VIGILANTE DO MAR

SAPERJ EM AÇÃO

VIGILANTE DO MAR

A frota pesqueira nacional, que é uma parcela importante do Poder Marítimo, necessita se conscientizar que também deve contribuir pela integridade e soberania da nossa Amazônia Azul.

Desta forma, faz-se necessário que os armadores de pesca orientem e motivem os seus patrões de pesca para baixar o aplicativo, que estará disponível, gratuitamente, a partir de 01 de julho na App Store, para comunicar a presença de barcos estrangeiros capturando os recursos pesqueiros existentes em nossas águas jurisdicionais.

Leia matéria do nosso Comandante Flávio Leme que coloca o Saperj na vanguarda de uma iniciativa que defende as águas jurisdicionais brasileiras.

 

“A vulnerabilidade a ataques vindos do mar para os países que margeiam o Atlântico Sul é intuitiva e histórica. Desde o século XVI, toda a coerção de conteúdo militar, exercida por alguma potência do norte foi conduzida a partir do mar, tendo como objetivo primeiro as comunicações marítimas e o litoral. Das incursões dos piratas e corsários no período colonial, até os ataques dos submarinos do Eixo na Segunda Guerra Mundial, passando pelas agressões isoladas promovidas pela Marinha Britânica no século passado, assim tem sido e nada do que preconiza a nova ordem nos leva a crer que será diferente no futuro”, escreve o Almirante Guilherme Mattos de Abreu, no seu artigo “A Amazônia Azul: O Mar que nos Pertence”.

O futuro é agora. Nas duas últimas edições da revista “Pesca e Mar” foram publicadas matérias referentes à pesca na Amazônia Azul, que a Marinha define como sendo uma área marítima de 4,5 milhões de km2 que faz parte das águas jurisdicionais brasileiras– AJB.

Na primeira reportagem foi alertado que havia fortes indícios da presença de barcos estrangeiros de pesca pescando no interior de nossas águas e, portanto, invadindo a soberania nacional.

O SAPERJ também enviou ofício ao Comando de Operações Navais da Marinha solicitando que fossem tomadas as medidas cabíveis para coibir e negar a presença de embarcações de pesca estrangeiras pescando nas AJB.

O Comandante de Operações Navais respondeu ao ofício informando que não havia confirmação de que a mencionada possibilidade teria se concretizado de fato.

No site da GLOBAL FISHING WATCH, que registra as atividades pesqueiras no Atlântico Sul, pode ser constatada a presença de barcos de pesca do Japão, China, Taiwan e Espanha, trabalhando por fora e muito próxima do limite externo da nossa Zona Econômica Exclusiva.

Estas informações são provenientes do sistema AIS SATELITAL e, portanto, são reportadas apenas quando o equipamento está ligado. Depreende-se que, uma vez desligado o equipamento, os barcos podem perfeitamente invadir as nossas águas jurisdicionais, sem que as suas posições sejam registradas no site.

Em comum, tanto no documento enviado pelo SAPERJ como na resposta da Marinha, foi mencionada a importância dos barcos de pesca nacionais reportarem à Autoridade Marítima a presença de barcos estrangeiros de pesca não autorizados a trabalhar nas AJB.

A fim de que nossas embarcações de pesca também possam atuar como sentinelas avançadas do mar sob jurisdição nacional, o SAPERJ interagiu com uma empresa para desenvolver um aplicativo que possibilitasse o repasse de partes de contato de barcos estrangeiros de forma simplificada, porém com as informações e dados necessários para embasar o planejamento de ações de patrulha costeira de unidades navais da Marinha do Brasil nas áreas consideradas focais, onde poderão incidir a presença de barcos estrangeiros de pesca.

Atendendo à nossa solicitação a empresa CARRIERWEB desenvolveu um aplicativo para celular denominado VIGILANTE DO MAR para comunicar barcos estrangeiros de pesca trabalhando em nossas águas.

No aplicativo, além da possibilidade de fotografar a embarcação, serão fornecidos dados importantes como a latitude e longitude da origem da informação, introduzida manual ou automaticamente, características porventura registradas do barco de pesca estrangeiro como cor do casco, tamanho aproximado, nome e outras informações consideradas pertinentes.

Estas informações ficarão armazenadas na memória do celular e serão enviadas automaticamente para o SAPERJ quando o barco estiver no alcance de um sinal 3G, 4G ou WiFi.

O SAPERJ por sua vez providenciará o encaminhamento das partes de contato para a Autoridade Marítima.

A frota pesqueira nacional, que é uma parcela importante do Poder Marítimo, necessita se conscientizar que também deve contribuir pela integridade e soberania da nossa Amazônia Azul.

Desta forma, faz-se necessário que os armadores de pesca orientem e motivem os seus patrões de pesca para baixar o aplicativo, que estará disponível, gratuitamente, a partir de 01 de julho na App Store, para comunicar a presença de barcos estrangeiros capturando os recursos pesqueiros existentes em nossas águas jurisdicionais.

 

Flavio Leme

Presidente da Comissão Nacional da Pesca da CNA

Assessor Técnico do SAPERJ

 

DESCRIÇÃO DE FUNCIONAMENTO DO APLICATIVO

A criação dos usuários e senha ficará a cargo do SAPERJ.  A partir da instalação do aplicativo (as imagens abaixo são apenas ilustrativas), o usuário deve seguer o fluxo seguinte:

 

Fig.1 – Login: deverá ser preenchido com o nome da embarcação e a senha será fornecida pelo Saperj

 

 

Fig.2 – Denúncia: preencher, se necessário, os dados descritivos do barco estrangeiro de pesca.  Nesta tela é possível ver a latitude e a longitude do local , capturadas automaticamente a partir do GPS do celular, mas é possível sua edição clicando no campo a ser editado. A denúncia deverá ser confirmada pressionando o botão ENVIAR.

 

 

Fig.3 – Anexar Foto: para anexar uma foto a denúncia deverá ser acionar a opção “Anexar foto?”. O aplicativo será redirecionado à camera do celular.

 

Fig.4 – Histórico de denúncias enviadas: O histórico das denúncias enviadas é a fila de envio de denúncias com seus respectivos status de envio, sendo eles: verde (enviado com sucesso), amarelo (aguardando cobertura celular ou wifi para ser enviado) e vermelho (não enviado apesar da cobertura celular).

 

 

Leia também na revista Pesca & Mar 169

 

A AMAZÔNIA AZUL: O MAR QUE NOS PERTENCE

Na Amazônia Verde, a presença da Marinha é muito discreta. Ali, indiscutivelmente, é predominante a ação do Exército e da Força Aérea. Isso é ditado pelo ambiente. Por outro lado, a Marinha, ainda que presente na Amazônia, tem que cuidar dos interesses do Brasil no Oceano. Chama-se a atenção que poderemos ter problemas mesmo na nossa ZEE, a luz da Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos do Mar. No artigo 62 lê-se que: “Quando o Estado costeiro não tiver capacidade para efetuar a totalidade da captura permissível, deve dar a outros Estados acesso ao excedente dessa captura, mediante acordos e outros ajustes.”

Leia artigo do Almirante Guilherme Mattos de Abreu

“Em um enfoque estratégico, a grande área de interesse denominada Atlântico Sul estende-se do Continente Antártico ao hemisfério norte, à altura do paralelo 16º N. Evita-se, deste modo, dividir-se artificialmente um dos mais significativos componentes geoestratégicos da região, que é o estreito de cerca de 1750 milhas náuticas entre o Nordeste brasileiro e o saliente africano. Também não se pode esquecer que uma parte do Brasil encontra-se no hemisfério norte.

O oceano não separa – une. Para leste, essa área de interesse vai até a África. Aqui, aplica-se um secular conceito inglês: “onde houver um país que faça margem ao oceano, esse país faz fronteira com a Inglaterra”. Portanto, os países africanos que margeiam o Oceano Atlântico são os nossos vizinhos na fronteira oriental.

Este é um dos motivos relevantes porque o Brasil mantém laços fortes com os países africanos. Na África, estamos, por exemplo, ajudando a organizar a Marinha da Namíbia. Para um brasileiro, é emocionante visitar a Base Naval de Walvis Bay e ser recebido por oficiais e praças trajando uniformes iguais aos da Marinha do Brasil, seguindo o mesmo cerimonial adotado em nosso país, utilizando nossas gírias e terminologia – uma pequena amostra que exterioriza o desenvolvimento de um bom relacionamento e empatia.

A Política de Defesa Nacional atribui prioridade, também, às áreas vitais, que são aquelas em que existe concentração dos poderes político e econômico. No Brasil, observamos que cerca de 90% do petróleo é produzido no mar. O restante é produzido em terra, em sua maior parte nas áreas costeiras – ou seja, próximas ao mar. Cerca de 80% da população concentra¬se em uma faixa de duzentos quilômetros do litoral, ao alcance de ações vindas do mar. É lógico inferir que a maior parte dos poderes econômico e político encontra-se nessa faixa, a qual reúne inúmeras regiões classificáveis como vitais.

A pesca – “Apesar dessa costa imensa, o Brasil não possui áreas pesqueiras muito distribuídas. Isto está relacionado às características de nossas águas. Elas são predominantemente quentes. Em raros lugares ocorre o processo de renovação (ressurgência – subida das águas profundas) capaz de trazer nutrientes do fundo. Acontece, por exemplo, na região de Cabo Frio (RJ) e na Região Sul, prolongando-se para o Uruguai e Argentina. Por este motivo, vez por outra, são capturados barcos de pesca brasileiros que invadem as águas uruguaias – à cata de regiões mais produtivas, esses barcos ultrapassam a fronteira e se envolvem em dificuldades. Acrescente-se que a pesca acentuada e predatória nas áreas costeiras reduziu em demasia os estoques.

Mas são boas oportunidades na pesca de alto mar. Para transformar essas oportunidades em realidade necessita-se de recursos e de tecnologias, de embarcações mais preparadas, etc. Na área oceânica, existem peixes muito valorizados no mercado internacional e que, portanto, possibilitariam auferir elevada receita.

No Atlântico Sul, o ente estatal de maior atividade é a Comunidade Europeia, basicamente embarcações de pesca espanholas. Existem acordos de distribuição de cotas por espécie e a Comunidade Europeia detém cotas elevadas. O Brasil tem lutado por cotas maiores e às vezes consegue obtê-las, como aconteceu recentemente com relação à determinada espécie.

O setor comemorou, mas não por muito tempo. Boa parte dos países compradores desse pescado de alta qualidade são, também, os que o pescam, ou seja, são concorrentes na atividade de captura.

Assim, podem ser criados empecilhos para a atuação do Brasil nesse mercado. Nesse contexto, a Comunidade Europeia, recentemente, estabeleceu uma barreira sanitária para a importação de peixe fresco, exigindo a certificação do produto em laboratório, para a qual seria necessária a realização de exames de certa sofisticação. O problema é que este tipo de pescado é exportado a partir do Nordeste e, ao que consta, o único laboratório no Brasil que capacitado para realizar os exames exigidos está localizado no Rio de Janeiro. Tal exigência criou dificuldades que poderão ser contornadas ou não. De qualquer modo afetará a atividade produtiva, ao menos no que se refere aos custos.

Poderá também implicar no não atendimento da cota estabelecida, o que poderá acarretar dificuldades na próxima rodada de negociações, quando correremos o risco de sofrer pressão para abrir mão de parcela de nossa participação.

Chama-se a atenção que poderemos ter problemas mesmo na nossa ZEE, a luz da Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos do Mar. No artigo 62 lê-se que: “Quando o Estado costeiro não tiver capacidade para efetuar a totalidade da captura permissível, deve dar a outros Estados acesso ao excedente dessa captura, mediante acordos e outros ajustes.”

Nossa extensa ZEE possui regiões oceânicas ricas. Se não a explorarmos economicamente poderemos ser pressionados ou convencidos a ceder a pesca para outros países, a luz desse artigo.”

 

 

Leia a íntegra do artigo do Almirante Guilherme Mattos de Abreu

 

“DEFENDA O QUE VOCÊ VEM FAZENDO PELA PESCA DO SEU PAÍS”

Uns dizem que “a propaganda é a alma do negócio”. Outros garantem que “a propaganda é a arma do negócio”. Alma ou arma, o fato é quem perde a batalha da informação perde o negócio.

É preciso ouvir com atenção as palavras de um renomado pesquisador proferidas recentemente no Auditório Ignácio Baltazar do Couto, aqui na sede do Saperj, para meia dúzia de armadores. Infelizmente.

Para esse pesquisador, o setor produtivo está perdendo a batalha da comunicação para o setor preservacionista.

De um lado, os ambientalistas se organizaram através de ONGs, especialistas em pesca e advogados, enfim, montaram uma estrutura bem organizada.  Eles são os donos da bola, os porta-vozes do meio ambiente, os guardiões da natureza. Estão ganhando de goleada a narrativa da preservação contra a produção. São os heróis e o setor pesqueiro é o vilão, o bandido, o predador. Eles são os santos e conseguiram transformar os pescadores em pecadores.

De outro lado, o setor pesqueiro está desgovernado.  O rebaixamento da pesca de Ministério para Secretaria, sua saída da Agricultura para a Indústria e Comércio são apenas eventos pontuais de uma deriva que revela que estamos sem rumo há um bom tempo. Essa desorganização faz que com que a pesca se torne uma presa fácil para qualquer narrativa que vise desqualificar uma atividade que produz emprego e saúde, que envolve milhares de famílias, milhões de pessoas. Como nos defender se não temos uma representação atuante e competente? Como nos proteger se estamos roucos e desunidos? Como ter força se a união é dos outros e a fraqueza é só nossa?

