca em seus quatro principais mares em 1º de maio, na primeira vez em que sincronizou as datas do embargo para toda a pesca offshore. A proibição termina entre agosto e setembro e terá cerca de um mês a mais que as anteriores, afetando quase 200.000 barcos de pesca e um milhão de pescadores, segundo o Ministério da Agricultura.

Isso reduziu o preço do diesel, normalmente o combustível usado pelos barcos de pesca, segundo cinco traders e um analista consultados pela Bloomberg. Além disso, derrubou o crack spread do diesel no início de maio ao nível mais baixo desde agosto de 2016. “A atividade pesqueira na China certamente afeta a demanda doméstica por diesel”, disse WengInn Chin, analista para o mercado de petróleo da consultoria do setor FGE, acrescentando que a proibição havia gerado alguma pressão sobre o crack.

 

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Pepinos da China 1

Pepinos da  China 2

Pepinos do Mar

 

ONU E OS OCEANOS

Autoridades de todo o mundo se reuniram na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, para promover ações contra a degradação marinha.  A abertura coincide com o Dia Mundial do Meio Ambiente.

A primeira Conferência sobre os Oceanos busca parcerias para a implementação do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 14, que trata da conservação de mares e oceanos e do gerenciamento de recursos marinhos.

“A menos que superemos os interesses territoriais e de recursos que bloquearam o progresso por muito tempo, o estado dos nossos oceanos continuará a deteriorar-se. Devemos pôr de lado ganhos nacionais de curto prazo para evitarmos uma catástrofe global a longo prazo. Conservar os nossos oceanos e usá-los de forma sustentável, é preservar nossa própria vida”, declarou António Guterres, secretário-geral da ONU.

Os problemas que afetam os oceanos estão mais do que identificados – branqueamento dos corais, poluição por matérias plásticas, pesca excessiva, subida do nível das águas pelo aquecimento climático -; os dirigentes procuram ao longo da semana encontrar compromissos para uma estratégia comum. Entre as intenções à partida está a proteção de, pelo menos 10% dos ecossistemas costeiros ao horizonte de 2020, a redução da poluição dos oceanos e o reforço dos meios de luta contra a pesca ilegal e não regulamentada.

Os oceanos representam, em volume, 99% do espaço do planeta, sendo que 40% dos oceanos estão sendo afetados incisiva e diretamente por atividades humanas, tais como poluição, pesca predatória, o que resulta, principalmente, em perda de habitat. Ademais, os oceanos tornam a vida humana possível: sua temperatura, química, correntes e formas de vida. Os oceanos absorvem cerca de 30% do dióxido de carbono que os seres humanos produzem; e estamos produzindo mais dióxido de carbono do que nunca, o que faz com que os oceanos fiquem mais ácidos – 26% a mais desde o início da revolução industrial. Nosso lixo também ajuda na degradação dos oceanos – há 13.000 pedaços de lixo plástico em cada quilômetro quadrado.

 

ONU e os oceanos

Campanha no AquaRio

Vida na água

Dia Mundial do Meio Ambiente

 

 

 

 

 

 

 

PESCA NOS ESTADOS UNIDOS

Pescado nos EUA movimentou US$ 208 bilhões em 2016; gestão de estoques

pesqueiros mostra bom resultados.

A pesca comercial e recreativa gerou US$ 208 bilhões em vendas, contribuiu com US$ 97 bilhões para o Produto Interno Bruto (PIB) e empregou 1,6 milhões de pessoas em 2015. As informações constam em um relatório divulgado agora pela Administração Nacional de Atmosfera e Oceanos dos Estados Unidos (NOAA).

A pesca comercial e as importações de pescado respondem por US$ 144 bilhões do total de negócios gerados. Isso representa uma queda de 6% ante 2014, por conta de fatores como o El Niño e toxinas marinhas que afetaram os desembarques da costa oeste.

O NOAA também produziu um relatório endereçado ao Congresso norte-americano que demonstra o estado positivo dos estoques pesqueiros nos Estados Unidos. Em 2016, os estoques continuaram a se recuperar, segundo o órgão, e chegaram aos melhores níveis de toda a série histórica.

Quatro estoques saíram da lista de sobrepesca, enquanto seis outros foram adicionados à lista. Outros dois estoques – a raia barndoor e a albacora – foram considerados recuperados da sobrepesca, totalizando o número de 41 estoques recuperados desde 2000.

Na visão do NOAA, um estoque está em sobrepesca quando a taxa de captura é muito alta. “O relatório mostra que os EUA estão na rota certa no que diz respeito à gestão sustentável dos nossos estoques”, disse Samuel Rauch, porta-voz do NOAA Fisheries.

A indústria pesqueira também apoia o trabalho governamental. “Uma ênfase contínua em gerenciamento baseado em pesquisa científica, práticas empresarias sólidas e regulação responsável vai gerar relatórios encorajadores, como este, por anos a fio”, disse em comunicado John Connelly, presidente do National Fisheries Institute, entidade que congrega as principais indústrias pesqueiras dos EUA.

 

 

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Participação do Brasil em feira de pescados nos EUA

Pesca ilegal: Estados Unidos seguem União Europeia

 

 

 

 

 

 

  

 

IMPLANTAÇÃO DA CONVENÇÃO DE ÁGUA DE LASTRO

O Brasil, Ilhas Cook, Índia, Libéria, Noruega e Reino Unido estão pedindo que a IMO adie a implementação da convenção de gestão de água de lastro. Em um documento enviado para discussão no MEPC 71 em julho, os estados propõem a transferência de setembro de 2017 para setembro de 2019. O documento também sugere abandonar o plano de vincular a data de cumprimento para os equipamentos em navios à renovação do Certificado Internacional de Prevenção da Poluição por Óleo (IOPP). Se isto acontecer, permitirá que o retrofit do equipamento seja realizado até 2024.

A probabilidade de este pleito passar é bastante alta, diz o consultor de gestão de água de lastro Jad Mouawad.  “Minha preferência pessoal seria iniciar a implementação da convenção como planejado (8 de setembro de 2017) e, em vez disso, espaçar o período de instalação para 10 anos em vez de cinco, por exemplo. Isto está mais em linha com a intenção original do regulador quando o primeiro rascunho da regra B-3 da convenção de gestão de água de lastro foi adotado em 2004.

O consultor de Espécies Invasoras Rob Hilliard diz que ninguém deve se surpreender se a data de implementação for adiada. Ele concorda que ainda há uma série de questões a serem resolvidas, incluindo o número muito baixo de sistemas compatíveis com os Estados Unidos que estarão disponíveis até 8 de setembro.

Água de lastro 2019

 

Água de lastro, bioinvasão e resposta internacional

 

PEIXES E UBER

Nos últimos séculos, a população cresceu vertiginosamente e nossa capacidade de consumir bens naturais aumentou exponencialmente com o desenvolvimento tecnológico. Nos séculos 19 e 20, com pequenos navios e arpões manuais, pescadores quase extinguiram a população de baleias. E a queima indiscriminada de combustíveis fósseis aumentou a quantidade do gás carbônico na atmosfera, provocando o aquecimento global. Leia artigo do biólogo Fernando Reinach, publicado no O Estado de S.Paulo

 

SÃO PAULO – Para não desaparecer do planeta, o Homo sapiens terá de preservar os bens que pertencem à toda humanidade. O ar que circunda o planeta e os peixes que vagam pelos oceanos são exemplos desse tipo de bem. No passado, a quantidade desses bens era praticamente infinita em relação ao número de seres humanos. Tribos de índios podiam pescar quanto quisessem e acender quantas fogueiras fossem necessárias. O impacto dos peixes capturados e da fumaça gerada era insignificante. Não afetava o clima ou a abundância dos mares.

Mas, nos últimos séculos, a população cresceu vertiginosamente e nossa capacidade de consumir bens naturais aumentou exponencialmente com o desenvolvimento tecnológico. Nos séculos 19 e 20, com pequenos navios e arpões manuais, pescadores quase extinguiram a população de baleias. E a queima indiscriminada de combustíveis fósseis aumentou a quantidade do gás carbônico na atmosfera, provocando o aquecimento global.

Em 1968, Garrett Hardin argumentou que o ser humano precisa abdicar de sua liberdade de explorar bens comuns, se deseja sobreviver. E a razão fica clara no exemplo clássico dos pastos públicos na Europa. Esses podiam ser usados por qualquer pessoa para alimentar seus animais. As pessoas colocavam tantos animais na área que o pasto era destruído e todos saíam perdendo. E, apesar de compreenderem o fenômeno, as pessoas são incapazes de mudar seu comportamento. A solução foi regulamentar o uso.

E foi assim que surgiram as cotas nas grandes áreas de pesca. Primeiramente se estima a quantidade de peixe que pode ser capturada sem prejudicar o ecossistema (o que chamamos de teto), depois se determinava em que período do ano essa captura pode ocorrer. Nesse período, qualquer pescador pode pescar livremente até que o número de peixes capturados atinge o teto estipulado. Executado corretamente, esse conceito é capaz de preservar o estoque de peixes e foi amplamente adotado. Mas surgiu um problema. Como todos podiam capturar quanto quisessem, a competição se tornou feroz e em alguns pesqueiros em menos de 10% do tempo alocado para a pesca o teto era atingido. Por outro lado, esse sistema tinha uma vantagem: todos tinham a liberdade de pescar quanto conseguissem contanto que respeitassem o teto. A desvantagem é que a competição levava as pessoas a literalmente morrer em meio a tempestades e a capturar peixes de qualquer tamanho e qualidade.

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Finalmente surgiu outra ideia, a combinação do conceito de teto com o de cotas. O teto determinava o máximo e as cotas, distribuídas entre os pescadores, permitia que cada um pescasse sua quota quando quisesse. Além disso, as cotas poderiam ser comercializadas. Esse sistema de teto e quotas (que em inglês é chamado de “Cap and Trade”) passou a ser utilizado em muitos pesqueiros. Ele reduz a competição, mas necessita de um sistema de distribuição de cotas, seja por sorteio, fila ou leilão. Ou seja, nem todos podem pescar. As vantagens e desvantagens desses dois sistemas foram objeto de debate nas últimas décadas.

Agora um novo estudo, onde pares de pesqueiros que utilizam cada sistema foram comparados, demonstrou que o sistema de teto e cota espalha melhor a atividade de pesca ao longo do tempo, melhora a qualidade dos peixes capturados, diminui o impacto sobre o ecossistema, aumenta a segurança dos pescadores, e permite que se aumente um pouco o teto. Ou seja, é claramente melhor do ponto de vista ambiental. Mas não elimina o problema de como distribuir as cotas e as potenciais injustiças associadas a esse processo.

Acompanhar a evolução do sistema de regulação dos pesqueiros é instrutivo, pois eles são as experiências mais antigas adotadas pela humanidade para regulamentar a utilização de bens comuns. Mais recentemente, sistemas semelhantes de teto e cotas têm sido propostos para regular o uso da atmosfera (um teto para a emissão de gás carbônicos e cotas que podem ser compradas pelos emissores desse gás) e para a exploração de florestas (teto de árvores a cortar e cotas para exploradores de florestas). Esse sistema também é utilizado em situações mais prosaicas como no sistema de táxi das grandes cidades (um teto para o número de táxis e cotas, licenças, distribuídas entre motoristas).

Cada vez mais ouviremos falar de sistemas de teto e cotas. Sua necessidade, utilidade e regras são parte de nosso esforço de salvar o planeta e farão parte de nosso dia a dia. E, apesar das discussões sobre as vantagens e desvantagens desses sistemas na regulação dos gases de efeito estufa ainda não ter chegado a toda a população, a chegada de aplicativos como o Uber e seu desafio ao sistema de teto e cotas dos táxis têm tornado essa discussão corriqueira nas grandes cidades. E isso não deixa de ser um progresso.

 

Fernando Reinach:  Peixes e Uber

 

 

DUAS TRAGÉDIAS NO MAR: AS VOZES DO DESESPERO E DA OMISSÃO

É doloroso ver o princípio de salvaguarda da vida humana no mar ser abandonado por covardia, descaso, omissão.

Onze de Outubro de 2013 foi uma das datas mais negras da crise migratória desencadeada pela Guerra da Síria. Nesse dia, 268 pessoas, entre as quais 60 crianças, morriam nas águas do Mediterrâneo, perto da ilha italiana de Lampedusa, depois de um barco pesqueiro sobrelotado proveniente da Líbia se ter virado e afundado. Quase quatro anos depois, a revista italiana L’Espresso divulga agora um conjunto de cinco gravações telefónicas que revelam como as autoridades italianas ignoraram durante cinco horas os pedidos desesperados de auxílio de um médico sírio a bordo.

