O MAR OCEANO DE FERNANDO PESSOA

Fernando António Nogueira Pessoa (Lisboa, 13 de junho de 1888 — Lisboa, 30 de novembro de 1935), foi um poeta, escritor, publicitário, astrólogo, crítico literário, inventor, empresário, tradutor, correspondente comercial, filósofo e comentarista político português.

 

Fernando Pessoa é o mais universal poeta português. Por ter sido educado na África do Sul, numa escola católica irlandesa, chegou a ter maior familiaridade com o idioma inglês do que com o português ao escrever os seus primeiros poemas nesse idioma. O crítico literário Harold Bloom considerou Pessoa como “Whitman renascido”, e o incluiu no seu cânone entre os 26 melhores escritores da literatura ocidental.

 

Mas ele é português antes de mais nada e acima de tudo:

 

Ó mar salgado, quanto do teu sal

São lágrimas de Portugal!

Por te cruzarmos, quantas mães choraram,

Quantos filhos em vão rezaram!

Quantas noivas ficaram por casar

Para que fosses nosso, ó mar!

 

Valeu a pena? Tudo vale a pena

Se a alma não é pequena.

Quem quer passar além do Bojador

Tem que passar além da dor.

Deus ao mar o perigo e o abismo deu,

Mas nele é que espelhou o céu.

 

 

Fernando Pessoa é pura vertigem marítima:

 

Quero ir convosco, quero ir convosco,

Ao mesmo tempo com vós todos

Pra toda a parte pr’onde fostes!

Quero encontrar vossos perigos frente a frente,

Sentir na minha cara os ventos que engelharam as vossas

Cuspir dos lábios o sal dos mares que beijaram os vossos

Ter braços na vossa faina, partilhar das vossas tormentas

Chegar como vós, enfim, a extraordinários portos!

Fugir convosco à civilização!

Perder convosco a noção da moral!

Sentir mudar-se no longe a minha humanidade!

Beber convosco em mares do Sul

Novas selvajarias, novas balbúrdias da alma,

Novos fogos centrais no meu vulcânico espírito!

Ir convosco, despir de mim – ah! põe-te daqui pra fora! –

O meu traje de civilizado, a minha brandura de ações,

Meu medo inato das cadeias,

Minha pacífica vida,

A minha vida sentada, estática, regrada e revista!

 

No mar, no mar, no mar, no mar,

Eh! pôr no mar, ao vento, às vagas,

A minha vida!

Salgar de espuma arremessada pelos ventos

Meu paladar das grandes viagens.

 

Fernando Pessoa foi muita gente: Álvaro de Campos, Alberto Caieiro, Ricardo Reis, Bernardo Soares, entre outros. Viaje um pouco no mar oceano de Fernando Pessoal.

 

 

 

Pessoa: Mar português

 

Parte-se de mim qualquer coisa

 

Ode marítima

 

Tabacaria

 

Poema em linha reta

 

O BARCO DO AMOR DE CALÍGULA

Das paradisíacas margens do lago Nemi, bacia cercada de colinas na região central da Itália, os cidadãos comuns do Império Romano viam de longe as ruidosas festas sexuais que aconteciam à bordo dos barcos do amor de Calígula (12-41 d.C.), o mais polêmico dos mandatários da Antiguidade. Regadas a grandes quantidades de álcool, essas celebrações foram símbolos dos excessos do monarca, mas também sinalizaram sua ruína.

Naquela época, os plebeus apenas sonhavam com o que acontecia detrás das amuradas, mas uma nova pesquisa conduzida pela Agência de Proteção Ambiental da Calábria deve fornecer detalhes sobre os misteriosos navios. O estudo visa descobrir a localização da maior das três embarcações do imperador.

Curto e intenso – Calígula ficou famoso pelo seu curto, porém intenso, comando de Roma. Em quatro anos, foi de mandatário amado pelo povo a vítima de um complô de senadores, fartos de seus desmandos. Os relatos sobre esse reinado foram escritos por historiadores desfavoráveis, por isso é difícil discernir lendas de fatos.

Entre os acontecimentos duvidosos estão o de que ele quis nomear cônsul seu cavalo, de que manteve relações incestuosas com três irmãs e de que mandou fechar a baía de Nápoles com uma sequência de barcos comerciais por puro capricho, entre outras insanidades. Apesar disso, a maioria dos historiadores concorda que o imperador apresentava perversões como essas em alguma medida.

Também há consenso de que suas excentricidades megalomaníacas dilapidaram os cofres romanos. “Mesmo que algumas das acusações sejam exageradas, Calígula parece ter tido uma natureza bastante instável”, afirma Francesco Camia, professor de arqueologia da Sapienza, Universidade de Roma, que não está ligado às buscas. “Talvez sofresse de problemas psicológicos.”

 

O barco do amor de Calígula

As naus de Nemi

O CALÍGULA DE CAMUS

 

A ONDA INFINITA: A MAIS EXTRAORDINÁRIA ONDA QUE VOCÊ JÁ VIU

Imagine como o mar é poderoso. Ou não imagine: veja e confira. O vídeo “The Infinite Now” (O Infinito Agora) é um sensacional filme experimental feito por Armand Dijcks a partir de fotografias de Ray Collins, um grande artista do mar. Dijcks juntou fotografias para vídeo com uma técnica chamada cinemagraph produzindo imagens verdadeiramente fascinantes. O desenho final é acompanhado pela música da Orquestra Filarmônica de Rotterdam, que se transforma em um conto de fadas este extraordinário curta.

Curta a onda infinita

Ainda a onda infinita

 

 

 

UM GRÃO DE AREIA

Cassini fotografa a Terra vista entre os anéis de Saturno. Apesar de ser o quinto maior planeta do sistema solar, a Terra aparece como uma minúscula esfera azulada vista a 1,4 bilhão de quilômetros de distância. Um pálido ponto azul. Um grão de areia.