Qual a saída? Para virar esse jogo, o setor pesqueiro deve se organizar e se fazer ouvir. Com firmeza. Com clareza. Com orgulho. Com autoestima.  Entrar no campo da comunicação, das versões, da mídia, e pelo menos empatar a partida. Construir uma contranarrativa que valorize a importância dos trabalhadores do mar e restabeleça a nossa dignidade profissional.  Ninguém ama o mar mais do que nós. Ninguém respeita o mar mais do que nós. Ninguém conhece o mar mais do que nós.

Temos que fazer o nosso dever de casa. Na prática é preciso que a pesca tome medidas urgentes para se adaptar aos novos tempos, se modernizar, aperfeiçoar os métodos de captura, etc. Existe futuro, mas para isso é indispensável se preparar, se reinventar. Quem ficar repetindo o passado vai ser abalroado pela realidade, vai encalhar, vai naufragar.

Um velho político disse: “Não pergunte o que seu país pode fazer por você. Pergunte o que você pode fazer por seu país.”

Está na hora do setor pesqueiro acordar e decidir o seu próprio destino: “Não pergunte o que governo pode fazer por você. Defenda o que você vem fazendo há tantos anos pela pesca do seu país.”

 

Leia mais na revista Pesca & Mar 169

 

PALAVRA DO PRESIDENTE: A LOTERIA DA PESCA

Peixes não entendem nada de política pesqueira. Não têm votos, não são devotos, mas podem ser vítimas de falsas promessas e de falsos milagres. O lugar deles é na mesa de milhões de consumidores graças ao esforço dedicado e incansável dos trabalhadores do mar. Armadores e pescadores precisam deixar de apostar na loteria da pesca e aprender a fazer política pesqueira para defender sua atividade com competência, sem dar chance à sorte, ao acaso ou ao azar.

O fato é que a atividade pesqueira virou sorteio, aposta, loteria. O armador arma um barco (investe em óleo, gelo, rancho, salários, etc.) e a partir desse momento joga suas redes (e suas fichas) no mar. Se a sorte for boa, todos lucram. Mas se ele tiver uma maré de azar, sua vida vira uma roleta russa. O barco se transforma numa arma apontada contra a cabeça do armador.

Leia a palavra de Alexandre Guerra Espogeiro, presidente do Saperj e do Conepe.

 

Não deixa ser desagradável, triste, humilhante, quando um produto que é a base da boa saúde do brasileiro vai parar nas páginas policiais. É claro que as operações da polícia se refletem sobre todo o setor pesqueiro nacional e, até que tudo se esclareça, os pecadores e os pescadores ficam envolvidos na mesma rede de intrigas. Mais do que nunca é preciso separar o joio do trigo, o certo do errado, o culpado do inocente, o falso do verdadeiro.

No dia 16 de maio, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) veio a público esclarecer que apoia a ação da Polícia Federal e vem colaborando com as investigações. Todos os servidores envolvidos na ação foram afastados preventivamente por 60 dias e, os que possuem cargos em comissão, exonerados das funções.  Será aberto procedimento administrativo (sindicância) para investigar o envolvimento dos citados nas operações Lucas e Fugu da Polícia Federal.

Cito a nota de esclarecimento: “Sobre a operação Lucas, envolvendo a Superintendência do Estado do Tocantins, é importante destacar que a servidora já estava exonerada há mais de 30 dias e que as investigações não atingem o sistema como um todo, se referindo a desvio de conduta de uma servidora. Com relação à Operação Fugu, realizada em Santa Catarina, todo o trabalho técnico, durante os nove meses de investigação, foi realizado com a participação de técnicos do Mapa, inclusive com a análise de amostras efetuadas no Lanagro (laboratório do ministério) no Pará. Por fim, o Ministério da Agricultura deixa claro que mantém a mesma postura de transparência e de cooperação com as investigações, como ocorreu durante os trabalhos de investigação da Operação Carne Fraca, deflagrada em março deste ano.”

Só que ninguém poderia imaginar que manifestantes invadiriam a Esplanada dos Ministérios, em Brasília, para protestar contra as reformas propostas pelo governo federal e para pedir a saída do presidente Michel Temer, ateariam fogo na sede do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Tais acontecimentos no coração do poder do País levariam armadores e pescadores a acreditar que o lugar seguro para nós seria levar os seus barcos para o mar e esperar que a situação se acalme, o diálogo substitua a violência e que os incêndios sejam apagados.

Mas como conseguir escapar se a pesca virou uma loteria e os próprios barcos podem virar armas perigosas?

É do conhecimento de todos que, por decisão do departamento de Registro, Monitoramento e Controle da Aquicultura e Pesca do Ministério da Agricultura – MAPA, do Ministério do Meio Ambiente e do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços – MDIC, através de portaria publicada no dia 10 de maio, no Diário Oficial da União, foi decidido um sorteio para a seleção das 32 embarcações da modalidade do cerco da região sudeste/sul para a pesca da tainha.  Os armadores precisam fazer a inscrição por meio de um formulário eletrônico no site do MAPA.

Ainda conforme a portaria, para integrar o processo de sorteio as embarcações devem seguir alguns critérios, como por exemplo, estar devidamente aderidas PREPS – Programa Nacional de Rastreamento de Embarcações Pesqueiras por Satélite e com o equipamento de monitoramento funcionando.

Mas o fato é que a atividade pesqueira virou sorteio, aposta, loteria. O armador arma um barco (investe em óleo, gelo, rancho, salários, etc.) e a partir desse momento joga suas redes (e suas fichas) no mar. O barco sai do cais para uma viagem de duas semanas e, na volta (se tudo der certo, se não acontecer nenhum acidente, se a sorte estiver do seu lado), o mar vai recuperar seus investimentos, saldar suas contas, pagar a tripulação, enfim, ele vai fugir da inadimplência, sair do vermelho.

Se a sorte for boa, todos lucram. Se a sorte for mais ou menos, ele pode ficar feliz com um empate: não ganhou, mas também não perdeu.

Mas se ele tiver uma maré de azar – a pesca foi boa, mas o mercado estava péssimo; o mercado estava bom, mas a pesca foi péssima; o motor do barco pifou; um princípio de incêndio na casa de máquinas; uma avaria na proa; o barco ficou um mês no estaleiro; o mestre caiu doente – sua vida vai encalhar. Esses azares acontecem.

O armador começa a perder sua aposta do barco com o mar e ele vai se estressar, cair em depressão. Cada viagem passa a ser uma corrida contra o prejuízo. E é quando o barco vira uma arma: o armador adoece de hipertensão, de cardiopatia, de insônia, de falta de recursos, de perda de crédito e de confiança.  As dívidas aumentam. Ele entra no vermelho e na inadimplência. E já não se trata mais de sorte, de sorteio, de loteria, de aposta. É uma roleta russa. O barco se transforma numa arma apontada contra a cabeça do armador. A saída é pular fora da pesca. Vender o barco. Se livrar do barco. Tentar a sorte em outra atividade. Mudar de vida, se ainda tiver força, apoio e disposição.

Se existe uma moral nessa história, ela é a seguinte: armadores e pescadores precisam deixar de apostar na loteria da pesca e aprender a fazer política pesqueira para defender sua atividade com competência, sem dar chance à sorte, ao acaso ou ao azar.

 

Alexandre Guerra Espogeiro

Presidente do Saperj e do Conepe

PESCA UNIDA

Associações e sindicatos da pesca artesanal e industrial em Santa Catarina tomaram a iniciativa de registrar voluntariamente dados sobre seus desembarques na safra de tainha. Isso está sendo feito em um banco de dados, alimentado via aplicativo, que armazena informações sobre as capturas, tipo de arte de pesca, local e data do desembarque.

A iniciativa conta com o apoio técnico da Oceana, que auxilia os pescadores na estruturação de seus processos de monitoramento e também acompanhando todas as etapas de inserção e análise dos dados. A partir de hoje, todas as informações estão sendo divulgadas em tempo real no “Tainhômetro”, um painel digital que mostra em tempo real, a produção de tainha em SC na safra de 2017 e pode ser visitado no link www.tainhometro.com.br.

Até as oito horas do dia 12 de junho, já foram contabilizadas 225 toneladas de tainha desembarcadas no litoral catarinense. Os dados estão sendo registrados pelas seguintes entidades: Associação dos Pescadores Profissionais Artesanais de Emalhe Costeiro de Santa Catarina (APPAECSC), Federação de Pescadores do Estado de Santa Catarina (Fepesc), Sindicato dos Armadores e da Indústria da Pesca de Itajaí (Sindipi) e a Pastoral dos Pescadores de Laguna.

A iniciativa de monitorar voluntariamente a safra de tainha tem três objetivos principais. Primeiro, mostrar ao governo que é possível saber quanto se pesca em tempo real. Segundo, ter informações para garantir a atualização dos estudos e os ajustes necessários para uma gestão científica e qualificada dessa pescaria. E, por último, empoderar os pescadores que serão capazes de, pela primeira vez, mostrar a importância socioeconômica da atividade e cobrar as políticas públicas necessárias para o desenvolvimento da pesca – que é uma atividade econômica e precisa ser tratada como tal. A falta de uma política governamental séria de monitoramento e análise de dados e, de controle da pesca, não pode mais ser usada como desculpa para a não adoção de medidas já utilizadas com sucesso em várias regiões do mundo.

 

Veja ainda:

 O Tainhômetro

 

‘Tainhômetro’ reúne dados em tempo real sobre a pesca da tainha em SC

 

Tainhômetro é lançado em Santa Catarina

 

O BRASIL E A CONSERVAÇÃO DE OCEANOS

O Brasil apresentou, no Dia Mundial dos Oceanos, compromissos voluntários para a conservação dos recursos marinhos durante a Conferência sobre Oceanos 2017, realizada pela Organização das Nações Unidas (ONU). O evento, sediado no prédio da ONU em Nova Iorque, teve como tema Nossos Oceanos, Nosso Futuro: Parcerias para a Implementação do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 14 (ODS 14).

O compromisso do Brasil com o ODS 14 foi reforçado por meio de uma série de medidas, com destaque para o Fundo Azul do Brasil, o Santuário de Baleias do Atlântico Sul e o planejamento espacial marinho com especial atenção para a Região dos Abrolhos, Cadeia Vitória-Trindade e Costa Norte do Brasil.

“Estamos orgulhosos do que o Brasil tem feito pela proteção e conservação das baleias e da biodiversidade e ecossistemas marinhos. Queremos olhar para frente e trabalhar ainda mais para a conservação marinha”, comenta José Pedro de Oliveira Costa, secretário de Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente. A pasta é uma das organizações que representam a nação brasileira no encontro da ONU.

Investimento e conservação – Principal medida proposta pelo Brasil na Conferência, o Fundo Azul do Brasil será dedicado à implementação de medidas de conservação da biodiversidade nas áreas jurisdicionais costeiras e marinhas brasileiras. O projeto propõe a ampliação e o aprimoramento da gestão de áreas protegidas, buscando atingir a meta de 10% de conservação eficaz dessas áreas.

Parcerias distintas serão responsáveis pelo investimento previsto de US$ 140 milhões até 2022. O valor contribuirá para a restauração de espécies ameaçadas, a recuperação de estoques pesqueiros, promoção de boas práticas no desenvolvimento do turismo sustentável e pescarias de pequena escala, com impactos positivos também na mitigação de mudanças climáticas.

 

Veja mais:

Brasil e Oceanos

Brasil e Oceanos 2

 

Brasil e Oceanos 3

 

O MAR E A INTERNET

Como trabalham as pessoas e os robôs que consertam os cabos da internet ocultos sob o mar.

   Os cabos são instalados no fundo do mar, mas os reparos são feitos a bordo de navios especiais e com ajuda de robôs. O rompimento de um cabo submarino de internet é algo imprevisível. Alguns podem passar anos sem nenhum dano. Outros, contudo, acabam sofrendo rasgos em poucos meses.  Nesse emaranhado de cerca de 300 cabos que nos conectam à rede nas profundezas aquáticas – alguns submersos a mais de 8,5 km – nem todos estão expostos a danos na mesma proporção.

      A operação não é simples. Trata-se de um trabalho conjunto entre homem e máquina, muitas vezes a milhares de metros abaixo do mar, condição em que precisão e técnica são fundamentais.

            “Produtos de navegação, como equipamentos de pesca que se enroscam nos cabos ou âncoras que se arrastam com eles, são as causas mais comuns de rompimentos”, afirma John Manock, editor da SubCableWorld, publicação da Technology Systems Corporations, empresa de comunicação baseada na Flórida e especializada en tecnologia marítima.

Um relatório de 2015 do Comitê Internacional de Proteção de Cabos (ICPC, na sigla em inglês) apontou que operações marítimas respondem por 65% a 75% dos danos nos cabos.

“A atividade sísmica também pode provocar estragos, especialmente em áreas de alta atividade, como o círculo de fogo do Pacífico, mas não representa nem 10% das ocorrências”, afirma Manock.

Manock diz que é um equívoco associar esses danos a mordidas de tubarões. Segundo ele, o ICPC afirma que esses casos não representam nem 1% dos casos registrados entre 1959 e 2006.

“Causas habituais incluem terremotos e âncoras perto da costa, em regiões de rotas pesqueiras”, concorda Hayduk.

Mas como é possível identificar danos em um cabeamento submarino?