Segundo a revista italiana, que reproduz as gravações áudio no seu site, o primeiro alerta foi dado às 12h39. A essa hora, o centro de operações da guarda costeira italiana, em Roma, recebe uma chamada de Mohanad Jammo, um médico sírio que dá conta dos problemas a bordo, indicando a presença de “cerca de cem crianças, cem mulheres e talvez cem homens”. Na verdade, soube-se mais tarde, estavam pelo menos 480 pessoas no pesqueiro líbio.

Às 13h17, o médico sírio volta a pedir ajuda. “Enviaram alguém? Somos sírios, somos cerca de 300”, diz. Uma voz masculina responde em tom impaciente: “Eu dou-lhe o número de Malta, porque está perto de Malta – perto de Malta, compreende?” Era o início de uma nova fase do incidente, em que Roma e La Valletta empurram entre si a responsabilidade pelo auxílio aos refugiados sírios.

A tragédia do Costa Concordia – Francesco Schettino, ex-comandante do navio Costa Concordia, foi condenado nesta quarta-feira (11 de maio) a 16 anos de prisão por causa do naufrágio do cruzeiro no qual morreram 32 pessoas, em janeiro de 2012.

De acordo com a Reuters, ele foi condenado por homicídio culposo múltiplo, por ter causado o naufrágio e por abandono do navio pelo tribunal de Grosseto, na Itália. No entanto, ele não irá para a cadeia antes da conclusão do longo processo de apelação na Itália, o que pode levar anos.

O abandono ocasionou o episódio mais famoso em todo o incidente: o momento em que o capitão da Guarda Costeira Gregorio De Falco ordena furiosamente que Schettino retorne ao cruzeiro para supervisionar as operações de resgate com a frase “Vada a bordo, cazzo!”

“Ouça, Schettino, talvez você tenha se salvado do mar, mas eu vou fazer você ficar muito mal. Farei você pagar por isto. Vá para bordo, porra!”, gritou De Falco para Schettino durante um diálogo de quatro minutos, por rádio.

 

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O dia em que a Itália deixou 60 crianças se afogarem

 

Vídeo do acidente e as vozes do desespero e da omissão

 

Costa Concordia

 

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ORCAS, TUBARÕES, MODELOS E OUTROS ACIDENTES

Os tubarões brancos, um dos mais temidos predadores do planeta, tem lá os seus dias de ser depredado. No princípio de maio deste ano, três deles foram vítimas de orcas, as baleias assassinas. Os tubarões tiveram o fígado e o coração devorados pelas orcas.

Tubarão ataca modelo – Uma modelo foi atacada por um tubarão enquanto estava dentro de uma gaiola subaquática para fazer um ensaio de fotos, no mar da Flórida, nos Estados Unidos. Um vídeo mostra o momento em que Molly Cavalli é mordida pelo animal no pé e vê o próprio sangue se espalhar pela água.

Domador sem noção – Um jovem tem sorte em estar vivo após ter sido atacado por um tubarão, que tentou montar e “domar” usando uma corda. O caso aconteceu ao norte do Queensland, na Austrália, na última semana. Depois de se dar mal na “brincadeira” e ficar ferido, Josh Neille precisou ser hospitalizado.

Tubarão mata adolescente – Uma jovem de 17 anos morreu ao ser atacada por um tubarão diante de sua família em uma praia da Austrália. A jovem estava surfando com seu pai na zona de Wylie Bay quando foi arrastada pelo tubarão.

 

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Orcas devoram tubarões brancos

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Domador sem noção

Tubarão mata adolescente

 

 

 

 

O MINIMUNDO DOS PEIXES

DAS 2.500 espécies de peixes que nadam pelos rios da Amazônia, é compreensível que a gente conheça só os que são grandes (e apetitosos), como o pirarucu e o tambaqui. É compreensível, repito, mas é uma pena, porque os milhares de quilômetros de água corrente da região guardam surpresas de todos os tamanhos — inclusive em miniatura. Leia artigo de Reinaldo José Lopes.

Considere, por exemplo, os membros do gênero Priocharax, estudados por cientistas como George Mattox, do campus sorocabano da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos). “Se você olha os cardumes de cima, parece que tem um enxame de abelhas dentro d’água”, contou-me Mattox em conversa telefônica, referindo-se aos bandos de até 3.000 indivíduos que ele já viu na natureza. Diáfanos, quase transparentes, os Priocharax pertencem à categoria dos minipeixes ou peixes miniaturizados, na qual se encaixam, por convenção, todos os peixinhos cujas formas adultas têm comprimento inferior a 2,6 cm.

Os Priocharax são parentes das piranhas, piabas e traíras, mas há ainda minipeixes do grupo dos bagres e dos tucunarés. Assim como o chão da floresta está repleto de uma diversidade incrível de invertebrados, que só aparece quando alguém se dá ao trabalho de peneirar o sedimento, os minipeixes frequentemente estão entocados mais para o fundo.

Sabemos muito pouco sobre esses bichos, claro —o tamanhinho não ajuda, assim como os hábitos esquivos. Até 2011, só duas espécies de Priocharax tinham sido identificadas. Foi nesse ano que o pesquisador da UFSCar e seus colegas Mônica Toledo-Piza, da USP, e Ralf Britz, do Museu de História Natural de Londres, identificaram um novo bicho do gênero, o Priocharax nanus (“anão”, em latim), cuja descrição oficial foi publicada em 2014. Desde então, já surgiram mais três

Os Priocharax parecem ser resultado de experimentos evolutivos intrigantes, envolvendo ajustes no ritmo do desenvolvimento embrionário, de tal maneira que os peixinhos adultos do gênero ainda guardam certas características dos embriões (como nadadeiras peitorais cartilaginosas que não chegaram a virar osso).

Tem outra espécie que evoluiu de modo semelhante: um certo Homo sapiens, cuja anatomia tem semelhanças interessantes com as de fetos e bebês de chimpanzés. Na árvore da vida, pelo visto, os galhos brotam de maneira semelhante onde a gente menos espera.”

Leia artigo de José Reinaldo Lopes

 

Pesquisadores descobrem peixe transparente de 15 mm no Amazonas

 

 

 

O APETITE DA CHINA

Apetite doméstico da China por pescado vai superar exportações até 2020. O País vai deixar de ser o maior exportador de pescado do mundo para se tornar o maior importador

A China vai continuar a liderar a lista dos principais importadores globais e puxará o crescimento do mercado de carnes bovinas, suína e de aves nos próximos anos. Essa é a conclusão do relatório recentemente publicado pelo Rabobank: “China’s Animal Protein Outlook to 2020”.
O banco estima que as importações totais de carnes, com exceção de peixes e frutos do mar, da China continental vão ultrapassar 6 milhões de toneladas em 2020. O volume pode ser ainda maior, já que boa parte das importações ocorre de maneira indireta e não oficial via Hong Kong e Vietnã. A carne suína representa metade do fluxo.
Só que o pescado deve representar 10 vezes mais este volume. De acordo com a OCDE, a China deve chegar a 2022, quando terá mais de 1,5 bilhão de habitantes, com um consumo de pescado superior a 45 kg per capita/ano. Isso exigirá um volume aproximado de 70 milhões de toneladas de pescado anuais.
A produção nacional de pescado na China deve alcançar 66 milhões de toneladas em 2020, segundo o plano quinquenal chinês divulgado em 2016. No ano passado, a China importou o equivalente a US$ 6,9 bilhões ao longo de 2016, mas vendeu ao exterior em torno de US$ 13,7 bilhões.
Aos poucos, no entanto, o País vai deixar de ser o maior exportador de pescado do mundo para se tornar o maior importador, segundo o especialista em seafood do Rabobank, Gorjan Nikolik, afirmou recentemente.
Os custos crescentes de mão de obra e limitações produtivas devem segurar a produção e o processamento. Fontes consultadas pela Seafood Brasil estimam que um funcionário de uma indústria chinesa de pescado ganhe US$ 400 ao mês, enquanto há 5 anos recebia a metade.
As mesmas fontes relataram que o Brasil tem um custo médio de US$ 800 mensais por funcionário de uma planta frigorífica, o que já deixaria o País mais competitivo inclusive para exportar aos chineses.

 

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Apetite doméstico da China

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La Chine lance son deuxième porte-avions

BRASIL, VIETNAM E RÚSSIA

Vietnamitas decidem reunir jornalistas e compradores europeus para reverter crise de imagem. Russos querem evitar intermediários e vender diretamente ao Brasil.

O Carrefour França deu início ao movimento, posteriormente seguido pelas operações da rede na Bélgica e Espanha. A comercialização de pangasius proveniente do Vietnã foi proibida de “forma preventiva” ao longo do primeiro trimestre de 2017 por “preocupações ecológicas”.

Um comunicado oficial da rede distribuído na Europa falava em “dúvidas que existem sobre o adverso impacto que os cultivos de panga têm no meio ambiente, a rede decidiu deixar de vender este pescado e suspendeu os pedidos”. Outro foco de preocupação aos vietnamitas é os Estados Unidos, que devem apertar a fiscalização sobre toda a cadeia produtiva da espécie a partir de setembro, como informa o Seafood Source.

Atentos ao impacto e disseminação da decisão a outras cadeias, o Ministério da Agricultura vietnamita e a Associação dos Produtores e Exportadores de Pescado do Vietnã (Vasep) convocaram jornalistas europeus e distribuidores para uma reunião em plena feira Seafood Expo Global, em Bruxelas, para tentar reverter esta imagem.

No Brasil, a espécie foi alvo de diversas campanhas difamatórias na internet ao longo de 2011 por conta de seu sistema de cultivo, muito embora os problemas constatados pelas autoridades eram de excesso de glazing e adição de químicos. A adoção de uma política mais rigorosa pelo Departamento de Inspeção de Origem Animal (Dipoa) conteve fraudes e gerou uma reação no tipo de produtos despachados ao Brasil.

Russos – Agricultura da Rússia, Evgeny Gromyki, que aquele país pretende iniciar a exportação direta de pescado ao Brasil. Segundo ele, as espécies capturadas na região, como a polaca e o bacalhau do Pacífico (Gadus macrocephalus), são processadas em outros intermediários.

A captura realizada na Rússia segue em geral para o processamento em plantas chinesas. Só os filés de pescado provenientes de fábricas na China renderam no ano passado US$ 79,5 milhões aos asiáticos, correspondente a um volume exportado de 33 mil toneladas – negócio do qual os russos não pretendem ficar de fora. Segundo o MDIC, a Rússia não exportou nada de nenhum produto de pescado nos últimos cinco anos.

Maggi sinalizou positivamente à intenção e disse estar disposto a aumentar o comércio do agronegócio com o país, que é parceiro no BRICS (grupo de países emergentes integrado também pela China, Índia e África do Sul). Segundo comunicado do Mapa, a expectativa é mais que dobrar o volume de negócios chegando a US$ 10 bilhões em cinco anos.

Os brasileiros têm interesse de ampliar a venda de carne bovina, suína e de aves ao país governado por Vladimir Putin, que não criou barreiras à carne brasileira após os primeiros resultados da Operação Carne Fraca. O ministro ouviu de Gromyki que o governo russo “confia no Brasil”. “Não existem objeções políticas ou econômicas para que aumentemos o comércio bilateral”, disse Maggi, durante o encontro.

 

Vietnam

 

Russos

 

‘CACHOEIRA DE SANGUE’ NA ANTÁRTIDA

Cientistas americanos descobriram a origem da ‘Cachoeira de Sangue’ que escorre pela Geleira de Taylor, no sudoeste da Antártida. Trata-se de um reservatório de água líquida, super-salgado e muito antigo, que está embaixo da geleira. Desde que foi descrita, em 1911, a queda d’água de coloração avermelhada, resultado da oxidação do ferro presente em sua composição, tem intrigado cientistas de todo o mundo por se manter em estado líquido, mesmo nas gélidas temperaturas do polo sul. Agora, com o mapeamento do fluxo da água, os geólogos identificaram que ela se formou há mais um milhão de anos, conserva-se em estado líquido dentro da geleira e flui por uma série de canais subterrâneos até chegar à superfície.

“A geleira de Taylor passa a ser a mais fria a ter água persistentemente fluindo”, disse em comunicado a pesquisadora Erin Pettit, da Universidade de Alaska Fairbanks, nos Estados Unidos, uma das autoras do estudo publicado no periódico científico Journal of Glaciology.

Descoberta pelo geocientista inglês Thomas Griffith Taylor há mais de um século, a queda d’água teve sua coloração avermelhada atribuída, a princípio, a algas. No entanto, ao analisar sua composição, os pesquisadores descobriram que se tratava de oxidação, já que a água era rica em ferro que, ao entrar em contato com o oxigênio do ar, ‘enferruja’. Os pesquisadores descobriram também, em 2009, que o local abriga um complexo ecossistema composto por microrganismos que se alimentam unicamente de ferro e enxofre. Mas, até hoje, a fonte da água líquida da cachoeira ainda não havia sido determinada.