O tamanho da Terra na imagem é tão reduzido que, quando a agência espacial americana fez a publicação, usuários do Twitter começaram a questionar a própria significância do planeta frente ao resto do universo. “Bilhões e bilhões de pessoas na Terra. Ver isso me faz sentir como se fôssemos tão pequenos e insignificantes”, escreve um. “Eu não consigo acreditar que tudo o que já aconteceu, amor, ódio e toda a história, foi nesse minúsculo grão de poeira”, compara outra usuária.

Se a foto for ampliada, ainda é possível enxergar um ponto quase imperceptível ao lado esquerdo do nosso planeta. Segundo a Nasa, essa é a Lua – que tem um diâmetro equivalente a pouco mais de um quarto do da Terra.

Há 27 anos, a nave Voyager tirou uma foto da Terra fazendo sua órbita no Sistema Solar. Nosso planeta — a 6 bilhões de quilômetros da nave — é um pequeno pálido ponto azul iluminado por um raio de Sol. Trata-se de uma imagem icônica, e todas as pessoas que gostam de ciência conhecem a importância dela.

“A Terra é um palco muito pequeno numa vasta arena cósmica. Pense nos rios de sangue derramado por todos os generais e imperadores para que, entre glória e triunfo, eles pudessem ser mestres momentâneos de uma fração do ponto. Pense nas infinitas crueldades cometidas pelos habitantes de um canto desse pixel contra seus iguais de outro canto. Pense em quão frequentes foram os desentendimentos deles, em quão sedentos eles estavam para matar uns aos outros, em seus ódios fervorosos. Nossas atitudes, nossa autoimportância imaginária, a ilusão de que temos uma posição privilegiada no universo são desafiadas por esse ponto de luz pálida. Nosso planeta é um espécime solitário na grande escuridão cósmica que nos circunda. Em nossa obscuridade — em toda essa vastidão — não existe nenhum indício de que a ajuda virá de outro lugar para nos salvar de nós mesmos”, escreveu Sagan.

Cassini e o grão de areia

Pálido ponto azul, por Carl Sagan

Pálido ponto azul, por Carl Sagan (em inglês, com legendas)

 

AS VELAS DO MUCURIPE

Quando alguém perguntava ao Fagner sobre a importância de Belchior na sua carreira, por causa da parceira deles na música Mucuripe, o cantor falava com certa mágoa sobre ele, sem entrar em detalhes o que motivou tal sentimento. “Agora é deixar de lado as diferenças pessoais e lamentar a perda de um grande artista para nossa geração de cantores do Ceará, por ser, talvez, o parceiro da música mais mais importante, que é Mucuripe e para a música brasileira, que é inegável”, disse Fagner por telefone de sua casa do Rio de Janeiro.

O cantor Fagner ficou sabendo da morte de Belchior logo cedo por meio de Fausto Nilo, compositor e poeta, que fez parte do que se rotulou de “pessoal do Ceará” (cantores e compositores que despontaram na música no início dos anos 1970). “Belchior foi muito importante para uma geração de cantores do Ceará que veio tentar a sorte no sudeste. Foi uma pessoa que fez com que eu viesse para o Rio de Janeiro. Certamente não teria vindo sem seu apoio. Ele foi fiador da minha vinda junto à minha família, lá em Brasília. Então, ele tem uma importância enorme para mim, acima de qualquer diferença pessoal que a gente não conseguiu resolver ao longo da vida”, enfatizou Fagner.

Em 2009, Fagner encontrou com Belchior, quatro dias antes dele sumir e começar às especulações sobre seu paradeiro. Os cantores participaram de um evento da música em Canela, no Rio Grande do Sul, e conversaram no hotel em que ficaram hospedados. “Nos encontramos depois de muito tempo, no restaurante do hotel, no café da manhã, estavam outros artistas como Sérgio Reis e Amado Batista. Batemos um bom papo, falamos de música, sobre a vida, livros, foi quando ele me mostrou um poema que ele escreveu para mim. Depois disso, nunca mais o encontrei”, relembra Fagner.

A música Mucuripe foi lançada em 1972, no Disco de Bolso do jornal O Pasquim, por Sérgio Ricardo, e logo em seguida foi gravada por Elis Regina e Roberto Carlos. “Foi a música que nos projetou, tanto eu como Belchior, devemos a ‘Mucuripe’, isso”, entende, E como diz o trecho inicial de Mucuripe, a mágoas entre os cantores foi levada “Pras águas fundas do mar”. “As velas do Mucuripe/Vão sair para pescar/Vou levar as minhas mágoas/Pras águas fundas do mar”.

 

As velas do Mucuripe 1

As velas do Mucuripe 2

As velas do Mucuripe 3

Paralelas

Belchior, Fagner e as velas do Mucuripe

 

LAUTRÉAMONT: EU TE SAÚDO, VELHO OCEANO!

Sem títuloIsidore Lucien Ducasse, mais conhecido pelo pseudônimo literário de Conde de Lautréamont (Montevidéu, 4 de abril de 1846 — Paris, 24 de novembro de 1870) foi um poeta uruguaio que viveu na França. Ele é o autor dos Cantos de Maldoror. Sua poesia também era apreciada por André Breton, que o considerava, de certa forma, como um dos precursores do surrealismo.

Para Leonardo Fróes, “desde a consagração surrealista, pesquisadores de várias línguas têm enfrentado os dois enigmas, a obra e a vida, com uma paciência exemplar. Graças a esses trabalhos, sabe-se hoje, por exemplo, que a longa cena de amor entre Maldoror e a tubaroa é a transcrição quase fiel de uma descrição, por Michelet, dos hábitos sexuais dos tubarões. Do mesmo modo, grande parte do bestiário que vem à tona nos “Cantos” foi extraída de descrições científicas que a pena alucinante do artista modificou como quis.”

            Eis a famosa cena de amor de Maldoror com a fêmea do tubarão: “Duas coxas nervosas se colaram estreitamente à pele viscosa do monstro, como duas sanguessugas; e, os braços e as nadadeiras entrelaçados ao redor do corpo do objeto amado, rodeando-o com amor, enquanto suas gargantas e seus peitos logo formavam coisa alguma, a não ser uma massa glauca, com exalações de sargaços; no meio da tempestade que continua a provocar estragos; à luz dos relâmpagos; tendo por leito de himeneu a vaga espumosa, transportados por uma corrente submarina como em um berço, rolando sobre si mesmos, rumo às profundezas desconhecidas do abismo, juntaram-se em uma cópula longa, casta e horrorosa!… Finalmente, acabava de encontrar alguém semelhante a mim!… De agora em diante, não estava mais só na vida!… Ela tinha as mesmas ideias que eu!… Estava diante do meu primeiro amor!”