 

Internet no fundo do mar

Lançamento de cabos submarinos

Tubarão Morde Cabo de Internet de Fibra Óptica

 

DEVORADO TITANIC

Cientistas acreditam que, em algumas décadas, pode ser que não sobre mais nada do navio. Tudo por causa de uma espécie de bactéria que está aos poucos comendo seu casco de ferro. Eventualmente, todos os navios – incluindo o Titanic no Atlântico – serão completamente devorados, seja por bactérias que se alimentam de metal ou corrosão da água do mar. O ferro da embarcação de 47 mil toneladas acabará no oceano. Em algum momento, parte dele será incorporado aos corpos de animais e plantas marinhos. O Titanic então terá sido reciclado.

Robert Ballard, oceanógrafo da Universidade de Rhode Island em Narragansett, descobriu o navio naufragado em 1985. O que não se sabia na época era que a descoberta só aconteceu por causa do envolvimento de Ballard em uma missão secreta da Marinha britânica para localizar os restos de dois submarinos nucleares americanos que afundaram durante a Guerra Fria. O Titanic apenas foi encontrado entre os dois submarinos.

Na época da descoberta, o navio estava impressionantemente preservado. Por estar 3,8 km abaixo da superfície, submetido a pouca luz e pressão intensa, se tornou inabitável para a maioria dos tipos de vida, o que atrasou a corrosão. Depois de 30 anos, porém, o casco está enferrujando por causa de bactérias que corroem metal. Alguns pesquisadores agora dão um prazo de validade de 14 anos até que o navio desapareça para sempre.

 

Titanic devorado

Titanic pode sumir para sempre devorado por ‘superbactéria’

Titanic sinks in REAL TIME – 2 HOURS 40 MINUTES

Eu te devoro

 

O BARCO DO AMOR DE CALÍGULA

Das paradisíacas margens do lago Nemi, bacia cercada de colinas na região central da Itália, os cidadãos comuns do Império Romano viam de longe as ruidosas festas sexuais que aconteciam à bordo dos barcos do amor de Calígula (12-41 d.C.), o mais polêmico dos mandatários da Antiguidade. Regadas a grandes quantidades de álcool, essas celebrações foram símbolos dos excessos do monarca, mas também sinalizaram sua ruína.

Naquela época, os plebeus apenas sonhavam com o que acontecia detrás das amuradas, mas uma nova pesquisa conduzida pela Agência de Proteção Ambiental da Calábria deve fornecer detalhes sobre os misteriosos navios. O estudo visa descobrir a localização da maior das três embarcações do imperador.

Curto e intenso – Calígula ficou famoso pelo seu curto, porém intenso, comando de Roma. Em quatro anos, foi de mandatário amado pelo povo a vítima de um complô de senadores, fartos de seus desmandos. Os relatos sobre esse reinado foram escritos por historiadores desfavoráveis, por isso é difícil discernir lendas de fatos.

Entre os acontecimentos duvidosos estão o de que ele quis nomear cônsul seu cavalo, de que manteve relações incestuosas com três irmãs e de que mandou fechar a baía de Nápoles com uma sequência de barcos comerciais por puro capricho, entre outras insanidades. Apesar disso, a maioria dos historiadores concorda que o imperador apresentava perversões como essas em alguma medida.

Também há consenso de que suas excentricidades megalomaníacas dilapidaram os cofres romanos. “Mesmo que algumas das acusações sejam exageradas, Calígula parece ter tido uma natureza bastante instável”, afirma Francesco Camia, professor de arqueologia da Sapienza, Universidade de Roma, que não está ligado às buscas. “Talvez sofresse de problemas psicológicos.”

 

O barco do amor de Calígula

As naus de Nemi

O CALÍGULA DE CAMUS

 

PESCA ILEGAL DE ATUM

Quarenta e oito empresas de pesca assinaram um acordo para acabar com a pesca ilegal do atum até 2020, anunciou o Fórum Econômico Mundial.

“As empresas de pesca, varejistas e empresas afiliadas assinaram hoje a declaração de rastreabilidade ‘Atum 2020’, no qual se comprometem a impedir que o atum pescado ilegalmente chegue ao mercado” e a proibir o trabalho forçado no mar, indicou o organizador do Fórum de Davos em um comunicado.

Os signatários “comprometem-se a vetar a pesca ilegal, clandestina e não regulamentada em sua indústria, para eliminar o trabalho forçado nos navios de pesca e proteger a saúde dos oceanos e os meios de subsistência das comunidades pesqueiras”, aponta a declaração.

De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), cerca de um terço das reservas mundiais de peixes de todas as espécies é vítima de pesca excessiva geralmente ilegal, que a cada ano representa perdas de cerca de 24 bilhões de dólares, ou 26 milhões de toneladas de pescados, para os pescadores, diz o comunicado.

 

Pacto contra pesca ilegal de atum 1

 

Pacto contra pesca ilegal de atum 2

 

Pesca ilegal de atum custa ao Pacífico €666 milhões por ano

 

Makers of tinned tuna brands join fight against illegal fishing

 

PESCA ARTESANAL DA TAINHA JÁ RENDEU 80 TONELADAS

Passado pouco mais de um mês da abertura da temporada de pesca da tainha, Santa Catarina já registrou a captura de cerca de 80 toneladas do peixe, somente na pesca artesanal. Assim como nos anos anteriores, a praia da Barra da Lagoa, em Florianópolis, continua sendo o principal ponto de captura. Destaque também para Garopaba, Imbituba e Laguna, que neste final de semana registraram a captura de quase 20 toneladas.

A estimativa é da Federação dos Pescadores de Santa Catarina (Fepesca). De acordo com o presidente da entidade, Ivo Silva, a quantia é menor que a média dos últimos anos, mas a expectativa é de que o mês de junho registre aumento considerável na captura das tainhas.

— Trabalhamos com a expectativa de capturar 1.800 toneladas até o fim da safra, em julho. Ainda não tivemos as condições ideais para a chegada dos peixes em grande quantidade, mas vamos recuperar até o final de junho. O pico da pesca é agora — afirma Silva.

Em 2016, foram capturadas cerca de 3,5 mil toneladas de tainha e, segundo a avaliação da Fepesca, foi a melhor safra das últimas três décadas. Para este ano, a previsão é de que a safra atinja pelo menos a metade deste montante. Para isso, os pescadores contam com a chegada do frio e do vento sul, fatores preponderantes para a aproximação dos cardumes nas principais praias do estado.

— Ainda não deu o frio que a gente esperava. Tem uma previsão boa para os próximos dias, acreditamos que, pelos indicativos, quinta e sexta-feira vão ser dias bons para a pesca artesanal — encerra Ivo Silva.

 

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Pesca artesanal da tainha 2

Como é feita a pesca artesanal da tainha

 

PEPINOS DA CHINA

Uma iniciativa chinesa para proteger criaturas marinhas ameaçadas proibindo a pesca contribuiu para a queda do chamado crack spread do diesel na Ásia, um indicador dos retornos da produção do combustível, para o menor patamar em nove meses. O motivo é que milhares de barcos de pesca do país ficarão ociosos de maio a setembro e, portanto, não precisarão do combustível em um momento em que a oferta normalmente é ampla porque as refinarias retomam as atividades após trabalhos de manutenção.

Esta não é a primeira vez que as traders são afetadas por mudanças nas políticas da China, maior consumidora de energia do mundo. O país elevou seus padrões de combustíveis para veículos em janeiro, levando suas refinarias a ampliarem a produção de diesel premium e, em contrapartida, reduzindo o diferencial de preço entre os tipos de combustível mais limpos e sujos na Ásia. A proibição à pesca, o crescimento econômico mais lento e o afastamento das indústrias pesadas no país poderiam afetar ainda mais a perspectiva para o combustível, segundo a BMI Research, da Fitch Group.

“A proibição nacional à pesca imposta em maio atingirá ainda mais o consumo de diesel da considerável frota de barcos da China”, informou a BMI em relatório de 25 de maio. “Considerando que a economia chinesa deverá desacelerar ainda mais no segundo semestre de 2017, a demanda por combustíveis refinados poderá sofrer uma pressão maior nos próximos meses.”

Necessidade de proteção – A pesca excessiva e a demanda crescente por frutos do mar esgotaram os recursos pesqueiros nos principais rios e mares da China, disse Liu Xiaoqiang, representante do departamento de pesca do Ministério da Agricultura. Entre as espécies com necessidade de proteção estão o pepino-do-mar, o peixe-espada e a pescada amarela. O pepino-do-mar, um reverenciado item alimentício de luxo para os consumidores chineses ricos, tem sido pescado a uma taxa insustentável, segundo a WorldFish, uma organização de pesquisas sem fins lucrativos.

A China proibiu a pesca em seus quatro principais mares em 1º de maio, na primeira vez em que sincronizou as datas do embargo para toda a pesca offshore. A proibição termina entre agosto e setembro e terá cerca de um mês a mais que as anteriores, afetando quase 200.000 barcos de pesca e um milhão de pescadores, segundo o Ministério da Agricultura.

Isso reduziu o preço do diesel, normalmente o combustível usado pelos barcos de pesca, segundo cinco traders e um analista consultados pela Bloomberg. Além disso, derrubou o crack spread do diesel no início de maio ao nível mais baixo desde agosto de 2016. “A atividade pesqueira na China certamente afeta a demanda doméstica por diesel”, disse WengInn Chin, analista para o mercado de petróleo da consultoria do setor FGE, acrescentando que a proibição havia gerado alguma pressão sobre o crack.

 

Veja mais:

Pepinos da China 1

Pepinos da  China 2

Pepinos do Mar

 

ONU E OS OCEANOS

Autoridades de todo o mundo se reuniram na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, para promover ações contra a degradação marinha.  A abertura coincide com o Dia Mundial do Meio Ambiente.

A primeira Conferência sobre os Oceanos busca parcerias para a implementação do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 14, que trata da conservação de mares e oceanos e do gerenciamento de recursos marinhos.

“A menos que superemos os interesses territoriais e de recursos que bloquearam o progresso por muito tempo, o estado dos nossos oceanos continuará a deteriorar-se. Devemos pôr de lado ganhos nacionais de curto prazo para evitarmos uma catástrofe global a longo prazo. Conservar os nossos oceanos e usá-los de forma sustentável, é preservar nossa própria vida”, declarou António Guterres, secretário-geral da ONU.

Os problemas que afetam os oceanos estão mais do que identificados – branqueamento dos corais, poluição por matérias plásticas, pesca excessiva, subida do nível das águas pelo aquecimento climático -; os dirigentes procuram ao longo da semana encontrar compromissos para uma estratégia comum. Entre as intenções à partida está a proteção de, pelo menos 10% dos ecossistemas costeiros ao horizonte de 2020, a redução da poluição dos oceanos e o reforço dos meios de luta contra a pesca ilegal e não regulamentada.

Os oceanos representam, em volume, 99% do espaço do planeta, sendo que 40% dos oceanos estão sendo afetados incisiva e diretamente por atividades humanas, tais como poluição, pesca predatória, o que resulta, principalmente, em perda de habitat. Ademais, os oceanos tornam a vida humana possível: sua temperatura, química, correntes e formas de vida. Os oceanos absorvem cerca de 30% do dióxido de carbono que os seres humanos produzem; e estamos produzindo mais dióxido de carbono do que nunca, o que faz com que os oceanos fiquem mais ácidos – 26% a mais desde o início da revolução industrial. Nosso lixo também ajuda na degradação dos oceanos – há 13.000 pedaços de lixo plástico em cada quilômetro quadrado.

 

ONU e os oceanos

Campanha no AquaRio

Vida na água

Dia Mundial do Meio Ambiente

 

 

 

 

 

 

 

DIA DOS NAMORADOS

Cortar o namorado em pedaços médios na longitudinal (sim, claro, o filé de namorado). Mas, antes disso, um pouco de conversa.

O Dia dos Namorados é comemorado em 12 de junho no Brasil, e é quando os casais celebram sua união.
É muito comum nessa data a troca de cartões postais e presentes especiais, além de flores, bombons e jantares. Nesta data, os casais também agradecem o companheirismo e a dedicação entre ambos durante o ano todo.
Fora do Brasil, especialmente nos Estados Unidos e na Europa, o Dia dos Namorados é celebrado em 14 de fevereiro, data também conhecida como Dia de São Valentim (Valentine’s Day).
E é claro que não pode faltar peixe. Cortar o namorado em pedaços médios na longitudinal (sim, claro, o filé de namorado). E em um prato raso, colocar esses pedaços e polvilhar com um pouco de sal e pimenta do reino. Deixar marinando por 10 minutos. Essa pode ser uma boa ideia.
Uma outra ideia é namorado à brasileira:

 

Ingredientes
• 1 namorado de 2,5 ou 3 kg
• 2 cebolas picadas
• 2 dentes de alho amassados
• 1 amarrado de cheiro verde
• 2 folhas de louro
• 1 colher de sopa de salsa picada
• 1 colher de sopa de cebolinha verde picada
• Azeite a gosto
• 2 tomates sem pele e sem sementes picados
• 1 colher de chá de pimenta vermelha fresca bem miúda
• Sal a gosto
• Pimenta-do-reino a gosto
• Farinha de mandioca a gosto
• 1 colher de sopa de extrato de tomate

Preparo: 60 min – Rendimento: 6 porções. Feito isso, é só correr pro abraço.

 

Veja ainda: 

Namorado à brasileira
Namorado no tucupi com jambu

ATÉ QUE ENFIM A UNIÃO DA PESCA

Pescadores industriais e artesanais de Santa Catarina se unem por cotas.

 

Ao se verem no mesmo aperto, na mesma rede de restrições, armadores industriais e pescadores artesanais se uniram – o que era impensável alguns anos atrás. Os dois setores defendem que o governo adote o sistema de cotas para a pesca da tainha. Desta forma, o peixe estaria protegido e todas as modalidades teriam direito a uma fatia dos cardumes.

