PALAVRA DO PRESIDENTE: TODOS NO MESMO BARCO

É normal se dizer que estamos todos no mesmo barco. Numa reunião de trabalho, num encontro de família, numa situação difícil, vem sempre a frase: “estamos todos no mesmo barco”. É um sinal de esperança. Vamos enfrentar os desafios. As coisas vão melhorar porque pior que está não pode ficar. Juntos, unidos, vamos resolver o problema, vamos vencer e dar a volta por cima. Leia a palavra do presidente do Saperj, Alexandre Guerra Espogeiro.

 

Para nós, que estamos há várias gerações a bordo do barco Pesca, o que não falta é problema para resolver, desafio para enfrentar. Por exemplo: não existe dor maior do que perder um barco. O barco fica a deriva, bate nas pedras ou encalha na areia. Já vivemos isso de um barco encalhado na areia. Busca-se socorro, manda-se ofício para a Marinha, entra-se em contato com uma firma especializada nesse tipo de sinistro. Retira-se o óleo do motor porque, além do prejuízo pela perda da embarcação, pode acontecer uma multa milionária por poluição de uma praia. A maré sobe, a maré desce, o mar fica violento e as ondas vão martelando o barco, desmantelando tudo até não sobrar nada, só destroços. Não é um espetáculo bonito de se ver.

Por falar em multa, pode acontecer de um barco, seguindo a lei do seu porto de origem, pescar, inadvertidamente, numa área proibida pela lei de um outro estado. Sua produção é apreendida e ainda recebe um auto de infração de alguns milhares de reais. É claro que se pode entrar na Justiça para contestar a decisão, para esclarecer os fatos, explicar o possível equívoco, mas os peixes apreendidos já foram doados para instituições de caridade e, como diz o ditado, não adianta chorar o leite derramado. A saída é fazer um curso intensivo sobre leis do mar ou incluir um advogado na tripulação.

Mas pode acontecer coisa pior. Como o naufrágio recente da embarcação Kairos, do Espírito Santo.   O mestre pediu socorro via rádio, informando que o barco de pesca estava com um vazamento, entrando água, correndo o risco de afundar a 150 milhas da costa, equivalente a 241 km de distância. A Marinha foi acionada, um helicóptero e até oito embarcações de pesca foram para a região. Três pescadores com vida foram encontrados em meio aos destroços da embarcação e disseram que os outros três pescadores não resistiram, afundaram e morreram. Entre nós, ninguém entende bem aquela velha canção que diz que “é doce morrer no mar”. A vida nunca foi fácil a bordo do barco Pesca.

É claro que sempre pode aparecer alguém com uma visão mais ampla da realidade e afirmar que estamos só olhando para o nosso umbigo, e perguntar: “E o Brasil? E o barco Brasil? A situação do barco Brasil é pior do que a sua. Está tudo um desgoverno! Não se sabe se o mestre-presidente continua a bordo ou não. Se o destino do barco Brasil é navegar tranquilo ou ir ao fundo”.

Só podemos dizer também estamos dentro desse barco Brasil, numa Secretaria de Aquicultura e Pesca acoplada ao Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) e que publicou no dia 27 de julho a Portaria 1.275 que permite o exercício da pesca profissional em todo o País. A norma torna válidos os registros suspensos ou ainda não analisados existentes no Sistema de Registro Geral da Atividade Pesqueira (SISRGP).

Para isso, a portaria reconhece como documentos válidos para o exercício da atividade de pesca os protocolos de solicitação de registro ou comprovantes de entrega de relatório para a manutenção de cadastro devidamente atestados pelos órgãos competentes. A medida vale até o início do processo de recadastramento dos pescadores que será realizado pela secretaria até o final do ano. Quer dizer: ainda estamos na fase de cadastro. Um dia saberemos quem somos, quantos somos e tudo vai ficar bem.

Mas tem gente com visão mais ampla ainda, e pronta para falar que a situação do barco Terra é periclitante.  Os estudiosos estão cansados de avisar que o aquecimento global traz consequências e impactos para o clima e para os ecossistemas. Garantem que o derretimento das calotas polares continentais e a resultante elevação do nível médio do mar, eventualmente, ocasionarão alagamentos e perdas de habitats marinhos e terrestres. Maiores temperaturas alteram a circulação da atmosfera e dos oceanos, aumentando o número, energia e distribuição geográfica de eventos extremos, como furacões. E por aí vai.

Diante de tudo isso, só nos resta repetir que estamos todos no mesmo barco. Mareados e enjoados, esperançosos e desesperados, vencidos e derrotados, trabalhadores e desempregados, mas todos no mesmo barco. No barco Pesca.  No barco Brasil. No barco Terra. Precisamos fugir da deriva, encontrar um rumo e procurar sobreviver da maneira mais digna possível.

 

 

Alexandre Guerra Espogeiro

Presidente do Saperj

 

ENTREPOSTO DE PESCA EM NITERÓI

Em 1992, quando fomos despejados da Praça XV, o então prefeito de Niterói, Jorge Roberto Silveira, declarou que a cidade não era lixeira do Rio e fomos ocupar um cais provisório na Ilha da Conceição, na ex-Sardinhas 88. Continuamos lá há mais de 20 anos. Em 2013, o primeiro Terminal Pesqueiro Público do estado, no Barreto, foi inaugurado mais uma vez e até hoje não tem condições de receber os barcos de pescadores: os únicos peixes que passaram pelas novíssimas esteiras compradas para o local foram os usados na encenação feita para a cerimônia de inauguração. Em 2015, a imprensa registrava o fiasco de uma Cidade da Pesca, que aproveitaria píer da Petrobras em Itaoca, mas que deu em nada em virtude da crise geral que assola e humilha a todos nós. Em 2017, a inclusão da construção de um entreposto de pesca na carteira de projetos da Prefeitura de Niterói, prevista para o período de 2017 a 2020, visa estimular o fortalecimento da produção e consumo de pescado, bem como inserir o turismo na atividade pesqueira.  A mudança de visão da Prefeitura de Niterói é a melhor notícia dos últimos 25 anos. Niterói pode voltar a ser a verdadeira Cidade da Pesca.

 

Da esq. para a dir.: Luis Penteado, Eduardo Miranda, Dr. Rodolfo Tavares, Comte Bittencourt, Luiz Paulino e Comandante Leme: esperanças renovadas para a pesca / Foto: Edineia Costa SantosNo dia 8 de agosto foi realizada na sede do SAPERJ, mais precisamente no Auditório Ignácio Balthazar do Couto, uma reunião com o objetivo de discutir à necessidade de implementar na carteira de projetos da Prefeitura de Niterói, prevista para o período de 2017 a 2020, a construção de em Entreposto de Pesca para estimular o fortalecimento da produção e consumo de pescado, bem como inserir o turismo na atividade pesqueira.

Foi uma aposta no futuro e um resgate da importância da pesca. Estavam presentes na reunião o vice-prefeito de Niterói, deputado estadual Comte Bittencourt; o Secretário de Desenvolvimento, Luiz Paulino; a Subsecretária de Pesca, Cristina Contreras; a Subsecretária do Núcleo de Gestão Estratégica, Gláucia Alves Macedo; o presidente da FAERJ, Dr. Rodolfo Tavares; o vice-presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores Aquaviários, Luis Penteado; o presidente do Sindicato dos Pescadores do Rio de Janeiro, Antônio Moreira; o diretor da Associação dos Comerciantes e Amigos do Mercado São Pedro, Atílio Guglielmo; o vice-presidente do SAPERJ, Eduardo Miranda, e diversos armadores de pesca.

O assessor técnico do SAPERJ, Comte. Flávio Leme, apresentou na reunião um sumário do contexto da pesca industrial do nosso Estado, abordando os seguintes pontos: conceitos da pesca comercial, dados da produção de pescado, características da frota filiada ao SAPERJ (104 barcos e 10 mil pescadores embarcados) e entrepostos de pesca existentes em outros países. Lembrou que a pesca é a segunda maior atividade geradora de renda do agronegócio (400 milhões no PIB estadual), atrás apenas da bovinocultura de corte e leite, de acordo com dados do Relatório do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada sobre o PIB do agronegócio do Rio de Janeiro.

A Subsecretária do Núcleo de Gestão Estratégica Gláucia Alves Macedo: garantia de uma gestão dinâmica, inovadora e sustentável / Foto: Edineia Costa Santos

Leme alertou que a ausência do poder público no setor pesqueiro do Rio de Janeiro ocorre há décadas e medidas efetivas devem ser tomadas de modo a reverter o panorama negativo para a pesca como uma atividade econômica sustentável. Um pregão eletrônico, por exemplo, agregaria valor ao pescado e diminuiria radicalmente a cadeia de intermediários que chega a aumentar em até 400% o preço real do peixe.

“A inversão da tendência do declínio pode ser realizada com uma série de medidas factíveis de serem implementadas. Infraestrutura, formação de pessoal, estatísticas, pesquisas e modernização da frota são condições indispensáveis para uma volta por cima. A construção de um Entreposto de Pesca em Niterói pode ser o primeiro passo para a retomada da importância e até da autoestima da atividade pesqueira”, declarou o Comte. Flávio Leme.

Vozes da pesca – Na abertura da reunião, Luis Penteado, vice-presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores Aquaviários, enfatizou o apoio do setor para a elaboração do projeto do Entreposto considerando a importância da atividade pesqueira para o munícipio e que, até então, as poucas iniciativas ocorridas não atenderam às necessidades da pesca comercial industrial. “Não vamos desistir de véspera. O entreposto é um renascimento da pesca”, afirmou.

O Dr. Rodolfo Tavares, presidente da Federação da Agricultura, Pecuária e Pesca do Estado do Rio de Janeiro (Faerj), que vem acompanhando há pelo menos três décadas as marés altas e baixas (mais baixas do que altas), de nossa atividade, lembrou: “Várias inaugurações de pedra fundamental de Entreposto de Pesca já foram feitas, entretanto nada saiu do papel, e isso nos faz lembrar da canção que diz ‘deixe em paz meu coração, que ele é um pote até aqui de mágoa’. Mas nada disso deve nos impedir de continuar lutando para que um dia a construção do Entreposto se torne uma realidade.”

E o presidente da Faerj prosseguiu: “Temos um valioso patrimônio e pessoas vocacionadas para a pesca em Niterói. A economia do Rio de Janeiro não poder estar dependente exclusivamente do petróleo, sendo a atividade pesqueira uma outra importante opção para o desenvolvimento econômico do Estado, além da sua relevância estratégica, uma vez que a área marítima que abrange todo litoral do Rio de Janeiro é duas vezes maior que a área continental do Estado. Nesse sentido, o setor e as esferas do governo devem unir esforços para o desenvolvimento da atividade pesqueira, principalmente na construção de um Entreposto, uma vez tratar-se de uma atividade geradora de renda e milhares de emprego e que contribuiu para a segurança alimentar da população fluminense”, concluiu o Dr. Rodolfo Tavares.

Mercado São Pedro / Imagem: br.worldmapz.com

O armador Eduardo Miranda, vice-presidente do Saperj, explicou em poucas palavras como chegamos à atual situação de vazio: “O amplo complexo industrial pesqueiro que existia em Niterói e municípios vizinhos migrou para outros Estados. A inexistência de um Entreposto de Pesca, entre outros motivos, contribuiu para o esvaziamento e enfraquecimento da pesca no estado do Rio de Janeiro”.

O armador Eduardo Faustino, delegado representante do Saperj, foi incisivo: “Nós somos o berço da pesca do Brasil. Fomos destruídos pelo que foi feito contra nós e pelo o que não fizemos. Só não estamos vivos por causa da garra, da gana, da briga, da valentia de meia dúzia de pessoas. Se tivermos um entreposto, podemos mudar esse jogo”.

 

Para Atílio Guglielmo, diretor da Associação dos Comerciantes e Amigos do Mercado São Pedro, já se chegou ao fundo do poço: “Estamos no fundo do poço há 10, 15 anos. Temos uma mídia espontânea e 90% dos clientes vêm do Rio no final de semana. Antes eu tinha orgulho de ser apresentado como diretor, mas hoje só tem reclamação, gente que reclama da compra errado, por exemplo. Começa errado na pesca e chega no mercado, esse é o retrato da pesca. O entreposto pode ser um novo alento”.

Novos parceiros – O deputado estadual Comte Bittencourt, vice-prefeito de Niterói, manifestou a sua satisfação de estar passando uma manhã no SAPERJ para tomar conhecimento desta importante atividade e que ficou impressionado com os números significativos de pessoas, produção e valores que envolvem a pesca envolve. “Quero reafirmar o compromisso da Prefeitura de Niterói em refazer o arranjo produtivo do setor pesqueiro. As dificuldades existentes na pesca são preocupantes, pois se trata de uma atividade que representa um papel importante na cadeia alimentar. Eu me comprometo, com a participação do setor, de buscar um caminho para viabilizar o projeto de construção do Entreposto de Pesca.”

Comte Bittencourt colocou o seu mandato à disposição da pesca. “Vamos levar as reivindicações da pesca através do meu mandato. Pela importância do setor, está na hora de começar o debate. Precisamos construir uma nova agenda de trabalho”, prometeu.

O Secretário de Desenvolvimento Luiz Paulino garantiu que está empenhado na construção de um entreposto de pesca.  “Este é um sonho que vem sendo acalentado há anos e que, embora Niterói tenha vocação para a pesca, a boa infraestrutura do passado se perdeu com o tempo. Portanto, faz-se necessário dar o primeiro passo para reverter esta situação já que a Prefeitura tem uma área disponível para a construção do Entreposto e espera a participação do setor privado para viabilizar o empreendimento que poderá trazer muitos recursos para Niterói, inclusive incrementando o turismo”.

A Subsecretária do Núcleo de Gestão Estratégica, Gláucia Alves Macedo, apresentou o Planejamento Estratégico de Niterói 2017/2020 onde está previsto a elaboração de projetos estruturantes para o munícipio. “Para manter nossa gestão dinâmica, inovadora e sustentável, vamos consolidar as ações estratégicas aumentando a transparência e o diálogo com diferentes segmentos da sociedade civil niteroiense”, disse Gláucia, citando a Carteira de Projetos 2017-2020.

Além do entreposto, entre os projetos relacionados com a pesca está o Mercado Municipal Feliciano Sodré e a dragagem do canal de São Lourenço.

Estamos embarcando em mais um sonho. Agora é trabalhar e batalhar para que ele se torne realidade.

Imagem da área para construção do entreposto. A intenção da Prefeitura de Niterói é uma parceria público privado (PPP) para a construção do empreendimento / Crédito: PMN

 

A HORA E A VEZ DO PROJETO LAMBARI

Ao longo dos últimos anos, o setor atuneiro vem buscando alternativas de isca-viva para reduzir sua dependência das iscas capturadas no litoral de Santa Catarina, São Paulo e Rio de Janeiro, onde restrições impostas por Unidades de Conservação, bem como conflitos com pescadores artesanais e disponibilidade irregular de isca têm limitado o desenvolvimento da atividade. Experimentos com isca-alternativa de cultivo com o lambari para a pesca de bonito com vara e isca-viva prometem revolucionar esta pescaria. Leia o inspirador relato do oceanógrafo Marco Aurélio Bailon, Coordenador Técnico do SINDIPI.

 

Em passado recente o setor atuneiro apresentou proposta de desenvolvimento de pesquisa visando a utilização de tilápias como alternativa de isca-viva. Embora tenha havido grandes esforços para a viabilização desse projeto, se impuseram barreiras ambientais em virtude de se tratar de espécie exótica e apresentar risco de proliferação no meio natural. Na oportunidade foi sugerido por especialistas do IBAMA que se procurasse identificar uma espécie nativa que possuísse características que permitissem sua sobrevivência nas tinas dos barcos atuneiros e boa capacidade de atração dos atuns.

Estudos preliminares realizados pela coordenadoria técnica do SINDIPI (Sindicato dos Armadores e das Indústrias da Pesca de Itajaí e Região) indicaram o Lambari (Astyanax bimaculatus/Astyanax altiparanae) como uma espécie de grande potencialidade de cultivo direcionado ao uso como isca-viva.

O Lambari apresenta alta capacidade de reprodução e crescimento rápido. Ele também possui atributos interessantes para o emprego na pesca de vara e isca-viva, como rusticidade, coloração e formato do corpo e boa resistência ao confinamento em alta densidade.

A análise também indicou atributos favoráveis à conservação da biodiversidade. O lambari tem ampla distribuição geográfica, sendo encontrado em todo território sul-americano, desde baixas até altas altitudes, em rios, riachos, lagos, e represas. Espécie nativa das bacias hidrográficas das regiões Sul e Sudeste do Brasil, de água doce, o lambari não sobrevive na água do mar, o que descarta a possibilidade de proliferação no ambiente marinho e representa uma alternativa à captura de sardinhas e manjubas, reduzindo a pressão pesqueira sobre essas espécies que estão na base da cadeia alimentar.