Está lá também o seu hino ao oceano:

 “Velho oceano, à tua primeira aparição, um sopro prolongado de tristeza, que acreditaríamos ser o murmúrio da tua brisa suave, passa, deixando traços indeléveis sobre a alma profundamente abalada, e tu recordas à memória dos teus amantes, sem que disso sempre nos demos conta, os rudes começos do homem, em que travava conhecimento com a dor, que jamais o deixa. Eu te saúdo, velho oceano!

            Velho oceano, tua forma harmoniosamente esférica, que alegra o rosto sisudo da geometria, lembra-me Sem título3somente muito os pequenos olhos do homem, parecidos aos do javali pela pequenez, e aos dos pássaros noturnos pela perfeição circular do contorno. Porém, o homem julgou-se belo em todos os séculos. Eu suponho antes que o homem não acreditou na sua beleza senão por amor próprio; mas, que não é realmente belo e que duvida, pois porque olha ele a figura do seu semelhante com tanto desprezo? Eu te saúdo, velho oceano!

Velho oceano, tu és o símbolo da identidade: sempre igual a ti mesmo. Tu não te alteras de modo essencial, e se as tuas vagas estão nalguma parte em fúria, mais longe, nalguma outra zona, elas estão na calma mais completa. Tu não és como o homem, que para na rua para ver dois buldogues a agarrarem-se pelo pescoço, mas que não para quando um enterro passa; que está esta manhã acessível e noutra de mau humor; que hoje ri e amanhã chora. Eu te saúdo, velho oceano!

Velho oceano, não haveria nada de impossível naquilo que tu guardas no teu seio de futuras utilidades para o homem. Tu já lhe deste a baleia. Tu não deixas facilmente adivinhar aos olhos ávidos de ciências naturais os mil segredos da tua organização íntima: tu és modesto. O homem vangloria-se continuamente, e por ninharias. Eu te saúdo, velho oceano!”

 

Sem título4Veja mais:

Eu te saúdo, velho oceano (texto completo)

Em francês

Vídeo: Je te salue, viel océan!

Lautréamont: a sombra de um maldito

Lautréamont e os prazeres do comparatismo literário

 

LA MER DEBUSSY

Sem título1La Mer, três esboços sinfônicos” ou como é mais conhecida – “La Mer“, é uma peça para orquestra composta por Claude Debussy. É considerada a obra-prima do autor, que com ela revolucionou a maneira de compor e dispor dos elementos da orquestra em uma peça. No plano da harmonia, ela também foi revolucionária, já que ao fugir da tonalidade tradicional o autor criou um novo universo harmônico, empregando modos e escalas antigas e não europeias. A peça não se prende a qualquer estrutura formal e utiliza novas concepções rítmicas para a época.

A Criação – Claude Debussy começou a compor a obra em setembro de 1903, na Borgonha, continuou a trabalhar nela em Paris, e a concluiu em Eastbourne, Inglaterra, a beira do Canal da Mancha, no dia 5 de março de 1905. A sua estreia se deu nos Concertos Lamoureux sob a regência de Camille Chevillard, no dia 15 de outubro de 1905. Foi pouco compreendida por seus conterrâneos em sua estreia. A crítica mais famosa da época foi escrita por Pierre Lalo, famoso crítico francês, que escreveu: “Não ouço, não vejo e não sinto o mar”. Na realidade, a obra não é uma composição sobre o mar, mas sim sobre lembranças e sentimentos que evocam o mar, segundo o seu autor.

A Orquestra – A partitura da música requer os seguintes componentes orquestrais: duas flautas, um flautim, dois oboés, um corne-inglês, dois clarinetes, quatro trompas, três trombetas, três fagotes, duas cornetas de pistão, três trombones, uma tuba, instrumentos de percussão, duas harpas e instrumentos de cordas (violinos, violas, violoncelos, contrabaixos).

A Execução – A execução, no molde padrão, leva em torno de 24 minutos. A peça é dividida em três movimentos:

  1. De l’aube à midi sur la Mer (Da Alvorada ao Meio-dia no Mar) – Muito lento (Si menor) – 9′.
  2. Jeux de Vagues (Jogo das Ondas) – Allegro (Dó# menor) – 6’30”.
  3. Dialogue du Vent et de la Mer (Diálogo do Vento com o Mar) – Animado e Tumultuoso (Dó# menor) – 8′.

 

Claude Debussy: La Mer; Philharmonia Orchestra, Herbert von Karajan

 

La mer: Vladimir Ashkenazy & Cleveland Orchestra

 

Visão crítica

 

MAR AZUL DE FERREIRA GULLAR

sem-titulo1Neste momento, detalhes sobre a biografia e a trajetória literária de Ferreira Gullar já estão disponíveis em diversos artigos e reportagens na Internet – muitos recorrendo, justificadamente, à expressão “perda irreparável”, escreve Luciano Trigo em O GLOBO. No caso do poeta maranhense, o clichê se torna exato e verdadeiro como um verso: esta é mesmo uma perda irreparável. A excelência e a consistência de sua produção poética ao longo de mais de seis décadas (seu primeiro livro, “A luta corporal”, começou a ser escrito em 1950), não encontram termo de comparação no Brasil de hoje.

Mas a morte de Ferreira Gullar também tem um impacto simbólico que supera o da partida de outros escritores: ela marca o fim de uma era na cultura brasileira, em dois aspectos igualmente importantes.