Até mesmo a pesca artesanal, considerada de menor impacto aos cardumes de tainhas, cuja safra da pesca industrial começou quinta-feira, sentiu o peso das novas determinações do governo federal em relação à tainha. Com exceção das redes de arrasto de praia e das pequenas embarcações, os demais pescadores, que trabalham com a chamada pesca de emalhe anilhada, também têm sido sistematicamente excluídos da safra. Receberam menos licenças do que o esperado, e recorreram à Justiça para pleitear o direito às capturas.

– O governo está criminalizando a pesca, tanto industrial quanto artesanal – diz o advogado Ernesto São Thiago, que representa os pescadores.

ONG X GOVERNO – O projeto foi apresentado no ano passado pelo Instituto Oceana, que financiou estudos para avaliar o estoque de tainhas no Sul e Sudeste do país. A recomendação é de um limite anual de 4,3 mil toneladas anuais, que seriam suficientes para permitir a recuperação do peixe. A ideia, no entanto, não chegou a ser discutida pelo comitê que regulamenta a tainha dentro do Ministério do Meio Ambiente.

Recentemente o Ibama encaminhou um ofício ao Ministério Público Federal (MPF), reclamando da interferência do Instituto Oceana na gestão pesqueira, e dizendo que a proposta de cotas “confronta, de forma grave, com o cenário em implementação, do definido no plano, qual seja: a total retirada da pesca com cerco realizada pelas grandes traineiras”.

UNIÃO – A união entre pescadores “industriais” e artesanais pode ser temporária, no caso da tainha ou da portaria 445.

Mas se a pesca não se unir como um todo, cada qual em seu barco, todos no mesmo mar, não vai ter a mínima chance de sobreviver como atividade. De se defender. De se fazer ouvir. De conseguir respeito e dignidade. De acabar com esse jogo onde somos tratados como moleques, como irresponsáveis, como analfabetos, como deficientes, como predadores, como bandidos.

 

No mar, na hora do perigo, somos todos irmãos.

Na terra, a desunião é a nossa fraqueza.

E vamos ser sinceros: tem gente unida se aproveitando dessa nossa fraqueza em terra. Enterrando a gente.

Vamos aprofundar a nossa união temporária e fazer dela uma união permanente.

Somos todos trabalhadores do mar.

E merecemos respeito pelo menos por ocupar o mar brasileiro.

Por oferecer uma pesca ao Brasil e aos brasileiros nossos irmãos terrestres.

Viva a pesca brasileira!

 

União de pescadores

Nova mudança de regras

Pescadores da tainha em SC reclamam de licenças insuficientes para atividade

 

 

 

NAUFRÁGIO E MANOBRA

 

Governo manobra para evitar naufrágio de MP que transfere pesca do Ministério da Agricultura para o da Indústria e Comércio.

O setor pesqueiro assiste de camarote a mais uma etapa na definição sobre a transferência da Secretaria de Pesca e Aquicultura para o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC).

Editada por Temer em edição extra de 31/05 do Diário Oficial da União, a MP 782/2017 sacramenta a mudança e dá disposições de como ficará a estrutura da pasta, substituindo a MP 768/2017, com o mesmo conteúdo, que havia sido aprovada em fevereiro.

A votação da MP 768 venceria na sexta-feira. Diante do clima desfavorável no Congresso, o governo manobrou e substituiu a 768 por esta nova MP. Agora, ganha tempo, já que o dispositivo tem vigência imediata e 60 dias prorrogáveis por mais 60 para ser votado pelo Congresso Nacional e virar lei.

O texto novamente define a transferência da pasta para o MDIC e compreende diversas definições, entre as quais está a definição sobre a criação de Escritórios Federais de Aquicultura e Pesca, que serão unidades descentralizadas diretamente subordinadas à Secretaria de Aquicultura e Pesca dentro do MDIC.

Não há detalhes de como estes escritórios irão funcionar. A MP apenas indica que haverá 27 coordenadores – um para cada unidade da federação – 54 chefes de divisão e outros 27 cargos.

O texto também ressalta que o escopo de atuação destes escritórios poderá ser definido no regimento interno editado pelo MDIC, ainda não estabelecido.

Governo manobra para evitar naufrágio

Governo manobra para evitar naufrágio 2

 

GOLFINHOS E TAINHAS NA BAÍA DE GUANABARA

Golfinhos na poluída Baía da Guanabara? Os reais motivos para essa mudança de comportamento são um mistério. Há algumas hipóteses. Além do espaço deixado pelos botos, há um possível aumento na quantidade de tainhas.

 

 

Neste outono, a Baía dá demonstrações de que, mesmo agonizante e praticamente abandonada à própria sorte pelo estado em crise, continua viva. A presença desses golfinhos (da espécie Steno bredanensis, seu nome científico) numa frequência quase que diária é algo completamente atípico. O fenômeno inusitado se completa com o fato de o mesmo grupo explorar áreas cada vez mais distantes da entrada da Baía, como a Ponte Rio-Niterói.

 Tainha é uma “iguaria” – Os reais motivos para essa mudança de comportamento são um mistério. Há algumas hipóteses. Além do espaço deixado pelos botos, há um possível aumento na quantidade de tainhas, que estão na época de reprodução. Presidente da Associação Livre de Pescadores e Amigos de Itaipu, Jorge Nunes de Souza, o Chico, diz que, desde o ano passado, o litoral do Rio, incluindo a Baía, conta com mais peixes da espécie pela restrição à pesca industrial no Sul do país, imposta pelo governo federal desde 2015. Os golfinhos já foram em vários momentos flagrados por câmeras dos pesquisadores com tainhas na boca e também peixes-espada, outro “prato” muito disputado.

— A presença deles não quer dizer que a qualidade da água esteja melhorando. Eles se alimentam aqui, mas estão expostos a todo tipo de degradação da Baía de Guanabara. Mas, apesar disso, a Baía continua muito importante para a vida marinha.

 

Golfinhos viram presença diária na Baía de Guanabara 1

Golfinhos viram presença diária na Baía de Guanabara 2

Baía no RJ com recorde de golfinhos nas Américas terá visita guiada

 

AINDA O POLÊMICO SORTEIO DA TAINHA

Redução de licenças para pesca industrial da tainha afetará 700 pescadores em SC, prevê sindicato. Ministério sugere que armadores migrem para pesca de outras espécies, do contrário haverá prejuízo.

O coordenador da Câmara Setorial do Cerco do Sindicato dos Armadores e da Indústria da Pesca de Itajaí e Região (Sindipi), Agnaldo Hilton dos Santos, calcula que cerca de 700 pescadores que trabalham com a pesca industrial da tainha em Santa Catarina devem ficar fora de atuação com a redução de licenças.

Com relação a 2016, o número máximo de autorizações diminuiu em cerca de 20%. Levando em conta a capacidade dos barcos, durante o sorteio, apenas 18 embarcações foram selecionadas em todo o país. Dez delas têm inscrição estadual (RGP- Registro Geral da Atividade Pesqueira) de Santa Catarina, mas podem estar em atuação em outras localidades.

Mudança para outra espécies – O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) confirmou nesta sexta-feira, dia 16 de maio, que a redução do número de licenças concedidas a armadores para a pesca da tainha deve afetar o setor, mas a restrição é necessária para não prejudicar o manejo.

“Prejuízos socioeconômicos com certeza ocorrerão, caso os armadores não migrem para a pesca de outras espécies”, disse em nota o coordenador-Geral de Registro, Monitoramento e Controle do Secretaria de Aquicultura e Pesca (SAP), do Mapa, Vinicius Augusto de Sá.

Como exemplo aos armadores, Sá sugere práticas de outros setores da indústria pesqueira. “Informamos que a frota sardinheira, que não foi selecionada, possui outras alternativas de pesca, como exemplo, a anchova”, disse.

Ainda segundo Sá, a redução de licenças está prevista no Plano de Gestão da Tainha ocorre para “reduzir o esforço pesqueiro no período de vida mais crítico da espécie, o período reprodutivo, proporcionando o desenvolvimento sustentável da atividade”.

Segundo o Mapa, após a entrega de documentação, a previsão de liberação de entrega de licenças é a próxima terça-feira, dia 31 de maio. Depois de publicadas em Diário Oficial, os armadores têm dois dias para contestar os resultados. A safra começa em 1º de junho e vai até 31 de julho.

Licenças liberadas em Santa Catarina – Nesta sexta-feira (26), o Mapa publicou a lista de selecionados. Segundo o documento, 10 barcos com registro feito em Santa Catarina foram selecionados. Entretanto, de acordo Santos, apenas seis desses barcos atuam na orla catarinense.

Na quinta-feira, dia 26 de maio, o sindicato chegou a dizer que cinco embarcações catarinenses haviam sido selecionadas. Entretanto, o sindicato aguardava a confirmação do número final de selecionados com ministério, e informou que o número inicial divulgado foi baseado no áudio da transmissão do sorteio, feita pela internet.

 

Redução de licenças de tainha e migração para outras espécies

 

Pesca industrial da tainha terá apenas 11 barcos catarinenses:

 

SALMÃO, BACALHAU OU NAMORADO?

 

 

“Soube recentemente numa conferência que a quase totalidade do salmão consumido no Brasil é de cativeiro e que, nessas condições, talvez pela melancolia, sua carne possui uma coloração cinza esbranquiçada nada parecida com o vibrante cor de laranja sempre destacado nas propagandas de comida japonesa. (…) Não sei você, caro leitor, mas eu não tinha ideia que o meu sashimi favorito era colorido artificialmente por produtos de uma dupla de multinacionais europeias. Tampouco que o cultivo de salmões pelo mundo é feito por algumas poucas empresas grandes, operando em vários países e sob rigorosos padrões tecnológicos e de qualidade. (…)Até segunda ordem, a premissa é que tanto faz se temos salmão, bacalhau ou namorado, desde que seja fresco e honesto, e traga os corantes e aditivos certos para o paladar e para a saúde econômica do País.”

Leia a íntegra do artigo do economista Gustavo Franco publicado no Estadão e no O Globo de 28 de maio.

 

Soube recentemente numa conferência que a quase totalidade do salmão consumido no Brasil é de cativeiro e que, nessas condições, talvez pela melancolia, sua carne possui uma coloração cinza esbranquiçada nada parecida com o vibrante cor de laranja sempre destacado nas propagandas de comida japonesa.

Mas não é nada que não se corrija com uma alimentação equilibrada.

A coloração alaranjada que todos apreciam, e que pode ser encontrada em qualquer restaurante, se deve, na verdade, a um corante introduzido na ração, a astaxantina, um carotenoide normalmente encontrado em crustáceos e que tem fortes propriedades antioxidantes, entre outros benefícios para a saúde.

Não sei você, caro leitor, mas eu não tinha ideia que o meu sashimi favorito era colorido artificialmente por produtos de uma dupla de multinacionais europeias. Tampouco que o cultivo de salmões pelo mundo é feito por algumas poucas empresas grandes, operando em vários países e sob rigorosos padrões tecnológicos e de qualidade. Nada menos artesanal: uma interessante lição para quem acha que fabricar parafusos com alto conteúdo nacional é melhor do que cultivar a terra ou o mar com alto conteúdo de inteligência.

Passando às doutrinas econômicas, parece-me que o governo Michel Temer é como o salmão de cativeiro que foi buscar sua coloração em conceitos e pessoas que sempre estiveram bem longe das ideias cinza esbranquiçadas adotadas historicamente por esse grupo político.

Numa primeira observação, é fácil afirmar que o ideário fiscal e de reforma encampado pelo governo é de origem tucana, e que este seria o colorante a enfeitar uma agenda que está conosco há vários anos. Curiosamente, esse salmão atucanado parece, às vezes, mais despojado que o original, ao menos a julgar pela propaganda na TV para a reforma da Previdência, que foi bem além do que os tucanos jamais ousaram: fala do código de trânsito (cinto de segurança), da privatização (sem a qual ninguém teria celular) e do Plano Real, tudo isso junto, com orgulho e convicção como não se viu entre as lideranças do PSDB no decorrer do tempo.

Pensando bem, talvez tenha sido o próprio PSDB a inventar esse fenômeno da colorização artificial de peixes sem muita personalidade. Como era mesmo o salmão tucano em seu hábitat natural? Teria mesmo esta vibrante tonalidade alaranjada neoliberal pró-mercado? Ou estaria para um avermelhado mais à esquerda, como de um atum alimentado com pasta de tomates?

O triste fato é que as ideias pró-mercado não são encontradas de forma natural no sistema partidário brasileiro. Foi preciso uma urgência nacional – a hiperinflação – agravada por sucessivos fracassos em lidar com o assunto usando a medicina alternativa, para que as ideias pró-mercado encontrassem uma janela para se materializar nas reformas que compuseram o Plano Real.

Sim, o PSDB também se serviu de corantes e aditivos para se apresentar ao País com a nova moeda e suas agendas de reforma, mas mesmo conseguindo muitos êxitos, foi perdendo o viço, como se vacilasse diante do que colocou em movimento e corasse diante da acusação de neoliberalismo. Não foi à toa que lhe apuseram a imagem do muro e da indecisão.

Mas foi do PSDB que veio em 1988 o famoso desabafo de Mario Covas, segundo o qual o Brasil precisa de um choque de capitalismo. É certo que ainda precisa e que no sistema partidário em particular está mais do que na hora de ver aparecer ideias pró-mercado em formato assertivo e diretamente hostil ao corporativismo e ao capitalismo de apaniguados e quadrilhas que estamos assistindo desmoronar nos últimos tempos.