 

Cachoeira de sangue

Bienal Antártica leva arte ao continente gelado

Alameda dos icebergs no Ártico

 

 

NAVIO COM PISTA DE KART E O CARRO VOADOR

Navio de cruzeiro terá pista de kart com tema da Ferrari. Fabricante de ‘máquina voadora pessoal’ prevê vendas para este ano.

A Norwegian Cruise Line, empresa americana de cruzeiros, vai lançar em junho seu novo navio, o Norwegian Joy, criado especialmente para o mercado chinês. Mas qual a relação da embarcação com carros?

De acordo com a companhia, este será o primeiro navio do mundo a contar com uma pista de kart. E não é qualquer pista. A Norwegian fez uma parceria com a Ferrari, que irá “assinar” o trajeto.

Mas, em vez de carros de Fórmula 1, como o de Sebastian Vettel, correrão pela pista até 10 karts elétricos por vez, em um percurso que vai ocupar uma área de parte de dois andares do cruzeiro.

Para os clientes das classes mais caras, as corridas serão gratuitas. O Norwegian Joy pode levar até 3.800 passageiros. A viagem inaugural será em junho, saindo de Xangai.

Carro voador –   A startup Kitty Hawk, que criou um “carro voador” no Vale do Silício, apoiada pelo cofundador do Google Larry Page, lançou um vídeo de seu protótipo aéreo e anunciou os planos de venda de sua “máquina voadora pessoal” neste ano.

“Nossa missão é tornar o sonho do voo pessoal uma realidade. Acreditamos que quando todos tiverem acesso ao voo pessoal, um novo e ilimitado mundo de oportunidades se abrirá”, dizia o site da empresa, localizada na cidade natal da Google, Mountain View, na Califórnia.

Navio com pista de kart

Carro voador 1

Carro voador 2:

Carro voador 3

 

 

MARINHA E PESCA: O PODER MARÍTIMO

Na segunda década deste atribulado século XXI, os pescadores brasileiros podem e merecem ser chamados de heróis na sua luta incansável por respeito e dignidade num país onde a pesca (pelo menos em terra) anda à deriva. E não deixa de ser um elogio e um reconhecimento serem considerados por uma alta autoridade como “importante parcela do Poder Marítimo”. Mas ainda há muito mar para navegar e chegar a um porto soberano e seguro.

 

Há fortes indícios da presença de diversos barcos estrangeiros pescando, muito provavelmente atuns, nas águas jurisdicionais brasileiras, escreve Flávio Leme, assessor do SAPERJ e Presidente da Comissão Nacional da Pesca da CNA em seu artigo “Atividade pesqueira na Amazônia azul”, publicado na revista Pesca & Mar 167 e reproduzido em nosso site.

A presença desses barcos operando em nossas águas fere a soberania nacional e contribui, diretamente, para que estes recursos deixem de ser capturados pela frota brasileira, impactando na baixa produtividade das nossas pescarias.

Ratificando a abordagem da matéria publicada, o SAPERJ enviou ofício assinado pelo seu presidente, Alexandre Guerra Espogeiro, ao Comando de Operações Navais do Brasil, que respondeu com o Ofício nº 30-8/ComOpNav-MB 995, datado de 9 de fevereiro de 2017, assinado pelo Almirante de Esquadra Sergio Roberto Fernandes dos Santos.

Transcrevemos:

“Assunto: Operação de embarcações estrangeiras nas AJB

Prezado Presidente,

  1. Em resposta ao vosso Ofício nº 22/SAPERJ, inicialmente agradeço pela preocupação expressada em relação à questão da pesca ilegal em Águas Jurisdicionais Brasileiras (AJB). Como é de conhecimento de Vossa Senhoria, à Marinha do Brasil (MB), decorrentes de suas atribuições constitucionais e conforme expresso na Lei Complementar (LC) nº 97 de 9 de junho de 1999, cabem a fiscalização e a implementação das leis e regulamentos nacionais nas AJB, em favor dos interesses do País.
  2. Nesse sentido, com o emprego dos seus navios, aeronaves, sistemas de monitoramento e com apoio valioso da Força Aérea Brasileira (FAB), o Comando de Operações Navais (ComOpNav) realiza esforço diuturno de patrulha, tanto na nossa Amazônia Azul quanto nas águas interiores e hidrovias, de modo a garantir que as riquezas existentes em nossas águas contribuam para o desenvolvimento do Brasil. Com ideia aproximada do nosso esforço de vigilância e patrulha, anualmente os navios da MB, em conjunto, somaram cerca de mil dias de mar. Mesmo com a realização desse esforço, a MB está ciente da possibilidade de embarcações estrangeiras efetuarem pesca ilegal nas AJB, como expresso em vosso ofício. Entretanto, ainda que considerável parte do esforço de patrulha seja direcionado ao limite de nossa Zona Economicamente Exclusiva (ZEE), justamente para verificar se há essa ocorrência e, caso exista, coibi-la, até o momento não houve confirmação de que a mencionada possibilidade tenha se transformado em fato.
  3. Por fim, gostaria de ressaltar que a comunidade pesqueira nacional, importante parcela do Poder Marítimo brasileiro, pode emprestar relevante contribuição à nossa Amazônia por meio da identificação e reporte de qualquer suspeita de presença de embarcações estrangeiras à Autoridade Marítima local, posto que os comandantes de embarcações pesqueiras são elementos importantes para a informação sobre o tráfego marítimo, bem como para a contribuição para a fiscalização de atividades ilegais em nossas águas.”

Em seu artigo já citado, Flávio Leme escreveu sobre “a necessidade de desenvolvermos uma frota oceânica moderna e que esteja capacitada a trabalhar em toda extensão da nossa ZEE, mesmo porque, se não tivermos aptos a explorar os recursos pesqueiros presentes em nossas águas jurisdicionais, outros países poderão reivindicar este direito, com base no Artigo 62 da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar que estabelece: ‘Quando o Estado costeiro não tiver capacidade para efetuar a totalidade da captura permissível, deve dar a outros estados acesso ao excedente dessa captura, mediante acordos e outros ajustes’.”

E sublinhou: “Além de todas as dificuldades que temos hoje para poder explorar esses recursos, surgiu mais um fato de extrema preocupação e relevância: na apresentação feita pelo comandante do Comando do Controle Naval do Tráfego Marítimo (COMCONTRAM) sobre o Programa Nacional de Rastreamento de Embarcações Pesqueiras por Satélites (PREPS) – durante o último seminário da MARINTEC SOUTH AMERICA – foi divulgado que, por meio da análise do AIS SATELITAL, há fortes indícios da presença de diversos barcos estrangeiros pescando, muito provavelmente atuns, nas águas jurisdicionais brasileiras (AJB).”

Para Flávio Leme e para o Saperj, “a presença desses barcos operando em nossas águas fere a soberania nacional e contribui, diretamente, para que estes recursos deixem de ser capturados pela frota brasileira, impactando na baixa produtividade das nossas pescarias. Portanto, faz-se necessário estabelecermos, com urgência, ações de presença e vigilância que venham a coibir e impedir as operações de pesca das embarcações estrangeiras nas AJB, a fim de garantirmos e preservarmos a produção pesqueira nacional.”

E conclui: “Portanto, a perspectiva de desenvolvimento da atividade pesqueira não depende exclusivamente do setor privado, mas fundamentalmente, também, do entendimento do governo brasileiro a respeito da importância e da dinâmica da rica cadeia produtiva de pescado. Só assim o Estado poderá colher resultados concretos e de substancial magnitude do promissor segmento da pesca oceânica.”

A Marinha e a Pesca – No item 3 de seu ofício, aqui citado, o Almirante de Esquadra Sergio Roberto Fernandes dos Santos afirma: “a comunidade pesqueira nacional, importante parcela do Poder Marítimo brasileiro, pode emprestar relevante contribuição à nossa Amazônia por meio da identificação e reporte de qualquer suspeita de presença de embarcações estrangeiras à Autoridade Marítima local”.

Nesse sentido, Flávio Leme concorda que “é fundamental que as embarcações de pesca também atuem como sentinelas avançadas dos nossos mares, reportando para a autoridade marítima a posição e, se possível, nome e foto das embarcações estrangeiras de pesca trabalhando em nossas águas jurisdicionais”, ressalvando: “além das necessárias operações de patrulha pelas unidades navais da Marinha”.

O fato da comunidade marítima ser “importante parcela do Poder Marítimo” não vem de hoje.

No ensaio “Colônias de pescadores e a luta pela cidadania”, Sérgio Cardoso de Moraes, professor do DFE/UFPA, lembra que “as primeiras colônias de pescadores do Brasil foram fundadas a partir de 1919, e foi levado a cabo pela Marinha de Guerra. Dois grandes fatores contribuíram para essa investida do Estado: primeiro, o país começou o século XX importando peixes, apesar de possuir um vasto litoral e uma diversidade de águas interiores; segundo, após a primeira guerra mundial, aumentou o interesse do Estado em defender a costa brasileira. O discurso instituído para fundar as colônias baseou-se na defesa nacional, pois ninguém melhor do que os pescadores, empiricamente, conhecem os ‘segredos’ do mar. O lema adotado pela Marinha para a fundação das colônias de pescadores foi: Pátria e Dever, evidenciando o pensamento positivista.”

Durante a Segunda Guerra Mundial, como lembra a historiadora Angela Fonseca Souza Assis, no seu estudo “A saga dos pescadores do Changri-lá” (Navigator , Rio de Janeiro, V.1 – N.2, pp. 87-91, Dezembro de 2005), os pescadores brasileiros eram considerados auxiliares das forças navais, na vigilância de nossas águas territoriais. “Foi o caso do barco de pesca Changri-lá, que saiu do Rio de Janeiro, em junho de 1943, com destino ao litoral de Cabo Frio, onde foi afundado, na noite de 22 de julho de 1943, pelo Submarino alemão U-199. Em 1944, o Tribunal Marítimo não pôde determinar a causa de seu desaparecimento. Em 1999, ao ser reestudado o caso, o Tribunal Marítimo, com novas provas, alterou o rumo traçado no inquérito anterior. O U-199 foi afundado, por uma aeronave da Força Aérea Brasileira, um PBY-5 Catalina, em 31 de julho de 1943, ao sul do Rio de Janeiro. Os tripulantes do Changri-lá tiveram seus nomes inscritos no Panteão dos Heróis de Guerra, no dia 6 de junho de 2004, em cerimônia no Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial.”

Na segunda década deste atribulado século XXI, os pescadores brasileiros podem e merecem ser chamados de heróis na sua luta incansável por respeito e dignidade num país onde a pesca anda à deriva. E não deixa de ser um elogio e um reconhecimento serem considerados por uma alta autoridade como “importante parcela do Poder Marítimo”. Mas ainda há muito mar para navegar e chegar a um porto soberano e seguro.

 

Leia na revista Pesca & Mar 168: Um navio-fantasma.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

BALEIA AZUL

Um sinistro jogo viral tem causado alarme no mundo todo. É o jogo da Baleia Azul, disputado pelas redes sociais, que propõe desafios macabros aos adolescentes, como bater fotos assistindo a filmes de terror, automutilar-se, ficar doente e, na etapa final, cometer suicídio.

 

 
Aparentemente o fenômeno começou na Rússia, mas está se espalhando – inclusive no Brasil, como sugerem o caso da jovem de 16 anos morta no Mato Grosso e uma investigação policial em andamento na Paraíba. Na Rússia, em 2015, uma jovem de 15 anos se jogou do alto de um edifício; dias depois, uma adolescente de 14 anos se atirou na frente de um trem. Depois de investigar a causa destes e outros suicídios cometidos por jovens, a polícia ligou os fatos a um grupo que participava de um desafio com 50 missões, sendo a última delas acabar com a própria vida.

A preocupação aumentou ano passado, quando fontes diversas chegaram a divulgar, sem confirmação, 130 suicídios supostamente vinculados a comunidades online identificadas como “grupos da morte”.

  Tudo na internet se espalha muito rápido, mesmo as coisas mais inacreditáveis. Neste caso não é diferente. O fenômeno ganhou visibilidade e vem se alastrando pelo mundo. Em alguns países, como Inglaterra, França e Romênia, as escolas têm feito alertas às famílias, depois que adolescentes apareceram com cortes nos braços, queimaduras e outros sinais de mutilação.

Jogos com apelos de riscos letais têm virado moda entre os adolescentes. Um exemplo é o jogo da asfixia, que gerou vítimas no Brasil. Outro é o “desafio do sal e gelo”, no qual, para serem aceitos no grupo, os adolescentes devem queimar a pele e compartilhar as imagens nas redes sociais. Embora exista há anos, o desafio voltou com força recentemente. Sem falar no “Jogo da Fada”, que incita crianças a usar o gás do fogão de madrugada, enquanto os pais dormem.