O projeto – O Projeto Lambari teve a participação de várias empresas em um trabalho realizado no âmbito da Câmara da Vara e Isca-viva do SINDIPI, coordenado pela Coordenadoria Técnica do sindicato. Contou com o financiamento e apoio da empresa Gomes da Costa, da empresa Kowalsky, cedendo a embarcação Vô David, adaptação da mesma e tripulação, da JS Pescados no fornecimento de água mineral para as tinas e da APESC (Aquicultura e Pesca Santa Catarina Ltda.), empresa que detém a tecnologia de cultivo em grande escala do lambari para o desenvolvimento dos experimentos junto a frota atuneira de Santa Catarina sediada em Itajaí e Navegantes. A produção em escala comercial de isca cultivada foi realizada a menos de 100 km do porto pesqueiro de Itajaí.

 

Para a realização do projeto foi necessário a obtenção de uma Autorização do IBAMA.

O custo aproximado do Projeto Lambari foi de R$ 250.000,00, todo financiado pela iniciativa privada, não sendo incluídos os custos operacionais da embarcação.

Objetivos específicos – Foram os seguintes os objetivos específicos do Projeto Lambari: 1) Comprovar a eficiência da isca “lambari” com uma embarcação abastecida com lambari em pelo menos 50% de sua capacidade; 2) Estabelecer uma relação entre produção de atum e consumo de lambari; 3) Estabelecer uma estimativa dos custos de produção em maior escala; 4) Aprimorar a adaptação dos barcos e tripulações; e 5) Avaliar as condições de estocagem do lambari a bordo, considerando a densidade de peixes, a qualidade da água e a sobrevivência durante a viagem de pesca.

Metodologia utilizada – Os lambaris foram produzidos em laboratório em fazenda de cultivo e o processo de desenvolvimento de crescimento larval e engorda realizado em lagoas localizadas em Jaraguá do Sul/SC. Os alevinos foram transportados em caminhão transfish até o cais da Empresa Kowalsky, localizado em Itajaí (SC).

 

Caminhões com os transfish de transporte dos lambaris

 

As iscas foram acondicionadas em tanques (tinas) adaptadas para a conservação dos peixes com água doce e aeração constante, uma vez que o processo original com iscas naturais de água salgada (sardinhas e boqueirão) utiliza estas tinas com renovação de água constante. Inicialmente se utilizou pequenos compressores para uma ou duas tinas; nos experimentos iniciais e no último teste foram adaptadas todas as tinas da embarcação, em número de sete, com um compressor central.

 

 

Tinas sendo abastecidas com lambari

 

Uma vez localizado o cardume de bonito as iscas foram oferecidas aos atuns para observação do comportamento das mesmas e aceitabilidade por parte do bonito listrado. Também foram realizadas observações sobre a densidade das iscas nos tanques, alimentação, sobrevivência e qualidade da água durante sua manutenção a bordo.

Todo o processo foi acompanhado por um observador de bordo devidamente treinado e com especialização em cultivo de lambari para as devidas anotações, tanto das condições de estocagem, alimentação quanto do comportamento das iscas ao serem lançadas ao mar.

 

 

Embarcação Vô David, atuneiro de 38 metros e 27 tripulantes

 Fases do projeto – Durante a primeira fase do Projeto Lambari, em 2014, foram realizados quatro experimentos a bordo do Vô David, um atuneiro de 38 metros e 17 tripulantes, aumentando-se o número de alevinos a cada teste. Na 1ª viagem foram utilizadas 43 mil iscas; na 2ª, 50 mil; na 3ª, 600 mil; e na 4ª, 1 milhão e 200 mil iscas.

Em função de problemas relacionados ao desempenho da embarcação utilizada na primeira fase, além de outros imprevistos naturais, o projeto foi interrompido durante três anos e novos parceiros foram contatados para dar continuidade ao projeto.

Em junho de 2017, foi iniciada a segunda fase, sendo realizados novos experimentos a bordo da embarcação Katsuhiro Maru nº5 da empresa Indústrias Alimentícias Leal Santos Ltda.

A realização de mais dois testes com 200 mil iscas em cada viagem obteve resultados positivos e fez com que a empresa tomasse a decisão de investir em novos abastecimentos já para a safra de 2018.

Vantagens – As vantagens da isca de lambari seriam comprovadamente as seguintes: 1) Peixe 100% cultivado e sustentável (não causa danos ao ecossistema); 2) Disponível o ano todo; 3) Barco sai do cais iscado, direto para o pesqueiro, sem renovação de água; 4) Menor período no mar, economizando tempo, combustível, alimentação, manutenção; 5) Peixe com alta adaptabilidade na tina, resistente e de fácil manejo; 6) Dispensa o uso de luz e de 8 bombas que atuam na renovação de água salgada nas tinas; 7) Baixíssima Mortalidade; 8) Alta capacidade de suporte ou densidade nas tinas; 9) Possibilidade de efetuar duas ou mais pescarias por mês.

Conclusão – Os experimentos realizados permitiram vislumbrar a grande possibilidade de utilização do lambari como isca-viva para a pesca do bonito listrado.

A forma como o projeto se desenvolveu com a participação interativa de todos os participantes – empresas, produtores, pescadores e sindicato – demonstrou a capacidade de execução de projetos, este em especial, por demandar uma logística complexa envolvendo cultivo de peixes, transporte, adaptação de embarcação, pesca e relacionamento pessoal principalmente com a tripulação.

Pode-se afirmar, com base nos testes realizados, que o lambari poderá substituir as espécies nativas com eficiência, aumentando a produtividade da frota, pois questões como aceitação da isca lambari pelo bonito e sobrevivência nas tinas foram considerados conclusivas.

Pelos resultados alcançados, considera-se que a pesca de vara e isca-viva pode voltar ser rentável, garantindo a sustentabilidade e aumentando sua produtividade.

O atual estágio do Projeto Lambari permite afirmar que a fase de testes está concluída com a implantação de um programa de abastecimento regular em andamento pela empresa Leal Santos.

 

 

Marco Aurélio Bailon – Oceanógrafo – Coordenador Técnico do SINDIPI

 

 

 

 

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HISTÓRIA DE UM NAUFRÁGIO

Pescador narra como viu o naufrágio da embarcação de irmão em alto-mar. “Quem nasce na pesca, morre na pesca.”

RESUMO Os barcos pesqueiros Dom Manoel 15 e Dom Manoel 16 saíram juntos para alto-mar, em 31 de julho. Na madrugada da última sexta (11 de agosto), depois de 11 dias, apenas um deles voltou para a costa da cidade de Rio Grande (RS). A embarcação Manoel 16, com sete tripulantes, desapareceu em meio à tempestade. O mau tempo dificultou os trabalhos de resgate. Até agora, dois corpos foram encontrados. Um deles foi identificado como o do comandante da embarcação, Alcioni Manoel dos Santos, 53. A Marinha segue nas buscas. O barco que conseguiu chegar à costa, o Manuel 15, era chefiado pelo irmão mais velho de Alcioni, Jaci Manoel dos Santos, 62.

 

DEPOIMENTO DE JACI MANOEL DOS SANTOS, IRMÃO DO COMANDANTE DE EMBARCAÇÃO QUE NAUFRAGOU EM RIO GRANDE (RS), A.

 

Jaci Manoel dos Santos é irmão do comandante de embarcação que naufragou em Rio Grande (RS)

“Nunca tinha presenciado na minha vida, em 39 anos de trabalho em mar aberto, nada daquele jeito: uma fúria tão grande do mar, uma tempestade como aquela. A previsão era de que o tempo virasse. A gente achava que fugiria, que chegaria a tempo à costa. Mas o mar é uma coisa imprevista. O tempo se antecipou e a onda chegou antes.

O nosso barco estava na frente, e meu irmão vinha me acompanhando [em outro barco]. Estávamos a uma distância de 200 metros um do outro. A minha visibilidade para ele era boa, apesar das condições ruins do tempo.

Nosso radar detectava o barco dele, a gente se comunicava por rádio. Só que não deu tempo nem de ele me chamar para pedir socorro. Foi uma coisa muito brusca. Levantou uma onda de seis, sete metros de altura.

A gente saía para alto-mar e não tinha dia para voltar. Costumávamos ficar em torno de 15, 20 dias fora. Ficávamos três, quatro dias em terra para resolver o que tinha que resolver, e retornávamos.

Na quinta-feira (10), já estávamos havia 11 dias em alto-mar, com previsão de mais uma semana para trabalhar, quando a previsão do tempo avisou que o mar ia se agitar, que ia dar vento forte, e resolvemos procurar abrigo.

Eu e meu irmão sempre agimos com cautela. Ele comandava o Dom Manoel 16, eu, o Dom Manoel 15, cada um com seis pescadores, e andávamos juntos. Fui eu quem trouxe ele para a pesca, há dois anos.

Às 14h30 da quinta-feira começamos a voltar. Ele mesmo deu a ideia, porque não adiantava ficar parado, sem trabalhar. Íamos ficar 48 horas com o barco ancorado, sem pescar, sem fazer nada.

A estimativa era que a gente chegaria à costa às 6h da manhã de sexta-feira. Estávamos a 190 milhas da barra, cerca de 200 km. Faltando 13 milhas para chegar, ou cerca de duas horas a mais de navegação, foi quando aconteceu o acidente.

Tenho 62 anos e comecei na pesca com 13. Ele tinha 53 anos e começou com 14. Somos oito irmãos, todos pescadores. A pesca veio passando de geração para geração.

Só tenho lembranças boas do meu irmão. Quando a gente voltava para o mar era sempre uma novidade, nunca tinha uma rotina.

Na tempestade, eu não podia abandonar o meu irmão, mas também não podia colocar em risco a tripulação. Voltar, sabendo que a gente tinha deixado para trás, não só uma embarcação, mas sete vidas, foi doloroso. Não tem nem como definir.

Nessa mesma região, meses atrás, afundou outra embarcação, só que a tripulação foi resgatada. Houve um procedimento rápido, outra embarcação auxiliou, o tempo era bom. A nossa costa, nesse trecho sul e sudeste, é muito perigosa.

Quando a gente sai para alto-mar, vamos para uma aventura, já sabendo que pode não voltar. Penso há muito tempo em sair, mas não é viável. Não tem jeito. Como não tenho um estudo, não posso ter um trabalho com rendimento mais ou menos, e aí é difícil. Quem nasce na pesca, morre na pesca.”

 

O depoimento foi prestado a FERNANDA CANOFRE e publicado na Folha de S. Paulo.

 

BARCO COVARDIA

Navio contra imigrantes é fretado pela extrema-direita e cria polêmica na Europa. Embarcação é mantida pelo grupo francês Geração Identitária e navega pelas águas europeias com mensagens como “vocês não farão da Europa sua casa”. É o Barco Covardia.

 

 

Em um cenário de crise migratória na Europa – a maior já vivida no continente desde o fim da Segunda Guerra Mundial –, um navio contra imigrantes financiado por grupos de extrema-direita está causando polêmica no Mar Mediterrâneo.

            Isso porque, assim como já havia ocorrido no Chipre e na Sicília, na Itália, em que a embarcação C-Star buscou impedir a passagem de imigrantes pelas rotas marítimas da Europa, o navio anti-imigrantes foi bloqueado na Tunísia. .

Para impedir que a embarcação seguisse viagem, um grupo de pescadores da costa tunisiana se organizaram em diversos barcos, próximos ao porto de Zarzis, bloqueando a passagem do navio para que ele não entrasse no porto.

“Não queremos o barco fascista na Tunísia . Há 10 ou 15 anos, nós salvamos migrantes que naufragam e não queremos que um barco que deseja que eles se afoguem e que use lemas fascistas entrem em nossos portos”, disse o líder da associação dos pescadores, Shamseddin Bourasin, ao jornal espanhol El País .

            Ao jornal britânico  The Independent, um representante oficial do porto tunisiano de Zarzis afirmou que apoia a decisão dos pescadores e que “nunca” deixará “racistas entrarem” ali.

Como trabalha o barco anti-imigrantes – O polêmico barco notifica embarcações ilegais que saem da Líbia em direção às ilhas italianas e ordena que os passageiros dos barcos voltem para o porto de onde vieram.

Oficialmente, quem mantém o barco é o grupo francês Geração Identitária, mas eles contam com financiamentos de simpatizantes de várias nações europeias.

Com mensagens em seu casco de “parem com o tráfico de pessoas” e “vocês não farão da Europa a sua casa”, os militantes dizem querer alertar a União Europeia sobre o “excesso de imigrantes”.

            Entidades internacionais afirmam que a atuação do Geração Identitária em águas de outros países é ilegal.

 

 

Veja ainda:

 Barco covardia

 

“C’est inhumain de repousser les migrants vers des camps de la mort libyens”

 

Mais de 100 mil imigrantes chegaram à Europa pelo Mediterrâneo em 2017

 

Crise dos refugiados: mortes no Mediterrâneo em 2017 superam 2016

 

PEIXE CONGELADO

O novo Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade de Peixe Congelado – RTIQ que entra em vigor no dia 01 de setembro deste ano foi o foco da assembleia extraordinária convocada pelo Sindicato dos Armadores e das Indústrias da Pesca de Itajaí e Região – SINDIPI no começo deste mês de agosto. As normas que integram o regulamento são contestadas por especialistas em todo o país. O Ministério da Agricultura – MAPA que no final do ano passado realizou uma consulta pública sobre o tema, foi alertado por entidades representativas da pesca, inclusive o SINDIPI sobre a diferença do regulamento brasileiro para o que se pratica em outros países e o que consta na literatura nacional e internacional.

De acordo com o Engenheiro de Alimentos Estevam Martins, Coordenador Técnico do sindicato, as novas regras que fixam valores de pH que mede a qualidade da carne do peixe, níveis de sódio, limite de Glaciamento de 20% para 12%: camada de gelo que o protege, vão gerar um prejuízo para toda a cadeia produtiva. “Esse RTIQ, vai normatizar tanto a produção, quanto a qualidade, até a própria comercialização do pescado. Se esse regulamento tiver alguma informação que a indústria não consiga atender, o custo vai ser muito elevado. Vão ter penalidades como apreensão do produto e auto de infração que pode gerar multa de até 500 mil reais e a perda do SIF no caso de três auto de infração,” destaca  Estevam.

Para tentar amenizar os prejuízos e reivindicar alterações no RTIQ, armadores e donos de indústrias associadas ao SINDIPI decidiram contratar o “Instituto de Pesca – Centro de Pesquisa do Pescado Marinho” de São Paulo para a realização de estudos sobre pH, Sódio, Glaciamento, entre outros. O primeiro relatório sobre pH deve ser apresentado nos próximos dias e em 60 dias os demais. A primeira etapa deste trabalho é uma revisão bibliográfica sobre a literatura científica nacional e internacional, posteriormente serão realizadas pesquisas com peixes provenientes da captura.  Em assembleia Geral Extraordinária foi aprovado a criação de um fundo para financiar estes investimentos do setor produtivo.

Jorge Neves, presidente do SINDIPI, participou da assembleia extraordinária e celebrou o resultado. “Isso é uma vitória para a pesca de Santa Catarina e para o resto do país, pois vai refletir no coletivo, mas para isso alguém precisa começar. Isso na minha opinião vem dar uma nova visão para o futuro. Pois nós estávamos desacreditados e com um futuro incerto. Então, eu acho que com essa nossa união e fazendo tudo dentro da lei e como deve ser feito, nós vamos alcançar êxito”, explica Neves.

A intenção da diretoria do sindicato é promover nos próximos dias um encontro com várias entidades representativas da pesca para tentar incluir novos parceiros no rateio desta pesquisa. Além da participação de armadores e empresários da indústria o Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Pesca de Santa Catarina – SITRAPESCA também vai participar do rateio para investimento em pesquisa.

 

Setor pesqueiro decide investir em pesquisa sobre qualidade do peixe congelado

 

Saiba a diferença entre peixe fresco e congelado

 

CFMV contribui para Regulamento Técnico do Mapa sobre qualidade do peixe congelado

 

 

 

 

RESSACA

O corpo de Alcioni Manoel dos Santos, comandante do barco Dom Manoel XVI, desaparecido desde a última sexta-feira (11/08), foi localizado pelas equipes de buscas da Marinha em Rio Grande, na tarde desta segunda-feira (14/08). A identificação foi confirmada por familiares. Alcioni tinha 53 anos e deixa a esposa e uma filha.

O corpo estava nas proximidades do local de onde teria desaparecido, na praia do Mar Grosso, no Litoral Sul do Rio Grande do Sul, segundo informações preliminares.

De acordo com a Marinha, a equipe de buscas também localizou uma balsa, uma boia e dois coletes salva-vidas, identificados com o nome da embarcação, Dom Manoel XVI, no Farol de Sarita, na Praia do Cassino. Os outros seis tripulantes do barco permanecem desaparecidos, e as buscas continuam.

Ainda na manhã de segunda-feira, a sobrinha de Alcioni, Gisele dos Santos Tomás, afirmou em entrevista ao G1 que restavam poucas esperanças de que seu tio fosse encontrado com vida. “Nossa família é toda de pescadores. Tenho 37 anos, e nós nunca tínhamos passado por isso na família. Sabíamos de casos ocorridos com outras pessoas, mas nunca tínhamos passado por isso”, lamentou ela.