Até o fim do dia, na sexta-feira, os mercados estavam relativamente calmos achando que o corante havia triunfado sobre o salmão, e que a sequência de eventos políticos, qualquer que fosse, ia resultar na manutenção da equipe e das ideias econômicas a governar a política econômica e a agenda de reformas de que o País tanto precisa.

Até segunda ordem, a premissa é que tanto faz se temos salmão, bacalhau ou namorado, desde que seja fresco e honesto, e traga os corantes e aditivos certos para o paladar e para a saúde econômica do País.

 

Salmão, bacalhau ou namorado? 1

 

Salmão, bacalhau ou namorado? 2

 

 

O POLÊMICO SORTEIO DA TAINHA

Pela primeira vez na história do setor pesqueiro brasileiro foi realizado um sorteio via Facebook para obtenção de licença para pesca, no caso a pesca da tainha.

Na lista divulgada no site do Ministério da Agricultura aparecem cinco associados do Sindicato dos Armadores e das Indústrias da Pesca de Itajaí e Região – SINDIPI, que vão receber a autorização complementar de pesca e a partir do dia 1º de junho poderão capturar a tainha.

Os cinco classificados estão entre os 18 contemplados no sorteio realizado na manhã do dia 25 d maio, no Ministério da Agricultura – MAPA, em Brasília, e transmitido ao vivo pela página do Facebook. De acordo com os dados do MAPA, 70 embarcações participaram da seleção que tinha como critérios: no máximo a liberação de 32 autorizações e a somatória da Arqueação Bruta das embarcações, que não poderia ultrapassar 1.188 AB.

O processo de concessão das autorizações complementares foi acompanhado via internet por armadores que se reuniram no auditório do SINDIPI.

 

Confira

Restrições para licenças gera polêmica entre pescadores artesanais

Armadores acompanham sorteio

Vídeo: Novas regras em cima da hora

 

ERRATA: VALE A PORTARIA 161

Publicamos aqui que o Ministério do Meio Ambiente liberou até abril de 2018a pesca das 475 espécies proibidas pela Portaria 445/2014. Esqueçam, por favor.  Foi entusiasmo exagerado. Quem foi prorrogada até abril de 2018 foi a Portaria 161/2017.

Errar (e sonhar) é humano. Mas vamos aos fatos reais.

A Portaria 161/2017 do Ministério do Meio Ambiente (MMA), publicada nesta no Diário Oficial da União (DOU) de 20 de abril de 2017, estabelece nova data para proibição da pesca, captura, transporte, armazenamento e comercialização de 15 espécies de peixes e invertebrados aquáticos.De acordo com o documento, as restrições, que estão previstas na Portaria 445/2014, conhecida também como Lista Vermelha dos Peixes e Invertebrados Ameaçados de Extinção Brasileiros, entrarão em vigor no dia 30 de abril de 2018.  

De acordo com a Assessoria de Comunicação Social (Ascom/MMA), o diretor do Departamento de Conservação e Manejo de Espécies do MMA, Ugo Vercillo, esclarece que a Portaria 445 está vigente e que ela é extremamente importante para a preservação das espécies. “Considerando que algumas espécies, que estão na portaria 445, foram identificadas como sendo passíveis de uso, e que a orientação para sua a conservação remete ao uso sustentável, o ministério resolveu, então, publicar essa nova portaria quedá mais um ano para que sejam estabelecidas, de forma estruturada, as medidas para o manejo sustentável”, explicou Vercillo.

Além de prorrogar até abril de 2018 o uso, a Portaria 161/2017 acrescenta mais uma espécie à lista: o budião azul. Segundo Ugo Vercillo, o plano de recuperação aponta para o uso dessa espécie, além de outras como o guaiamum, bagres marinhos e alguns budiões (peixes-papagaio).

 

 VEJA AINDA:

Ministério autoriza uso de 15 espécies aquáticas por um ano

Diário Oficial

Abril de 2017: Proibição de pesca de 15 espécies é adiada para abril de 2018

Gol anulado

 

OCEANOGRAFIA E ASTRONÁUTICA

Jovens oceanógrafos faturam R$ 700 mil com alga que é comida de astronauta

Desde a época em que cursavam a faculdade de oceanografia, os amigos Murilo Canova, 27, Juliana Pellizzaro, 26, Lucas Marber, 25, e Ariel Rinnert, 27, queriam montar um negócio juntos. Em fevereiro de 2016, abriram a Ocean Drop, em Balneário Camboriú (SC), e começaram a produzir cápsulas de nutrientes e proteínas feitas com algas.

No ano passado, eles faturaram R$ 700 mil e esperam chegar a R$ 3 milhões até o fim de 2017. A empresa comercializa dois produtos: Spirulina e Chlorella.

Segundo Canova, a Spirulina tem 50 tipos de nutriente diferentes em sua composição, além de proteínas, antioxidantes e ferro. A Chlorella tem 40 nutrientes, dentre eles, ômega 3, ômega 6, ômega 9 e clorofila. O empresário diz que ambos auxiliam a ter uma alimentação equilibrada.

“As duas cápsulas são usadas como comida de astronautas, quando eles estão no espaço. Claro que elas não são a única fonte de nutrientes e proteína deles, mas compõem o cardápio.” De acordo com o empresário, no dia a dia, as cápsulas servem como complemento alimentar.

Cada pote tem 240 cápsulas e custa R$ 99. Se comprar o combo -com os dois produtos- o preço é R$ 188. São vendidas em média 2.500 unidades por mês. O combo é responsável por 50% das vendas.

Em junho, a empresa pretende lançar mais dois produtos: cálcio de algas (para o público que precisa aumentar o consumo de cálcio) e agar-agar (alga rica em fibra e que estimula produção de colágeno e facilita a saciedade, permitindo comer menos, segundo Canova).

Estudo sobre algas motivou negócio – Canova afirma que os quatro amigos começaram a pesquisar sobre o mercado de alimentação saudável, ainda na faculdade. “O Lucas [Marber] iniciou uma série de pesquisas sobre algas, ganhou prêmios científicos, e, juntos, nós vimos que era possível produzir proteínas e nutrientes com elas.”

Para abrir o negócio, o grupo investiu R$ 350 mil. Eles iniciaram as atividades trabalhando sozinhos e hoje contam com seis funcionários. A produção das cápsulas é terceirizada. A empresa tem como público-alvo vegetarianos, veganos, esportistas, atletas de enduro ou pessoas que estão buscando uma nutrição mais elevada.

Produtos saudáveis estão em alta – Para Luis Stockler, consultor especializado em varejo da BaStockler, o mercado de comida e de produtos saudáveis vem crescendo. Ele diz que é uma tendência e que as pessoas estão acreditando que a alimentação balanceada, complementada com produtos saudáveis, contribuirá para a sua longevidade.

“A saúde passou a ser prioridade na vida de muita gente. As famosas ‘bombas’, que dão uma aparência mais musculosa e são prejudiciais ao organismo, deram lugar aos produtos que valorizam a saúde.”

O especialista afirma, no entanto, que quem deseja abrir um negócio na área precisa investir constantemente no lançamento de produtos. “O número de novos produtos que são colocados todos os anos no mercado é assustador. O empresário precisa acompanhar essa tendência.”

 

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Comida de astronauta

Estação espacial parece submarino

A Terra vista da Estação Espacial

 

PESCA NOS ESTADOS UNIDOS

Pescado nos EUA movimentou US$ 208 bilhões em 2016; gestão de estoques

pesqueiros mostra bom resultados.

A pesca comercial e recreativa gerou US$ 208 bilhões em vendas, contribuiu com US$ 97 bilhões para o Produto Interno Bruto (PIB) e empregou 1,6 milhões de pessoas em 2015. As informações constam em um relatório divulgado agora pela Administração Nacional de Atmosfera e Oceanos dos Estados Unidos (NOAA).

A pesca comercial e as importações de pescado respondem por US$ 144 bilhões do total de negócios gerados. Isso representa uma queda de 6% ante 2014, por conta de fatores como o El Niño e toxinas marinhas que afetaram os desembarques da costa oeste.

O NOAA também produziu um relatório endereçado ao Congresso norte-americano que demonstra o estado positivo dos estoques pesqueiros nos Estados Unidos. Em 2016, os estoques continuaram a se recuperar, segundo o órgão, e chegaram aos melhores níveis de toda a série histórica.

Quatro estoques saíram da lista de sobrepesca, enquanto seis outros foram adicionados à lista. Outros dois estoques – a raia barndoor e a albacora – foram considerados recuperados da sobrepesca, totalizando o número de 41 estoques recuperados desde 2000.

Na visão do NOAA, um estoque está em sobrepesca quando a taxa de captura é muito alta. “O relatório mostra que os EUA estão na rota certa no que diz respeito à gestão sustentável dos nossos estoques”, disse Samuel Rauch, porta-voz do NOAA Fisheries.

A indústria pesqueira também apoia o trabalho governamental. “Uma ênfase contínua em gerenciamento baseado em pesquisa científica, práticas empresarias sólidas e regulação responsável vai gerar relatórios encorajadores, como este, por anos a fio”, disse em comunicado John Connelly, presidente do National Fisheries Institute, entidade que congrega as principais indústrias pesqueiras dos EUA.

 

 

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Participação do Brasil em feira de pescados nos EUA

Pesca ilegal: Estados Unidos seguem União Europeia

 

 

 

 

 

 

  

 

IMPLANTAÇÃO DA CONVENÇÃO DE ÁGUA DE LASTRO

O Brasil, Ilhas Cook, Índia, Libéria, Noruega e Reino Unido estão pedindo que a IMO adie a implementação da convenção de gestão de água de lastro. Em um documento enviado para discussão no MEPC 71 em julho, os estados propõem a transferência de setembro de 2017 para setembro de 2019. O documento também sugere abandonar o plano de vincular a data de cumprimento para os equipamentos em navios à renovação do Certificado Internacional de Prevenção da Poluição por Óleo (IOPP). Se isto acontecer, permitirá que o retrofit do equipamento seja realizado até 2024.

A probabilidade de este pleito passar é bastante alta, diz o consultor de gestão de água de lastro Jad Mouawad.  “Minha preferência pessoal seria iniciar a implementação da convenção como planejado (8 de setembro de 2017) e, em vez disso, espaçar o período de instalação para 10 anos em vez de cinco, por exemplo. Isto está mais em linha com a intenção original do regulador quando o primeiro rascunho da regra B-3 da convenção de gestão de água de lastro foi adotado em 2004.

O consultor de Espécies Invasoras Rob Hilliard diz que ninguém deve se surpreender se a data de implementação for adiada. Ele concorda que ainda há uma série de questões a serem resolvidas, incluindo o número muito baixo de sistemas compatíveis com os Estados Unidos que estarão disponíveis até 8 de setembro.

Água de lastro 2019

 

Água de lastro, bioinvasão e resposta internacional

 

POR QUE AS BALEIAS SÃO OS MAIORES ANIMAIS DO PLANETA?

Mudanças na temperatura e na distribuição das presas nos oceanos nos últimos 4,5 milhões de anos podem ser a chave para o crescimento desses gigantes.

Pesando cerca de 200 toneladas e com comprimento que pode chegar aos 30 metros, a baleia-azul é o maior animal da Terra. É aproximadamente o tamanho de um avião – só o coração pode ter as dimensões de um carro popular. Para descobrir como as baleias ficaram tão grandes, pesquisadores americanos decidiram procurar as razões na evolução desses cetáceos. Em estudo publicado no periódico científico Proceedings of the Royal Society Bos cientistas demonstram que esses animais se tornaram seres gigantes apenas nos últimos 4,5 milhões de anos e o motivo de tal crescimento pode estar em transformações ambientais que levaram a mudanças na distribuição dos alimentos das baleias.

Para chegar a essas conclusões, os cientistas do Museu de História Natural Smithsonian, e das Universidades Stanford e de Chicago, nos Estados Unidos, analisaram fósseis de 63 espécies extintas e esqueletos de 13 espécies modernas. O estudo mostrou que as baleias, que surgiram há cerca de 30 milhões de anos, foram “pequenas” (com cerca de dez metros de comprimento) ao longo da maior parte de sua evolução. Foi só por volta de três milhões de anos atrás que esses animais começaram a se separar em linhagens distintas, com tamanhos maiores.

Em seguida, os cientistas recolheram dados ambientais, com o objetivo de descobrir o porquê dessa mudança. Reunidas, as informações mostraram que o crescimento dos cetáceos coincidiu com o início das glaciações, há cerca de 4,5 milhões de anos atrás. Nesse período, segundo os autores, as mudanças climáticas modificaram a distribuição dos alimentos das baleias nos oceanos. Em algumas partes do ano, como a primavera e o verão, havia uma ampla oferta de nutrientes, enquanto em outras, como outono e inverno, eles eram escassos.

Com isso, animais capazes de abocanhar grandes quantidades de alimentos e armazenar seus nutrientes durante longos períodos de escassez passaram a ter vantagem evolutiva. Aos poucos, as espécies menores desapareceram e deram espaço a animais cada vez maiores que, além de conseguir manter-se alimentados nos períodos em que as presas eram raras, são capazes de migrar milhares de quilômetros para aproveitar o suprimento sazonal de comida abundante em pontos distantes.

Segundo os cientistas, a compreensão das razões que estimularam as mudanças no tamanho das baleias pode ajudar no desenho de estratégias futuras para a conservação desses animais. “O tamanho de um animal determina seu papel ecológico”, explica Pyenson. “Nosso estudo ilumina como os oceanos e o clima atuais podem sustentar nossos maiores vertebrados. Contudo, esses dois fatores estão sofrendo transformações em escalas geológicas, no período de apenas uma geração. Com essas transformações tão velozes, será que o oceano terá capacidade de sustentar bilhões de pessoas e também as maiores baleias? As pistas para responder a essa questão estão em nossa habilidade de aprender com o passado da Terra – algo crucial para nosso presente.”