 

Jogo sinistro

Quais os 50 desafios do jogo baleia azul ?

 

RIO AMAZONAS TEM 9 MILHÕES DE ANOS

Estudos anteriores apontavam para 2,6 milhões de anos, mas pode ser que o rio tenha mais de 9 milhões de anos de idade

rio Amazonas pode ter entre 9 e 9,4 milhões de anos, segundo um novo estudo liderado por cientistas da Universidade de Brasília (UnB) e da Universidade de Amsterdã, na Holanda. Análises anteriores apontavam para “apenas” 2,6 milhão de anos. A nova pesquisa encontrou sedimentos compostos de fósseis de plantas, na foz do rio, no Pará, que, além de revelarem a possível idade do Amazonas, contribuem para a investigação de como as mudanças climáticas alteraram a paisagem da região.

A pesquisa foi feita em uma fenda há mais de 4,5 quilômetros abaixo do nível do mar, na parte do Oceano Atlântico alimentada pelas águas do rio Amazonas. “Os sedimentos transportados por este rio são depositados na fenda submarina e, como resultado, registram com precisão sua história evolutiva. Foram aplicadas técnicas analíticas de alta resolução nesses detritos não realizadas anteriormente na região”, disse Farid Chemale, pesquisador do Instituto de Geociências da UnB, em comunicado. Um outro estudo feito neste mesmo poço havia datado o rio entre 1 e 1,5 milhões de anos.

Antigo rio Amazonas – Por meio da análise de dados geoquímicos e do estudo de pólen e esporos de plantas fossilizados, os cientistas identificaram ainda uma clara modificação no tipo de sedimentos depositados na área. Ao longo do tempo, eles passaram de detritos de planícies tropicais a sedimentos vindos dos Andes, que teriam sido levados pelo ‘recém-nascido’ rio Amazonas. Esses vegetais andinos teriam sido modificado ao longo dos anos, conforme aponta a pesquisa.

“Os nossos novos dados confirmaram que o rio Amazonas é mais velho, mas também apontam para uma expansão de prados – terrenos de vegetação baixa – durante o Pleistoceno (entre 2,588 milhões e 11,7 mil anos atrás) que não era conhecida antes. Pesquisas futuras podem dar mais respostas, mas requerem investimento em termos de perfuração continental e marítima”, disse Carina Hoorn, pesquisadora da Universidade de Amsterdã e principal autora do artigo, em nota. Os pesquisadores acreditam que o aumento de gramíneas na Cordilheira dos Andes teria sido impulsionado pelo resfriamento de cinco milhões de anos atrás, dando espaço para a vegetação aberta e sem árvores.

Esse estudo é parte do projeto Clim-Amazon, uma iniciativa brasileira e europeia para pesquisas climáticas. Os cientistas esperam, com estas análises, descobrir as mudanças na vegetação sofridas pela região há milhões de anos e, assim, compreender as alterações do clima.

Confira

 

ÁGUA DO ÁRTICO, A 310 REAIS A GARRAFA

Sem títuloA indústria da água entrou para valer no mercado de luxo e já está de olho nas geleiras do planeta. A empresa Svalbardi começou a vender este ano água retirada de icebergs do arquipélago de Svalbard (pertencente à Noruega), no Ártico, por cerca de 94 euros (310 reais) a garrafa de 750 ml.

Embora a água seja um direito humano, ela pode também ter um preço. Para Catarina Albuquerque, que já foi relatora das Nações Unidas para a questão do Direito à Água Potável e ao Saneamento Básico, não há motivo para que a água seja gratuita. Mas, quanto seria razoável pagar por ela? É ético vender água de uma geleira? Embora esses icebergs estejam dentro do território de um país, há toda uma discussão para se saber se eles não deveriam ser considerados patrimônio da humanidade.

Para Peter Gleick, presidente do Instituto do Pacífico, a cadeia de produção no seu conjunto levanta uma dúvida em relação à sustentabilidade dessa atividade no longo prazo: a energia necessária para coletar o gelo, transportá-lo, produzir as garrafas de plástico ou de vidro, distribuir o produto para as lojas e os resíduos gerados ao final do processo. Esse especialista afirma que, mesmo em pequena escala, a atividade pode contribuir para acelerar o processo de degelo do Ártico, ao aumentar a emissão de gases de efeito-estufa.

Sem título1DIA MUNDIAL DA ÁGUA – No dia 22 de março será comemorado o Dia Mundial da Água. A falta de fornecimento de água seguro, adequado e confiável para os setores altamente dependentes de recursos hídricos resulta na perda ou no desaparecimento de empregos e pode limitar o crescimento econômico mundial nos próximos anos, “a menos que exista infraestrutura suficiente para gerenciar e armazenar a água”. O alerta foi feito pela Organização das Nações Unidas (ONU) no ano passado.

 A edição de 2016 do Relatório Mundial das Nações Unidas para o Desenvolvimento de Recursos Hídricos foi produzido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), em nome da ONU Água. Com o tema a água e o emprego, ele mostrou que 78% dos empregos que constituem a força de trabalho mundial são dependentes dos recursos hídricos. “Nós temos algo em torno de 1,5 bilhão de pessoas no mundo que ainda têm problemas de acesso à água, seja em quantidade ou em qualidade. Isso afeta o emprego delas também”, disse o coordenador do setor de Ciências Naturais da Unesco no Brasil, Ary Mergulhão.

ÁGUA DO ÁRTICO

 

DIA MUNDIAL DA ÁGUA

 

ÓLEO DE KRILL: A NOVA FONTE DE ÔMEGA-3

Sem títuloO óleo de krill, molusco abundante em águas polares do hemisfério sul, é uma fonte de ômega-3 superior àquele proveniente de peixes.

As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no mundo e estão associadas a fatores de risco como altos níveis de colesterol, hipertensão arterial, diabetes e obesidade. Esses fatores de risco podem iniciar o processo inflamatório nas artérias, chamado aterosclerose, que leva à formação de placas que obstruem os vasos sanguíneos.

O krill é um crustáceo marinho parecido com o camarão, mas muito pequeno, que serve de alimento para animais como peixes, focas e baleias. Ele é rico em proteínas e, assim como os peixes, também é uma fonte natural de ômega-3. O ômega-3 do krill difere do proveniente dos peixes por possuir uma absorção mais eficiente, o que significa que é possível obter resultados semelhantes com a ingestão de menor quantidade. Ele também contém antioxidantes naturais que, além de promoverem maior estabilidade aos componentes do óleo, também colaboram metabolicamente na redução dos processos inflamatórios.

Uma das dificuldades em utilizar o ômega-3 de origem animal nas prescrições médicas e nutricionais reside na baixa absorção intestinal e/ou na sua baixa dose por cápsula. Os pacientes, para efetivamente receberem as doses validadas na literatura científica, precisam ingerir de quatro a oito cápsulas diariamente. Com o óleo proveniente do krill, as doses podem ser reduzidas em até 60%.

A documentação efetiva da eficácia do óleo de krill, na literatura científica, vem sendo avaliada pelo Índice Ômega-3, utilizado em diversas publicações como método para quantificar diretamente a incorporação do ômega 3 pelas membranas da hemoglobina, que, comparativamente entre o animal e o de krill, mostra uma significativa superioridade do krill.

Na atualidade, a grande fronteira clínica consiste em documentar, além da maior absorção e incorporação celular do ômega 3 originário do krill, a sua efetiva redução do processo inflamatório e a relação com os eventos cardiovasculares de maior importância, como infartos e acidentes vasculares cerebrais.

Óleo de Krill

Antarctic Krill

 

O MAR DE EMOÇÃO DO CARNAVAL

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O carnaval de Veneza foi a primeira tradição carnavalesca da história. Surgida no Século XVI o hábito de usar máscaras nas ruas se tratava de uma criação da nobreza. Desejando participar das festas populares, cheias de luxúria, diversão e gula, a nobreza se adornava com máscaras e fantasias a fim de não ser reconhecida, e neste dia, serem apenas mais pessoas no meio da multidão alegre, que já se reunia para esse tipo de comemoração desde o século XIII.

Mas o maior espetáculo da Terra é o carnaval brasileiro. E o mar, um mar de emoção, está sempre presente.

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Das Maravilhas do Mar, Fez-se o Esplendor de Uma Noite

Minha alegria atravessou o mar

Veneza

 

PEIXE TRUMP

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Encontrado peixe venenoso que é a cara de Donald Trump.

Um peixe peçonhento foi fotografado pelo boxeador irlandês Steve Collins, no Sea Life, um aquário localizado em Manchester, na Inglaterra. O rapaz comparou o animal com o recém-eleito presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ele contou que quando viu o peixinho “não conseguia parar de rir”, principalmente por causa da ‘testa’ do bicho, semelhante ao topete utilizado pelo presidente.

            Depois de publicada na internet, a foto rendeu vários comentários. Muitos usuários também acharam o peixe semelhante a Trump, incluindo o cantor Billy Madison, que compartilhou a imagem em seu Twitter. O fato de o peixe excretar substância tóxica e ainda emitir um grunhido quando capturado, fez render ainda mais comparações com o temperamento ‘bravo’ de Trump.

            Não é a primeira vez que Donald Trump é comparado com um peixe. Outras duas espécies já ficaram famosas na internet.

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Leia e veja

Leia e veja 2

Em inglês

 

ATIVIDADE PESQUEIRA NA AMAZÔNIA AZUL

Há fortes indícios da presença de diversos barcos estrangeiros pescando, muito provavelmente atuns, nas águas jurisdicionais brasileiras, escreve Flávio Leme, assessor do SAPERJ e Presidente da Comissão Nacional da Pesca da CNA em artigo publicado na revista Pesca & Mar 167.

          A presença desses barcos operando em nossas águas fere a soberania nacional e contribui, diretamente, para que estes recursos deixem de ser capturados pela frota brasileira, impactando na baixa produtividade das nossas pescarias.

Em resposta a ofício enviado pelo Saperj, o Comando de Operações Navais do Brasil afirma: “Gostaria de ressaltar que a comunidade pesqueira nacional, importante parcela do Poder Marítimo brasileiro, pode emprestar relevante contribuição à nossa Amazônia Azul por meio da identificação e reporte de qualquer suspeita de presença de embarcações de pesca estrangeiras à Autoridade Marítima local, posto que os comandantes das embarcações pesqueira são elementos importantes para a informação sobre o tráfego marítimo, bem como para a contribuição para a fiscalização de atividades ilegais em nossas águas”.

         Leia a íntegra do artigo do Comandante Leme.

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“A Amazônia Azul, conceito utilizado pela Marinha do Brasil com o objetivo de alertar a sociedade sobre a importância estratégica e econômica do mar do nosso litoral, compreende uma imensa região oceânica que engloba uma faixa litorânea até a distância de 200 milhas da costa – que constitui a nossa Zona Econômica Exclusiva (ZEE) – e áreas marítimas da Plataforma Continental, que se estendem além dessa distância. São quase 4,5 milhões de km2, que correspondem a 52% da área do território nacional. Esses números dão a dimensão da importância deste território que concentra 85% da produção do petróleo nacional e 91% do comércio exterior brasileiro, e que se constitui numa das últimas fronteiras por desbravar no País, além de representar um legado de valor inestimável para o Brasil. A atividade pesqueira, a navegação de cabotagem, o turismo marítimo, a produção de energia e a extração de minérios são algumas potencialidades que também justificam a necessidade da exploração e preservação desse valioso patrimônio nacional.

No que tange à pesca, observamos uma concentração considerável de barcos operando nas regiões costeiras. Todavia a nossa frota, na sua maioria antiga e com limitações de autonomia operativa, ainda não se faz muito presente em áreas mais distantes, como nos limites da nossa ZEE.  Em alto mar, temos a incidência de pescados de grande valor comercial e fortemente disputado por países com pesca desenvolvida. São espécies da família dos tunídeos (atuns e afins) que acompanham a corrente sul-equatorial proveniente da costa africana que alcança o litoral Nordeste do Brasil, bifurcando-se para o Norte em direção ao Caribe e para o Sul, formando a chamada corrente do Brasil.

A captura desses recursos é controlada por uma organização internacional chamada Comissão Internacional de Conservação do Atum no Atlântico (sigla em inglês ICCAT), da qual o nosso País é signatário, e que define cotas de captura para esse pecado. Mas vale registrar que de uma cota máxima de captura sustentável de atuns no Atlântico de, aproximadamente, 500 mil toneladas/ano, a captura média do Brasil, com toda a nossa dimensão costeira do Atlântico Sul, é somente cerca de 5 % desse limite, o que corresponde a apenas 25 mil toneladas/ano.