Paz para o comandante, para sua família e para todos os trabalhadores do mar.

Como foi o desaparecimento – O barco desapareceu a 15 km da costa de Rio Grande. O pesqueiro viajava em parelha (lado a lado) com outro barco, chamado Dom Manoel XV, comandado por Jaci Manoel dos Santos, irmão de Alcioni. As embarcações eram acompanhadas por outras quatro, sendo que duas estavam na frente, e as outras atrás.

Os barcos já estavam no mar havia 15 dias, mas decidiram voltar após receberem o alerta da Marinha sobre o mau tempo. Aeronaves começaram a participar das buscas, além de outros barcos pesqueiros de amigos e familiares dos tripulantes do Dom Manoel XVI.

 

Veja mais:

Corpo encontrado

 

Marinha faz buscas

 

‘Temos esperança, mas chances são poucas’

 

 

INDÚSTRIA GLOBAL DA NAVEGAÇÃO SE RECUPERA APÓS MOMENTO LEHMAN

Os enormes navios porta-contêineres que transportam tênis, bananas e bonecas Barbie por todo o mundo continuam ficando maiores. O mesmo ocorre com as empresas proprietárias deles.

Uma enorme consolidação está em andamento nessa indústria global de US$ 500 bilhões e as sobreviventes agora desfrutam de grandes economias de escala e de uma demanda maior um ano depois de a capacidade excedente ter provocado a pior crise da história do setor — a falência da sul-coreana Hanjin Shipping.

A maior linha de contêineres da Ásia, a chinesa Cosco Shipping Holdings, afirmou no mês passado que pagaria mais de US$ 6 bilhões pela rival Orient Overseas International, dona do maior navio do mundo — um cargueiro mais longo que o Empire State Building. A dinamarquesa A.P. Moller-Maersk A/S está no meio do processo de compra de uma concorrente alemã e ostenta sua própria frota de meganavios, incluindo um capaz de transportar cerca de 180 milhões de iPads.

Essas empresas de navegação superdimensionadas exercem muito mais poder de precificação sobre fabricantes e empresas de varejo como Wal-Mart Stores e Target. As cinco maiores linhas de contêineres controlam cerca de 60 por cento do mercado global, segundo a firma provedora de dados Alphaliner. As taxas de frete estão subindo e um índice que monitora os fretes dos carregamentos das principais rotas com saída da Ásia apresenta alta de cerca de 22 por cento em relação ao ano anterior.

“O transporte marítimo de contêineres atualmente é uma brincadeira apenas para gente grande com bolsos cheios”, disse Corrine Png, CEO da Crucial Perspective, uma empresa de pesquisa de transporte com sede em Cingapura. A crescente concentração do mercado “dará às linhas de navegação um maior poder de precificação e de barganha”, prevê.

O colapso da Hanjin, em agosto do ano passado, afetou a indústria de forma muito similar à influência da falência do Lehman Brothers no setor financeiro durante a crise de 2008. Uma das maiores empresas de navegação do mundo na época, a Hanjin enfrentou uma crise de liquidez quando a oferta superou a demanda no setor, enfraquecendo o poder de precificação e os lucros das empresas transportadoras. A companhia atualmente está em processo de liquidação depois que um tribunal sul-coreano declarou sua falência em fevereiro.

“Desde a falência da Hanjin Shipping, a busca pela qualidade ficou mais perceptível no negócio do transporte marítimo de contêineres”, disse Um Kyung-a, analista da Shinyoung Securities em Seul. “É por isso que o mercado está ficando cada vez mais dominado pelas maiores empresas com grandes navios e aquelas que não tiverem supernavios podem acabar se tornando cada vez mais obsoletas.”

O uso crescente de navios gigantes é a chave da recuperação. As empresas donas de navios desse tipo são capazes de usar menos embarcações e de transportar mais cargas em uma única viagem para se beneficiarem de fretes mais altos, disse Um.

Segundo suas estimativas, existem atualmente cerca de 58 cargueiros gigantes em todo o mundo capazes de transportar mais de 18.000 contêineres, e o número deverá duplicar em dois anos. Cerca de metade dos novos navios serão adicionados pelas maiores empresas.

Piratas – Enquanto isso, ao menos 11 pessoas foram detidas em flagrante por saquearem contêineres que caíram de um navio na barra de Santos, no litoral de São Paulo. Entre os produtos recuperados estão eletrônicos, eletrodomésticos, pneus de bicicleta e vestuário.

 

Indústria global 1

Indústria global 2

‘Piratas’ são flagrados saqueando contêineres

Contêineres não derramaram substâncias no mar, segundo o Ibama

 

 

MARINHA EM RISCO

Com navios de 35 anos de idade média, a Marinha coleciona no mar e nas águas da Bacia Amazônica embarcações consideradas ultrapassadas para suas funções. A lista inclui o Almirante Sabóia, uma embarcação de desembarque de carros de combate comprado pelo governo Costa e Silva, em 1967, o Marajó, navio-tanque, adquirido pelo governo Garrastazu Médici, em 1969, e a fragata Niterói, do tempo do governo Ernesto Geisel, de 1976. O navio porta-aviões São Paulo, com 54 anos, o mais velho da relação, da época do presidente João Goulart, está em processo de desmobilização.

O comandante da Marinha, almirante Eduardo Bacellar Leal Ferreira, disse que é preciso pelo menos R$ 800 milhões a mais por ano para manter a esquadra. “Isso precisa ser acertado ou a nossa esquadra de superfície vai desaparecer em pouco tempo”, afirmou.

O quadro orçamentário para 2018 preocupa o comandante. “Antevemos o risco para programas estratégicos e também para o funcionamento pleno das nossas atividades diárias, com reflexos em serviços que atingem diretamente a população, como aqueles relacionados à segurança da navegação.”

Risco de colapso – Em meio à discussão da mudança da meta fiscal e de corte de gastos, as Forças Armadas pressionam pela recomposição no Orçamento, que nos últimos cinco anos sofreu redução de 44,5%. De 2012 para cá, os chamados recursos “discricionários” caíram de R$ 17,5 bilhões para R$ 9,7 bilhões. Os valores não incluem gastos obrigatórios com alimentação, salários e saúde dos militares.

Segundo o comando das Forças, neste ano, houve um contingenciamento de 40%, e o recurso só é suficiente para cobrir os gastos até setembro. Se não houver liberação de mais verba, o plano é reduzir expediente e antecipar a baixa dos recrutas. Atualmente, já há substituição do quadro de efetivos por temporários para reduzir o custo previdenciário. Integrantes do Alto Comando do Exército, Marinha e Aeronáutica avaliam que há um risco de “colapso”.

 

Forças Armadas sofrem corte de 44% dos recursos

 

FAZENDAS EM ALTO MAR

 

A colheita de peixes e mariscos de fazendas em alto mar poderia ajudar a fornecer proteínas essenciais para uma população global que está prevista para aumentar um terço, chegando a 10 bilhões em meados do século, disseram pesquisadores.

As zonas de mar aberto adequadas têm o potencial de produzir 15 bilhões de toneladas de peixe a cada ano, mais de 100 vezes o consumo mundial de frutos do mar, segundo um estudo publicado na revista científica Nature Ecology & Evolution.

A aquicultura costeira e interior já representa mais da metade dos peixes consumidos em todo o mundo. Muitas regiões, especialmente na África e na Ásia, dependem dos peixes para a ingestão de proteínas.

Mas a poluição severa, o aumento dos custos e a intensa competição por imóveis costeiros significam que a produção nessas áreas não pode se expandir indefinidamente.

As capturas de pesca selvagem, enquanto isso, se estabilizaram ou estão em declínio.

“Os oceanos representam uma imensa oportunidade para a produção de alimentos, mas o ambiente do oceano aberto é amplamente inexplorado como um recurso agrícola”, observaram os autores.

Para avaliar esse potencial, uma equipe de pesquisadores liderada por Rebecca Gentry, professora da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, realizou uma série de cálculos.

Os pesquisadores concluíram que cerca de 11,4 milhões de quilômetros quadrados de oceano poderiam ser desenvolvidos para peixes, e 1,5 milhão de quilômetros quadrados para bivalves, como os mexilhões.

“Grande potencial” – Atualmente, apenas cerca de 40 espécies representam 90% da produção mundial de frutos do mar. Apenas 4% do total consistem em peixes como salmão, perca-gigante, garoupa e robalo.

Todos os peixes selvagens colhidos no mundo poderiam ser obtidos de uma área do tamanho do Lago Michigan, ou da Bélgica e Holanda juntas, mostrou o estudo.

Muitos dos países com maior potencial – entre eles, Indonésia, Índia e Quênia – também têm previsto experimentar crescimentos populacionais acentuados, observaram.
As descobertas mostram que “esse espaço atualmente não é um fator limitante para a expansão da aquicultura oceânica”, disse Max Troell, cientista do Stockholm Resilience Center, que não participou da pesquisa.

Mas ainda há obstáculos para que a produção possa ser aumentada para atender a uma parcela significativa da demanda global, acrescentou o cientista em um comentário, também na Nature Ecology & Evolution.

“Os grandes desafios que a expansão do setor de aquicultura a curto prazo enfrenta estão no desenvolvimento de alimentos sustentáveis e na melhor compreensão de como os sistemas de exploração agrícola dos oceanos de grande escala interagem com os ecossistemas e o bem-estar humano”, escreveu.

Os custos de produção e transporte também podem ser uma restrição, acrescentou.

 

Fazendas em alto mar

 

Are floating farms the answer to solving world hunger?

 

 

 

 

 

BRASIL PODE PERDER AUTORIZAÇÃO INTERNACIONAL PARA PESCAR ATUM

A ingerência da pesca no governo federal resultou num pedido coletivo de desligamento dos técnicos que faziam parte do Subcomitê Científico do Atum e Afins, o mais antigo e um dos mais importantes grupos de discussão de gestão pesqueira no país. A decisão dos técnicos pode impactar na autorização internacional que o Brasil possui para a captura do peixe – e atingir diretamente frotas que, somente em Santa Catarina, empregam cerca de mil pescadores.

O atum é um peixe que migra durante o seu ciclo de vida, por isso é considerado um recurso internacional. Para garantir que não haja excesso de capturas, os países banhados pelo Oceano Atlântico que pescam atuns estão ligados à Comissão Internacional para Conservação do Atum do Atlântico (ICCAT). Esse órgão estabelece cotas de captura e certifica que a pesca esteja dentro dos limites.

Marco Aurélio Bailon, coordenador técnico do Sindipi, sindicato que representa armadores e indústrias de pesca no país, diz que há cerca de cinco anos os dados estatísticos brasileiros apresentados ao ICCAT são incompletos. Em 2015 o governo liberou recursos para pesquisas em gestão pesqueira, que deveriam, entre outros compromissos, atualizar os dados. Mas a pesca perdeu o status de Ministério, foi incorporada pela Agricultura e o dinheiro se perdeu.

Sem dados e sem o financiamento básico para as pesquisas, os 19 cientistas que compõe o Subcomitê Científico decidiram ‘abandonar o barco’. O problema é que, sem reportar as informações da pesca exigidas pela ICCAT, o Brasil corre o risco de perder as cotas de pesca de várias espécies de atuns, o que significa perder o direito a explorar esses recursos, incluindo a possibilidade de exportar o produto.

Somente em Itajaí há cerca de 60 barcos especializados na pesca do atum, em diferentes modalidades, que poderão ser diretamente impactados com as possíveis sanções.

Armadores perplexos – O setor pesqueiro recebeu as informações sobre a demissão coletiva no Subcomitê Científico do Atum e as possíveis consequências com perplexidade. Deixar de ter a certificação internacional pode ser o fim da linha para empresários como José Kowalsky, de Itajaí, que atua na exportação de pescado. Somente a empresa dele já chegou a enviar 3 mil toneladas de atuns ao ano para o exterior. No ano passado, problemas com a documentação já fizeram com que ele perdesse um carregamento em vias do embarque para a Europa _ um “aperitivo” dos problemas que a falta de certificação poderá trazer.

Além do atum, o órgão internacional também regulamenta a captura de meca _ outro peixe que é enviado ao exterior, especialmente aos Estados Unidos, e que é alvo da pesca catarinense.

Fragilidade – –Diretora-geral da ONG Oceana, que atua em pesca sustentável em todo o mundo, Monica Peres classificou a paralisação coletiva do Subcomitê Científico de atuns e afins como “uma noticia muito triste, que mostra a desestruturação e fragilidade institucional do sistema de gestão pesqueira no país”

Ela afirma que os cientistas são responsáveis por produzir as melhores recomendações cientificas para subsidiar o ordenamento das pescarias, mas eles precisam de dados e de apoio as pesquisas. “Sem dados, não tem gestão. Para a ICCAT, o país que não reporta dados, não pode pescar”, complementa.

Falência – O Coletivo Nacional da Pesca e Aquicultura (Conepe) emitiu nota em que afirma apoiar irrestritamente a decisão dos cientistas que se desligaram do Subcomitê Científico “por entender que estes profissionais e colaboradores tiveram o limite de sua paciência, comprometimento e honradez ultrapassado”. Para a entidade, a decisão é um retrato da falência da gestão pesqueira nacional.

 

Perdendo atum

 

Calendar of ICCAT Meetings for 2017

 

REGULARIZAÇÃO DE PESCADORES

Secretaria publica norma que regulariza situação dos pescadores. A medida deve beneficiar aproximadamente 400 mil pescadores de todo País. A emissão de registros para a pesca profissional estava suspensa desde 2015 por recomendação dos órgãos de controle.

A Secretaria de Aquicultura e Pesca do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) publicou a Portaria 1.275, que permite o registro de pescadores profissionais em todo o Brasil. A norma torna válidos os registros suspensos ou ainda não analisados existentes no Sistema de Registro Geral da Atividade Pesqueira (SISRGP). A medida deve beneficiar aproximadamente 400 mil pescadores de todo país.

Para isso, a Portaria reconhece como documentos válidos para o exercício da atividade de pesca os protocolos de solicitação de registro ou comprovantes de entrega de relatório para a manutenção de cadastro devidamente atestados pelos órgãos competentes. A medida vale até o início do processo de recadastramento dos pescadores que será realizado pela Secretaria até o final do ano.

A emissão de registros para a pesca profissional estava suspensa desde 2015 por recomendação dos órgãos de controle. A Secretaria de Aquicultura e Pesca estima que cerca de 500 mil pessoas tenham o registro de pesca profissional em todo o Brasil, sendo que quase 400 mil aguardam a análise dos pedidos feitos de 2015 para cá ou estão com os registros suspensos. Ou seja, exercem a atividade da pesca de forma irregular e estão sujeitos a autuações do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) caso sejam pegos em fiscalizações do órgão, que vão desde a apreensão dos produtos e instrumentos, aplicação de multas até ações penais.

Com a Portaria, o país passa a ter quase um milhão de pescadores regularizados. “Essa medida traz dignidade a essa classe trabalhadora de extrema importância para o país. A simplificação dos processos administrativos e a desburocratização são uma prioridade na gestão do Mdic. Não vamos medir esforços para a implantação de um Sistema de Registro da Pesca consolidado e seguro”, afirma o secretário nacional de Aquicultura e Pesca, Dayvson Franklin de Souza.

A permissão, no entanto, é apenas para o registro da atividade e não dá direito aos pescadores requererem o seguro defeso. Para isso, os pescadores precisam atender aos requisitos estabelecidos na Lei nº 10.779/2003 e Decreto nº 8.424/2015, como não dispor de outra fonte de renda e exercer a pesca como profissão durante os 12 meses imediatamente anteriores ao do defeso em curso.

 

Secretaria publica norma

Até recadastramento, secretaria dobra número de pescadores profissionais do País

Governo nomeia secretário de Aquicultura e Pesca do MDIC

 

 

O PREÇO DO PESCADO

A inflação já não é uma preocupação dos brasileiros, a julgar pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O IPCA-15, que mede a variação na quinzena, variou -0,18% em julho e ficou abaixo da taxa de 0,16% de junho, menor variação registrada relativa ao mês de julho, juntamente com o resultado de 2003.

O instituto ainda frisa que o índice é o mais baixo desde setembro de 1998, quando registrou -0,44%. O resultado no ano foi para 1,44%, portanto abaixo dos 5,19% referentes ao mesmo período do ano passado.

Segundo o IBGE, o grupo dos alimentos, com participação de 25% nas despesas, exerceu o mais intenso impacto negativo, de -0,14 ponto percentual (p.p.), motivado principalmente pela queda no preço dos produtos comprados para consumo doméstico.

No caso do pescado, o IPCA mensal em junho mostra que o preço cedeu -1,60%, mas já vinha de uma queda de 2,31% em maio. O resultado reflete um ajuste do patamar praticado durante a preparação da Semana Santa – em março, o preço da categoria pescado subiu 3,43%. Já a sardinha em conserva, também medida pelo IPCA, ficou mais cara em abril, maio e junho.