 

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FALSO MILAGRE: QUANDO O PESCADO VIRA CASO DE POLÍCIA

Peixes não entendem nada de política pesqueira. Não têm votos, não são devotos, mas podem ser vítimas de falsos milagres. O lugar deles é na mesa de milhões de consumidores graças ao esforço dedicado e incansável dos trabalhadores do mar. Não deixa ser desagradável quando um produto que é a base da boa saúde do brasileiro vai parar nas páginas policiais. Ainda que as operações da polícia se refiram a peixes importados, elas se refletem sobre todo o setor pesqueiro nacional e, até que tudo se esclareça, os pecadores e os pescadores ficam envolvidos na mesma rede de intrigas. Mais do que nunca é preciso separar o joio do trigo, o certo do errado, o culpado do inocente, o falso do verdadeiro.

 

ESCLARECIMENTO

“A respeito das duas operações deflagradas nesta terça-feira (16 de maio) pela Polícia Federal envolvendo servidores, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) vem a público esclarecer:

– O Mapa apoia integralmente a ação da Polícia Federal e vem colaborando com as investigações;
– Todos os servidores envolvidos na ação foram afastados preventivamente por 60 dias e, os que possuem cargos em comissão, exonerados das funções;

– Será aberto procedimento administrativo (sindicância) para investigar o envolvimento dos citados nas duas operações da Polícia Federal;

– Sobre a operação Lucas, envolvendo a Superintendência do Estado do Tocantins, é importante destacar que a servidora já estava exonerada há mais de 30 dias e que as investigações não atingem o sistema como um todo, se referindo a desvio de conduta de uma servidora;

– Com relação à Operação Fugu, realizada em Santa Catarina, todo o trabalho técnico, durante os nove meses de investigação, foi realizado com a participação de técnicos do Mapa, inclusive com a análise de amostras efetuadas no Lanagro (laboratório do ministério) no Pará;

– Por fim, o Ministério da Agricultura deixa claro que mantém a mesma postura de transparência e de cooperação com as investigações, como ocorreu durante os trabalhos de investigação da Operação Carne Fraca, deflagrada em março deste ano.

 

Eumar Novacki

Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento em exercício

 

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OPERAÇÃO FUGU

– Foi deflagrada na manhã desta terça-feira (16.05) a operação “Fugu”, que investiga irregularidades cometidas por diretores e fiscais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) na fiscalização de pescados. A Polícia Federal (PF) cumpriu 37 mandados judiciais em sete cidades de Santa Catarina.

De acordo com a PF, um grupo que atuava na Superintendência do Mapa em SC oferecia “proteção ilícita” a empresas do ramo alimentício. Além disso, há suspeitas de perseguição a servidores com atuação na área de fiscalização mediante instauração de procedimentos disciplinares e remoções infundadas.

 

Os policiais encontraram documentos indicando que as empresas introduziram pescados importados da China das espécies Panga, Merluza e Polaca do Alasca adulterados quimicamente. Era utilizada a técnica chamada ‘oversoaking’, que consiste na adição de água e produtos químicos no interior dos pescados elevar o peso dos produtos, entre outros efeitos.

“Os envolvidos responderão, na medida de suas participações, pelos crimes de associação criminosa, corrupção ativa e passiva, advocacia administrativa, prevaricação, importação, venda e entrega de produto alimentício adulterado/falsificado/alterado destinado a consumo, crimes contra o direito do consumidor, denunciação caluniosa, constrangimento ilegal, ameaça e falso testemunho”, alista a PF.

 

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OPERAÇÃO TRIPOLI

A Operação Tripoli deflagrada nesta quinta-feira (11 de maio) pela Polícia Federal em conjunto com o Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (DIPOA) do Ministério da Agricultura resultou em seis mandados de prisão, sendo cinco preventivas e uma temporária. Também foram designados seis mandados de condução coercitiva e 21 de busca e apreensão nos municípios de Barra Velha, Piçarras, Penha e Itajaí. Os suspeitos foram encaminhados à Delegacia de Polícia Federal de Joinville. Segundo a Polícia Federal, além das fraudes, há contrabando de camarões vindos de caminhão da Argentina.

Entre as fraudes e adulterações encontradas, estão a adição de substâncias químicas com o objetivo de incorporar líquidos aos filés de pescado, fraude pelo glaciamento não compensado (gelo em excesso) e fraude por substituição de espécies. No caso de líquidos, foram utilizados produtos à base de polifosfatos, com o objetivo de aumentar peso nos filés de peixe. O glaciamento é técnica adotada como proteção do pescado, porém é obrigatório que as empresas descontem o peso do gelo na pesagem para que o consumidor não seja lesado economicamente.

Quanto à fraude por substituição de espécies, consiste na mistura de espécies não correspondentes às que constam no rótulo do produto. A fiscalização tem conseguido reduzir expressivamente os índices dessa irregularidade. Em 2015, correspondiam a 23%, enquanto que na última operação do Mapa, realizada há dois meses, foram identificados apenas 3% de fraudes.

 

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OPERAÇÃO LUCAS

O ministro da Agricultura, Abastecimento e Pecuária (Mapa), Blairo Maggi (PP), está frustrado ao ver servidores do ministério, pela segunda vez, envolvidos em esquema de corrupção. Desta vez, a Operação Lucas, deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta terça (16 de maio), investiga esquema criminoso que teria movimentado R$ 3 milhões, entre 2010 a 2016.

Blairo está em viagem à Arábia Saudita para discutir a liberação do comércio de bovinos vivos e a certificação sanitária para entrada dos produtos. Em entrevista ao Blog da jornalista Andréia Sadi, do G1, o ministro diz que aguarda receber mais informações para afastar os supostos envolvidos. “Tem muita gente trabalhando para mudar a situação e a imagem da pasta”, disse o progressista ao G1.

 

‘As investigações preliminares da Polícia Federal, segundo a TV Anhanguera, apontam que a ex-superintendente do Ministério da Agricultura no Tocantins Ana Carla Feitosa recebia uma espécie de mesada de empresas fiscalizadas para bancar “despesas familiares” dela, do marido e de dois filhos.

 

 

OPERAÇÃO POSEIDON 2014:

A operação, realizada com apoio do Ministério da Agricultura, recolheu produtos de várias acusadas de embalar peixes de baixo valor como espécies nobres, cujos preços de mercado são mais altos.

A PF recolheu material dessas empresas para realizar análise de DNA em laboratório de Brasília. A investigação vinha sendo conduzida desde julho de 2013. Segundo o Ministério da Agricultura, a fraude avançou no País desde que houve aumento nas importações de pescado da China e do Vietnã. “Pessoas inescrupulosas reembalam e rotulam estes pescados com nomes de peixes que são tradicionalmente conhecidos e bem aceitos pela população brasileira”, disse em nota o chefe da Divisão de Inspeção de Pescado do ministério, Sidney Liberati.

 

 

VEJA MAIS:

NOTA DE ESCLARECIMENTO DO MAPA

 

OPERAÇÃO FUGU

 

OPERAÇÃO TRIPOLI

 

OPERAÇÃO LUCAS

 

OPERAÇÃO POSEIDON

 

VIDEO: CAMARÃO ARGENTINO

 

VIDEO: FISCALIZAÇÃO DE PEIXES IMPORTADOS

 

 

PEIXES E UBER

Nos últimos séculos, a população cresceu vertiginosamente e nossa capacidade de consumir bens naturais aumentou exponencialmente com o desenvolvimento tecnológico. Nos séculos 19 e 20, com pequenos navios e arpões manuais, pescadores quase extinguiram a população de baleias. E a queima indiscriminada de combustíveis fósseis aumentou a quantidade do gás carbônico na atmosfera, provocando o aquecimento global. Leia artigo do biólogo Fernando Reinach, publicado no O Estado de S.Paulo

 

SÃO PAULO – Para não desaparecer do planeta, o Homo sapiens terá de preservar os bens que pertencem à toda humanidade. O ar que circunda o planeta e os peixes que vagam pelos oceanos são exemplos desse tipo de bem. No passado, a quantidade desses bens era praticamente infinita em relação ao número de seres humanos. Tribos de índios podiam pescar quanto quisessem e acender quantas fogueiras fossem necessárias. O impacto dos peixes capturados e da fumaça gerada era insignificante. Não afetava o clima ou a abundância dos mares.

Mas, nos últimos séculos, a população cresceu vertiginosamente e nossa capacidade de consumir bens naturais aumentou exponencialmente com o desenvolvimento tecnológico. Nos séculos 19 e 20, com pequenos navios e arpões manuais, pescadores quase extinguiram a população de baleias. E a queima indiscriminada de combustíveis fósseis aumentou a quantidade do gás carbônico na atmosfera, provocando o aquecimento global.

Em 1968, Garrett Hardin argumentou que o ser humano precisa abdicar de sua liberdade de explorar bens comuns, se deseja sobreviver. E a razão fica clara no exemplo clássico dos pastos públicos na Europa. Esses podiam ser usados por qualquer pessoa para alimentar seus animais. As pessoas colocavam tantos animais na área que o pasto era destruído e todos saíam perdendo. E, apesar de compreenderem o fenômeno, as pessoas são incapazes de mudar seu comportamento. A solução foi regulamentar o uso.

E foi assim que surgiram as cotas nas grandes áreas de pesca. Primeiramente se estima a quantidade de peixe que pode ser capturada sem prejudicar o ecossistema (o que chamamos de teto), depois se determinava em que período do ano essa captura pode ocorrer. Nesse período, qualquer pescador pode pescar livremente até que o número de peixes capturados atinge o teto estipulado. Executado corretamente, esse conceito é capaz de preservar o estoque de peixes e foi amplamente adotado. Mas surgiu um problema. Como todos podiam capturar quanto quisessem, a competição se tornou feroz e em alguns pesqueiros em menos de 10% do tempo alocado para a pesca o teto era atingido. Por outro lado, esse sistema tinha uma vantagem: todos tinham a liberdade de pescar quanto conseguissem contanto que respeitassem o teto. A desvantagem é que a competição levava as pessoas a literalmente morrer em meio a tempestades e a capturar peixes de qualquer tamanho e qualidade.

            Parte inferior do formulário

Finalmente surgiu outra ideia, a combinação do conceito de teto com o de cotas. O teto determinava o máximo e as cotas, distribuídas entre os pescadores, permitia que cada um pescasse sua quota quando quisesse. Além disso, as cotas poderiam ser comercializadas. Esse sistema de teto e quotas (que em inglês é chamado de “Cap and Trade”) passou a ser utilizado em muitos pesqueiros. Ele reduz a competição, mas necessita de um sistema de distribuição de cotas, seja por sorteio, fila ou leilão. Ou seja, nem todos podem pescar. As vantagens e desvantagens desses dois sistemas foram objeto de debate nas últimas décadas.

Agora um novo estudo, onde pares de pesqueiros que utilizam cada sistema foram comparados, demonstrou que o sistema de teto e cota espalha melhor a atividade de pesca ao longo do tempo, melhora a qualidade dos peixes capturados, diminui o impacto sobre o ecossistema, aumenta a segurança dos pescadores, e permite que se aumente um pouco o teto. Ou seja, é claramente melhor do ponto de vista ambiental. Mas não elimina o problema de como distribuir as cotas e as potenciais injustiças associadas a esse processo.

Acompanhar a evolução do sistema de regulação dos pesqueiros é instrutivo, pois eles são as experiências mais antigas adotadas pela humanidade para regulamentar a utilização de bens comuns. Mais recentemente, sistemas semelhantes de teto e cotas têm sido propostos para regular o uso da atmosfera (um teto para a emissão de gás carbônicos e cotas que podem ser compradas pelos emissores desse gás) e para a exploração de florestas (teto de árvores a cortar e cotas para exploradores de florestas). Esse sistema também é utilizado em situações mais prosaicas como no sistema de táxi das grandes cidades (um teto para o número de táxis e cotas, licenças, distribuídas entre motoristas).

Cada vez mais ouviremos falar de sistemas de teto e cotas. Sua necessidade, utilidade e regras são parte de nosso esforço de salvar o planeta e farão parte de nosso dia a dia. E, apesar das discussões sobre as vantagens e desvantagens desses sistemas na regulação dos gases de efeito estufa ainda não ter chegado a toda a população, a chegada de aplicativos como o Uber e seu desafio ao sistema de teto e cotas dos táxis têm tornado essa discussão corriqueira nas grandes cidades. E isso não deixa de ser um progresso.

 

Fernando Reinach:  Peixes e Uber

 

 

CORVETAS CLASSE ‘TAMANDARÉ’: MARINHA DO BRASIL ENCERRA A PRIMEIRA ETAPA DO PROJETO

A Marinha do Brasil, por intermédio da Diretoria de Gestão de Programas da Marinha (DGePM), informa o encerramento, no último dia 10 de maio, da primeira etapa do processo de obtenção, por construção, de quatro navios militares com requisitos pautados no projeto básico de Corvetas da Classe “Tamandaré” (CCT).

Na referida fase, iniciada em 10 de abril de 2017, a DGePM publicou no Diário Oficial da União (DOU) um Chamamento Público convidando para participar do futuro processo licitatório empresas ou consórcios, nacionais ou estrangeiros, capacitados nos últimos dez anos em construção de navios militares de alta complexidade tecnológica, com deslocamento superior a 2.500 toneladas.