Em paralelo, um dos critérios estabelecidos pela ICCAT para a definição de cotas tem sido a captura histórica, o que vai implicar que aqueles países com maior produção serão contemplados com maiores percentuais. Desta forma, para que o Brasil possa pleitear na ICCAT uma maior participação na distribuição de cotas, temos que incrementar a nossa produção atuns.

Daí a necessidade de desenvolvermos uma frota oceânica moderna e que esteja capacitada a trabalhar em toda extensão da nossa ZEE, mesmo porque, se não tivermos aptos a explorar os recursos pesqueiros presentes em nossas águas jurisdicionais, outros países poderão reivindicar este direito, com base no Artigo 62 da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar que estabelece: “Quando o Estado costeiro não tiver capacidade para efetuar a totalidade da captura permissível, deve dar a outros estados acesso ao excedente dessa captura, mediante acordos e outros ajustes.”

Além de todas as dificuldades que temos hoje para poder explorar esses recursos, surgiu mais um fato de extrema preocupação e relevância: na apresentação feita pelo comandante do Comando do Controle Naval do Tráfego Marítimo (COMCONTRAM) sobre o Programa Nacional de Rastreamento de Embarcações Pesqueiras por Satélites (PREPS) – durante o último seminário da MARINTEC SOUTH AMERICA – foi divulgado que, por meio da análise do AIS SATELITAL, há fortes indícios da presença de diversos barcos estrangeiros pescando, muito provavelmente atuns, nas águas jurisdicionais brasileiras (AJB).

A presença desses barcos operando em nossas águas fere a soberania nacional e contribui, diretamente, para que estes recursos deixem de ser capturados pela frota brasileira, impactando na baixa produtividade das nossas pescarias. Portanto, faz-se necessário estabelecermos, com urgência, ações de presença e vigilância que venham a coibir e impedir as operações de pesca das embarcações estrangeiras nas AJB, a fim de garantirmos e preservarmos a produção pesqueira nacional.

Além das necessárias operações de patrulha pelas unidades navais da Marinha é fundamental que as embarcações de pesca também atuem como sentinelas avançadas dos nossos mares, reportando para a autoridade marítima a posição e, se possível, nome e foto das embarcações estrangeiras de pesca trabalhando em nossas aguas jurisdicionais.

Portanto, a perspectiva de desenvolvimento da atividade pesqueira não depende exclusivamente do setor privado, mas fundamentalmente, também, do entendimento do governo brasileiro a respeito da importância e da dinâmica da rica cadeia produtiva de pescado. Só assim o Estado poderá colher resultados concretos e de substancial magnitude do promissor segmento da pesca oceânica.”

Flavio Leme

Assessor do SAPERJ

Presidente da Comissão Nacional da Pesca da CNA

Leia ofício do Comando de Operações Navais: OFÍCIO

ACHADOS RESTOS DE UM CONTINENTE PERDIDO SOB O OCEANO ÍNDICO

Sob as águas cristalinas que rodeiam as ilhas Maurício jazem há milhões de anos os restos de um continente perdido, que nada tem a ver com os devaneios da Atlântida. Um grupo de cientistas confirmou ter localizado sob o oceano Índico os rastros da desintegração do supercontinente Gondwana, há 200 milhões de anos, um fato que desenhou a atual face daTerra. A descoberta ocorreu a partir da presença de rochas de zircão com três bilhões de anos de idade na superfície de Maurício – uma ilha vulcânica jovem, de apenas nove milhões de anos. Isso não era normal.

Os restos agora encontrados sob o oceano Índico (e sobre Maurício) são um pedaço de crosta terrestre que foi posteriormente encoberto por lava jovem durante erupções vulcânicas na ilha. Os pesquisadores estão convencidos de que se trata de uma pequena peça do antigo continente, que se rompeu da ilha de Madagascar quando a África, a Índia, a Austrália e a Antártida se separaram e formaram o oceano Índico, segundo o trabalho publicado na revista Nature Communications.

            O geólogo Lewis Ashwal, da Universidade de Witwatersrand (África do Sul), autor principal da pesquisa, e seus colegas Michael Wiedenbeck, do Centro Alemão de Pesquisa de Geociências (GFZ), e Trond Torsvik, da Universidade de Oslo, descobriram que um mineral, o zircão, encontra-se em rochas atiradas pela lava durante as erupções vulcânicas. Os restos desse mineral eram muito antigos para pertencer à ilha Maurício.

“A Terra é formada por duas partes: os continentes, que são velhos, e os oceanos, que são jovens. Nos continentes se encontram rochas de mais de quatro bilhões de anos, mas não há nada parecido nos oceanos. É onde se formam novas rochas”, explica Ashwal. “Maurício é uma ilha, e não há rocha de mais de nove milhões de anos na ilha. Entretanto, ao estudar as rochas da ilha, encontramos zircões de até três bilhões de anos.”

Os zircões são minerais produzidos principalmente nos granitos continentais. Contêm traços de urânio, tório e chumbo e, por sobreviverem muito bem ao processo geológico, contêm um rico registro dessas atividades e podem ser datados com grande precisão.

            “O fato de termos encontrado zircões dessa idade demonstra que há em Maurício materiais da crosta terrestre muito mais antigos, que só poderiam se originar num continente”, diz Ashwal.

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Pangeia

 

TUBARÃO FÊMEA TEM CRIAS APÓS PASSAR QUATRO ANOS SEM MACHO

Sem título1Separada de seu parceiro em 2012, Leonie, um tubarão-zebra fêmea, é a primeira da espécie a passar de reprodução sexuada para assexuada

Cientistas ficaram intrigados com o estranho comportamento de um tubarão-zebra fêmea que vive no aquário Reef HQ, em Queensland, na Austrália. Leonie, como foi batizada, passou quatro anos longe de seu parceiro e, mesmo sem fecundação, surpreendeu os biólogos ao colocar ovos que continham embriões. Esse é o primeiro caso de um tubarão da espécie trocando de reprodução sexuada para assexuada, e o terceiro caso já registrado entre todos os vertebrados. Uma pesquisa sobre o caso de Leonie foi publicada revista Nature.

Caso raro – Leonie foi capturada e trazida ao aquário em 1999, onde conviveu com outro tubarão-zebra macho por seis anos. Em 2008, ela começou a colocar ovos e teve várias crias antes de ser separada de seu parceiro, quatro anos depois. Uma das crias, Lolly, dividia o tanque com a mãe desde 2013 e nunca havia sido introduzida a nenhum macho.

Em 2014, mesmo sem fecundação, Leonie e Lolly colocaram ovos. Autora do estudo sobre Leonie e bióloga na Universidade de Queensland, Christine Dudgeon disse ao The Guardian que, se as condições forem favoráveis, é comum que os tubarões-zebra, também conhecidos como tubarões-leopardo, coloquem ovos na ausência de um macho – o que intrigou os cientistas foi o fato de que os ovos de Leonie tinham embriões. Os pesquisadores tentaram incubá-los, mas nenhum deles chocou.

No ano seguinte, novamente mãe e filha colocaram ovos, e dessa vez todos continham embriões. As duas juntas produziram cinco crias, sendo que duas ainda permanecem no aquário.

Dudgeon afirma que a reprodução assexuada em tubarões fêmea que nunca se reproduziram sexuadamente, como Lolly, não era tão incomum. O caso de Leonie, no entanto, que já havia tido crias com fecundação, era o primeiro do mundo.

Registros anteriores mostram que tubarões fêmea podem estocar esperma por quatro anos, o que explicaria o caso raro de Leonie. Porém, apesar de não serem clones exatos da mãe e possuírem metade de seu material genético, análises mostraram que os filhotes apresentavam altos níveis de homozigosidade – estado em que a cria recebe o mesmo gene de dos dois pais –, indicando que a fecundação teria sido feita de maneira assexuada.

Resposta evolucionária – A bióloga diz que não se sabe ainda o que motivou a troca na maneira de se reproduzir, mas parece ser uma resposta a curto prazo para estender sua vida reprodutiva em consequência à ausência de machos.

Tubarões-zebra, que têm como nome científico Stegostoma fasciatum, são considerados uma espécie ameaçada pela União Internacional para Conservação da Natureza. Os cientistas esperam que o estranho caso de Leonie possa chamar atenção para a situação alarmante em que se encontram esses animais e ajude a preservá-los.

Confira

Brasil se destaca na reprodução de tubarão-lixa em cativeiro

 

FOGO NO TITANIC

 Incêndio danificou Titanic antes de ele atingir iceberg, sugerem novas provas. Especialista pesquisa por 30 anos e encontra marcas de fogo no casco do transatlântico

            O famoso naufrágio do transatlântico Titanic pode ter ocorrido tanto pela colisão com um gigantesco iceberg quanto por causa de um incêndio que corroeu parte do casco do navio — tornando-o até 75% menos resistente — antes mesmo de sua partida, novas evidências sugerem.

A tragédia matou mais de 1.500 pessoas em 15 de abril de 1912, durante sua viagem inaugural de Southampton, na Inglaterra, para Nova York, nos EUA. Eternizada em filme, a história é geralmente contada como um desastre em decorrência de uma batida com um iceberg, que literalmente rasgou parte do navio e fez a água entrar. No entanto, um especialista no Titanic — que o estuda há 30 anos — levanta a hipótese de que labaredas de fogo tenham queimado por cerca de três semanas imediatamente atrás do local perfurado mais tarde pelo iceberg.

A alegação foi feita pelo jornalista e especialista no Titanic Senan Malony, que usou fotografias pouco conhecidas tiradas pelo principal engenheiro electrotécnico do navio antes que saísse do estaleiro de Belfast. Essas fotos mostram marcas pretas ao longo do lado direito dianteiro do casco.

— Estamos olhando para a área exata onde o iceberg bateu, e parece que houve um dano no casco naquele lugar específico, antes mesmo de deixar Belfast — disse Malony ao site do “Telegraph”.

INSTRUÇÕES PARA TRIPULAÇÃO NÃO MENCIONAR FOGO – Depois do naufrágio, especialistas confirmaram que esses danos no casco deveriam ter sido causados pelo fato de centenas de toneladas de carvão terem pegado fogo devido a um autoaquecimento da área onde se armazenava combustível atrás da sala de caldeira seis. Era um espaço de armazenamento de três andares de altura.

            No entanto, de acordo com a pesquisa de Malony, membros da tripulação teriam lutado por dias antes da partida do transatlântico para controlar o fogo, que atingia a temperaturas entre 500 e 1.000 graus Celsius. Ainda segundo Malony, os oficiais do navio supostamente receberam instruções estritas de J. Bruce Ismay, presidente da companhia que construiu o navio, para não mencionar a situação desesperadora para qualquer um dos 2.500 passageiros do Titanic.

O navio teria sido até mesmo posicionado do lado contrário no porto de Southampton, no momento do embarque, para que os passageiros não vissem o lado marcado. Essas informações serão alegadas por Molony no documentário “Titanic: The new evidence” (Titanic: A nova evidência), a ser exibido em um canal do Reino Unido.

— O inquérito oficial do Titanic classificou [o naufrágio] como um ato de Deus. Esta não é uma simples história de colisão com um iceberg e naufrágio. É uma junção perfeita de fatores extraordinários: fogo, gelo e negligência criminal — destacou Molony. — Ninguém nunca investigou essas marcas [pretas, como de fogo] antes. Isso muda totalmente a narrativa. Temos especialistas em metalurgia que nos dizem que quando esse nível de temperatura entra em contato com o aço, isso o torna frágil e reduz sua resistência em até 75%. O fogo era conhecido, mas foi minimizado. [O Titanic] Nunca deveria ter sido levado ao mar.

            Há também a sugestão de que, apesar dos avisos de icebergs, o Titanic viajava mais rápido do que era aconselhável porque a tripulação procurava eliminar o carvão formado colocando-o no único lugar disponível para ele: os fornos que alimentavam os motores do navio.

            — Há aspectos dessa saga que nunca foram adequadamente explicados — disse Molony.

David Hill, ex-secretário da Sociedade Britânica do Titanic, confirmou ao “The Times” que houve um incêncio no transatlântico.

— Certamente houve um incêndio. O navio estava programado para sair numa quarta-feira, e não conseguiram dar a partida até o sábado, então deve ter sido um incêndio grande — disse ele. — Mas foi algo que mudou a história? Minha opinião pessoal é de que isso não fez qualquer diferença.

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INSCRIÇÕES ABERTAS

Até 15 e 21 de janeiro. Até eventual prorrogação do governo federal, estas são as datas limite para a sua empresa se cadastrar no processo seletivo que escolherá as representantes do pescado brasileiro nas feiras Seafood Expo North America e Seafood Expo Global, respectivamente.

Depois de uma mobilização da Secretaria de Aquicultura e Pesca (SAP) e da Secretaria de Relações Internacionais do Agronegócio (SRI), em parceria com o Ministério das Relações Exteriores (MRE), o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) retomou o Pavilhão do Brasil em ambos os eventos.