 

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Mar azul

Enquanto o mar bate azul em Ipanema

Quem dera ser um peixe

Solidariedade

Fim de uma era

 

CONVERSA SOBRE BARCOS

sem-tituloCarlos Heitor Cony é um jornalista e escritor brasileiro. É editorialista da Folha de S. Paulo e membro da Academia Brasileira de Letras (ABL) desde 2000. Ele já publicou contos, crônicas e romances. Seu romance mais famoso é de 1995, “Quase Memória”, que vendeu mais de 400 mil exemplares. Leia aqui seu texto sobre barcos.

“Gosto de barcos, mesmo quando estou fora deles. Todos os dias, mal desperto de minhas noites vazias, vou espiar a Lagoa iluminada pela manhã. Há sempre a moça que veste a malha preta e caminha atleticamente, balançando os cabelos louros.

Olho para ela com admiração, mas sem emoção. Para os barcos, sim. Admiro-os e me emociono. Contudo, venho notando uma degradação no visual. Tradicionalmente, eles têm a mesma cor dos violinos. E têm também um cheiro bom de madeira nobre e envernizada.

Lembro o deslumbramento da infância, quando o pai foi buscar, num pequeno estaleiro de Icaraí, a baleeira em que me ensinou a remar e a pescar. O cheiro era tão bom que tonteei de prazer.

Um amigo dele, chamado Fontenelle não sei de quê, mandara fazer um barco daqueles que aparecem no filme “”Rose Marie”, pintados de branco, usados por peles-vermelhas e pelo Nelson Eddy com o dólmã também vermelho da Real Polícia Montada. Eu preferia a baleeira cheirando a madeira fresca, recém-cortada e nua.

Atualmente, a maioria dos barcos que rasgam a pele da Lagoa é pintada de branco, há até mesmo um que é verde, um verde desbotado e cafona, que agride a paisagem.

Faz tempo, quando cheguei à varanda e vi o primeiro barco branco, fiz uma crônica sobre ele. Era um remador solitário e matinal que nem esperava o sol nascer e vinha, ritmado e silencioso, anunciar que o dia chegava e ele estava ali e eu também, olhando-o e pensando.

Agora, os barcos brancos predominam, um ou outro ainda tem a cor dos violinos. Os grandes navios de cruzeiro são invariavelmente brancos, ficam bem de branco. Evidente, eles nunca aparecem na Lagoa -o que é bom para eles e para a própria Lagoa.

Mas prefiro os barcos na cor da madeira, na cor dos violinos. Eles cortam a água no ritmo do silêncio, combinam com a manhã e comigo.”

Confira

Se eu tivesse um barco

Uma canção: Movimento dos barcos

BAUDELAIRE, O HOMEM E O MAR

sem-titulo

Charles Baudelaire, autor de “As flores do mal”, foi, senão o maior, ao menos o “mais importante” poeta francês, segundo a formulação de Paul Valéry. O autor teria dado à poesia francesa uma dimensão europeia, que a fez traduzida e influente em outras lín­guas e nações. E, de fato, poucos poetas produziram um impacto tão grande e tão variado na literatura ocidental quanto Bau­de­­lai­re, hoje considerado o iniciador artístico e intelectual da “mo­dernidade”, sem a qual pouco se pode entender da poesia escrita nos últimos 150 anos. Ele também cantou o mar.

O HOMEM E O MAR

Homem livre, tu sempre adorarás o mar!

O mar é o teu espelho; a tua alma contemplas

Na sua ondulação, no infinito vaivém,

E o teu espírito é fosso não menos amargo.

 

Gostas de mergulhar na tua própria imagem;

Chegas mesmo a beija-la, e o teu coração

Distrai-se algumas vezes do seu próprio som

Com o rumor dessa queixa indomável, selvagem.

 

Sois ambos, afinal, discretos, tenebrosos:

Homem, ninguém sondou os teus fundos abismos,

Ó mar, ninguém conhece os teus tesouros íntimos,

Tanto que sois dos vossos segredos ciosos!

 

E porém, desde sempre, há séculos inumeráveis,

Que os dois vos combateis sem piedade ou remorso,

De tal modo gostais da carnagem da morte,

Ó lutadores eternos, irmãos implacáveis.

 

Tradução de Delfim Guimarães

 

 

Outra versão de “O Homem e o Mar”:
Homem livre, hás de sempre estremecer o mar!
O mar é teu espelho, e assim tu’alma sondas
Nesse desenrolar das infinitas ondas,
Pois também és um golfo amargo e singular.

Apraz-te mergulhar ao fundo de tua imagem!
Nos braços e no olhar a tens; teu coração
Às vezes se distrai da interna agitação
Ouvindo a sua queixa indômita e selvagem.

Sempre fostes os dois reservados e tredos:
Homem – ninguém sondou as tuas profundezas;
Mar – ninguém te conhece as íntimas riquezas;
Tão zelosos que sois de guardar tais segredos.

Já séculos se vão, contudo, inumeráveis
Em que lutais sem dó um combate de fortes;
E como vós amais os massacres e as mortes,
Ó eternos rivais, ó irmãos implacáveis!

Tradução de Ivo Barroso

 

O original: “L’Homme et la Mer”

Homme libre, toujours tu chériras la mer!
La mer est ton miroir; tu contemples ton âme
Dans le déroulement infini de sa lame,
Et ton esprit n’est pas un gouffre moins amer.

Tu te plais à plonger au sein de ton image;
Tu l’embrasses des yeux et des bras, et ton coeur
Se distrait quelquefois de sa propre rumeur
Au bruit de cette plainte indomptable et sauvage.
Vous êtes tous les deux ténébreux et discrets:

Homme, nul n’a sondé le fond de tes abîmes,
O mer, nul ne connaît tes richesses intimes,
Tant vous êtes jaloux de garder vos secrets!

Et cependant voilà des siècles innombrables
Que vous vous combattez sans pitié ni remords,
Tellement vous aimez le carnage et la mort,
O lutteurs éternels, ô frères implacables!

 

 

 

As flores novas de Baudelaire

Livros de Baudelaire

Poemas de Baudelaire

 

A CIVILIZAÇÃO DO PESCADO

Cada vez mais, parece ser um erro dos grandes imaginar os indígenas pré-1500 como gente que deixava a natureza intocada. Boa parte da Amazônia já tinha sido tocada pela mão humana – e talvez de uma maneira mais inteligente que a devastação atual.