 

O processo de obtenção das CCT obedecerá às seguintes diretrizes básicas estabelecidas pela MB:

  • prioridade no atendimento às necessidades estratégicas de defesa do País, por meio da obtenção de novos navios militares de superfície, a fim de contribuir para o cumprimento das tarefas constitucionais da Força Naval;
  • necessidade de contar com empresa capacitada em projetar e construir navios militares de alta complexidade, cuja contratação deverá estar associada a um estaleiro nacional e à prática compensatória voltada para a geração de benefícios de natureza industrial, tecnológica e comercial ao Brasil; e
  • reconhecimento da importância estratégica e econômica da participação no processo das empresas nacionais que compõe a base industrial de defesa.

A próxima etapa do projeto prevê a elaboração e divulgação, no segundo semestre do corrente ano, da Solicitação de Proposta (Request for Proposal – RFP).

 

Leia mais

 

VIDEO: NOVAS CORVETAS DO BRASIL

 

DUAS TRAGÉDIAS NO MAR: AS VOZES DO DESESPERO E DA OMISSÃO

É doloroso ver o princípio de salvaguarda da vida humana no mar ser abandonado por covardia, descaso, omissão.

Onze de Outubro de 2013 foi uma das datas mais negras da crise migratória desencadeada pela Guerra da Síria. Nesse dia, 268 pessoas, entre as quais 60 crianças, morriam nas águas do Mediterrâneo, perto da ilha italiana de Lampedusa, depois de um barco pesqueiro sobrelotado proveniente da Líbia se ter virado e afundado. Quase quatro anos depois, a revista italiana L’Espresso divulga agora um conjunto de cinco gravações telefónicas que revelam como as autoridades italianas ignoraram durante cinco horas os pedidos desesperados de auxílio de um médico sírio a bordo.

Segundo a revista italiana, que reproduz as gravações áudio no seu site, o primeiro alerta foi dado às 12h39. A essa hora, o centro de operações da guarda costeira italiana, em Roma, recebe uma chamada de Mohanad Jammo, um médico sírio que dá conta dos problemas a bordo, indicando a presença de “cerca de cem crianças, cem mulheres e talvez cem homens”. Na verdade, soube-se mais tarde, estavam pelo menos 480 pessoas no pesqueiro líbio.

Às 13h17, o médico sírio volta a pedir ajuda. “Enviaram alguém? Somos sírios, somos cerca de 300”, diz. Uma voz masculina responde em tom impaciente: “Eu dou-lhe o número de Malta, porque está perto de Malta – perto de Malta, compreende?” Era o início de uma nova fase do incidente, em que Roma e La Valletta empurram entre si a responsabilidade pelo auxílio aos refugiados sírios.

A tragédia do Costa Concordia – Francesco Schettino, ex-comandante do navio Costa Concordia, foi condenado nesta quarta-feira (11 de maio) a 16 anos de prisão por causa do naufrágio do cruzeiro no qual morreram 32 pessoas, em janeiro de 2012.

De acordo com a Reuters, ele foi condenado por homicídio culposo múltiplo, por ter causado o naufrágio e por abandono do navio pelo tribunal de Grosseto, na Itália. No entanto, ele não irá para a cadeia antes da conclusão do longo processo de apelação na Itália, o que pode levar anos.

O abandono ocasionou o episódio mais famoso em todo o incidente: o momento em que o capitão da Guarda Costeira Gregorio De Falco ordena furiosamente que Schettino retorne ao cruzeiro para supervisionar as operações de resgate com a frase “Vada a bordo, cazzo!”

“Ouça, Schettino, talvez você tenha se salvado do mar, mas eu vou fazer você ficar muito mal. Farei você pagar por isto. Vá para bordo, porra!”, gritou De Falco para Schettino durante um diálogo de quatro minutos, por rádio.

 

VEJA MAIS:

O dia em que a Itália deixou 60 crianças se afogarem

 

Vídeo do acidente e as vozes do desespero e da omissão

 

Costa Concordia

 

Vídeo: Conversa entre o comandante do navio Costa Concordia e a Capitania dos Portos

 

ORCAS, TUBARÕES, MODELOS E OUTROS ACIDENTES

Os tubarões brancos, um dos mais temidos predadores do planeta, tem lá os seus dias de ser depredado. No princípio de maio deste ano, três deles foram vítimas de orcas, as baleias assassinas. Os tubarões tiveram o fígado e o coração devorados pelas orcas.

Tubarão ataca modelo – Uma modelo foi atacada por um tubarão enquanto estava dentro de uma gaiola subaquática para fazer um ensaio de fotos, no mar da Flórida, nos Estados Unidos. Um vídeo mostra o momento em que Molly Cavalli é mordida pelo animal no pé e vê o próprio sangue se espalhar pela água.

Domador sem noção – Um jovem tem sorte em estar vivo após ter sido atacado por um tubarão, que tentou montar e “domar” usando uma corda. O caso aconteceu ao norte do Queensland, na Austrália, na última semana. Depois de se dar mal na “brincadeira” e ficar ferido, Josh Neille precisou ser hospitalizado.

Tubarão mata adolescente – Uma jovem de 17 anos morreu ao ser atacada por um tubarão diante de sua família em uma praia da Austrália. A jovem estava surfando com seu pai na zona de Wylie Bay quando foi arrastada pelo tubarão.

 

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Orcas devoram tubarões brancos

Tubarão ataca modelo

Domador sem noção

Tubarão mata adolescente

 

 

 

 

PORTARIA 445 É ADIADA ATÉ ABRIL DE 2018

O Ministério do Meio Ambiente liberou por mais um ano a pesca as 475 espécies de peixes, que estava proibida desde o mês passado, quando entrou em vigor a Portaria 445/2014. Agora, até abril de 2018 supostamente serão feitos estudos para verificar quais espécies realmente correm risco de extinção e, a partir daí, definir novas regras de pesca sustentável.

 

A proibição da pesca, do transporte e da comercialização de peixes como badejo, garoupa, cherne, cação, entre outros, vinha prejudicando demais os pescadores. Com a prorrogação, milhares de trabalhadores podem voltar a exercer em paz suas atividades na pesca, sem risco de serem presos e penalizados.

A mobilização de parlamentares de Santa Catarina assegurou uma importante vitória para os pescadores brasileiros. Deu voz a trabalhadores que batalham para sustentar suas famílias.

Pescadores e representantes das colônias reclamam que a portaria 445/2014 não levou em consideração as características regionais do país e que não foi apresentado qualquer estudo prévio que comprove que tais espécies estão em situação de extinção. Outra dificuldade, reclamam os pescadores, é reconhecer e evitar que caiam na rede todas as 475 espécies até então proibidas de serem pescadas.

Agora, até abril de 2018 supostamente serão feitos estudos para verificar quais espécies realmente correm risco de extinção e, a partir daí, definir novas regras de pesca sustentável.

Para os representantes do setor pesqueiro, os pescadores não podem ser perseguidos, tratados como bandidos. É preciso preservar o ambiente e assegurar a continuidade das espécies, mas sem penalizar a cadeia produtiva e as pessoas que tiram do mar sua fonte de sustento.

 

 

 

Maio de 2107: Proibição de pesca é adiada para 2018

 

Maio de 2017: Portaria de pesca é adiada para 2018:

 

Abril de 2017: Proibição de pesca de 15 espécies é adiada para 2018

 

Junho de 2015: Proibição de pesca de 31 espécies é adiada no Brasil

     

SORTEIO DA TAINHA

Sorteio irá definir relação de embarcações para a safra da tainha deste ano.  Armadores terão que fazer a inscrição entre os dias 15 e 16 de maio

A decisão é do departamento de Registro, Monitoramento e Controle da Aquicultura e Pesca do Ministério da Agricultura – MAPA, do Ministério do Meio Ambiente e do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços – MDIC. A portaria estabelecendo os critérios e procedimentos para a escolha foi publicada no dia 10 de maio, no Diário Oficial da União.

De acordo com as regras, o sorteio para a seleção das 32 embarcações da modalidade do cerco da região sudeste/sul será realizado no dia 24 deste mês, às 10h no auditório do Ministério da Agricultura, em Brasília, e será transmitido ao vivo no Facebook. Para participar do sorteio, os armadores precisam fazer a inscrição por meio de um formulário eletrônico no site do MAPA. As inscrições para participar do sorteio das embarcações de cerco abrem às 8h do dia 15 de maio e podem ser feitas até às 23:59h do dia 16 de maio.

Conforme a portaria, para integrar o processo de sorteio, as embarcações devem seguir alguns critérios, como por exemplo, estar devidamente aderidas PREPS – Programa Nacional de Rastreamento de Embarcações Pesqueiras por Satélite e com o equipamento de monitoramento funcionando.

 

Detalhes – Conforme o diretor do Departamento de Registro, Monitoramento e Controle da Aquicultura e Pesca, Márcio Alves, a escolha se dará por meio de sorteios públicos. Para garantir transparência, o processo será transmitido pelo Facebook do Mapa no dia determinado.

O sorteio da frota da modalidade de emalhe será no dia 17 de maio, às 10h. O número máximo de autorizações será de 62 embarcações e o esforço máximo de pesca para a frota a ser autorizada não poderá ultrapassar 80% do somatório da arqueação bruta (AB) de 2016, limitando à somatória de 284 AB.

Já a modalidade de cerco terá sorteios no dia 24 de maio, também às 10h. Nesse caso, o número máximo de autorizações será de 32 embarcações e o esforço máximo de pesca para a frota de cerco também não poderá ultrapassar 80% do somatório da arqueação bruta da safra de 2016, ficando limitada à somatória de 1.188 AB.

Prazo para inscrições:

* Modalidade de emalhe: receberá inscrições entre 8h do dia 10 de maio e 23h59min do dia 11 de maio.

* Modalidade de cerco: receberá inscrições das 8h do dia 15 de maio às 23h59min do dia 16 de maio.

 

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Sorteio da tainha

 

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Ainda o sorteio da tainha

 

Um pouco mais sobre o sorteio

 

Portaria do sorteio

 

A ONDA INFINITA: A MAIS EXTRAORDINÁRIA ONDA QUE VOCÊ JÁ VIU

Imagine como o mar é poderoso. Ou não imagine: veja e confira. O vídeo “The Infinite Now” (O Infinito Agora) é um sensacional filme experimental feito por Armand Dijcks a partir de fotografias de Ray Collins, um grande artista do mar. Dijcks juntou fotografias para vídeo com uma técnica chamada cinemagraph produzindo imagens verdadeiramente fascinantes. O desenho final é acompanhado pela música da Orquestra Filarmônica de Rotterdam, que se transforma em um conto de fadas este extraordinário curta.

Curta a onda infinita

Ainda a onda infinita

 

 

 

SETOR PESQUEIRO E A PORTARIA 445

Uma comitiva do setor pesqueiro foi recebida no Ministério do Meio Ambiente – MMA, em Brasília no dia 5 de maio. Durante o encontro foi entregue aos integrantes do Ministério, um documento que pede a flexibilização da Portaria MMA nº 445/2015.

O documento com o pedido ao ministério foi oficializado pelo Coletivo Nacional da Pesca e Aquicultura – CONEPE, que representa os sindicatos regionais da pesca no Brasil e foi entregue pelo Diretor Técnico da entidade, Cadu Villaça, pelo presidente do SINDIPI, Jorge Neves e também pelo Presidente do SITRAPESCA, José Henrique Pereira. A comitiva foi recebida pelo Diretor de Biodiversidade e também pelo Gerente de Recursos Aquáticos Roberto Gallucci e o Técnico Sr. Vinícius Scofield.

A proposta das lideranças do setor pesqueiro é conseguir a reclassificação de algumas espécies, consideradas importantes economicamente.  A intenção é que as espécies que ocupam a posição de vulneráveis, sejam caracterizadas como, “Espécies sobreexplotadas e ameaçadas de sobreexplotação”.

 

De acordo com o Diretor de Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente, Ugo Vercilo, que participou do encontro, o pedido apresentado pelo setor será avaliado e até o final deste mês o ministério deve apresentar uma posição. Mas a criação de um novo anexo na lei, já foi descartada, a alternativa neste caso é a publicação de uma nova portaria concedendo uma prorrogação de um ano na lei que restringe a captura. Além desta prorrogação, o diretor se comprometeu em avaliar a possibilidade da retirada das espécies da 445 e da criação de uma porcentagem de tolerância referente ao descarte de outras espécies que pertencem a lista.

Representantes do setor pesqueiro pedem flexibilização da Portaria MMA nº 445

Representantes do setor pesqueiro pedem ajuda para derrubar Portaria 445

 

Representantes do setor pesqueiro vão ao Senado para tentar derrubar Portaria 445

 

Pescadores do Amapá pedem ao MMA revogação da Portaria 445

 

 

 

 

 

SEMANA DO PEIXE 2017

Começa oficialmente a mobilização para Semana do Peixe 2017.

2016 foi um ano atípico ao varejo brasileiro. Mesmo com a instabilidade econômica e política, o setor faturou R$ 338 bilhões, nominalmente 7,1% mais em relação ao ano anterior. O autosserviço representou 5,4% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

No caso do pescado, a Páscoa não apresentou bons resultados. Mas a 13ª Semana do Peixe, entre 1º e 15 de setembro, surpreendeu: há relatos de redes que venderam 40% a mais em determinadas categorias, consumo que não despencou imediatamente após a campanha.

Se em um ano adverso os resultados chegaram a este patamar, com a economia em recuperação em 2017 o desempenho pode ser ainda melhor. É nisto que acreditam alguns empresários e entidades setoriais, que já iniciaram a articulação do setor privado para a organização da 14ª edição da Semana do Peixe, que também será na primeira quinzena de setembro.