Na avaliação da inflação acumulada do ano, o destaque do mês passado ficou com o pintado, cujo preço apurado pelo IBGE subiu 22,9% ante o mesmo período acumulado de 2016. O salmão ficou 9,74% mais caro na mesma análise, enquanto a cavalinha ficou 10,41% mais barata.

O camarão é um caso à parte. Com a diminuição do consumo pelos altos preços praticados nos primeiros meses do ano, a inflação cedeu 0,73% desde janeiro a junho. Já na análise entre junho de 2016 e o mesmo mês deste ano, o camarão ficou em média 28,13% mais caro.

O salmão também subiu muito em junho ante maio (+8,56%), segundo o IBGE, seguido pelo pintado, com +8,10%. O pacu também registrou alta valorização, de 7,22%. Já a dourada teve a maior queda mensal, de 9,21%, seguida pelo vermelho, com -7,29%.

 

Preço do pescado

O preço do pescado no mundo

 

CONFERÊNCIA SOBRE OS OCEANOS

O Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio) divulgou no dia 16 de julho o documento final em português da Conferência. O documento foi elaborado por 193 Estados-membros da ONU.  “Nós, chefes de Estado e Governo e representantes oficiais, reunindo-nos em Nova Iorque, de 5 a 9 de junho de 2017, na Conferência sobre os Oceanos para apoiar a implementação do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 14 da Agenda 2030, com participação integral da sociedade civil e outras partes interessadas, afirmamos nosso forte compromisso de conservar e usar sustentavelmente nossos oceanos, mares e recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável. Nós somos mobilizados pela forte convicção de que nosso oceano é essencial para nosso futuro compartilhado e humanidade em comum em toda sua diversidade. Como líderes e representantes de nossos governos, estamos determinados em agir decisiva e urgentemente, convencendo-se que nossa ação coletiva fará uma diferença significativa para nossa população, nosso planeta e nossa prosperidade”, dizem os itens 1 e 2..

A pesca é citada no item 13 (de l a q). Confira.

 

  1. Nós apelamos a todas as partes interessadas para que conservem e utilizem de forma sustentável os oceanos, mares e recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável através das seguintes ações, as quais devem ser aplicadas com caráter de urgência, inclusive a partir do aproveitamento de instituições e parcerias já existentes:

 (l) Aprimorar a gestão sustentável da pesca, inclusive para restaurar os estoques de peixe o mais celeremente possível ao menos a níveis que permitam a máxima produção sustentável possibilitada por suas próprias características biológicas, através da implementação de medidas de gestão, monitoramento, controle e cumprimento de parâmetros baseadas na ciência, apoiando o consumo de peixes advindos de pesqueiras sustentáveis, e por meio da abordagem preventiva e ecológica apropriada, bem como através do fortalecimento da cooperação e coordenação, inclusive por meio de organizações, entidades e programas de gestão de pesqueiras regionais.

(m) Extinguir práticas destrutivas de pesca e a pesca ilegal, não reportada e irregular, abordando suas raízes e responsabilizando os atores e beneficiários por meio da aplicação das medidas cabíveis, a fim de privá-los dos benefícios de tais atividades, e implementar efetivamente as obrigações do Estado da bandeira, bem como as obrigações relevantes do Estado portuário.

(n) Acelerar o trabalho e fortalecer a cooperação e coordenação em prol do desenvolvimento de esquemas de documentação de capturas interoperáveis e rastreamento de produtos pesqueiros.

(o) Fortalecer a capacitação e a assistência técnica fornecida a pescadores artesanais de pequena escala em países em desenvolvimento, a fim de possibilitar e aprimorar o acesso a recursos e mercados marinhos e melhorar a situação socioeconômica de pescadores dentro do contexto de gestão sustentável de pesqueiras.

(p) Agir decisivamente para proibir certas formas de subsídios que contribuam para a excedência de capacidade e para a sobrepesca, eliminar subsídios que contribuam para a pesca ilegal, não reportada e irregular e retrair-se de introduzir novos subsídios similares, inclusive acelerando os esforços para completar negociações na Organização Mundial do Comércio pertinentes a esse assunto, reconhecendo que o tratamento especial e diferenciado, apropriado e efetivo, para países subdesenvolvidos e em desenvolvimento deve ser parte integral de tais negociações.

(q) Apoiar a promoção e o fortalecimento de economias sustentáveis baseadas no oceano, as quais, a propósito, se sustentam em práticas sustentáveis como pescaria, turismo, aquicultura, transporte marítimo, fontes de energia renováveis, biotecnologia marinha e dessalinização da água do mar, como meios de alcançar as dimensões econômicas, sociais e ambientais do desenvolvimento sustentável, particularmente para SIDS Small Island Developing States, em português pequenos estados insulares em desenvolvimento) e LDCs (Least Developed Countries, em português Países Menos Desenvolvidos).

 

Confira o documento na íntegra

 

NAVIO DE PESQUISA ESTÁ À PROCURA DE CONTINENTE PERDIDO

Na escola, nós aprendemos que atualmente existem seis continentes: África, Ásia, Antártida, Oceania, Europa e América. No entanto, pode haver outro continente para adicionar à lista:  ‘Zealândia’ – e um navio está sendo enviado para investigá-lo.

Trinta cientistas saíram da Austrália nesta semana, para uma expedição oceânica de dois meses, com o objetivo de explorar o continente submerso.

Ilhas como a Nova Zelândia e a Nova Caledônia fazem parte do continente, que ocupa uma região de 7,7 milhões de quilômetros quadrados no sudoeste do Pacífico. As ilhas são conectadas por uma crosta continental submersa, que atravessa uma ampla área da superfície da Terra – por isso se qualifica como um continente separado.

Gerald Dickens, professor de Ciências Terrestres, Ambientais e Planetárias na Universidade de Rice, nos Estados Unidos, disse: “Esta expedição irá responder muitas questões importantes sobre a Zealândia”.

“Se você voltar no tempo, há cerca de 100 milhões de anos, Antártida, Austrália e Zealândia eram um único continente,” disse Dickens. “Há aproximadamente 85 milhões de anos a Zealândia se separou por si só e, por um tempo, o fundo do mar entre ela e a Austrália estava se expandindo nos lados de uma dorsal oceânica, que separava as duas”.

Veja ainda:

Continente perdido

New Continent Zealandia Is Discovered Underwater

‘Zealandia’: New continent on Earth is sitting off Australia’s coast

 

Um novo continente

 

AS ALEGRIAS E AS TRISTEZAS DA SAFRA DA TAINHA 2017

A safra da tainha está chegando ao fim com um balanço de alegrias e tristezas. Assim na vida como no mar, uns riem enquanto outros choram.

 

‘Ainda na semana passada, as redes de arrasto da Praia Brava, no norte da Ilha, começaram a ser recolhidas. Os cardumes de tainha ou passavam reto, ou se escondiam nas pedras do costão e de lá não saíam. Mas as temperaturas baixas desta semana agitaram e incomodaram as prateadas, e elas ameaçaram dar as caras novamente. As redes voltaram para o mar.

— Apesar de a temporada terminar em 31 de julho, é praxe: período bom é até o dia de São Pedro, em 29 de junho. Mas continuamos vindo. Às 5h45min já estamos no rancho. Na quinta, foram mais 60 tainhas. Todo mundo levou peixinho para casa, querendo ou não. E vamos continuar até o final, apesar de que a expectativa agora é de menos peixe, com o tempo ficando mais quente — contou o pescador Nildo Vilmar dos Santos, de 50 anos e há praticamente 40 na pesca. A bela reportagem está publicada no Diário Catarinense.

Enquanto isso, operação realizada pelo Ibama em conjunto com a Polícia Federal (PF) resultou na apreensão de 51,2 toneladas de tainha e cinco embarcações que pescavam em área proibida no Rio Grande do Sul. Os responsáveis pela atividade ilegal receberam cinco autos de infração que totalizam R$ 1.048.500,00. A notícia foi publicada no dia 13 de julho no site do IBAMA.

E informa ainda que os barcos foram monitorados do litoral gaúcho ao catarinense, onde ocorreu a abordagem. Em Santa Catarina, a pesca de cerco é proibida a partir da costa até cinco milhas náuticas mar adentro. No Rio Grande do Sul, a proibição alcança dez milhas náuticas. O objetivo é proteger o corredor de migração da tainha entre 1.º de junho e 31 de julho, período em que a espécie está em reprodução, disse o chefe da Unidade Técnica do IBAMA em Itajaí (SC), Sandro Klippel, referindo-se à Portaria Interministerial n° 23 de 2017, das pastas do Meio Ambiente; Indústria, Comércio Exterior e Serviços; e Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Outra notícia de 04 de julho, também publicada no site do IBAMA, informa operação de fiscalização da atividade pesqueira realizada pelo IBAMA em conjunto com a Polícia Federal resultou até o momento na apreensão de 22 toneladas de peixe em Rio Grande (RS) e em multas que totalizam R$ 400 mil.

A safra da tainha 2017 está chegando ao fim e, assim na vida como no mar, uns riem enquanto outros choram.

 

Frio traz último suspiro para a safra da tainha na Grande Florianópolis

 

Ibama apreende 51 toneladas de tainha e cinco embarcações em SC por pesca irregular

 

Ibama e PF apreendem 22 toneladas de pescado em Rio Grande (RS)

 

 

 

IMO E O EFEITO ESTUFA

A demanda por transporte marítimo aumentou significativamente nas últimas décadas: navios transportam cerca de 90% do comércio mundial.  As emissões dos gases de efeito estufa do setor tiveram crescimento igualmente impressionante: 70% desde 1990. Atualmente o setor é responsável por entre 2% e 3% da emissão global de gases de efeito estufa.

Se as emissões da navegação fossem reportadas como se fossem de um único país, o transporte marítimo ocuparia um lugar entre o Japão e a Alemanha no ranking dos maiores emissores de CO2, respondendo por um volume maior do é emitido por todos os países da África juntos. Sem um esforço adicional significativo por parte da indústria marítima, o setor colocará em risco os compromissos do Acordo de Paris pela manutenção do aquecimento global bem abaixo dos 2°C sobre os níveis pré-industriais. Por isso, a IMO pretende lançar em 2018 uma estratégia inicial de redução de emissões de gases de efeito estufa, muito provavelmente envolvendo uma trajetória de longo prazo para a redução das emissões de CO2 e medidas práticas de curto, médio e longo prazos.

Para o Brasil, a navegação é um setor vital para as exportações de commodities como minério de ferro, soja, petróleo, açúcar e café, entre outras. 95% do comércio exterior passam pelos portos, que bateram o recorde de um bilhão de toneladas movimentadas em 2015. Para alguns setores, a importância é ainda maior: o Brasil é o segundo maior exportador de minério de ferro após a Austrália – tanto que a Vale está presente na IMO com dois representantes, mesmo número da Petrobras.

Os negociadores brasileiros na IMO têm tradicionalmente sido contrários ao endurecimento do regime regulatório, argumentando que isso penalizaria os países no final das cadeias de suprimento, especialmente aqueles distantes dos mercados exportadores.  As colocações do Brasil anteriores à reunião desta semana reforçam essa postura.

O país se opôs ao estabelecimento de uma meta de longo prazo para as emissões do setor, com o argumento de que esta representa ‘um impedimento não desejável para o comércio internacional’, adicionando que uma meta deste tipo pode levar a um aumento do transporte de carga via aérea.  O país também tem feito lobby pelo o estabelecimento de dados precisos de emissão de GEE como uma precondição para maiores investimentos em medidas de eficiência — um regime mandatório de reporte de emissões da IMO passará a ocorrer a partir de 2019 — e quer investimentos para o auxílio às instalações portuárias verdes.

 

IMO e as reduções de emissões 

Teor de enxofre no óleo combustível marítimo deve ser reduzido

 

A BOA VIDA DE BALEIA

Drone flagra baleia ‘brincando’ com grupo de golfinhos. Fotógrafo registra clique raro de baleias cachalote cochilando no oceano.

Um vídeo gravado no oeste da Austrália mostra uma cena encantadora do mundo animal. Nas imagens, uma baleia brinca com golfinhos – todos parecem se divertir surfando as ondas.  O registro foi feito com um drone na costa do Estado da Austrália Ocidental.

Baleias também dormem, como mostra um clique raro do fotógrafo Franco Banfi. Ele acompanhava um grupo de baleias cachalote no mar quando notou um movimento estranho entre elas. Todas apenas pararam de se movimentar, de repente.

Franco mergulhou e as encontrou em posição vertical, descansando, perfeitamente sincronizadas. As sonecas das baleias duram de 6 a 24 minutos, algo bem rápido, por isso o fotógrafo aproveitou a oportunidade e registrou esse momento mágico.

 

Baleias brincando com golfinhos

 

Cachalotes cochilando

 

 

CORRENTE HUMANA

Corrente humana salva nove pessoas de afogamento em praia na Flórida.

Um grupo de nove pessoas que estavam se afogando em uma praia da Flórida foi salvo por outros banhistas que formaram uma corrente humana e conseguiram resgatá-los.

O episódio ocorreu em uma praia de Panama City, localizada a mais de 570 km de Orlando. Segundo o jornal local “The Panama City News Herald”, mais de 80 pessoas teriam se juntado para criar a corrente humana e salvar o grupo que estava nadando em uma área muito afastada da costa.

“Eu realmente pensei que iria perder minha família naquele dia”, afirmou Roberta Ursrey, uma das nove pessoas que foram resgatadas, ao “The Panama City News Herald”. Ela contou que ficou preocupada quando viu os dois filhos nadando em uma área muito afastada da praia, e começou a gritar pedindo socorro. Roberta, então, entrou na água para salvá-los, junto com o pai deles, um primo, a avó e mais três pessoas que se solidarizaram. No entanto, mesmo alcançando os garotos, o grupo não conseguiu resgatá-los e precisou pedir socorro.

Foi nesse momento que as pessoas que estavam na praia de Panama City perceberam o perigo e começaram a se mobilizar para salvar a família. De forma espontânea formaram uma corrente humana da areia até a do grupo à deriva, que naquela altura já estava a mais de 100 metros da costa. Duas filhas de Roberta também estavam na corrente humana. O esforço e a agitação foram tamanhos que uma mulher que contribuiu para a corrente acabou sofrendo um infarto e foi hospitalizada.

Uma foto da corrente humana ainda na agua foi postada nas redes sociais, se tornando rapidamente viral.

A pesca anda precisando de uma corrente humana como essa.

 

Vídeo corrente humana

 

 

 

O MAR OCEANO DE FERNANDO PESSOA

Fernando António Nogueira Pessoa (Lisboa, 13 de junho de 1888 — Lisboa, 30 de novembro de 1935), foi um poeta, escritor, publicitário, astrólogo, crítico literário, inventor, empresário, tradutor, correspondente comercial, filósofo e comentarista político português.

 

Fernando Pessoa é o mais universal poeta português. Por ter sido educado na África do Sul, numa escola católica irlandesa, chegou a ter maior familiaridade com o idioma inglês do que com o português ao escrever os seus primeiros poemas nesse idioma. O crítico literário Harold Bloom considerou Pessoa como “Whitman renascido”, e o incluiu no seu cânone entre os 26 melhores escritores da literatura ocidental.

 

Mas ele é português antes de mais nada e acima de tudo:

 

Ó mar salgado, quanto do teu sal

São lágrimas de Portugal!

Por te cruzarmos, quantas mães choraram,

Quantos filhos em vão rezaram!

Quantas noivas ficaram por casar

Para que fosses nosso, ó mar!

 

Valeu a pena? Tudo vale a pena

Se a alma não é pequena.

Quem quer passar além do Bojador

Tem que passar além da dor.

Deus ao mar o perigo e o abismo deu,

Mas nele é que espelhou o céu.

 

 

Fernando Pessoa é pura vertigem marítima:

 

Quero ir convosco, quero ir convosco,

Ao mesmo tempo com vós todos

Pra toda a parte pr’onde fostes!

Quero encontrar vossos perigos frente a frente,

Sentir na minha cara os ventos que engelharam as vossas

Cuspir dos lábios o sal dos mares que beijaram os vossos

Ter braços na vossa faina, partilhar das vossas tormentas

Chegar como vós, enfim, a extraordinários portos!

Fugir convosco à civilização!

Perder convosco a noção da moral!

Sentir mudar-se no longe a minha humanidade!

Beber convosco em mares do Sul

Novas selvajarias, novas balbúrdias da alma,

Novos fogos centrais no meu vulcânico espírito!

Ir convosco, despir de mim – ah! põe-te daqui pra fora! –

O meu traje de civilizado, a minha brandura de ações,

Meu medo inato das cadeias,

Minha pacífica vida,

A minha vida sentada, estática, regrada e revista!

 

No mar, no mar, no mar, no mar,

Eh! pôr no mar, ao vento, às vagas,

A minha vida!

Salgar de espuma arremessada pelos ventos

Meu paladar das grandes viagens.

 

Fernando Pessoa foi muita gente: Álvaro de Campos, Alberto Caieiro, Ricardo Reis, Bernardo Soares, entre outros. Viaje um pouco no mar oceano de Fernando Pessoal.