Leia artigo de Reinaldo José Lopes.

“Quem come pirarucu, nem que seja uma vez só, dificilmente se esquece. Eu devia ter cinco ou seis anos de idade quando meu avô materno apareceu com o peixe em casa, depois de uma temporada pescando com os amigos em Mato Grosso (desconfio que nem ele soubesse bem onde). Não me peça para descrever o sabor dos filés; só sei que era bom demais. Portanto, não me surpreendi nem um pouco ao ler que, segundo arqueólogos brasileiros, toda uma civilização complexa da Amazônia pré-histórica teve como base a arte de capturar e consumir pirarucus. OK, talvez eu esteja exagerando um tantinho – além dos pirarucus, os indígenas que criaram um grande assentamento fluvial durante o que seria a Idade Média europeia também apreciavam outras espécies que ainda são astros da culinária amazônica moderna, como os tambaquis, pintados e surubins. A questão central, porém, é justamente a eficiência e a magnitude da atividade pesqueira na região: em vez de dependerem da agricultura, como quase todos os demais povos que criaram sociedades densamente povoadas e complexas nos últimos milênios, o grupo de que falamos conseguiu esse feito com base na exploração de recursos aquáticos.

Tais descobertas, relatadas em artigo na revista científica Journal of Archaeological Science: Reports, coroam décadas de trabalho paciente do arqueólogo Eduardo Góes Neves (do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP) e de seus colegas na célebre região do Encontro das Águas, onde o fluxo barrento do rio Solimões e o caudal cor de azeviche do rio Negro se juntam para formar o Amazonas propriamente dito, nas vizinhanças de Manaus.

Entre os muitos sítios estudados por Neves e companhia está o de Hatahara, no município de Iranduba (AM). Do século 8o ao século 13 da Era Cristã, Hatahara formava um respeitável complexo de aldeias com 20 hectares de área total (um hectare corresponde mais ou menos à área de um campo de futebol) e vários milhares de habitantes. Os arqueólogos chegaram a identificar vestígios de milho, inhame e mandioca no sítio, sinal de que também havia atividade agrícola por ali, mas o que realmente os impressionou foi a análise de quase 10 mil restos de vertebrados (incluindo aí ossos, escamas, nadadeiras) encontrados no local.

Cerca de 90% dos bichos consumidos ali eram aquáticos ou semiaquáticos e, desses, a grande maioria eram peixes. Os pirarucus capturados chegavam a 100 kg e correspondem a nada menos que um quarto dos peixes deglutidos pelos antigos indígenas (e, se formos considerar a massa de carne, a mais da metade do peso total do pescado presente no sítio). A predileção por esse monstro do rio não evitou, porém, que outros 36 tipos de peixes fossem capturados pelos moradores – uma diversidade sem precedentes em sítios arqueológicos da América do Sul. Répteis semiaquáticos também eram partes cruciais do cardápio – há muitos restos de tartarugas, jacarés e sucuris em Hatahara. A variedade de peixes indica a presença de uma comunidade de pescadores extremamente hábil, capaz de explorar ao máximo os recursos fluviais. E há indícios de que as tartarugas não eram apenas capturadas, mas também criadas em cativeiro – num sítio próximo, foi achado o que parece ter sido um tanque para abrigar os répteis. Cada vez mais, parece ser um erro dos grandes imaginar os indígenas pré-1500 como gente que deixava a natureza intocada. Boa parte da Amazônia já tinha sido tocada pela mão humana – e talvez de uma maneira mais inteligente que a devastação atual.”

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SEGURO MARÍTIMO

sem-titulo1A ALSUM é a Associação Latino-Americana de Subscritores Marítimos e tem como presidente Erika Schoch. Desde 2011, ano de sua criação, tem a ALSUM tem com principal objetivo elevar os padrões de subscrição dos seguros marítimos e o transporte de carga em toda a América Latina.

 “É por meio da difusão de informação e da educação que temos diariamente alcançado este objetivo. Oferecemos à nossa rede de membros e afiliados conteúdos e plataformas de conferências, nossa biblioteca, entre outras ferramentas que permitem o intercâmbio de informações entre os players do setor marítimo na nossa região”, afirma Erika Schoch. “Este ano ampliamos nossa atuação no Brasil com produtos direcionados especificamente para o país, como os Webinars em português, realizados mensalmente, sempre com a presença de profissionais de extensa experiência. Estamos buscando sempre levar o que há de mais atual e relevante a nossos membros. Com isso, pescadores, empresas de pesca e outros atores do segmento pesqueiro podem se beneficiar de nossas plataformas, serviços e ferramentas para incrementarem seus negócios e ampliarem seus conhecimentos sobre o setor.”

Além do Brasil, a ALSUM está presente em diversos países como México, Colômbia, Argentina, Chile, Uruguai, Panamá, Peru, Venezuela, entre outros.

“Seguindo a nossa premissa de sempre elevar a qualidade do debate e das questões do setor marítimo na América Latina, anualmente realizamos o Congresso Latino Americano de Seguros Marítimos, que já se encontra em sua 4ª edição e, neste ano, será realizado entre os dias 17 e 20 de outubro na Cidade do Panamá”, declara Erika Schoch. Em 2015 o Congresso foi realizado em São Paulo, em parceria com o CIST [Clube Internacional de Seguros de Transportes], e contou com um grande número de inscritos. Este ano mais uma vez teremos conferências e oficinas abordando as questões atuais dos seguros marítimos para embarcações pesqueiras e demais tipos, a problemática das cargas perecíveis (o que inclui de forma sensível o setor pesqueiro) legislações, o panorama econômico atual e suas implicações para o setor marítimo, os desafios e perspectivas no cenário latino-americano.”

IV Congresso

Veja mais:

III Congresso em São Paulo

Entrevista com Erika Schoch

AMPLIANDO O CONCEITO DE FRUTOS DO MAR

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É fundamental ampliar o conceito de frutos do mar sustentáveis através da Avaliação do Ciclo de Vida das pescarias.