A 37ª Seafood Expo North America acontecerá no período de 19 e 21 de março na cidade de Boston, nos Estados Unidos. Conhecida até 2013 como International Boston Seafood Show, é a maior feira para promoção e comercialização de produtos da pesca e aquicultura na América do Norte.

Em 2016, segundo dados da organização compilados pelo Mapa, o evento contou com a participação de 1.260 expositores de 50 países, atraindo 20.680 visitantes, sendo que 70% deles eram estadunidenses. Na avaliação do governo brasileiro, como 86% dos visitantes têm interesse em encontrar novos produtos, a Seafood Expo North America é considerada “uma plataforma ideal para promoção de espécies brasileiras ainda pouco conhecidas nesse mercado”.

Já a 25ª Seafood Expo Global, a maior vitrine de produtos de pescado em todo o mundo, acontecerá no período de 25 e 27 de abril na cidade de Bruxelas, na Bélgica. Antes European Seafood Exposition, a feira atraiu no ano passado 22.160 visitantes de 143 países, reunindo o total de 1.664 expositores de 80 países.

Em ambas as feiras, como antecipado pela Seafood Brasil, o Pavilhão do Brasil terá estrutura montada e espaços individualizados que serão disponibilizados às empresas ou entidades (sindicatos, associações etc.) selecionadas. Os expositores também terão serviços de apoio e serão incluídos no catálogo oficial da feira e do Pavilhão Brasileiro.

Leia mais e acesse convocatória                                                                           

 

COIOTES MARINHOS

Coiote brasileiro cobra US$ 12 mil para levar imigrantes das Bahamas aos EUA.

            Em frente ao píer tomado por turistas desembarcados de enormes transatlânticos, um sedã velho e de vidros escuros com três homens para no meio da rua.

Um deles abre a janela e faz sinal para o repórter entrar e, num piscar de olhos, a atmosfera ensolarada de férias dá lugar a uma cena claustrofóbica de filme de gângster.

Sentado no banco de trás está Alexandre Soares de Oliveira, um dos pelo menos quatro coiotes brasileiros que atuam em aliança com organizações criminosas bahamenses e norte-americanas para transportar imigrantes até a costa da Flórida.

A rota, menos usada do que a da fronteira mexicana, entrou no noticiário no fim de 2016, com o desaparecimento de pelo menos 12 brasileiros que tentavam a travessia.

O último contato com familiares ocorreu há dois meses, em 6 de novembro, quando o grupo estava prestes a embarcar de Nassau, capital das Bahamas.

Vestido de bermudas e tênis, portando um relógio dourado e um grande anel de ouro, Alex, como se apresenta, começou a conversa perguntando como eu havia conseguido o seu celular. Convenceu-se de que eu estava tentando emigrar para os EUA e que o contato havia sido repassado por pessoas que o conheciam na região de Boston (EUA), de grande concentração de brasileiros.

Vencida a desconfiança inicial, é a vez de Alex tentar provar que a travessia não traz riscos. “Essa história dos 22 [sic] brasileiros é tudo mentira. Eles estão todos presos aqui nas Bahamas. O que aconteceu é que o barco deles foi pego com cocaína, aí eles ficam incomunicáveis. Tem de se foder mesmo.”

A hipótese é descartada pelo Itamaraty. Nos últimos dias, prevalece a tese de naufrágio.

VIAGEM – A conversa passa aos detalhes da travessia. Enquanto o carro dá voltas pelo pequeno centro de Nassau, Alex diz que tenho sorte: um barco com seis brasileiros sairia na manhã do dia seguinte, sexta (6). “Tem um ali esperando dois meses pra cruzar.”

Por eu já estar nas Bahamas, a viagem sairia por US$ 12 mil —metade paga antes do embarque e a outra após a chegada à Flórida.

A viagem começaria às 8h, a bordo de barco pesqueiro. Mais perto da costa americana, o grupo faria baldeação para um iate e desembarcaria às 15h na casa do capitão, em território americano.

Como garantia, Alex apresenta os dois bahamenses nos assentos da frente.

“Esse aqui já foi o maior transportador de droga das Bahamas, mas agora parou”, diz, pondo a mão no ombro do motorista. “E esse aqui comanda a polícia, sabe tudo o que acontece lá.”

As instruções para a viagem são lacônicas: só é possível levar uma pequena mala. Pergunta qual é o modelo do meu celular. Mostro o iPhone 6S. “Esse não pode, tem GPS, dá pra rastrear. Mas eu te troco por um LG novinho que comprei pra minha mulher no Panamá. É do mesmo preço e do mesmo tamanho, fica tudo certo.”

Alex revela pouco sobre si. Diz que mora em Marataízes, litoral do Espírito Santo, e que já viveu nos EUA. Conta, com aparente orgulho, ter ficado preso por dez meses lá. Na Justiça da Flórida, há o registro de sua prisão em 1991 por roubo, com pena prevista de até cinco anos.

Filiado ao PMDB, tem 49 anos e concorreu no ano passado a vereador na sua cidade, como Professor Alexandre. No TSE, está registrado como docente do ensino médio. Para a campanha, declarou ter gasto apenas R$ 1.594, do próprio bolso. Mas a candidatura não foi bem-sucedida: teve só sete votos.

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SUPER ICEBERG E AQUECIMENTO GLOBAL

Gigantesco iceberg está perto de se romper na Antártica. Segundo cientistas, ruptura do bloco de 5.000 km² mudará a geografia da região. Como flutua, iceberg não causará aumento do nível dos oceanos. Por outro lado, ou no mesmo lado, estudo desmente desaceleração do aquecimento global de 1998 a 2014.

            Um gigantesco iceberg, considerado um dos dez maiores do mundo, está perto de se soltar da Antártica, afirmaram cientistas na quinta-feira. O bloco de 5.000 quilômetros quadrados, área equivalente à do Distrito Federal, é resultante de uma grande rachadura na plataforma de gelo Larsen C, na Antártica, que se expandiu abruptamente no mês passado. Apenas vinte quilômetros de gelo impedem que o imenso bloco se solte da plataforma e se torne um iceberg de 80 quilômetros de comprimento.

A muralha gelada “irá mudar fundamentalmente o cenário da Antártica”, afirmaram em comunicado cientistas britânicos do Projeto Midas da Universidade de Swansea, no País de Gales, que monitora o impacto do derretimento em plataformas de gelo. Como flutuará, o bloco de gelo não deve causar aumento no nível dos oceanos – no entanto, rupturas futuras decorrentes do desprendimento podem levar ao descongelamento de geleiras e, como a água dessas últimas são integradas aos mares, podem levar ao aumento do nível. Segundo estimativas dos pesquisadores, se toda a plataforma Larsen C derreter, os oceanos podem aumentar em até 10 centímetros.

Aquecimento global – Durante 15 anos, entre 1998 e 2014, uma aparente desaceleração do aquecimento global foi usada pelos céticos como argumento para afirmar que o fenômeno era “um engano”, mas um estudo publicado nesta quarta-feira (4) aponta que essa pausa foi uma ilusão.

sem-tituloO trabalho dos pesquisadores das Universidades de Berkeley, na Califórnia, e de York, no Reino Unido, confirmam as conclusões de um estudo de 2015, elaborado pela Agência Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês).

“Nossos resultados significam basicamente que a NOAA tinha razão e que seus cientistas não alteraram os dados”, aponta o pesquisador Zeke Hausfather, de Berkeley, e principal autor do estudo publicado na revista americana “Science Advances”.

A análise feita em 2015 pelos cientistas da NOAA mostrou que as temperaturas medidas pelas boias usadas hoje nos oceanos são ligeiramente mais frias do que as registradas nas leituras feitas pelos navios no passado.

Essas diferenças de temperatura entre o velho e o novo sistema de medição ocultaram a realidade do aquecimento global nesses 15 anos, concluíram os pesquisadores. Publicado em 2015, o trabalho da NOAA foi muito criticado pelos chamados céticos do clima, alegando que essa “pausa” era uma prova de que o aquecimento global era um “engano”.

 

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Estudo desmente desaceleração do aquecimento global de 1998 a 2014

 

 

 

EXPORTANDO PEIXE BRASILEIRO

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“Peixe brasileiro tem que ser exportado como produto premium”, diz especialista. “Claro que existe todo um trabalho para habilitar o País lá fora e, estando habilitado, o processo pode demorar um ano. Mas o dever de casa é muito grande, pois a nossa cadeia ainda é desestruturada. Precisamos crescer produção com mais qualidade e padronização para ser absorvida por indústrias e estes mercados exteriores.”

sem-titulo1Uma das constatações da delegação brasileira durante viagem de 25 dias do ministro Blairo Maggi à Ásia, em setembro, foi a de que proteína animal de qualidade é exclusividade da elite e classe média em países como a China e a Índia. Extremamente populosos, estes países têm nesses segmentos poder aquisitivo capaz de suportar preços mais altos, adequados a proteínas de alta qualidade.

Única empresa do pescado que acompanhou a missão do ministro, a Biofish vislumbrou imenso potencial para as espécies nativas brasileiras, desde que haja uma estratégia de posicionamento e preço adequada a esses mercados. Veja na entrevista abaixo com Janine Bezerra de Menezes, diretora de marketing e comércio exterior da empresa, as principais conclusões da viagem.

1) Qual é o perfil do consumidor asiático e como isso pode beneficiar as exportações brasileiras de pescado?

Meu ponto de vista da missão é de que existe uma grande necessidade de proteína animal de pescado para Ásia. A questão da segurança alimentar é muito séria ali. Falta proteína, eles servem refeição com cartilagem de porco e de frango com arroz e molho e cobram US$ 10. O público que compra carne nobre e o bom peixe é de poder aquisitivo de classe média e alta para cima. Não duvido que o nosso peixe, uma vez que saia e seja feito este trabalho de geração de demanda, vai cair no gosto e vai agradar sim. Porque eles comem coisas muito inferiores e vendem.

sem-titulo2Os mercados asiáticos têm volume muito grande. Qualquer player que senta contigo fala em 10, 15 contêineres apenas para introdução de produto. Isso para segmentar, para vender nos melhores hotéis, restaurantes, supermercados mais gourmets, com produtos mais nobres. A nossa leitura é que o peixe nativo do Brasil seja vendido no mesmo patamar que importamos bacalhau e salmão. Se pegarmos o nosso pescado de água doce para trabalhar com outros peixes de combate, não podemos combater.

E tivemos uma grata surpresa porque foi muito assédio mesmo, na Coreia do Sul, China, Myanmar, Hong Kong, Índia, Malásia, Tailândia e Vietnã. Nós, que estávamos com a proposta do peixe nativo, tivemos agenda cheia, especialmente na China, em Hong Kong e Coréia do Sul, onde identificamos que o preço do pescado é muito alto. Cheguei a ver uma caixa de corvina a US$ 350 em Seul.

2) Que diferencial nós temos em relação a outros competidores?

Há várias outras agregações de valor na marca Amazônia. Só a Amazônia é que vai poder produzir estas espécies para o mundo inteiro, que hoje tem déficit de 25 milhões de toneladas em alimentos e vai chegar a 100 milhões em 2030.

Mas a preocupação é que ninguém comece esta exportação sem este cuidado. Às vezes o empresário vende aqui a 10 reais e exporta com uma margem muito pequena lá fora, sem raciocinar que poderia vender por 25. Temos que trabalhar de forma inteligente, com formação de preço de exportação e identificação de nichos de mercado.

Nas rodadas de negócio, apresentei cortes para o pirarucu, tambaqui e pintado real dentro de um raciocínio de um valor alto e não tive nenhuma recusa. Se você coloca como um produto premium, alta agregação de valor, qualidade de carne e sabor e sustentabilidade, eles já entendem que é segmento A e B.

3) Quais são os pontos que o governo brasileiro precisa trabalhar para valorizar nossa participação no exterior?

É preciso ter uma estratégia de internacionalização compatível com a oferta e demanda, que sempre vai ser maior do que nossa capacidade de produção.

Precisamos valorizar também a sustentabilidade na Amazônia. Água e peixes são a vocação natural da região e a aquicultura preserva floresta, produz alimento e gera emprego e renda.

Outro ponto é a criação da marca Brasil. O País precisa certificar o pirarucu do Brasil, pintado do Brasil, tambaqui do Brasil. Certificado de origem, como fizeram com o açaí.

Sobre o posicionamento de mercado, o peixe nativo do Brasil tem de ser exportado como produto premium, gourmet. Neste sentido precisamos ter uma formação de preço de exportação inteligente, valorizando todos os pontos favoráveis a este superproduto.

4) Como o ministro Blairo Maggi enxerga o segmento?