O pontapé oficial para o evento foi dado durante a feira Apas Show, na semana passada. O Comitê da Cadeia Produtiva da Pesca e da Aquicultura (Compesca) da Fiesp imprimiu 2000 convites para distribuição em todos os estandes com pescado do evento.

O objetivo foi sacramentar a data (1º a 15 de setembro de 2017) e convocar o varejo a integrar a mobilização em torno das diversas ações pretendidas para a Semana do Peixe 2017. A próxima etapa é envolver definitivamente todos os demais elos da cadeia produtiva, que podem colaborar por meio de ações de incentivo e conscientização sobre o consumo de pescado, preços promocionais, valorização da produção aquícola, pesqueira e processamento, entre outras.

A articulação do setor privado teve início em março, com uma reunião do Compesca da qual participaram representantes de entidades como Abia, Abrapes, Abrasel, Apas, CNA, Ceagesp, além da mídia especializada (Seafood Brasil e SuperHiper). Outras associações também já declararam apoio à iniciativa, como a Abipesca e Andip.

14ª Semana do Peixe 2017

 

Alimentos com fonte de Ômega 3, como o pescado, não faltam na refeição de 60% de consumidores no Brasil

 

 

PESCADORES RESGATADOS

Pescadores são resgatados após ficar à deriva e sem comunicação em SP. Embarcação ficou com o cabo da âncora enroscado na hélice e, por isso, ficou à deriva.

Quatro pescadores foram resgatados após ficarem aproximadamente 2h sem comunicação em uma lancha à deriva na costa do litoral de São Paulo, na noite de 4 de maio. A embarcação onde eles estavam ficou com o cabo da âncora enroscado na hélice e, também, teve uma pane mecânica no motor.

O resgate foi feito por uma equipe do Patrulhamento Náutico da Polícia Militar Ambiental. Os policiais estavam monitorando a região, próxima à Bertioga (SP), com o objetivo de coibir a pesca de camarão, que está em período defeso. Foi quando eles avistaram a lancha No Fear, de quase 10 metros de comprimento.

De acordo com a polícia, a embarcação estava a menos de 1,5 km da costa e corria o risco de atingir os rochedos. Ao se aproximarem, ouviram o pedido de socorro das pessoas a bordo, que informaram a situação de emergência. “Foi Deus que guiou esses homens até aqui”, disse um dos pescadores aos policiais.

A No Fear foi, então, rebocada pela lancha da polícia até uma marina localizada às margens do Canal de Bertioga. Ainda segundo a polícia, nenhum dos quatro pescadores se feriu no incidente, que foi comunicado à Capitania dos Portos de São Paulo (CPSP), a Autoridade Marítima.

Polícia Ambiental fez o resgate dos pescadores

 

O MINIMUNDO DOS PEIXES

DAS 2.500 espécies de peixes que nadam pelos rios da Amazônia, é compreensível que a gente conheça só os que são grandes (e apetitosos), como o pirarucu e o tambaqui. É compreensível, repito, mas é uma pena, porque os milhares de quilômetros de água corrente da região guardam surpresas de todos os tamanhos — inclusive em miniatura. Leia artigo de Reinaldo José Lopes.

Considere, por exemplo, os membros do gênero Priocharax, estudados por cientistas como George Mattox, do campus sorocabano da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos). “Se você olha os cardumes de cima, parece que tem um enxame de abelhas dentro d’água”, contou-me Mattox em conversa telefônica, referindo-se aos bandos de até 3.000 indivíduos que ele já viu na natureza. Diáfanos, quase transparentes, os Priocharax pertencem à categoria dos minipeixes ou peixes miniaturizados, na qual se encaixam, por convenção, todos os peixinhos cujas formas adultas têm comprimento inferior a 2,6 cm.

Os Priocharax são parentes das piranhas, piabas e traíras, mas há ainda minipeixes do grupo dos bagres e dos tucunarés. Assim como o chão da floresta está repleto de uma diversidade incrível de invertebrados, que só aparece quando alguém se dá ao trabalho de peneirar o sedimento, os minipeixes frequentemente estão entocados mais para o fundo.

Sabemos muito pouco sobre esses bichos, claro —o tamanhinho não ajuda, assim como os hábitos esquivos. Até 2011, só duas espécies de Priocharax tinham sido identificadas. Foi nesse ano que o pesquisador da UFSCar e seus colegas Mônica Toledo-Piza, da USP, e Ralf Britz, do Museu de História Natural de Londres, identificaram um novo bicho do gênero, o Priocharax nanus (“anão”, em latim), cuja descrição oficial foi publicada em 2014. Desde então, já surgiram mais três

Os Priocharax parecem ser resultado de experimentos evolutivos intrigantes, envolvendo ajustes no ritmo do desenvolvimento embrionário, de tal maneira que os peixinhos adultos do gênero ainda guardam certas características dos embriões (como nadadeiras peitorais cartilaginosas que não chegaram a virar osso).

Tem outra espécie que evoluiu de modo semelhante: um certo Homo sapiens, cuja anatomia tem semelhanças interessantes com as de fetos e bebês de chimpanzés. Na árvore da vida, pelo visto, os galhos brotam de maneira semelhante onde a gente menos espera.”

Leia artigo de José Reinaldo Lopes

 

Pesquisadores descobrem peixe transparente de 15 mm no Amazonas

 

 

 

O APETITE DA CHINA

Apetite doméstico da China por pescado vai superar exportações até 2020. O País vai deixar de ser o maior exportador de pescado do mundo para se tornar o maior importador

A China vai continuar a liderar a lista dos principais importadores globais e puxará o crescimento do mercado de carnes bovinas, suína e de aves nos próximos anos. Essa é a conclusão do relatório recentemente publicado pelo Rabobank: “China’s Animal Protein Outlook to 2020”.
O banco estima que as importações totais de carnes, com exceção de peixes e frutos do mar, da China continental vão ultrapassar 6 milhões de toneladas em 2020. O volume pode ser ainda maior, já que boa parte das importações ocorre de maneira indireta e não oficial via Hong Kong e Vietnã. A carne suína representa metade do fluxo.
Só que o pescado deve representar 10 vezes mais este volume. De acordo com a OCDE, a China deve chegar a 2022, quando terá mais de 1,5 bilhão de habitantes, com um consumo de pescado superior a 45 kg per capita/ano. Isso exigirá um volume aproximado de 70 milhões de toneladas de pescado anuais.
A produção nacional de pescado na China deve alcançar 66 milhões de toneladas em 2020, segundo o plano quinquenal chinês divulgado em 2016. No ano passado, a China importou o equivalente a US$ 6,9 bilhões ao longo de 2016, mas vendeu ao exterior em torno de US$ 13,7 bilhões.
Aos poucos, no entanto, o País vai deixar de ser o maior exportador de pescado do mundo para se tornar o maior importador, segundo o especialista em seafood do Rabobank, Gorjan Nikolik, afirmou recentemente.
Os custos crescentes de mão de obra e limitações produtivas devem segurar a produção e o processamento. Fontes consultadas pela Seafood Brasil estimam que um funcionário de uma indústria chinesa de pescado ganhe US$ 400 ao mês, enquanto há 5 anos recebia a metade.
As mesmas fontes relataram que o Brasil tem um custo médio de US$ 800 mensais por funcionário de uma planta frigorífica, o que já deixaria o País mais competitivo inclusive para exportar aos chineses.

 

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PORTARIA 445: NEGOCIAÇÃO E PROTESTOS

Governo do Estado do Espírito Santo defende que 41 espécies sejam liberadas para pesca. Pescadores protestam em Santa Catarina e na Bahia.


O Governo do Estado do Espírito Santo, por meio da Secretaria de Estado de Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag), encaminhou ao Ministério do Meio Ambiente no dia 26 de abril um estudo técnico solicitando a liberação para a pesca de 41 espécies que estão suspensas por meio da portaria 445/2014, que proíbe a captura, transporte e comercialização de 475 espécies.

O estudo é assinado pelo mestre em biologia e coordenador em projetos de aquicultura e pesca da Seag, Alejandro Garcia, e contou com a colaboração do gerente de Aquicultura, Pesca e Produção Animal da Seag, Anderson Baptista, e do subsecretário José Francisco Maio Filho. O texto final será encaminhado pelo Governo ao Ministério do Meio Ambiente e entregue à bancada federal.

O documento aponta que dentre as principais espécies que estão impedidas de serem capturadas e que são de importância econômica para o Espírito Santo estão o atum, o badejo, o budião, a garoupa, o cação e o vermelho. “As espécies que constam na portaria do Ministério da Agricultura correspondem a 40% da quantidade de peixes capturados na costa capixaba. Além disso, a medida interfere na cultura gastronômica de um Estado, como na moqueca capixaba, ao se proibir a pesca de badejos e garoupas. Se mantidas, as medidas impactarão profundamente um importante setor da economia capixaba, gerando abrupta redução na circulação de recursos, desemprego e pobreza”, afirmou Alejandro Garcia.

“Estamos apresentando o estudo para o Ministério do Meio Ambiente e para a bancada federal defendendo que 41 espécies, que são muito pescadas no Espírito Santo, saiam da lista. Todas estas têm muita relevância para o setor. Acreditamos que na política e com os argumentos técnicos vamos reverter essa decisão, porque o estado da Bahia já conseguiu desde a semana passada retirar algumas espécies da portaria. São 16 mil pescadores no Espírito Santo. E é uma pesca artesanal, são pessoas que vivem exclusivamente de pescar”, argumentou o secretário de Estado da Agricultura, Octaciano Neto.

Pescadores protestam – Pescadores em Itajaí fecharam a BR-101, nas primeiras horas o dia 27 de abril, no trevo da ponte de Navegantes com BR 101 e SC 470, em Santa Catarina, em protesto contra a portaria 445/2014. As lideranças sindicais da região declararam que não estavam envolvidas neste protesto, embora apoiem as reivindicações e que estes foram realizados de maneira independente e lideradas por pescadores, industriais e artesanais da região.

Enquanto isso, na Bahia, pescadores fecharam a BR-101, nas primeiras horas da manhã do dia 21 de abril, no trevo de Posto da Mata, no extremo Sul do Estado. O trecho é muito movimentado e faz ligação entre os estados da Bahia, Minas Gerais e Espirito Santo.

De acordo com os pescadores, cerca de mil profissionais da pesca e familiares temem pelo desemprego por causa da Portaria 445. Eles levantaram faixas e cartazes contra a portaria e bloquearam a rodovia por volta das cinco horas da manhã. Ainda conforme informações, pescadores da cidade de Alcobaça, Prado, Caravelas, Mucuri, Nova Viçosa, Posto da Mata e Porto Seguro participaram do protesto.

 

 

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PORTARIA DA TAINHA 2017

Ministérios publicam portaria que libera licenças para a pesca da tainha em Santa Catarina em cima da hora.

A três dias do início oficial da temporada de pesca da tainha, os Ministérios da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, do Meio Ambiente, e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, publicaram no Diário Oficial da União, no dia 28 de abril, a portaria nº 23, de 27 de abril de 2017, que estabelece normas, critérios e padrões para o exercício da pesca de tainha nas regiões Sudeste e Sul do Brasil, incluindo Santa Catarina.

De acordo com as discussões e os estudos realizados no âmbito do Sistema de Gestão Conjunta e Compartilhada dos Recursos Pesqueiros, fica estabelecido que a temporada de pesca nas áreas determinadas para cada modalidade será:

– modalidade desembarcada ou não motorizada: de 1º de maio a 31 de dezembro;
– modalidades de emalhe costeiro de superfície: de 15 de maio a 15 de outubro para embarcações com até 10 AB (arqueamento bruto) e de 1º de junho a 31 de julho para embarcações de 10 a 20 AB;

– modalidade de emalhe costeiro que utiliza anilhas: de 15 de maio a 31 de julho;
– modalidade cerco: de 1º de junho a 31 de julho.

Ao todo, serão 32 licenças para a frota de cerco a serem liberadas aos pesqueiros das regiões Sul e Sudeste do país, e 65 licenças para as modalidades de emalhe costeiro na região Sul. Com a publicação da portaria, as licenças deverão ser emitidas na próxima semana, de acordo com previsão do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Assim como aconteceu em 2016, a demora na emissão das licenças deixou apreensiva a Federação dos Pescadores de Santa Catarina. Segundo o presidente da entidade, Ivo Silva, essa demora prejudica os pescadores que precisam colocar os equipamentos em ordem antes do início da temporada.

— O pessoal precisa saber com mais antecedência se vai conseguir a licença, porque é preciso preparar e revisar as embarcações, e reparar e embarcar as redes. Nossa preocupação era grande, mas com a publicação da portaria podemos ficar um pouco mais tranquilos — disse Silva.

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento informou que o atraso na liberação das licenças aconteceu porque “dependem de um longo processo de discussão para se chegar à definição do quantitativo a ser autorizado, agravado pelo reduzido contingente na Secretaria [de Pesca]”.

Com a previsão de chegada das licenças nos próximos dias, os pescadores começam a se animar com a nova temporada. Laurentino Neves, 55 anos, presidente da Associação de Pesca de Arrasto da Barra da Lagoa, espera que a safra deste ano chegue pelo menos à metade do que foi em 2016, considerada a melhor dos últimos 30 anos, com a captura de 3,5 mil toneladas.

— A pesca da tainha é imprevisível. A gente sempre tem uma expectativa positiva, mas temos que aguardar. Vai ser difícil alcançar a safra do ano passado, mas a partir de 1.800 toneladas já podemos considerar uma boa temporada — afirmou Neves.

 

 

Ministérios publicam portaria

 

Novas regras

 

Dúvidas e interrogações

 

Começa a temporada da pesca artesanal da tainha