Os mecanismos para a gestão pesqueira, em uma visão global, inicialmente eram voltados na limitação da explotação de estoques pesqueiros unitários. Atualmente as abordagens passaram a incluir uma visão mais ampla para o uso sustentável dos ecossistemas. Este novo modelo levou ao desenvolvimento de inúmeras ferramentas destinadas a classificar a sustentabilidade das atividades de pesca levando em consideração sua relevância biológica, tecnológica, econômica, social e ambiental. Dentre as ferramentas utilizadas para a avaliação e quantificação dos impactos ambientais possíveis associados a atividade pesqueira a Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) é uma das mais utilizadas.

Esta avaliação é feita sobre todo os estágios do processo da atividade, desde a captura dos recursos até a mesa do consumidor. Pode-se exemplificar o uso da ACV na atividade pesqueira utilizando como variável o consumo de combustível para a captura dos recursos. Petrechos de pesca que explotam espécies que possuem o comportamento de se agregarem em cardumes geralmente possuem altas taxas de captura por unidade de esforço. Um exemplo são os pequenos peixes pelágicos capturados com redes de cerco, muitas vezes é necessário menos de 50 litros de combustível para se capturar 1 tonelada deste recurso, enquanto que as espécies que possuem hábitos mais solitários, como os crustáceos capturados com armadilhas ou redes de arrasto, o consumo de combustível pode chegar aos milhares de litros para a captura de 1 tonelada deste recurso.

Vale ressaltar que a abundância das espécies-alvo é, naturalmente, um parâmetro muito importante na classificação do nível de sustentabilidade das atividades pesqueiras, quer seja devido à variabilidade natural ou à sobre-explotação dos estoques. Os dados obtidos através das estatísticas pesqueiras ao longo dos anos permitem a utilização de ferramentas, como a Avaliação do Ciclo de Vida, para quantificar os reais impactos que as atividades pesqueiras exercem sobre os ecossistemas. O que dever ser feito é integrar este conhecimento mais amplo sobre os impactos desta atividade para a sua gestão. Isto deve ser feito havendo um diálogo aberto entre os pescadores, os gestores, a indústria, ONG’s e consumidores visando a continuidade e o progresso de pescarias mais sustentáveis.

Confira

 

Peixes e frutos do mar

 

UM IATE COM PRAIA A BORDO E MOVIDO A ENERGIA SOLAR

sem-tituloProjetado pelo escritório norueguês Hareide Design, o 108M Mega Yatch tenta integrar ao máximo a embarcação com a natureza, com muitos espaços abertos e janelas de vidro amplas. O projeto inclui uma praia particular a bordo e um jardim natural. Uma praia artificial, um jardim natural e um motor movido a energia solar são alguns dos destaques do projeto do 108M Mega Yatch. Segundo o escritório norueguês Hareide Design, a ideia é integrar ao máximo a embarcação com a natureza. A proposta, dizem eles, é quebrar com o que chamam de "luxo tradicional" que reina nos projetos atuais de megaiates.

A praia artificial é formada pela água do mar que invade a popa, parte de trás do barco. Há, ainda, seis níveis distribuídos em cerca de 18 metros de altura, com diferentes espaços a céu aberto e muitas paredes de vidro, tudo para permitir que os passageiros tenham total visibilidade da paisagem ao redor.

Como a maior parte da área é dedicada ao lazer, a capacidade da embarcação é de cerca de 20 suítes, podendo variar de acordo com o gosto do cliente. O maior iate do mundo, do xeque Khalifa bin Zayed al Nayan, tem 50 quartos.

A proposta é que o 108M Mega Yatch use energia sustentável, proveniente de painéis solares instalados a bordo. Mas, caso seja necessário, está previsto o funcionamento com propulsão diesel-elétrica. O projeto foi apresentado em julho. O escritório Hareide Design não informa se já recebeu encomendas.

Confira

Em inglês

O MAR DE PABLO NERUDA


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Pablo Neruda (1904-1973) foi um dos mais importantes poetas da língua castelhana do século XX. Chileno sem fronteiras, poeta do mar, do amor e da fraternidade humana, ele recebeu o Nobel de Literatura em 1971.

 

O MAR

Necessito do mar porque me ensina:

não sei se aprendo música ou consciência:

não sei se é onda ou onde ou ser profundo

somente rouca voz ou deslumbrante

suposição de peixes e navios.

O fato é que até quando estou dormindo

de algum modo magnético circulo

na universidade do marulho.

 

Não somente conchas trituradas

como se algum planeta estremecido

participara paulatina morte,

não, do fragmento reconstruo este dia,

de um cavaco de sal e estalactite

de uma colherada o deus imenso.

 

O que antes me ensinou eu guardo! É ar,

um incessante vento de água e areia.

 

Parece pouco para um homem jovem

que aqui chegou para viver seus incêndios,

e no entanto era um pulso que subia

e descia ao seu abismo,

o frio do azul que crepitava,

o desmoronamento de uma estrela,

o terno desprender-se de uma onda

desperdiçando neve com a espuma,

o poder quieto, ali, determinado

como um trono de pedra no profundo,

substituiu o lugar que acreditavam

tristeza tenaz, amontoando olvido,

bruscamente mudou minha existência:

minha adesão ao puro movimento.

 

Sem título

EL MAR

NECESITO del mar porque me enseña:
no sé si aprendo música o conciencia:
no sé si es ola sola o ser profundo
o sólo ronca voz o deslumbrante
suposición de peces y navios.
El hecho es que hasta cuando estoy dormido
de algún modo magnético circulo
en la universidad del oleaje.
No son sólo las conchas trituradas
como si algún planeta tembloroso
participara paulatina muerte,
no, del fragmento reconstruyo el día,
de una racha de sal la estalactita
y de una cucharada el dios inmenso.

Lo que antes me enseñó lo guardo! Es aire,
incesante viento, agua y arena.

Parece poco para el hombre joven
que aquí llegó a vivir con sus incendios,
y sin embargo el pulso que subía
y bajaba a su abismo,
el frío del azul que crepitaba,
el desmoronamiento de la estrella,
el tierno desplegarse de la ola
despilfarrando nieve con la espuma,
el poder quieto, allí, determinado
como un trono de piedra en lo profundo,
substituyó el recinto en que crecían
tristeza terca, amontonando olvido,
y cambió bruscamente mi existencia:
di mi adhesión al puro movimiento.