 

 

 

Pessoa: Mar português

 

Parte-se de mim qualquer coisa

 

Ode marítima

 

Tabacaria

 

Poema em linha reta

 

ALERTA DO CONEPE: DESASTRE ANUNCIADO

A decisão do Subcomitê Científico de Atuns e Afins de renunciar é o mais fiel retrato da falência da Gestão Pesqueira Nacional. O Coletivo Nacional da Pesca e Aquicultura (Conepe) entende e apoia irrestritamente tal decisão por entender que estes profissionais e colaboradores tiveram o limite de sua paciência, comprometimento e honradez ultrapassado.

A gestão pesqueira no Brasil é originalmente proposta de forma compartilhada entre o Governo e a Sociedade Civil, sendo consideradas as demandas dos usuários dos recursos biológico-pesqueiros, bem como as atribuições dos órgãos de Governo responsáveis pelo fomento da atividade pesqueira (MPA/MAPA/MDIC), pela conservação dos recursos naturais (MMA), pela segurança de embarcações e navegantes (MD) e pelos trabalhadores do setor (MTE).

O retrocesso que estamos assistindo pode comprometer a gestão pesqueira, a atividade de pesca e toda a cadeia produtiva, com sérias implicações econômicas e sociais. Precisamos transpor esse modelo de gestão internacionalmente reconhecido como ultrapassado, suscetível a manobras, e que visa polarizar entre a pesca artesanal e a industrial em vez de se ter em conta o uso comum do recurso pesqueiro, desviando-se do que verdadeiramente sustenta a atividade e seus atores: os recursos biológicos.

Leia a íntegra do artigo “Desastre anunciado”, assinado por Alexandre Espogeiro, presidente do Conepe.

 

Dentre as tantas tragédias vividas pela nação brasileira nos últimos anos, com enormes perdas de credibilidade política, financeira, social e finalmente atingindo muito seriamente a honradez e o comprometimento de pessoas e equipes, tivemos no início desta semana a anunciada renúncia coletiva do Subcomitê Científico do Comitê Permanente de Gestão de Atuns e Afins.

A gestão pesqueira no Brasil é originalmente proposta de forma compartilhada entre o Governo e a Sociedade Civil, sendo consideradas as demandas dos usuários dos recursos biológico-pesqueiros, bem como as atribuições dos órgãos de Governo responsáveis pelo fomento da atividade pesqueira (MPA/MAPA/MDIC), pela conservação dos recursos naturais (MMA), pela segurança de embarcações e navegantes (MD) e pelos trabalhadores do setor (MTE).

Esse sistema de gestão compartilhada dos recursos pesqueiros tem como fórum de discussões os Comitês Permanentes de Gestão – CPGs. De forma a subsidiar técnico-cientificamente estes CPGs e aportar dados científicos, promover a interação com fóruns de ordenamento mundiais e realizar avaliações puramente técnicas, foram estabelecidos Subcomitês Científicos, de caráter consultivo.

Via de regra os Subcomitês são compostos por colaboradores voluntários ligados à academia, Institutos de Pesquisa, Universidades, Laboratórios, e também por pessoas de notório saber. São profissionais de ensino e pesquisa que comprometem seu tempo e disponibilidade pelo amor que tem pelo seu trabalho e pela vontade de ver seus conhecimentos e sugestões efetivamente consideradas nas políticas de gestão de recursos pesqueiros.

A decisão do Subcomitê Científico de Atuns e Afins de renunciar é o mais fiel retrato da falência da Gestão Pesqueira Nacional; este Coletivo Nacional da Pesca e Aquicultura – Conepe, entende e apoia irrestritamente tal decisão por entender que estes profissionais e colaboradores tiveram o limite de sua paciência, comprometimento e honradez ultrapassado.

A gestão atual do Conepe decidiu não dirigir críticas e indignações a um ou outro ministério, a este ou aquele partido político ou autoridade; nossa triste constatação refere-se ao descaso do Estado brasileiro com o Setor Pesqueiro, com os recursos naturais renováveis, com o potencial de geração de riqueza e renda e com o possível desenvolvimento social embasado na exploração racional e equilibrada destes recursos.

Não há como ignorar essa situação e não manifestar publicamente nosso apoio aos diretamente envolvidos e signatários do Oficio SCC 01-2017, especialmente sabendo que essa decisão pode ser repetida em outros fóruns da estrutura do sistema de gestão da pesca brasileira; recentemente, o Subcomitê Científico da Lagosta teve sua reunião cancelada poucos dias antes da data agendada por alegada falta de orçamento para sua realização. Com isso a safra da lagosta acontece sem uma discussão sobre a avaliação do estoque e dos métodos de pesca empregados, complementada pela ausência de ferramentas de controle, monitoramento e gestão.

Outro fórum de gestão de importantes recursos com reflexo social e econômico, o Comitê Permanente de Gestão de Recursos Pelágicos do Sudeste e Sul, teve sua última reunião marcada pelo enfrentamento aberto e desconsideração às demandas e opiniões do setor pesqueiro, que resulta em mais uma safra caótica da tainha marcada pela seleção de embarcações através de sorteio, ações judiciais, liminares e cassações de liminares. Mais um ano marcado pelo poder judiciário atuando como executivo devido ao descumprimento de prerrogativas do Plano de Gestão da espécie sem nenhum diálogo ou embasada na capacidade biológica de reposição do estoque.

O retrocesso que estamos assistindo pode comprometer a gestão pesqueira, a atividade de pesca e toda a cadeia produtiva, com sérias implicações econômicas e sociais. Precisamos transpor esse modelo de gestão internacionalmente reconhecido como ultrapassado, suscetível a manobras, e que visa polarizar entre a pesca artesanal e a industrial em vez de se ter em conta o uso comum do recurso pesqueiro, desviando-se do que verdadeiramente sustenta a atividade e seus atores: os recursos biológicos.

 

ALEXANDRE ESPOGEIRO

Presidente do Conepe

Desastre anunciado

 

Oficio SCC 01-2017: Paralisação das atividades

 

Lançamento dos Comitês Permanentes de Gestão da Pesca (CPG) – Parte 01:

 

Lançamento dos Comitês Permanentes de Gestão da Pesca (CPG) – Parte 2

 

 

 

 

 

 

 

O BLOQUEIO DA REQUISIÇÃO DE ÓLEO DIESEL

Nas últimas semanas, o setor responsável pela subvenção do óleo diesel – Requisição de Óleo Diesel, conhecida por ROD – do Sindicato dos Armadores e das Indústrias de Pesca de Itajaí e Região – SINDIPI constatou um agravamento no bloqueio das RODs de diversas embarcações de associados da entidade. A subvenção do óleo diesel é um benefício concedido pelo governo federal e estadual, para que os armadores possam abastecer as embarcações.

Entre os motivos do bloqueio estão: a APD – autorização provisória de pesca e a necessidade da regularização da autorização, que foi prorrogada por meio de portarias expedidas pelo Ministério da Agricultura. O procedimento de liberação é responsabilidade do Departamento de Planejamento e Ordenamento da Pesca do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços – MDIC, em Brasília.

Para tentar solucionar o problema, o SINDIPI acionou o Coletivo Nacional da Pesca e Aquicultura – CONEPE que fica em Brasília. A entidade representativa dos sindicatos filiados entrou em contato com a Coordenadoria Geral de Registros de Aquicultura e Pesca – MDIC, que reconheceu as dificuldades encontradas na operacionalização do Programa de Subvenção ao Óleo Diesel.

De acordo com o responsável pela coordenadoria, Henrique Gonçalves de Almeida, a equipe está impossibilitada em resolver algumas questões, pois o Ministério da Agricultura – MAPA cortou todos os acessos ao sistema, rede de computadores e internet. Uma tratativa entre MAPA E MDIC está em andamento para tentar resolver o problema, já que a Secretaria da Pesca, mesmo integrando o Ministério da Indústria, continua funcionando temporariamente no Ministério da Agricultura.

 

 

SINDIPI busca explicações sobre o bloqueio das RODs  

 

Sem subsídio da União para diesel, pesca de SC perde R$ 7,5 milhões

 

Governo federal libera subsídio de óleo diesel para 318 barcos de pesca

 

Óleo diesel na Justiça

 

 

 

CCJC DA CÂMARA DOS DEPUTADOS VOTA PELA PERMANÊNCIA DA PESCA NO MAPA

A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados aprova o Projeto de Decreto Legislativo nº 598/2017, de autoria do deputado Espiridião Amin, Carmen Zanotto – PPS/SC ,  Décio Lima – PT/SC  que “susta os dispositivos do Decreto no 9.004, de 13 de março de 2017, que transferem a Secretaria de Aquicultura e Pesca do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços.”

Trechos do parecer do relator na CCJC, deputado Rubens Pereira Junior:

 

Segundo Celso Antônio Bandeira de Mello “os regulamentos serão compatíveis com o princípio da legalidade quando, no interior das possibilidades comportados pelo enunciado legal, os preceptivos regulamentares servem a um dos seguintes propósitos: (1) limitar a discricionariedade administrativa, seja para (a) dispor sobre o modus procedendi da Administração nas relações que necessariamente surdirão entre ela e os administrados por ocasião da execução da lei; (b) caracterizar fatos, situações ou comportamentos enunciados na lei mediante conceitos vagos cuja determinação mais precisa deva ser embasada em índices, fatores ou elementos configurados a partir de critérios ou avaliações técnicas segundo padrões uniformes, para garantia do princípio da igualdade e da segurança jurídica; (2) decompor analiticamente o conteúdo de conceitos sintéticos, mediante simples discriminação integral do que neles se contém e estabelecimento dos comportamentos administrativos que sejam consequências lógicas necessárias do cumprimento da lei regulamentada.”

            O Decreto No 9.004, de 13 de março de 2017 não parece ter qualquer desses objetivos. Pelo contrário, alterou o disposto na Lei no 10.683, de 28 de maio de 2003, que dispõe sobre a organização da Presidência da República e dos Ministérios e transferiu competências legalmente asseguradas ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços. Assim o fazendo, extrapolou o poder regulamentar legítimo do Executivo para modificar lei, o que é inadmissível e incompatível com a Constituição Federal.

 

O poder regulamentar do Executivo decorre do disposto no art. 84, IV, da Constituição Federal, que estabelece ser competência privativa do Presidente da República sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução.

            Os arts. 1º, I, 2º, 3º, 4º, 5º e 8º do Decreto no 9.004, de 2017, modificaram a Lei no 10.683, de 2003, alterada pela Lei 13.266, de 2016, e com isso exorbitaram o poder regulamentar do Executivo, em consequência, violando o art. 84, IV, da Constituição Federal.

            No tocante ao mérito, é de todo conveniente e oportuna a sustação dos referidos atos, uma vez que a medida se mostra extremamente nociva ao setor pesqueiro do País. O autor bem aponta que após o profundo impacto do setor aquícola e pesqueiro com o fim do Ministério da Pesca, o setor começa a se reerguer graças à gestão e administração do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), que com um trabalho sério vem alcançando resultados positivos. Ressalta que enquanto o MAPA conta com um quadro de mais de 10.000 servidores ativos distribuídos em municípios localizados em todos os Estados brasileiros, o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços conta apenas com pouco menos de 800 servidores lotados exclusivamente em Brasília.

 Isto posto, nosso voto é pela constitucionalidade, juridicidade e boa técnica legislativa do Projeto de Decreto Legislativo nº 598, de 2017, e, no mérito, pela sua aprovação.

 

Confira

 

UM GRANDE PARCEIRO DA PESCA

Quando se fala hoje da transferência da pesca para o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), pelo menos aqui em nosso estado a nossa casa tem um endereço certo: a Federação de Agricultura, Pesca e Pecuária do Rio de Janeiro (Faerj). Essa parceria tem um nome: Rodolfo Tavares

Rodolfo Tavares: um amigo da pesca, um armador honorário do Saperj / Foto: Alerj

Lá no distante ano de 2009, as oportunidades e desafios da indústria pesqueira  foram tema debate “Diagnóstico da Cadeia Produtiva da Pesca Marítima no Estado do Rio de Janeiro”,  realizado pelo Fórum de Desenvolvimento do Rio num dia 12 de agosto (quarta-feira), no plenário da Assembleia Legislativa (Alerj). Na ocasião foi apresentado estudo inédito organizado pela Federação de Agricultura, Pesca e Pecuária do Rio de Janeiro (Faerj) em parceria com o Sebrae-RJ, que trouxe um mapeamento da pesca comercial no estado, incluindo histórico da atividade, implicações sociais, impacto na economia e regulamentação governamental.

Na apresentação do “Diagnóstico”, Rodolfo Tavares escrevia: “O  Diagnóstico  do  Setor  Pesqueiro  do  Estado  do  Rio  de  Janeiro  é  o  resultado  de  mais  uma    parceria  entre  a  Faerj  e  o Sebrae-RJ, que tem como visada a qualificação dos problemas da pesca, para que, através do conhecimento, tenhamos a coragem de enfrentá-los, junto com o poder público e a sociedade fluminense. A  estratégia  de  unir  a  pesquisa  científica  ao  conhecimento  empírico  tem  produzido  resultados  excelentes  na transferência de tecnologia aos atores das cadeias produtivas do estado, trabalhadores e empreendedores. Fica  aqui  o  desafio  para  a  nossa  geração:  olharmos  o  território  do  Estado  do  Rio  de  Janeiro  com  a  inclusão  da  zona  econômica exclusiva marítima, por sua importância, para o  desenvolvimento e o progresso do Estado e do País. Esse trabalho é uma homenagem da Faerj/Sebrae-RJ aos homens do mar, na saudosa memória de Ignácio Baltazar do Couto, eterno presidente do Sindicato dos Armadores de Pesca do Estado do Rio de Janeiro – Saperj.”

Durante os debates na ALERJ,  Rodolfo Tavares afirmava que  apresentação do diagnóstico era apenas o primeiro passo. “A nossa área de exploração pesqueira no mar corresponde a quatro vezes o tamanho do estado. Apesar de todo esse potencial, a infraestrutura ainda é precária”, explicava Tavares. E lembrava que a modernização dos postos de descarga (na época eram 36 em toda a costa fluminense) e a construção de um terminal pesqueiro eram demandas antigas e que deveriam se tornar urgentes. E completava: “A pesca também tem uma função social aliada à questão econômica: garante sustento das famílias que trabalham nesse segmento e é fonte de proteína barata para a população de baixa renda”.

Em 2014, portanto cinco anos depois, foi assinado pela CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) e pelo então Ministério da Pesca e da Aquicultura um protocolo que tinha como principal objetivo desenvolver uma nova Plataforma de Gestão da Pesca e Aquicultura (PGPA). O compromisso firmado em audiência no então  ministério previa, também, o aperfeiçoamento e a manutenção do software aplicativo que permitisse  o rastreamento da cadeia produtiva da pesca, indicando a origem de toda a produção nacional. Esse protocolo assinado tendo por testemunha o presidente da Faerj (Federação da Agricultura, Pecuária e Pesca do Rio de Janeiro), Rodolfo Tavares.

Além da assinatura do protocolo, o SAPERJ, com o apoio de Rodolfo Tavares, levou a proposta de se construir uma estrutura para atracadouro dos barcos da frota pesqueira na região do Barreto, em Niterói. Além de atracar suas embarcações, os pescadores fluminenses precisavam contar com uma estrutura que lhes permitisse reabastecer os barcos e, ter acesso ao fornecimento de energia elétrica e de gelo, imprescindíveis à conservação do produto até sua distribuição.

Por sua longa parceria, Rodolfo Tavares é um amigo da pesca e um armador honorário do Saperj.

LANCES ESTRANHOS

Peixes estão se tornando transgêneros por causa dos químicos de pílulas contraceptivas. Havaí quer proibir protetores solares para proteger seu litoral. Tempestades solares podem causar morte em massa de baleias. É preciso ler para entender.

Um em cada cinco peixes machos se tornou transgênero por causa dos químicos de pílulas contraceptivas que chegam à natureza saindo das descargas das residências, de acordo com um novo estudo.

Os peixes machos de rios estão demonstrando traços femininos, e estão inclusive produzindo ovos, de acordo com uma pesquisa realizada pela Universidade de Exeter, na Inglaterra.

Alguns peixes machos tiveram a qualidade de seu esperma diminuída, e estão menos agressivos e competitivos, diminuindo as chances de uma reprodução bem-sucedida. De acordo com o estudo, as mudanças nos peixes foram causadas por substâncias químicas encontradas em pílulas contraceptivas, produtos de limpeza, plástico e cosméticos.

Enquanto isso, o Havaí pode ser o primeiro Estado norte-americano a proibir o uso de protetores solares que usam dois tipos de produtos químicos que são eficazes ao filtrarem os raios ultravioletas, mas que podem fazer muito mal aos recifes de corais. O senador Will Espero apresentou um projeto de lei, ao legislativo estadual do Havaí, que pode banir o uso de protetores solares que contêm oxibenzona ou octinoxato, exceto em casos de prescrição médica. O argumento é de que a proibição visa proteger o turismo local, que depende muito dos recifes de corais.  A Europa também já propôs a proibição do uso da oxibenzona em cosméticos, mas a lei ainda não está vigente.