Ele sempre fazia a abertura das palestras, apresentava com muita propriedade o potencial do agro em todos os segmentos e falava muito bem sobre o potencial do pescado nativo e o potencial hídrico do Brasil para a produção de peixes.

Teremos um bom problema daqui para frente. Voltamos mais que convencidos que precisamos parar de olhar tanto para essa briga de mercado e baixo consumo no Brasil, porque temos mercados espetaculares para vender o peixe sem muito esforço. Claro que existe todo um trabalho para habilitar o País lá fora e, estando habilitado, o processo pode demorar um ano. Mas o dever de casa é muito grande, pois a nossa cadeia ainda é desestruturada. Precisamos crescer produção com mais qualidade e padronização para ser absorvida por indústrias e estes mercados exteriores.

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Notícia antiga

Um milhão de pescadores

 

ZONAS MORTAS NOS OCEANOS

Espalhadas por 245 000 km2, as zonas mortas, regiões sem oxigênio, aumentam nas regiões costeiras e no mar alto e são causadas por pesticidas e pelo aquecimento global.

            sem-titulo1Ao largo da Índia, na Baía de Bengala, a  vida marinha corre o risco de desaparecer. Esta área de 60 000 km2, duas vezes o tamanho da Bélgica, é agora uma “zona morta”. Um estudo liderado pela Universidade do Sul da Dinamarca e publicado na revista Nature Geoscience 05 de dezembro alerta sobre a instabilidade da região. “Hoje, a Baía de Bengala está em um estágio crítico. A concentração de oxigênio é tão baixa que só precisa de pequenas condições de mudança para sufocar o sistema oceânico”, diz Laura Bristow, co-autora do estudo e biogeoquímica do Instituto Max Planck, em Munique.

As zonas mortas, ou áreas de hipóxia, são regiões do oceano onde o nível de oxigênio é muito baixo, causando a asfixia da fauna marinha. “Todas os organismos que precisam de oxigênio para respirar fogem destas áreas”, diz Paul Treguer, biogeoquímico e professor emérito da Universidade de Brest. “Espécies de imóveis  tais como moluscos morrem e bactérias metanogênicas prosperam. ”
Este  fenômeno é naturalmente causado por condições meteorológicas extremas ou correntes especiais do oceano. Ele sempre existiu na história do oceano moderno. No entanto, a situação está piorando desde os anos 1980. Em 2003, um relatório da ONU estimava em 150 o número de zonas mortas. Cinco anos depois, um estudo publicado pelo Instituto de Ciência Marinha da Virginia já falava em 400. As zonas mortas são encontradas principalmente no sul do Pacífico, no mar Báltico, na costa da Namíbia ou no Golfo do México.

 

Em francês

Zonas mortas dos oceanos

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PEIXE MUTANTE NO LIXO TÓXICO

sem-titulo Pesquisadores descobriram que os peixes de água doce conhecidos como killifish do Atlântico agora estão 8.000 vezes mais resistentes a altos níveis de lixo tóxico que os outros peixes, permitindo com que eles sobrevivam a extremos níveis de poluição que mataria quaisquer um de seus companheiros de espécie. Parece uma história de sucesso evolucionária, mas coisas como esta mostram que isto é algo excepcionalmente raro no reino animal.

            Uma nova pesquisa publicada no periódico Science mostra que espécies urbanas de killifish que nadam em quatro locais muito poluídos da costa leste dos Estados Unidos desenvolveram uma forte resistência a ambientes letais alterados por seres humanos. Graças à sua genética única, estes peixes agora são milhares de vezes mais resistentes a altos níveis de poluição que qualquer outro peixe.

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O processo evolucionário geralmente é lento, tornando difícil para as espécies se adaptarem a ambientes alterados por humanos. Pesquisadores da UC Davis descobriram que o killifish conta com um grande variação genética de alto nível que é maior que qualquer outro vertebrado sequenciado geneticamente. Como insetos, ervas daninhas e bactérias, estes peixes podem se adaptar rapidamente a diferentes agravantes ambientais.

“Algumas pessoas verão isso como algo positivo e pensar: ‘ei, as espécies podem evoluir como resposta ao que estamos fazendo ao meio ambiente!’”, observou Andrew Whitehead, um dos autores do estudo, em um comunicado. “Infelizmente, a maioria das espécies que tentamos preservar infelizmente não pode ser adaptar a mudanças tão rápidas, pois elas não têm altos níveis de variação genética que permitiram uma evolução rápida.”

De fato, os animais sem este tipo de característica genética frequentemente não conseguem se adaptar rápido o suficiente. Algumas espécies em específico não conseguem se desviarem de seus scripts genéticos, fazendo que muitas das mutações sejam desvantajosas.

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Usinas termelétricas e microalgas

 

PEIXE VIVO

Rede de supermercados cria embalagem de congelados que se comportam como peixes recém-pescados.

            Com a tecnologia atual, o peixe congelado pode ser uma opção melhor que peixe fresco. Novos processos na indústria da pesca permitem que os peixes sejam congelados diretamente nos barcos ou em poucas horas após serem capturados, preservando seu sabor, textura e benefícios nutricionais.

Por outro lado, os peixes vendidos nos mercados como “frescos” frequentemente passaram por uma longa viagem de uma semana ou mais até chegarem às prateleiras das lojas e durante esse período o processo de decomposição do peixe está em andamento, fazendo com que o peixe congelado seja uma opção mais saudável.

Comer frutos do mar congelados pode parecer uma punição. Mas com a tecnologia atual, o peixe que sai do seu freezer é delicioso, nutritivo, econômico e geralmente melhor para o meio ambiente do que frutos do mar recém-pescados… Frutos do mar congelados, por diversos motivos, são melhores do que frescos, de acordo com o National Geographic.

Entretanto, muitas pessoas não sabem disso e ainda tem preconceito de incluir peixe congelado em suas dietas. Então, para comunicar o frescor de sua linha de peixes congelados, Mila, uma cadeia de supermercado polonesa com 189 lojas pelo país decidiu fazer um experimento com seus clientes.

Mas como mostrar o frescor de um peixe congelado e mudar a percepção do consumidor?

Dando vida às suas embalagens. Assim surgiu “The Live Fish Pack” (“pacote de peixe vivo”, numa tradução bastante livre).

Utilizando técnicas animatrônicas, foi desenvolvido um conjunto de embalagens especiais que faziam os peixes congelados se comportarem como peixes recém-pescados. As embalagens foram conectadas através de wi-fi a um sensor de proximidade e elas podiam tremer ou pular nos freezers, surpreendendo os consumidores que se aproximavam da seção de comida congelada.

A ativação foi transmitida pela internet onde as pessoas podiam ver a loja em tempo real e ativar três diferentes tipos de peixe para surpreender os clientes.

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Mais peixe vivo

 

ENERGIA DAS ONDAS

sem-titulo1Uma empresa australiana acaba de lançar o projeto de uma planta de energia maremotriz, que aproveita a força do oceano para gerar energia. Criada pela Carnegie Wave Energy, a estrutura é uma nova versão de um modelo já executado e patenteado pela empresa, e é anunciada como “a planta mais importante e avançada tecnologicamente para testes e desenvolvimento de energia renovável de oceanos do mundo”. As informações são do jornal britânico The Guardian.

O sistema utiliza as boias CETO, estruturas que se assemelham a grandes tanques circulares. Essas carcaças são amarradas a uma âncora no fundo do mar e permanecem totalmente submersas, característica que é o diferencial do complexo. Em entrevista ao The Guardian, Michael Ottaviano, diretor-gerente da Carnegie, explica que a estrutura foi desenvolvida para priorizar a sobrevivência a longo prazo dos tanques no oceano mais do que a eficiência na conversão de energia.

“Você pode ter a tecnologia mais eficiente, mas se acabar estragando após a primeira grande tempestade, não vale nada”, diz Ottaviano. “[O CETO] Nunca atinge a superfície. Podemos simplesmente acompanhar uma onda grande enquanto ela passa pela boia, que segue o fluxo para cima e para baixo”.

O movimento de subida e descida é a base da tecnologia de energia de ondas da Carnegie. Em harmonia com as ondas oceânicas, o movimento conduz água a uma bomba. Agora, na última geração das boias, a CETO 6, um sistema acoplado dentro do tanque irá converter a água pressurizada em eletricidade limpa, que será transportada para fora do oceano por um cabo.

Investimentos – Formada em 2006, a empresa australiana acaba de lançar seu projeto de energia ondas de US$ 90 milhões em Cornwall, no Reino Unido, depois de receber US $ 15,5 milhões do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional para executar a primeira fase.

O diretor vislumbra um futuro para o método principalmente para fornecimento de energia para ilhas, por estarem cercadas pelo mar. Ilhas também costumam ter grande dependência de combustíveis fósseis importados, o que os deixa em altas taxas de emissões de CO2 e volatilidade de preços, conforme Ottaviano.

Até então, a principal dificuldade da energia das ondas é o fato de ser “um recurso de densidade de energia bastante baixa em muitos lugares, por isso pode exigir uma quantidade razoável de infraestrutura”, esclarece Stephen Doig, diretor do Instituto Rocky Mountain, que auxilia na implantação de energias renováveis em ilhas. Ainda assim, trata-se de um método a ser explorado, principalmente por ser inesgotável, renovável e promover energia sem emissão de poluentes.

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COMO ACABAR COM O LIXO NO MAR?

sem-titulo-1Técnicas promissoras já existem pelo mundo, como um barco que “pesca” lixo, barreiras na superfície da água e até bactérias que comem plástico.

Um dos desafios para manter o meio ambiente saudável é acabar com o lixo plástico no oceano. Esse lixo mata animais, se desfaz com o passar do tempo e o microplástico acaba parando na nossa cadeia alimentar. Hoje já existem diversas técnicas que prometem acabar com o plástico nos oceanos, mas será que elas funcionam mesmo?

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Barco que pesca lixo

Lembrando a sopa de lixo

NÃO HÁ TEMPO A PERDER

sem-titulo1Um episódio insólito definiu o rumo que levaria Amyr Klink a se tornar o navegador de maior notoriedade no país e autor de best-sellers. Ao passar no vestibular para economia na USP, Klink teimou que não seria vítima do trote, em que teria o desgrenhado cabelo raspado. Para evitá-lo, chegava com sua moto às 4h da manhã na universidade e pulava uma janela para entrar na FEA (Faculdade de Economia e Administração), escapando assim do corredor polonês formado pelos veteranos.

            Em algumas dessas manhãs, ele podia observar, na raia da USP, os treinos de remo, esporte pelo qual se encantou, como conta no recém-lançado “Não Há Tempo a Perder”, livro que resulta de depoimento à jornalista Isa Pessoa.

O técnico de remo respondeu com ceticismo: “Quer remar? Vai correr”. Klink teria que gastar muita sola do tênis pelas ruas da Cidade Universitária para entrar no time.

E foi assim por um, dois, cinco meses ao longo de 1974. Acabou aceito na equipe, da qual guarda amigos até hoje.

Uma década depois, em 1984, atravessaria o Atlântico em um pequeno barco, sozinho, remando oito horas por dia. Até então, ninguém havia conseguido a proeza.  A viagem entre Namíbia e Brasil foi registrada em “Cem Dias entre o Céu e o Mar”, sua estreia literária de enorme sucesso editorial.

Sucesso – O navegador brasileiro Amyr Klink detesta falar em uma “trajetória de sucesso”. Após mais de 40 expedições à Antártida e 30 anos depois de ter cruzado sozinho, a remo, o Atlântico Sul, ele também não define suas conquistas como fruto da sorte, destino ou de qualquer outro fator que não inclua muito planejamento, trabalho duro e o extremo cuidado com cada detalhe que uma grande viagem exige. “Detesto quem fala em sucesso. Quem fica inventando caminhos para chegar até ele. Odeio livro de auto ajuda. Por mim, eu queimaria todos”. Se tivesse que definir o sucesso, no entanto, Amyr diria que ele acontece quando seu barco finalmente sai em direção a alto mar. “Para mim, a partida é o sucesso. Se o barco que construí navegar, esse é o meu sucesso. Não ganho medalha ou cheques. No final da viagem, o que tenho é muita conta para pagar e coisa para resolver”, afirma.

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Não há tempo a perder

“Detesto a palavra sucesso”.

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CRIATURA ALIEN

sem-tituloUm mergulhador avistou o que parece ser uma espécie alienígena cujo único objetivo é devorar – e possivelmente absorver – seres humanos.

A criatura é assustadora. A sua cabeça enorme e gelatinosa funciona como uma rede de pesca para capturar suas presas, envolvendo as vítimas em um balão gigante e transparente de carne.

Felizmente ela tem apenas 12 centímetros de comprimento, e sua visão não é muito boa. Ela usa a cabeça em forma de rede para procurar pequenos caranguejos que podem ser comidos no fundo do oceano.