Veja mais:

Video: O mar

Poemas traduzidos

Museu Neruda

Filme Neruda

 

DOIS POEMAS: PEIXES

Dois poemas de duas grandes poetas norte-americanas do século XX  e de todos os tempos: Elisabeth Bishop e Marianne Moore.

 

O Peixe

Elizabeth Bishopp

 

Eu fisguei um peixe enorme
e o mantive ao lado do barco
metade fora d’água, com meu anzol
que lhe cravara o canto da boca.
Ele não lutou.
Ele não lutara mesmo nada.
Ele era um peso pendente
derrotado e venerável
e simples. De vez em quando
seu corpo marrom aparecia em listras
como antigo papel de parede,
e seus desenhos de marrom mais escuro
eram como o papel de parede:
formas de rosa desabrochadas a pleno,
manchadas e gastas pelo tempo.
Ele estava salpicado de óleo de navios,
de finas rosetas visgosas
e infestado
por pequenos piolhos marinhos
e por baixo dele pendiam
dois ou três farrapos de algas verdes.
Enquanto duas guelras estavam respirando o
terrível oxigênio
— as assustadoras guelras
frescas e eriçadas, com sangue,
e que podem cortar tão cruelmente —
pensei em sua rude carne branca
enfeixada como plumas,
os grandes e pequenos ossos
os dramáticos vermelhos e negros
de suas entranhas luzidias
e a bexiga avermelhada
como uma grande peônia.
Olhei dentro dos seus olhos
que eram bem maiores que os meus
porém mais rasos e amarelados,
a íris retraída e envolvida
em folha de estanho embaçada,
vista através de lentes
de um velho, arranhado esturjão.
Seu olhar se desviou um pouco porém não o bastante
para devolver o meu.
— Era mais como se recobrisse
um objeto contra a luz.
Admirei-lhe a face sombria,
o mecanismo de sua mandíbula
e então vi
que de seu lábio inferior
— se é possível falar de lábio —
severo, úmido, agressivo,
pendiam cinco antigas linhas de pescar
ou quatro, talvez, e um guia de metal
ainda com a argola
e com todos os cinco grandes anzóis
cravados firmes em sua boca.
E uma linha verde, desgastada na extremidade
em que ele a havia partido, e duas outras mais fortes
além de um fio preto e fino
ainda encrespado pelo esforço e pelo golpe
do momento em que ele escapou.
Eram como condecorações, como suas faixas
esfrangalhadas e oscilantes,
uma barba de sabedoria com cinco filamentos
que ele arrastava em sua mandíbula dolorida.
Eu olhei e olhei
e a vitória encheu
o pequeno barco alugado
surgida da água que havia entrado
e onde o óleo difundia um arco-íris
junto ao motor enferrujado
e o rosa enferrujado da água baldeada
e o meu banco, que estava ao sol,
e os remos, nos seus encaixes,
e o interior do barco — e tudo, enfim,
era o arco-íris agora, era o arco-íris agora!
E eu deixei o peixe ir embora.

tradução: Jorge Wanderley

 

 

pp

 

Os Peixes

Marianne Moore

vade-
ando negro jade.
               Das conchas azul-corvo, um marisco
               só ajeita os montes de cisco;
                                 no que vai se abrindo e fechando

é que
nem ferido leque.
               Os crustáceos que incrustam o flanco
               da onda ali não encontram canto,
                                 porque as setas submersas do

sol,
vidro em fibras sol-
               vidas, passam por dentro das gretas
               com farolete ligeireza –
                                 iluminando de vez em

vez
o oceano turquês
               de corpos. A correnteza crava
               na quina férrea da fraga
                                 uma cunha de ferro; e estrelas,

grãos
de arroz róseos, mães-
               d’água tintas, siris que nem lírios
               verdes e fungos submarinos
                                 vão deslizando uns sobre os outros.

As
marcas externas
               de mau-trato estão todas presentes
               neste edifício resistente –
                                 todo resquício material

de a-
-cidente – ausência
               de cornija, machadadas, queima e
               sulcos de dinamite – teima em
                                 ressaltar; já não é o que era

cova.
Repetida prova
               demonstrou que ele pode viver
               do que não pode reviver
                                 seu viço. O mar nele envelhece.

tradução: José Antonio Arantes

e
Elizabeth Bishop: The fish

sMarianne Moore: The fish

 

MAR DE POESIA

 

Sem título2

Sophia de Mello Breyner Andresen (Porto, 6 de novembro de 1919 — Lisboa, 2 de Julho de 2004) foi uma das mais importantes poetisas portuguesas do século XX. Foi a primeira mulher portuguesa a receber o mais importante galardão literário da língua portuguesa, o Prêmio Camões, em 1998.  A poesia é o mar de Sophia.

FUNDO DO MAR

No fundo do mar há brancos pavores,

Onde as plantas são animais

E os animais são flores.

 

Mundo silencioso que não atinge

A agitação das ondas.

Abrem-se rindo conchas redondas,

Baloiça o cavalo-marinho.

Um polvo avança

No desalinho

Dos seus mil braços,

Uma flor dança,

Sem ruído vibram os espaços.

 

Sobre a areia o tempo poisa

Leve como um lenço.

 

Mas por mais bela que seja cada coisa

Tem um monstro em si suspenso.

 

Sophia de Mello Breyner Andresen

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MAR

 

Mar, metade da minha alma é feita de maresia

Pois é pela mesma inquietação e nostalgia,

Que há no vasto clamor da maré cheia,

Que nunca nenhum bem me satisfez.

E é porque as tuas ondas desfeitas pela areia

Mais fortes se levantam outra vez,

Que após cada queda caminho para a vida,

Por uma nova ilusão entontecida.

 

E se vou dizendo aos astros o meu mal

É porque também tu revoltado e teatral

Fazes soar a tua dor pelas alturas.