Segundo um estudo, a oxibenzona tem efeitos nocivos mesmo quando altamente diluída. Como está presente em grande parte dos protetores solares, o produto químico é encontrado em altas concentrações nos oceanos. No Havaí, a proporção varia de 800 partes por trilhão a 1,4 parte por milhão. Isso é mais de 12 vezes a concentração necessária para causar danos em corais.

O que causa o encalhe em massa de baleias e golfinhos? Esse é talvez um dos maiores mistérios da biologia marinha que os cientistas há anos tentam solucionar. Vários fatores podem estar envolvidos — doenças, ferimentos, o uso de sonares poderosos por embarcações militares e de pesca industrial e até mesmo a influência gravitacional da Lua são alguns deles. Agora, cientistas da agência espacial americana, Nasa, estudam mais uma razão possível: o efeito de tempestades solares.

Eles desconfiam que as tempestades solares severas, que afetam os campos magnéticos da Terra, são capazes de confundir as bússolas internas das baleias e outros cetáceos e fazê-los perder o rumo.

Para agravar o quadro, tempestades solares também podem estar associadas a mudanças planetárias de grande escala que incluem terremotos, erupções vulcânicas, furacões e tornados violentos. Diante de tudo isso, é possível que as anomalias magnéticas causadas pelas tempestades solares afete também o comportamento dos animais.

 

Peixes transgêneros

 

Havaí quer proibir protetores solares

 

Tempestades solares

 

NAVIO ELÉTRICO VAI CRUZAR OS MARES DE FORMA AUTÔNOMA

As norueguesas Yara International e Kongsberg Maritime estão unindo forças para criar o primeiro navio de contêineres autônomo e totalmente elétrico do mundo. Ele promete substituir, por ano, 40 mil viagens feitas por caminhões a diesel, reduzindo as emissões de NOx e CO2.

O navio Yara Birkeland terá capacidade de 100 a 150 TEUs (unidades equivalentes a vinte pés), medida usada para calcular o volume de um contêiner. Ele será movido a propulsão elétrica, terá uma bateria de 3,5 a 4 MWh, e vai operar a velocidades de 11 km/h (atingindo máximas de 18 km/h).

E, para navegar de forma autônoma, ele será equipado com câmeras, radares, LIDAR (para medir distâncias usando lasers), sensores infravermelho (para ver sob condições de pouca luz) e AIS (sistema usado para identificar e localizar embarcações próximas).

O navio vai operar dentro de 22 km de distância da costa, entre três portos no sul da Noruega. E, para garantir a segurança, haverá três centros operacionais para monitorar o navio, ajudá-lo a tomar decisões e lidar com situações de emergência.

O Yara Birkeland está previsto para ser entregue no segundo semestre de 2018; ele será operado inicialmente com um capitão e uma tripulação pequena. No ano seguinte, será a vez de realizar testes de controle remoto. E, em 2020, o navio será totalmente autônomo.

A Kongsberg ficará responsável pelo desenvolvimento e fornecimento dos sensores e dos sistemas de controle. No ano passado, ela fez parceria com a britânica Automated Ships para construir o primeiro navio autônomo do mundo para operações offshore. Ele será usado nas operações de reabastecimento em plataformas petrolíferas do Mar do Norte, e está previsto para 2018.

 

Navio elétrico autônomo

 

A era dos aviões sem pilotos vem aí

 

 

 

“VISITE ATAFONA ANTES QUE ACABE”

Avanço do mar volta a assustar moradores e pescadores em Atafona.

 

É vento soprando, perigo rondando. Quando vem do nordeste, a rajada de ar deixa os moradores da praia acordados como sentinelas. Em noites de lua cheia ou crescente, a maré alta invade a orla e engole o que encontra pelo caminho. Depois, quando o mar amansa, restam escombros parecidos com sepulturas na areia, pedaços do que já foram casas. Tem sido assim desde 1973. Havia não uma, mas 500 residências, igreja, posto de combustível para embarcações, delegacia, um prédio de quatro andares, 15 ruas inteiras: tudo tragado pelo Atlântico insaciável.

O mar de Atafona é marrom. Azul são os olhos do pescador Manoel Rosa, que veem com temor o escurecer do céu, enquanto sopra o “nordestão brabo”, como ele chama o vento. Passará a noite insone, com mulher, filho e sogra, à espera do inimigo. As defesas contra o mar são poucas naquela pequena casa de dois cômodos, usada como canil pelo antigo proprietário, um advogado de Campos que abandonou a construção: uma cerca de madeira e um banco de areia de dois metros de altura. O mar ainda não bate à porta, mas já começou a golpear a base da pequena duna que sustenta tudo. O canil que virou casa virá abaixo. Só não se sabe quando.

— Sou nascido em Atafona, minha casa ficava lá onde está aquele barco — diz o pescador de 46 anos, apontando uma traineira no meio do mar, a pelo menos 500 metros de distância. — Não tenho como pagar aluguel. A casa estava vazia, a gente entrou. Ninguém consegue dormir aqui. O barulho do mar assusta.

Em uma placa no Pontal de Atafona, lê-se uma pichação catastrófica: “Visite Atafona antes que acabe”. No escombro de uma casa, outra frase que remete ao fim do mundo: “Jesus está chegando”, e a sensação é que só mesmo a providência divina pode salvar o pequeno distrito do desaparecimento. O temor dos moradores aumentou nas últimas duas semanas, quando a água do mar invadiu o Pontal, onde o Paraíba do Sul encontra o Atlântico. O bar do Santana, antes bar do Almir Largado, foi obrigado a fechar as portas depois que as ondas levaram o deque, derrubaram palmeiras e inundaram o espaço.

Leia mais sobre o drama de Atafona

 

Atafona 2006

 

INSTITUTO CHICO MENDES ESCLARECE

Nota de esclarecimento do ICMBIO sobre a Portaria MMA n° 217/2017.

De acordo com a Portaria MMA nº 217 de 19 de junho de 2017 do Ministério do Meio Ambiente, as espécies ameaçadas classificadas na categoria Vulnerável (VU) do Anexo I da Portaria MMA nº 445 de 2014, que não tenham sido classificadas como ameaçadas de extinção na Instrução Normativa MMA nº 5 de 2004 (Anexo I), estão liberadas para a captura, desembarque e a respectiva comercialização até o dia 15 de junho de 2018.

No total são 173 espécies de peixes e invertebrados aquáticos classificadas na categoria Vulnerável (VU) (Anexo 1 Portaria MMA n° 445 de 2014), sendo 107 espécies continentais e 66 espécies marinhas. Destas 173, 27 espécies (13 marinhas e 14 continentais) foram anteriormente classificadas como ameaçadas de extinção na IN MMA n° 5 de 2004 (Tabela 1), portanto continuam proibidas a captura direcionada e comercialização, sendo que ao serem capturadas incidentalmente devem ser devolvidas ao ambiente.

 

Veja mais:

Nota de esclarecimento

 

Nota de esclarecimento 2

 

Seminário abre inscrições para trabalhos científicos

 

Brasil apresenta proposta de Fundo Azul na ONU

 

 

A CORRIDA PELA SOBERANIA DOS OCEANOS

 

É preciso ficar de olho na corrida pela soberania (e pelos bilhões) do leito dos oceanos. Ao redor do mundo, diversos países estão reivindicando soberania sobre áreas de difícil acesso no fundo dos oceanos. A atual legislação internacional estabelece que países são donos do que é encontrado em uma extensão de até 200 milhas náuticas (370 km) de suas costas. Passado esse limite, a discussão se complica.

A corrida já começou faz tempo. No século 20, por exemplo, missões para chegar ao Polo Sul foram financiadas por investidores dispostos a se beneficiar da futura exploração dessas áreas desconhecidas.

Mas o aspecto geopolítico ganhou força em 1945, quando o então presidente dos EUA, Harry Truman, reivindicou a totalidade da plataforma continental adjacente ao país.

Em 2007, a Rússia usou um submarino-robô para fincar uma bandeira no fundo do mar abaixo do Polo Norte.

A nova fronteira é o fundo dos oceanos. Explorar essas áreas pode resultar na descoberta de uma grande quantidade de recursos naturais.

Abismos e montanhas – Apenas 5% do leito oceânico, que cobre cerca de 60% da superfície da Terra, foi propriamente explorado até agora. A luz não chega às profundezas, que vivem na escuridão, em temperaturas perto de zero.

Cada missão exploratória revelou estruturas frágeis e animais nunca antes vistos. Mas empresas e governos estão de olho em minerais que potencialmente podem valer bilhões.

Nos últimos anos, houve grande avanço na tecnologia para mapear e extrair esses recursos – incluindo a construção de equipamento robótico capaz de operar em grandes profundidades.

A mineração em grandes profundidades, ideia que data dos anos 1960, pode se tornar realidade já na próxima década.

Tudo isso é alimentado também pelo crescimento populacional e econômico do mundo, além das preocupações com a oferta de recursos minerais em terra firme.

No solo oceânico, por exemplo, há cobre, níquel e cobalto em grandes concentrações, assim como depósitos de metais “estratégicos”, como é o caso dos chamados elementos terra-rara, usados em tecnologias como chips de memória e baterias para carros elétricos.

Estima-se, por exemplo, que apenas montanhas no fundo do Pacífico contenham 22 vezes mais telúrio, elemento usado em painéis de energia solar, do que em todas as reservas terrestres conhecidas.

Sob pressão – Até o momento, esses recursos minerais estão sendo apenas localizados, não extraídos. Há sérios obstáculos a superar nessas locações remotas.  O equipamento precisa funcionar em profundidades de 5 mil metros, onde a pressão é 500 vezes maior que na superfície, apenas para começar a escavar. A atual tecnologia de mineração profunda permite apenas a operação em regiões de mil metros debaixo d´água.

As regras para a exploração do fundo dos oceanos ainda não foram estipuladas, mas os interessados terão que demonstrar que avaliaram o impacto ambiental das operações e os planos de contingência para efeitos das atividades.

O grande problema é que o conhecimento humano sobre esses ambientes é limitado, o que dirá a compreensão sobre os efeitos de sua exploração para a extração de recursos.

A biodiversidade nos oceanos é espetacular, mesmo em grandes profundidades, e os cientistas sabem que há muito mais espécies a serem descobertas.

 De quem é o fundo? – A atual legislação internacional estabelece que países são donos do que é encontrado em uma extensão de até 200 milhas náuticas (370 km) de suas costas. Passado esse limite, a discussão se complica.

Um órgão das Nações Unidas, conhecido como ISA, é responsável pelo licenciamento de projetos exploratórios do leito oceânico.

Criado em 1984, o ISA é reconhecido por 168 países, entre eles o Brasil e a União Europeia, mas não os EUA.

Desde então, o órgão aprovou apenas 26 pedidos de exploração de 20 países, nenhum deles da América do Sul. China e Rússia são os países com mais licenças (quatro cada), ao passo que Reino Unido, França, Alemanha, Índia e Japão têm dois.

Por determinação da ONU, os contratos têm de ser divididos com uma nação em desenvolvimento.

Com os avanços da tecnologia, a corrida pelo fundo dos oceanos só vai se intensificar.

 

Veja ainda:

A corrida pela soberania do leito dos oceanos

 

Why are countries laying claim to the deep-sea floor?

 

The Last Gold Rush Coastal Nations Grab for Ocean Floor Riches

 

Sea of troubles

 

OS ASSASSINOS?

Quem são os assassinos por trás dos corpos de tubarões encontrados sem fígado, estômago e testículos na África do Sul.  Em apenas um mês, quatro carcaças foram encontradas em praias de Western Cape; ataques supreendem por ‘desafio à cadeia alimentar’.

Especialistas do Dyer Island Conservation Trust, entidade com base na província de Western Cape, foram acionados quatro vezes para inspecionar carcaças de tubarões-brancos que apareceram em praias da região.

Todas apresentavam a mesma característica: tinham sido basicamente dissecadas para a remoção do fígado, com precisão quase cirúrgica – algumas tinham perdido coração, estômago e mesmo testículos.

O mistério aqui não é exatamente a identidade dos autores do “crime”. Afinal, os biólogos sabem que os tubarões foram atacados por orcas e este tipo incidente já foi registrado antes. Mas chamou a atenção o fato de os animais terem se aventurado contra a espécie que está no topo da cadeia alimentar em Dyer Island.

E mais: os “criminosos” em questão sequer se deram ao trabalho de deixar a cena do crime.

Os cientistas também ficaram intrigados com a maneira seletiva com que os cetáceos atacaram a presa: em casos antes registrados, os animais também atacavam a carne do animal.

A seletividade também não é tão incomum: quando caçam baleias, orcas muitas vezes matam filhotes e comem apenas a língua. Uma possível explicação é que alguns órgãos têm concentrações maiores de nutrientes e fornecem, assim, bem mais energia do que o resto da carne – ou seja, esse tipo de alimentação seletiva seria uma forma de conservação de energia.

Por enquanto, o que se sabe é que as orcas conseguiram afetar até a indústria do turismo em Western Cape. Empresas que promovem passeios de observação de tubarões relatam que diversas viagens terminaram sem que um único animal fosse avistado.

 

Os assassinos

 

Drone captura momento em que orca ataca e come tubarão vivo

6 animais assassinos que você talvez não conheça

 

ELETRICIDADE SUBMARINA PODE TER ORIGINADO VIDA NA TERRA

A origem da vida na Terra poderia estar em “centrais elétricas naturais” situadas a mil metros de profundidade no fundo marinho, segundo a descoberta de um grupo de cientistas japoneses.

Uma equipe da Agência Japonesa de Ciência e Tecnologia Marinha e Terrestre (JAMSTEC pelas siglas em inglês) e o instituto japonês de pesquisa Riken descobriram correntes elétricas de várias centenas de mini volts gerados de forma natural perto de fontes hidrotermais, a 150 quilômetros da ilha de Okinawa, ao sul do arquipélago nipônico.

“Perto das fontes hidrotermais submarinas é o lugar onde é mais plausível que a vida tenha surgido (…). Esta eletricidade é a origem de várias reações orgânicas que sintetizam moléculas biológicas, como aminoácidos, açúcares e lipídios”, explicou hoje à Efe Masahiro Yamamoto, pesquisador da JAMSTEC.

O estudo demonstrou que, quando a água quente procedente das fontes hidrotermais submarinas – fendas no fundo marítimo – esfria, ocorre um movimento de elétrons, o que se traduz na formação de eletricidade.

A teoria que afirma que a vida na Terra tem sua origem no mar profundo, perto de fontes hidrotermais, já existia, mas esta pesquisa aponta que a eletricidade gerada em torno delas teve um papel fundamental. O fluido hidrotermal (água quente) procedente destas fontes submarinas contém numerosos gases, como o ácido sulfídrico, e íons metálicos, como ferro e cobre.

Seguindo o mesmo mecanismo utilizado em pilhas de combustível – usadas, por exemplo, em carros elétricos -, a água quente, rica em hidrogênio, pode transferir elétrons facilmente, e a água marinha, rica em oxigênio, pode recebê-los, gerando uma corrente elétrica.

Este desconto, que “contribui para uma nova perspectiva ao processo de formação de depósitos minerais e ecossistemas”, abriria novas portas em outros âmbitos.

Por exemplo, explica Yamamoto, levando em conta a possibilidade de que a vida na Terra foi gerada graças às correntes elétricas do fundo marítimo, “poderiam mudar dramaticamente os métodos de exploração de vida extraterrestre”

Veja mais:

Eletricidade submarina

Earth Life May Have Originated at Deep-Sea Vents

7 Theories on the Origin of Life

 

DIA DE SÃO PEDRO, PADROEIRO DOS PESCADORES

No dia 29 de junho, pescadores de todo o Brasil comemoram o Dia de São Pedro com festas e procissões marítimas. Louvemos o santo. Mas, na verdade, nós não precisamos de milagres. De caminhar sobre as águas. De multiplicar os peixes. Só precisamos mesmo é convencer os homens de má vontade que sabemos pescar.

Nada é assim tão simples. São Pedro é o santo padroeiro dos pescadores, porque era pescador; mas também dos viúvos e viúvas, porque era viúvo; e dos porteiros, porque Jesus Cristo lhe confiou as chaves do Reino dos céus.

Então está na hora de apelar para uma reza forte porque nós, pescadores e armadores, trabalhadores do mar, estamos viúvos (sem governo, sem rumo, à deriva) e sem chave para abrir uma porta que nos leve ao paraíso, ou pelo menos a um céu de brigadeiro ou a um mar de almirante. São Pedro também tem a chave da chuva, mas estamos secos, faz tempo que não chove em nossa horta.