Ao detectar um caranguejo ou molusco, sua cabeça se fecha rapidamente ao seu redor – como podemos ver nas filmagens feitas por um mergulhador na costa de Bali.

A criatura – da espécie melibe viridis, subordem dos nudibrânquios – foi classificada pelo mergulhador Emeric Benhalassa em um ponto de mergulho na costa norte de Bali, na Indonésia, chamado Puri Jati.

Esta lesma do mar é relativamente comum e pode chegar aos 14 centímetros de comprimento. Ela existe em uma variedade de cores chamativas e diferentes.

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Lembre outras criaturas bizarras

CLIMA TRUMP

sem-titulo1Com Donald Trump, temor de que acordo climático desmorone. Durante a campanha, magnata chamou aquecimento global de fraude e ameaçou não cumprir histórico pacto de Paris. Medo na comunidade científica é de que, sem EUA, outros países não farão sua parte contra mudança climática.

A vitória de Trump, que durante a campanha chamou o aquecimento global de uma fraude, elevou temores de que os Estados Unidos possam liderar um retrocesso no combate às mudanças climáticas, apenas um ano depois da assinatura do histórico Acordo de Paris.

Logo após a confirmação de sua vitória, no dia 09/11, medidas já foram tomadas para cumprir uma das promessas de campanha do Partido Republicano: desativar a EPA, agência de proteção ambiental dos EUA. Trump já teria escolhido Myron Ebell, um dos céticos do clima mais conhecidos do país, para liderar a equipe de transição da EPA, que administra quase todas as leis climáticas e ambientais do país.

Ebell preside a Cooler Heads Coalition, um grupo de organizações sem fins lucrativos que questionam o que chamam de alarmismo sobre o aquecimento global. Elas se opõem também, por exemplo, a políticas de racionamento energético.

            Os republicanos também planejam revogar o Plano de Energia Limpa. Estabelecido por Obama, trata-se do principal instrumento para o controle de emissões de CO2 de usinas de energia. Sem esse plano, será impossível para os EUA cumprir suas metas de redução de emissões no âmbito do Acordo de Paris.

Na cúpula do clima em Marrakesh, no Marrocos, que vai até o dia 18, a vitória de Trump trouxe incertezas. Fred Krupp, presidente do Fundo de Defesa Ambiental, afirmou que a eleição americana “alterou profundamente a paisagem” em que se trabalha.

Wilfred D’Costa, do Movimento dos Povos Asiáticos sobre a Dívida e o Desenvolvimento, afirmou que “para as comunidades do Sul global, a escolha dos cidadãos americanos de eleger Donald Trump parece ser uma sentença de morte.”

“Que um cético da mudança climática possa ser eleito o homem mais poderoso do mundo fará com que os esforços para reduzir as emissões e assegurar financiamento adequado para medidas de adaptação fiquem muito mais difíceis”, reclamou Sabine Minninger, assessora para o clima na organização filantrópica Brot für die Welt (Pão para o Mundo).

Annette Loske, presidente da seção europeia da Federação Internacional das Indústrias Consumidoras de Energia, advertiu que as indústrias europeias vão resistir a tomar medidas para o combate às mudanças climáticas se os concorrentes americanos não cooperarem. Segundo ela, o combate ao aquecimento global será impossível se os EUA não participarem.

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PESCANDO O UNIVERSO

sem-tituloOs peixes e seu comportamento imprevisível, é claro, também servem como símbolo da relação dos cientistas (e dos seres humanos de maneira geral) com o Universo, e de como o autor propõe que essa relação seja transformada.

“Rapaz, confesso que pensei em trazer uma vara de pescar aqui para explicar melhor como é a técnica, mas neste espaço não ia dar muito certo”, diz o físico carioca Marcelo Gleiser, 57, ao falar sobre sua paixão pela pesca fly para um auditório lotado na sede da Folha, em São Paulo.

Gleiser resolveu usar a arte da pesca fly e suas viagens pelo planeta (da Serra Gaúcha à Islândia) em busca de peixes desafiadores como mote de seu novo livro, “A Simples Beleza do Inesperado” (editora Record).

O pesquisador do Dartmouth College (EUA) compara a obra a “Zen e Arte da Manutenção de Motocicletas”, do americano Robert Pirsig, que é um clássico da literatura de não ficção do gênero “pé na estrada”, na qual a experiência de viajar leva o autor a abordar questões filosóficas espinhosas, como a dicotomia entre razão e intuição.

“De fato, há algo de zen na pesca fly, que é totalmente diferente da pesca tradicional com chumbada que a maioria das pessoas conhece no Brasil”, diz Gleiser, que já foi colunista da Folha e hoje é colaborador do jornal.

Da escolha da isca –em geral, uma simulação artesanal dos insetos e moluscos que os peixes querem abocanhar– ao controle delicado do pulso e dos braços para lançar direito a linha, é quase um namoro com o peixe. Alguns pescadores evitam até que o anzol tenha rebarbas capazes de machucar demais a boca do bicho capturado.

Os peixes e seu comportamento imprevisível, é claro, também servem como símbolo da relação dos cientistas (e dos seres humanos de maneira geral) com o Universo, e de como o autor propõe que essa relação seja transformada.

Nesse sentido, “A Simples Beleza do Inesperado” pode ser lido como uma espécie de reencarnação narrativa e autobiográfica de dois dos livros anteriores de Gleiser, “A Ilha do Conhecimento” (de 2014) e “Criação Imperfeita” (de 2010). A exemplo do que fez nas obras anteriores, ele procura mostrar que talvez existam limitações intrínsecas no que diz respeito à capacidade humana de entender como o Universo funciona.

Para explicar isso, Gleiser recorre à metáfora da “ilha do conhecimento”: uma massa de terra mapeada cercada pelo oceano do desconhecido por todos os lados.

Avançar rumo aos mares nunca dantes navegados do conhecimento faz com que a área de terra firme da ilha aumente, mas o paradoxo é que esse processo também produz mais águas do oceano do desconhecido que os exploradores nem imaginavam que existiam antes de sair de casa.

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O PREÇO DO CAMARÃO

sem-tituloA contaminação pela mancha branca fez a produção cearense cair 30%, afirma Itamar Rocha, presidente da ABCC (associação de criadores do crustáceo no país).

Camarão que dorme, a mancha branca leva. A doença –inofensiva ao homem, mas letal ao crustáceo– chegou em junho ao Ceará, responsável por metade da produção brasileira.

Com isso, o produto sumiu das prateleiras e, quando é encontrado, o preço chega a ser 50% superior ao cobrado no início do ano, reclamam donos de restaurantes especializados no fruto do mar.

O camarão mais utilizado pelo setor alimentício é produzido em cativeiro principalmente no Rio Grande do Norte e no Ceará.

A contaminação pela mancha branca fez a produção cearense cair 30%, afirma Itamar Rocha, presidente da ABCC (associação de criadores do crustáceo no país).

Assim, enquanto no ano passado o volume total produzido foi de 76 mil toneladas, a projeção é que neste ano ele não passe de 60 mil toneladas, segundo Rocha.

Com isso, o preço por grama de um camarão médio do Ceará passou de R$ 1,45 em janeiro para R$ 2,10 em setembro –alta de 45%, segundo dados da ABCC.

Ronald Aguiar, sócio da Coco Bambu, disse estar pagando 50% mais pelo produto em comparação a um ano atrás. “Não para todo o mundo que precisa. Quando tem, o preço está estourado”, diz. Os 26 restaurantes da rede usam 1.200 toneladas do crustáceo por ano, afirma.

A Vivenda do Camarão está passando pela mesma situação, diz o sócio Rodrigo Perri. Os mais de 150 restaurantes da rede usam em média 130 toneladas por mês.

“O preço do camarão foi o que mais subiu desde o Plano Real”, diz, citando pesquisa da Fipe divulgada em 2014 que apontou um crescimento de 1.254% no valor do alimento desde 1994.

Os problemas com fornecimento e preços fizeram a empresa adquirir há dois meses duas fazendas desativadas de camarão para fazer sua própria produção.

Para prevenir doenças e aumentar a produtividade, a criação vai copiar modelo adotado nos Estados Unidos e no México, afirma Perri.

A meta é produzir 150 toneladas de camarão por mês no primeiro semestre e, no futuro, chegar a um volume suficiente para exportar.

Importação – O setor alimentício reclama das dificuldades de importar camarão de parceiros. Barreiras fitossanitárias impedem que a escassez interna seja preenchida pela oferta de crustáceos estrangeiros, afirmam os empresários.

Eles reclamam que a produção brasileira está estagnada e não consegue suprir a demanda do setor há anos.

Dados da Aliança Global de Aquicultura mostram a produção brasileira estável desde 2011, abaixo das 100 mil toneladas por ano. A projeção é que a situação não se altere até pelo menos 2018.

“A falta de camarão é um problema grave no Brasil. Ele foi agravado pela doença, mas é uma questão histórica”, diz Paulo Solmucci, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes. Segundo ele, o consumidor terá dificuldade em encontrar camarões no cardápio neste verão, época de alta temporada para frutos do mar, e, quem encontrar terá que se preparar para pagar mais.

Já Rocha, da ABCC, diz que o nível de produção está se normalizando e que não deve haver mais problemas. Ele também defende as barreiras às importações. “São 34 doenças de camarão no mundo. Imagina isso no Brasil, onde não temos apoio. Ainda temos muito potencial de exploração”, afirma.

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O camarão é um alimento consumido apenas pelos ricos?

CAMISAS FEITAS COM LIXO DO OCEANO

sem-titulo1Bayern e Real Madrid lançam camisas feitas com lixo do oceano. Uniformes foram produzidos com resíduos plásticos retirados das Ilhas Maldivas

As tradicionais camisas do Real Madrid e do Bayern de Munique ganharam uma versão sustentável. A Adidas lançou nesta sexta-feira novas camisas para suas principais equipes, produzidas integralmente com resíduos plásticos retirados das águas das Ilhas Maldivas.

O material utilizado, chamado de Ocean Plastic, foi criado pela fornecedora alemã em parceria com a Parley, empresa especializada na reciclagem do lixo jogado nos oceanos.

As camisas, que tem os logos do clube e das patrocinadoras em tom monocromático, já estão à venda no site da Adidas por 279,99 reais. A parceria também prevê o lançamento de calçados sustentáveis.

O lateral brasileiro Marcelo e o meia espanhol Xabi Alonso posaram com as novas camisas, que serão usadas em apenas uma partida. O Bayern apresentou a camisa vermelha diante do Hoffenheim, no dia 5 de novembro, pelo Campeonato Alemão. Já o Real Madrid vestirá a camisa branca no dia 26 contra o Sporting Gijón, pelo Campeonato Espanhol.

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CINCO PROBLEMAS

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Poluição do ar, desmatamento, extinção de espécies, degradação do solo e superpopulação representam grandes ameaças, que devem ser resolvidas para que o planeta continue sendo um lar para todas as espécies.

  1. Poluição do ar e mudanças climáticas – O problema: a atmosfera e os oceanos estão sobrecarregados de carbono. O CO2 atmosférico absorve e reemite radiação infravermelha, o que faz com que o ar, os solos e as águas superficiais dos oceanos fiquem mais quentes –em princípio, isso é bom: o planeta estaria congelado se isso não acontecesse.

Mas há muito carbono no ar. A queima de combustíveis fósseis, o desmatamento para a agricultura e as atividades industriais aumentaram as concentrações atmosféricas de CO2 de 280 partes por milhão (ppm), há 200 anos, para cerca de 400 ppm. Isso é um aumento sem precedentes, tanto em escala quanto em velocidade. O resultado: perturbações climáticas.

O excesso de carbono é apenas uma forma de poluição do ar causada pela queima de carvão, petróleo, gás e lenha. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estimou recentemente que uma em cada nove mortes em 2012 está relacionada com doenças causadas por agentes cancerígenos e outros venenos presentes no ar.

Vida nos oceanos sofre com a pesca predatória, a poluição e o aquecimento das águas por causa das alterações climáticas

sem-titulo1Soluções: substituir os combustíveis fósseis por energia renovável; reflorestamento; reduzir as emissões originadas pela agricultura; alterar processos industriais.

A boa notícia é que a energia limpa é abundante – ela só precisa ser estimulada. Muitos afirmam que um futuro com 100% de energia renovável é possível com a tecnologia já existente.

Mas há uma má notícia: embora a infraestrutura de energia renovável – painéis solares, turbinas eólicas e sistemas de armazenamento e distribuição de energia – esteja se tornando cada vez mais comum, barata e mais eficiente, especialistas dizem que essas tecnologias não estão sendo utilizadas no ritmo necessário para evitar uma ruptura climática catastrófica. Dificuldades políticas e financeiras ainda precisam ser superadas.

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