Tirando isso, é bom lembrar que o nosso padroeiro (e das viúvas, viúvos e porteiros) foi provavelmente o mais humanos dos apóstolos de Cristo. Quando Jesus conheceu Simão, disse a ele uma frase que mudaria sua vida: “Você será pescador de homens”. A partir daí, Simão começou seguir Jesus. Num determinado momento, Simão confessou a Jesus: “Tu és o Messias, o Filho de Deus”. Por isso, Jesus disse que, daquele momento em diante, seu nome seria Pedro, Cefas, Kephas em aramaico, palavra que significa Pedra.  Mais tarde o significado disso ficou claro. Quando Jesus deu a São Pedro a missão de ser líder da Igreja, disse a ele: “Tu és pedra, e sobre essa pedra edificarei a minha igreja”. E Pedro foi o primeiro Papa da Igreja.

As três negações – Levaram Jesus preso ao Palácio de Caifás. No pátio, alguns reconheceram São Pedro e perguntaram se ele era um dos discípulos de Jesus. Por três vezes, porém, Pedro negou e o galo cantou, como Jesus havia profetizado: “Antes que o galo cante, tu me negarás três vezes”. Pedro chorou amargamente, arrependido.

Homem de pouca fé –  A cena é descrita no Evangelho de São Mateus, 14. Jesus insistiu com os discípulos para que entrassem no barco e fossem adiante dele para o outro lado, enquanto ele despedia a multidão.  Tendo despedido a multidão, subiu sozinho a um monte para orar. Ao anoitecer, ele estava ali sozinho, mas o barco já estava a considerável distância da terra, fustigado pelas ondas, porque o vento soprava contra ele. Alta madrugada, Jesus dirigiu-se a eles, andando sobre o mar. Quando o viram andando sobre o mar, ficaram aterrorizados e disseram: “É um fantasma!” E gritaram de medo.

Mas Jesus imediatamente lhes disse:  “Coragem! Sou eu. Não tenham medo!”

“Senhor”, disse Pedro, “se és tu, manda-me ir ao teu encontro por sobre as águas”.

“Venha”, respondeu Jesus.

Então Pedro saiu do barco, andou sobre as águas e foi na direção de Jesus. Mas, quando reparou no vento, ficou com medo e, começando a afundar, gritou:  “Senhor, salva-me!”

Imediatamente Jesus estendeu a mão e o segurou. E disse: “Homem de pouca fé, por que você duvidou?”

Na verdade nós não precisamos de milagres. A caminhar sobre as águas. A multiplicar os peixes. Só precisamos mesmo é convencer os homens de má vontade que sabemos pescar.

 

São Pedro e São Paulo – Dia 29 de junho também é dia de São Paulo.  Conhecido também como Saulo, ele se dedicava à perseguição dos primeiros discípulos de Jesus na região de Jerusalém. De acordo com o relato na Bíblia (Atos, 9), durante uma viagem entre Jerusalém e Damasco, numa missão para que, encontrando fiéis por lá, “os levasse presos a Jerusalém”, Saulo teve uma visão de Jesus envolto numa grande luz, ficou cego, mas teve a visão recuperada após três dias por Ananias que também o batizou. Começou então a pregar o Cristianismo. A influência que exerceu no pensamento cristão, chamada de “paulinismo”, foi fundamental por causa do seu papel como proeminente apóstolo do Cristianismo durante a propagação inicial do Evangelho pelo Império Romano.

A festa de São Pedro e São Paulo é uma das celebrações mais importantes e antigas do calendário litúrgico, introduzida na liturgia no século II para lembrar o martírio dos dois santos. Foi colocada pela Igreja em 29 de junho para ocupar o lugar de uma antiga celebração pagã que exaltava as figuras de Rômulo e Remo, os mitos considerados fundadores da cidade de Roma. São Pedro e São Paulo foram os fundadores da Roma cristã.

Pedro morreu provavelmente no ano de 64, crucificado de cabeça para baixo. Paulo morreu decapitado no ano de 67.

 

Hino de São Pedro Pescador  

 

Tú és Pedro! Aleluia!

  1. Pedro e S. Paulo – Quem nos Separará?

 

Jesus ensina os discipulos a serem pescadores de almas

 

PORTARIA 445 É ADIADA ATÉ JUNHO DE 2018

Decisão do MMA libera captura de 173 espécies consideradas economicamente importantes para a pesca. A flexibilização da portaria faz parte de um esforço liderado pelo Coletivo Nacional da Pesca e Aquicultura – CONEPE, com o apoio do Sindicato dos Armadores e das Indústrias da Pesca – SINDIPI e de lideranças políticas, que nos últimos meses tentam reverter o quadro gerado pela 445.

A decisão do Ministério do Meio Ambiente publicada no dia 20 de junho no Diário Oficial da União, libera pelo período de um ano a captura e comercialização de 173 espécies de peixes, crustáceos e moluscos consideradas pelo Portaria 445/2014 como vulneráveis (VU). De acordo com um levantamento realizado pelo SINDIPI, deste total, 20 são consideradas com valor comercial, entre elas estão: cação-noturno, cherne-verdadeiro, algumas raias, badejo-amarelo e garoupa.

De acordo com o Coordenador Técnico do SINDIPI, Marco Aurélio Bailon, esta publicação da portaria MMA nº 217/2017, que altera o Art. 4º da Portaria 445, não pode ser confundida com uma total liberação. “As espécies consideradas ameaçadas e criticamente em perigo continuam proibidas e entre elas aquelas tradicionalmente conhecidas, como raia-viola e cação-anjo, e cherne poveiro, por exemplo. Sendo assim, é importante que os armadores tenham acesso as informações corretas, para evitar qualquer problema com a fiscalização. Outro ponto destacado pelo Coordenador Técnico é que esta medida é um paliativo. A expectativa do setor é que o MMA tenha como foco uma estratégia para que seja realizada uma revisão referente a toda portaria 445, principalmente com relação ao problema do descarte das espécies proibidas e aos métodos de classificação das espécies. Como sinal de abertura das discussões, o MMA constituiu um grupo de trabalho GTT para dar continuidade a estas ações de flexibilização da portaria. O coordenador ainda reforça que sem os devidos investimentos em pesquisa e monitoramento dessas pescarias, a medida é apenas transitória, pois sem estas ações, no próximo ano estaremos nos defrontando com o mesmo problema.

A flexibilização da portaria faz parte de um esforço liderado pelo Coletivo Nacional da Pesca e Aquicultura – CONEPE, com o apoio do Sindicato dos Armadores e das Indústrias da Pesca – SINDIPI e de lideranças políticas, que nos últimos meses tentam reverter o quadro gerado pela 445. No mês de maio deste ano, representantes do CONEPE e do SINDIPI protocolaram no Ministério do Meio Ambiente, em Brasília, um documento pedindo a reclassificação de algumas espécies consideradas importantes economicamente.  A intenção naquele momento, era que as espécies que ocupavam a posição de vulneráveis, fossem consideradas como “Espécies sobreexplotadas e ameaçadas de sobreexplotação”. Esta classificação permite que estas espécies sejam capturadas, pois são espécies que devem ter seus planos de gestão implantados e não a simples proibição de captura.

 

 

Veja ainda:

Decisão do MMA libera captura de espécies consideradas economicamente importantes para a pesca.

Liberação das Espécies Vulneráveis da Portaria n° 445/2014 pela Portaria MMA n°217/2017

 

Nova portaria do MMA libera 132 espécies para pesca até 2018

 

Contra a Portaria 445, pescadores fazem protesto na BR 101 em Navegantes

 

Governo cede à pressão de pescadores e adia proibição de algumas espécies

 

VIGILANTE DO MAR

SAPERJ EM AÇÃO

VIGILANTE DO MAR

A frota pesqueira nacional, que é uma parcela importante do Poder Marítimo, necessita se conscientizar que também deve contribuir pela integridade e soberania da nossa Amazônia Azul.

Desta forma, faz-se necessário que os armadores de pesca orientem e motivem os seus patrões de pesca para baixar o aplicativo, que estará disponível, gratuitamente, a partir de 01 de julho na App Store, para comunicar a presença de barcos estrangeiros capturando os recursos pesqueiros existentes em nossas águas jurisdicionais.

Leia matéria do nosso Comandante Flávio Leme que coloca o Saperj na vanguarda de uma iniciativa que defende as águas jurisdicionais brasileiras.

 

“A vulnerabilidade a ataques vindos do mar para os países que margeiam o Atlântico Sul é intuitiva e histórica. Desde o século XVI, toda a coerção de conteúdo militar, exercida por alguma potência do norte foi conduzida a partir do mar, tendo como objetivo primeiro as comunicações marítimas e o litoral. Das incursões dos piratas e corsários no período colonial, até os ataques dos submarinos do Eixo na Segunda Guerra Mundial, passando pelas agressões isoladas promovidas pela Marinha Britânica no século passado, assim tem sido e nada do que preconiza a nova ordem nos leva a crer que será diferente no futuro”, escreve o Almirante Guilherme Mattos de Abreu, no seu artigo “A Amazônia Azul: O Mar que nos Pertence”.

O futuro é agora. Nas duas últimas edições da revista “Pesca e Mar” foram publicadas matérias referentes à pesca na Amazônia Azul, que a Marinha define como sendo uma área marítima de 4,5 milhões de km2 que faz parte das águas jurisdicionais brasileiras– AJB.

Na primeira reportagem foi alertado que havia fortes indícios da presença de barcos estrangeiros de pesca pescando no interior de nossas águas e, portanto, invadindo a soberania nacional.

O SAPERJ também enviou ofício ao Comando de Operações Navais da Marinha solicitando que fossem tomadas as medidas cabíveis para coibir e negar a presença de embarcações de pesca estrangeiras pescando nas AJB.

O Comandante de Operações Navais respondeu ao ofício informando que não havia confirmação de que a mencionada possibilidade teria se concretizado de fato.

No site da GLOBAL FISHING WATCH, que registra as atividades pesqueiras no Atlântico Sul, pode ser constatada a presença de barcos de pesca do Japão, China, Taiwan e Espanha, trabalhando por fora e muito próxima do limite externo da nossa Zona Econômica Exclusiva.

Estas informações são provenientes do sistema AIS SATELITAL e, portanto, são reportadas apenas quando o equipamento está ligado. Depreende-se que, uma vez desligado o equipamento, os barcos podem perfeitamente invadir as nossas águas jurisdicionais, sem que as suas posições sejam registradas no site.

Em comum, tanto no documento enviado pelo SAPERJ como na resposta da Marinha, foi mencionada a importância dos barcos de pesca nacionais reportarem à Autoridade Marítima a presença de barcos estrangeiros de pesca não autorizados a trabalhar nas AJB.

A fim de que nossas embarcações de pesca também possam atuar como sentinelas avançadas do mar sob jurisdição nacional, o SAPERJ interagiu com uma empresa para desenvolver um aplicativo que possibilitasse o repasse de partes de contato de barcos estrangeiros de forma simplificada, porém com as informações e dados necessários para embasar o planejamento de ações de patrulha costeira de unidades navais da Marinha do Brasil nas áreas consideradas focais, onde poderão incidir a presença de barcos estrangeiros de pesca.

Atendendo à nossa solicitação a empresa CARRIERWEB desenvolveu um aplicativo para celular denominado VIGILANTE DO MAR para comunicar barcos estrangeiros de pesca trabalhando em nossas águas.

No aplicativo, além da possibilidade de fotografar a embarcação, serão fornecidos dados importantes como a latitude e longitude da origem da informação, introduzida manual ou automaticamente, características porventura registradas do barco de pesca estrangeiro como cor do casco, tamanho aproximado, nome e outras informações consideradas pertinentes.

Estas informações ficarão armazenadas na memória do celular e serão enviadas automaticamente para o SAPERJ quando o barco estiver no alcance de um sinal 3G, 4G ou WiFi.

O SAPERJ por sua vez providenciará o encaminhamento das partes de contato para a Autoridade Marítima.

A frota pesqueira nacional, que é uma parcela importante do Poder Marítimo, necessita se conscientizar que também deve contribuir pela integridade e soberania da nossa Amazônia Azul.

Desta forma, faz-se necessário que os armadores de pesca orientem e motivem os seus patrões de pesca para baixar o aplicativo, que estará disponível, gratuitamente, a partir de 01 de julho na App Store, para comunicar a presença de barcos estrangeiros capturando os recursos pesqueiros existentes em nossas águas jurisdicionais.

 

Flavio Leme

Presidente da Comissão Nacional da Pesca da CNA

Assessor Técnico do SAPERJ

 

DESCRIÇÃO DE FUNCIONAMENTO DO APLICATIVO

A criação dos usuários e senha ficará a cargo do SAPERJ.  A partir da instalação do aplicativo (as imagens abaixo são apenas ilustrativas), o usuário deve seguer o fluxo seguinte:

 

Fig.1 – Login: deverá ser preenchido com o nome da embarcação e a senha será fornecida pelo Saperj

 

 

Fig.2 – Denúncia: preencher, se necessário, os dados descritivos do barco estrangeiro de pesca.  Nesta tela é possível ver a latitude e a longitude do local , capturadas automaticamente a partir do GPS do celular, mas é possível sua edição clicando no campo a ser editado. A denúncia deverá ser confirmada pressionando o botão ENVIAR.

 

 

Fig.3 – Anexar Foto: para anexar uma foto a denúncia deverá ser acionar a opção “Anexar foto?”. O aplicativo será redirecionado à camera do celular.

 

Fig.4 – Histórico de denúncias enviadas: O histórico das denúncias enviadas é a fila de envio de denúncias com seus respectivos status de envio, sendo eles: verde (enviado com sucesso), amarelo (aguardando cobertura celular ou wifi para ser enviado) e vermelho (não enviado apesar da cobertura celular).

 

 

Leia também na revista Pesca & Mar 169

 

A AMAZÔNIA AZUL: O MAR QUE NOS PERTENCE

Na Amazônia Verde, a presença da Marinha é muito discreta. Ali, indiscutivelmente, é predominante a ação do Exército e da Força Aérea. Isso é ditado pelo ambiente. Por outro lado, a Marinha, ainda que presente na Amazônia, tem que cuidar dos interesses do Brasil no Oceano. Chama-se a atenção que poderemos ter problemas mesmo na nossa ZEE, a luz da Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos do Mar. No artigo 62 lê-se que: “Quando o Estado costeiro não tiver capacidade para efetuar a totalidade da captura permissível, deve dar a outros Estados acesso ao excedente dessa captura, mediante acordos e outros ajustes.”

Leia artigo do Almirante Guilherme Mattos de Abreu

“Em um enfoque estratégico, a grande área de interesse denominada Atlântico Sul estende-se do Continente Antártico ao hemisfério norte, à altura do paralelo 16º N. Evita-se, deste modo, dividir-se artificialmente um dos mais significativos componentes geoestratégicos da região, que é o estreito de cerca de 1750 milhas náuticas entre o Nordeste brasileiro e o saliente africano. Também não se pode esquecer que uma parte do Brasil encontra-se no hemisfério norte.

O oceano não separa – une. Para leste, essa área de interesse vai até a África. Aqui, aplica-se um secular conceito inglês: “onde houver um país que faça margem ao oceano, esse país faz fronteira com a Inglaterra”. Portanto, os países africanos que margeiam o Oceano Atlântico são os nossos vizinhos na fronteira oriental.

Este é um dos motivos relevantes porque o Brasil mantém laços fortes com os países africanos. Na África, estamos, por exemplo, ajudando a organizar a Marinha da Namíbia. Para um brasileiro, é emocionante visitar a Base Naval de Walvis Bay e ser recebido por oficiais e praças trajando uniformes iguais aos da Marinha do Brasil, seguindo o mesmo cerimonial adotado em nosso país, utilizando nossas gírias e terminologia – uma pequena amostra que exterioriza o desenvolvimento de um bom relacionamento e empatia.

A Política de Defesa Nacional atribui prioridade, também, às áreas vitais, que são aquelas em que existe concentração dos poderes político e econômico. No Brasil, observamos que cerca de 90% do petróleo é produzido no mar. O restante é produzido em terra, em sua maior parte nas áreas costeiras – ou seja, próximas ao mar. Cerca de 80% da população concentra¬se em uma faixa de duzentos quilômetros do litoral, ao alcance de ações vindas do mar. É lógico inferir que a maior parte dos poderes econômico e político encontra-se nessa faixa, a qual reúne inúmeras regiões classificáveis como vitais.

A pesca – “Apesar dessa costa imensa, o Brasil não possui áreas pesqueiras muito distribuídas. Isto está relacionado às características de nossas águas. Elas são predominantemente quentes. Em raros lugares ocorre o processo de renovação (ressurgência – subida das águas profundas) capaz de trazer nutrientes do fundo. Acontece, por exemplo, na região de Cabo Frio (RJ) e na Região Sul, prolongando-se para o Uruguai e Argentina. Por este motivo, vez por outra, são capturados barcos de pesca brasileiros que invadem as águas uruguaias – à cata de regiões mais produtivas, esses barcos ultrapassam a fronteira e se envolvem em dificuldades. Acrescente-se que a pesca acentuada e predatória nas áreas costeiras reduziu em demasia os estoques.

Mas são boas oportunidades na pesca de alto mar. Para transformar essas oportunidades em realidade necessita-se de recursos e de tecnologias, de embarcações mais preparadas, etc. Na área oceânica, existem peixes muito valorizados no mercado internacional e que, portanto, possibilitariam auferir elevada receita.

No Atlântico Sul, o ente estatal de maior atividade é a Comunidade Europeia, basicamente embarcações de pesca espanholas. Existem acordos de distribuição de cotas por espécie e a Comunidade Europeia detém cotas elevadas. O Brasil tem lutado por cotas maiores e às vezes consegue obtê-las, como aconteceu recentemente com relação à determinada espécie.

O setor comemorou, mas não por muito tempo. Boa parte dos países compradores desse pescado de alta qualidade são, também, os que o pescam, ou seja, são concorrentes na atividade de captura.

Assim, podem ser criados empecilhos para a atuação do Brasil nesse mercado. Nesse contexto, a Comunidade Europeia, recentemente, estabeleceu uma barreira sanitária para a importação de peixe fresco, exigindo a certificação do produto em laboratório, para a qual seria necessária a realização de exames de certa sofisticação. O problema é que este tipo de pescado é exportado a partir do Nordeste e, ao que consta, o único laboratório no Brasil que capacitado para realizar os exames exigidos está localizado no Rio de Janeiro. Tal exigência criou dificuldades que poderão ser contornadas ou não. De qualquer modo afetará a atividade produtiva, ao menos no que se refere aos custos.

Poderá também implicar no não atendimento da cota estabelecida, o que poderá acarretar dificuldades na próxima rodada de negociações, quando correremos o risco de sofrer pressão para abrir mão de parcela de nossa participação.

Chama-se a atenção que poderemos ter problemas mesmo na nossa ZEE, a luz da Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos do Mar. No artigo 62 lê-se que: “Quando o Estado costeiro não tiver capacidade para efetuar a totalidade da captura permissível, deve dar a outros Estados acesso ao excedente dessa captura, mediante acordos e outros ajustes.”

Nossa extensa ZEE possui regiões oceânicas ricas. Se não a explorarmos economicamente poderemos ser pressionados ou convencidos a ceder a pesca para outros países, a luz desse artigo.”

 

 

Leia a íntegra do artigo do Almirante Guilherme Mattos de Abreu

 

“DEFENDA O QUE VOCÊ VEM FAZENDO PELA PESCA DO SEU PAÍS”

Uns dizem que “a propaganda é a alma do negócio”. Outros garantem que “a propaganda é a arma do negócio”. Alma ou arma, o fato é quem perde a batalha da informação perde o negócio.

É preciso ouvir com atenção as palavras de um renomado pesquisador proferidas recentemente no Auditório Ignácio Baltazar do Couto, aqui na sede do Saperj, para meia dúzia de armadores. Infelizmente.

Para esse pesquisador, o setor produtivo está perdendo a batalha da comunicação para o setor preservacionista.

De um lado, os ambientalistas se organizaram através de ONGs, especialistas em pesca e advogados, enfim, montaram uma estrutura bem organizada.  Eles são os donos da bola, os porta-vozes do meio ambiente, os guardiões da natureza. Estão ganhando de goleada a narrativa da preservação contra a produção. São os heróis e o setor pesqueiro é o vilão, o bandido, o predador. Eles são os santos e conseguiram transformar os pescadores em pecadores.

De outro lado, o setor pesqueiro está desgovernado.  O rebaixamento da pesca de Ministério para Secretaria, sua saída da Agricultura para a Indústria e Comércio são apenas eventos pontuais de uma deriva que revela que estamos sem rumo há um bom tempo. Essa desorganização faz que com que a pesca se torne uma presa fácil para qualquer narrativa que vise desqualificar uma atividade que produz emprego e saúde, que envolve milhares de famílias, milhões de pessoas. Como nos defender se não temos uma representação atuante e competente? Como nos proteger se estamos roucos e desunidos? Como ter força se a união é dos outros e a fraqueza é só nossa?

Qual a saída? Para virar esse jogo, o setor pesqueiro deve se organizar e se fazer ouvir. Com firmeza. Com clareza. Com orgulho. Com autoestima.  Entrar no campo da comunicação, das versões, da mídia, e pelo menos empatar a partida. Construir uma contranarrativa que valorize a importância dos trabalhadores do mar e restabeleça a nossa dignidade profissional.  Ninguém ama o mar mais do que nós. Ninguém respeita o mar mais do que nós. Ninguém conhece o mar mais do que nós.

Temos que fazer o nosso dever de casa. Na prática é preciso que a pesca tome medidas urgentes para se adaptar aos novos tempos, se modernizar, aperfeiçoar os métodos de captura, etc. Existe futuro, mas para isso é indispensável se preparar, se reinventar. Quem ficar repetindo o passado vai ser abalroado pela realidade, vai encalhar, vai naufragar.

Um velho político disse: “Não pergunte o que seu país pode fazer por você. Pergunte o que você pode fazer por seu país.”

Está na hora do setor pesqueiro acordar e decidir o seu próprio destino: “Não pergunte o que governo pode fazer por você. Defenda o que você vem fazendo há tantos anos pela pesca do seu país.”

 

Leia mais na revista Pesca & Mar 169

 

PALAVRA DO PRESIDENTE: A LOTERIA DA PESCA

Peixes não entendem nada de política pesqueira. Não têm votos, não são devotos, mas podem ser vítimas de falsas promessas e de falsos milagres. O lugar deles é na mesa de milhões de consumidores graças ao esforço dedicado e incansável dos trabalhadores do mar. Armadores e pescadores precisam deixar de apostar na loteria da pesca e aprender a fazer política pesqueira para defender sua atividade com competência, sem dar chance à sorte, ao acaso ou ao azar.

O fato é que a atividade pesqueira virou sorteio, aposta, loteria. O armador arma um barco (investe em óleo, gelo, rancho, salários, etc.) e a partir desse momento joga suas redes (e suas fichas) no mar. Se a sorte for boa, todos lucram. Mas se ele tiver uma maré de azar, sua vida vira uma roleta russa. O barco se transforma numa arma apontada contra a cabeça do armador.

Leia a palavra de Alexandre Guerra Espogeiro, presidente do Saperj e do Conepe.

 

Não deixa ser desagradável, triste, humilhante, quando um produto que é a base da boa saúde do brasileiro vai parar nas páginas policiais. É claro que as operações da polícia se refletem sobre todo o setor pesqueiro nacional e, até que tudo se esclareça, os pecadores e os pescadores ficam envolvidos na mesma rede de intrigas. Mais do que nunca é preciso separar o joio do trigo, o certo do errado, o culpado do inocente, o falso do verdadeiro.

No dia 16 de maio, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) veio a público esclarecer que apoia a ação da Polícia Federal e vem colaborando com as investigações. Todos os servidores envolvidos na ação foram afastados preventivamente por 60 dias e, os que possuem cargos em comissão, exonerados das funções.  Será aberto procedimento administrativo (sindicância) para investigar o envolvimento dos citados nas operações Lucas e Fugu da Polícia Federal.

Cito a nota de esclarecimento: “Sobre a operação Lucas, envolvendo a Superintendência do Estado do Tocantins, é importante destacar que a servidora já estava exonerada há mais de 30 dias e que as investigações não atingem o sistema como um todo, se referindo a desvio de conduta de uma servidora. Com relação à Operação Fugu, realizada em Santa Catarina, todo o trabalho técnico, durante os nove meses de investigação, foi realizado com a participação de técnicos do Mapa, inclusive com a análise de amostras efetuadas no Lanagro (laboratório do ministério) no Pará. Por fim, o Ministério da Agricultura deixa claro que mantém a mesma postura de transparência e de cooperação com as investigações, como ocorreu durante os trabalhos de investigação da Operação Carne Fraca, deflagrada em março deste ano.”

Só que ninguém poderia imaginar que manifestantes invadiriam a Esplanada dos Ministérios, em Brasília, para protestar contra as reformas propostas pelo governo federal e para pedir a saída do presidente Michel Temer, ateariam fogo na sede do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Tais acontecimentos no coração do poder do País levariam armadores e pescadores a acreditar que o lugar seguro para nós seria levar os seus barcos para o mar e esperar que a situação se acalme, o diálogo substitua a violência e que os incêndios sejam apagados.

Mas como conseguir escapar se a pesca virou uma loteria e os próprios barcos podem virar armas perigosas?

É do conhecimento de todos que, por decisão do departamento de Registro, Monitoramento e Controle da Aquicultura e Pesca do Ministério da Agricultura – MAPA, do Ministério do Meio Ambiente e do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços – MDIC, através de portaria publicada no dia 10 de maio, no Diário Oficial da União, foi decidido um sorteio para a seleção das 32 embarcações da modalidade do cerco da região sudeste/sul para a pesca da tainha.  Os armadores precisam fazer a inscrição por meio de um formulário eletrônico no site do MAPA.

Ainda conforme a portaria, para integrar o processo de sorteio as embarcações devem seguir alguns critérios, como por exemplo, estar devidamente aderidas PREPS – Programa Nacional de Rastreamento de Embarcações Pesqueiras por Satélite e com o equipamento de monitoramento funcionando.

Mas o fato é que a atividade pesqueira virou sorteio, aposta, loteria. O armador arma um barco (investe em óleo, gelo, rancho, salários, etc.) e a partir desse momento joga suas redes (e suas fichas) no mar. O barco sai do cais para uma viagem de duas semanas e, na volta (se tudo der certo, se não acontecer nenhum acidente, se a sorte estiver do seu lado), o mar vai recuperar seus investimentos, saldar suas contas, pagar a tripulação, enfim, ele vai fugir da inadimplência, sair do vermelho.

Se a sorte for boa, todos lucram. Se a sorte for mais ou menos, ele pode ficar feliz com um empate: não ganhou, mas também não perdeu.

Mas se ele tiver uma maré de azar – a pesca foi boa, mas o mercado estava péssimo; o mercado estava bom, mas a pesca foi péssima; o motor do barco pifou; um princípio de incêndio na casa de máquinas; uma avaria na proa; o barco ficou um mês no estaleiro; o mestre caiu doente – sua vida vai encalhar. Esses azares acontecem.

O armador começa a perder sua aposta do barco com o mar e ele vai se estressar, cair em depressão. Cada viagem passa a ser uma corrida contra o prejuízo. E é quando o barco vira uma arma: o armador adoece de hipertensão, de cardiopatia, de insônia, de falta de recursos, de perda de crédito e de confiança.  As dívidas aumentam. Ele entra no vermelho e na inadimplência. E já não se trata mais de sorte, de sorteio, de loteria, de aposta. É uma roleta russa. O barco se transforma numa arma apontada contra a cabeça do armador. A saída é pular fora da pesca. Vender o barco. Se livrar do barco. Tentar a sorte em outra atividade. Mudar de vida, se ainda tiver força, apoio e disposição.

Se existe uma moral nessa história, ela é a seguinte: armadores e pescadores precisam deixar de apostar na loteria da pesca e aprender a fazer política pesqueira para defender sua atividade com competência, sem dar chance à sorte, ao acaso ou ao azar.

 

Alexandre Guerra Espogeiro

Presidente do Saperj e do Conepe

PESCA UNIDA

Associações e sindicatos da pesca artesanal e industrial em Santa Catarina tomaram a iniciativa de registrar voluntariamente dados sobre seus desembarques na safra de tainha. Isso está sendo feito em um banco de dados, alimentado via aplicativo, que armazena informações sobre as capturas, tipo de arte de pesca, local e data do desembarque.

A iniciativa conta com o apoio técnico da Oceana, que auxilia os pescadores na estruturação de seus processos de monitoramento e também acompanhando todas as etapas de inserção e análise dos dados. A partir de hoje, todas as informações estão sendo divulgadas em tempo real no “Tainhômetro”, um painel digital que mostra em tempo real, a produção de tainha em SC na safra de 2017 e pode ser visitado no link www.tainhometro.com.br.

Até as oito horas do dia 12 de junho, já foram contabilizadas 225 toneladas de tainha desembarcadas no litoral catarinense. Os dados estão sendo registrados pelas seguintes entidades: Associação dos Pescadores Profissionais Artesanais de Emalhe Costeiro de Santa Catarina (APPAECSC), Federação de Pescadores do Estado de Santa Catarina (Fepesc), Sindicato dos Armadores e da Indústria da Pesca de Itajaí (Sindipi) e a Pastoral dos Pescadores de Laguna.

A iniciativa de monitorar voluntariamente a safra de tainha tem três objetivos principais. Primeiro, mostrar ao governo que é possível saber quanto se pesca em tempo real. Segundo, ter informações para garantir a atualização dos estudos e os ajustes necessários para uma gestão científica e qualificada dessa pescaria. E, por último, empoderar os pescadores que serão capazes de, pela primeira vez, mostrar a importância socioeconômica da atividade e cobrar as políticas públicas necessárias para o desenvolvimento da pesca – que é uma atividade econômica e precisa ser tratada como tal. A falta de uma política governamental séria de monitoramento e análise de dados e, de controle da pesca, não pode mais ser usada como desculpa para a não adoção de medidas já utilizadas com sucesso em várias regiões do mundo.

 

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 O Tainhômetro

 

‘Tainhômetro’ reúne dados em tempo real sobre a pesca da tainha em SC

 

Tainhômetro é lançado em Santa Catarina

 

O BRASIL E A CONSERVAÇÃO DE OCEANOS

O Brasil apresentou, no Dia Mundial dos Oceanos, compromissos voluntários para a conservação dos recursos marinhos durante a Conferência sobre Oceanos 2017, realizada pela Organização das Nações Unidas (ONU). O evento, sediado no prédio da ONU em Nova Iorque, teve como tema Nossos Oceanos, Nosso Futuro: Parcerias para a Implementação do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 14 (ODS 14).

O compromisso do Brasil com o ODS 14 foi reforçado por meio de uma série de medidas, com destaque para o Fundo Azul do Brasil, o Santuário de Baleias do Atlântico Sul e o planejamento espacial marinho com especial atenção para a Região dos Abrolhos, Cadeia Vitória-Trindade e Costa Norte do Brasil.

“Estamos orgulhosos do que o Brasil tem feito pela proteção e conservação das baleias e da biodiversidade e ecossistemas marinhos. Queremos olhar para frente e trabalhar ainda mais para a conservação marinha”, comenta José Pedro de Oliveira Costa, secretário de Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente. A pasta é uma das organizações que representam a nação brasileira no encontro da ONU.

Investimento e conservação – Principal medida proposta pelo Brasil na Conferência, o Fundo Azul do Brasil será dedicado à implementação de medidas de conservação da biodiversidade nas áreas jurisdicionais costeiras e marinhas brasileiras. O projeto propõe a ampliação e o aprimoramento da gestão de áreas protegidas, buscando atingir a meta de 10% de conservação eficaz dessas áreas.

Parcerias distintas serão responsáveis pelo investimento previsto de US$ 140 milhões até 2022. O valor contribuirá para a restauração de espécies ameaçadas, a recuperação de estoques pesqueiros, promoção de boas práticas no desenvolvimento do turismo sustentável e pescarias de pequena escala, com impactos positivos também na mitigação de mudanças climáticas.

 

Veja mais:

Brasil e Oceanos

Brasil e Oceanos 2

 

Brasil e Oceanos 3

 

O MAR E A INTERNET

Como trabalham as pessoas e os robôs que consertam os cabos da internet ocultos sob o mar.

   Os cabos são instalados no fundo do mar, mas os reparos são feitos a bordo de navios especiais e com ajuda de robôs. O rompimento de um cabo submarino de internet é algo imprevisível. Alguns podem passar anos sem nenhum dano. Outros, contudo, acabam sofrendo rasgos em poucos meses.  Nesse emaranhado de cerca de 300 cabos que nos conectam à rede nas profundezas aquáticas – alguns submersos a mais de 8,5 km – nem todos estão expostos a danos na mesma proporção.

      A operação não é simples. Trata-se de um trabalho conjunto entre homem e máquina, muitas vezes a milhares de metros abaixo do mar, condição em que precisão e técnica são fundamentais.

            “Produtos de navegação, como equipamentos de pesca que se enroscam nos cabos ou âncoras que se arrastam com eles, são as causas mais comuns de rompimentos”, afirma John Manock, editor da SubCableWorld, publicação da Technology Systems Corporations, empresa de comunicação baseada na Flórida e especializada en tecnologia marítima.

Um relatório de 2015 do Comitê Internacional de Proteção de Cabos (ICPC, na sigla em inglês) apontou que operações marítimas respondem por 65% a 75% dos danos nos cabos.

“A atividade sísmica também pode provocar estragos, especialmente em áreas de alta atividade, como o círculo de fogo do Pacífico, mas não representa nem 10% das ocorrências”, afirma Manock.

Manock diz que é um equívoco associar esses danos a mordidas de tubarões. Segundo ele, o ICPC afirma que esses casos não representam nem 1% dos casos registrados entre 1959 e 2006.

“Causas habituais incluem terremotos e âncoras perto da costa, em regiões de rotas pesqueiras”, concorda Hayduk.

Mas como é possível identificar danos em um cabeamento submarino?

 

Internet no fundo do mar

Lançamento de cabos submarinos

Tubarão Morde Cabo de Internet de Fibra Óptica