E se antes de tudo odeio e fujo

O que é impuro, profano e sujo,

É só porque as tuas ondas são puras.

 

Sophia de Mello Breyner Andresen

 

 

 

Mar, metade da minha alma é feita de maresia

Pois é pela mesma inquietação e nostalgia,

Que há no vasto clamor da maré cheia,

Que nunca nenhum bem me satisfez.

E é porque as tuas ondas desfeitas pela areia

Mais fortes se levantam outra vez,

Que após cada queda caminho para a vida,

Por uma nova ilusão entontecida.

 

E se vou dizendo aos astros o meu mal

É porque também tu revoltado e teatral

Fazes soar a tua dor pelas alturas.

E se antes de tudo odeio e fujo

O que é impuro, profano e sujo,

É só porque as tuas ondas são puras.

 

Sophia de Mello Breyner Andresen

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NO CORAÇÃO DO MAR

coração do mar

No filme “No coração do mar” (In the Heart ofthe Sea), Chase (Chris Hemsworth) é atacado por uma baleia gigante, conhecida como Moby Dick. A embarcação sofre um naufrágio e a tripulação passa 90 dias à deriva tentando sobreviver.

Nunca se imaginara que uma baleia pudesse reagir aos pescadores que a perseguiam. O que se seguiu ao naufrágio foi uma longa provação pelas águas do Pacífico: amontoados em três botes, os marujos navegaram durante três meses, experimentando os horrores da inanição e da desidratação, da doença, da loucura e da morte, chegando à prática do canibalismo. O episódio, que inspirou Herman Melville a escrever Moby Dick, ficou registrado em relatos feitos pelos sobreviventes. Baseado em ampla pesquisa e fontes inéditas, o historiador NathanielPhilbrick reconstitui todos os detalhes da tragédia, dando vida aos testemunhos com seu vasto conhecimento em assuntos marítimos. Dos meandros da economia baleeira às técnicas de navegação a vela e o comportamento das baleias.  No coração do mar reúne informações minuciosas sobre cada aspecto da história. Uma aventura que desafia o leitor a refletir sobre os limites da capacidade de sobrevivência humana.

No coração do mar – trailer:

Ahab e Moby Dick:

DANÇANDO DEBAIXO D’ÁGUA

É sábado à noite nas Maldivas e a pista de dança está fervendo. E eu, com meus passos e gingas de John Travolta, tento impressionar meus amigos. O problema é que, apesar da batida que pulsa dos alto-falantes, não consigo tirar meus olhos das dezenas de peixes iridescentes e corais multicoloridos que estão do outro lado das janelas.

Discoteca foi construída em terra antes de ser submersa e instalada em jardim de corais
Discoteca foi construída em terra antes de ser submersa e instalada em jardim de corais

Fonte: BBC Brasil

Pesca Embarcada

Assim como a pesca em barranco, existem alguns cuidados a serem adotados durante a sua pescaria que devem ser levados em conta, por isso abaixo estão relacionados alguns equipamentos essenciais para uma pescaria tranquila.

Na pesca embarcada, você deve antes de começar a sua pescaria, estabelecer um perímetro base para o trabalho com seu equipamento, esse detalhe deve ser levado em consideração principalmente em embarcações de pequeno porte (barco, canoas) pois esse tipo de embarcação é ocupada na maioria das vezes por 02 pescadores e o piloteiro e caso não seja respeitado o espaço de cada pescador, podem ocorrer acidentes com anzóis, iscas artificiais além do risco de queda da embarcação.

Fique atento quanto as marolas e trafego de outras embarcações, pequenos cuidado podem evitar graves acidentes. Enquanto a embarcação estiver em movimento, mantenha-se sentando em um ponto que não desestabilize a embarcação, enquanto estiver praticando sua pescaria, antes de qualquer arremesso, certifique-se de que as demais pessoas estão fora do alcance da ponta de sua vara, use óculos polarizado, em caso de haver enrosco, a isca pode se soltar com violência e vir em direção ao olho. Mantenha seu equipamento organizado facilitando o transito na embarcação, Siga as instruções passadas pelo responsável pela embarcação que sua pescaria será proveitosa.

Assim como nas demais modalidades, muitos fatores podem influenciar neste tipo de pesca, sendo que os principais são as marés, as condições meteorológicas, a piscosidade do local dentre outros fatores.

Check List para Pesca Embarcado

  1. Kit de primeiros socorros
  2. Comida
  3. Bebida
  4. Caixa térmica
  5. Gelo
  6. Caixa de pesca
  7. Varas
  8. Carretilhas e molinetes
  9. Documentos pessoais
  10. Documentos do carro
  11. Documentos do barco
  12. Licença de pesca
  13. Arrais amador
  14. Remo
  15. Salva vidas
  16. Boné
  17. Óculos de sol (polarizado)
  18. Protetor solar
  19. Repelente à insetos
  20. Gasolina
  21. Óleo 2t (se necessário)
  22. Capa de chuva
  23. Roupa reserva
  24. Toalha
  25. Extintor de incêndio
  26. Âncora
  27. 30m de corda
  28. Iscas
  29. Motor elétrico (se necessário)
  30. Bateria
  31. Lanterna
  32. Carta náutica da região (se houver)
  33. Bóia circular
  34. Fósforo ou faisqueira
  35. Papel higiênico
  36. Caixa de ferramentas
  37. Chave de rodas do carro e da carreta do barco
  38. Pneu estepe do carro e da carreta do barco
  39. Macaco para erguer o carro em caso de troca de pneu
  40. Máquina fotográfica
  41. Faca
  42. Puçá
  43. Chave do barco
  44. Hélice reserva
  45. Aerador para iscas vivas

Como montar uma PEIXARIA

Uma peixaria constitui o negócio onde são comercializados diferentes tipos de peixes e frutos do mar diretamente ao mercado consumidor.

 

3388340_x240Uma peixaria constitui o negócio onde são comercializados diferentes tipos de peixes e frutos do mar diretamente ao mercado consumidor.

O mercado consumidor de uma peixaria situa-se entre residências, restaurantes, supermercados, bares e restaurantes, hospitais, hotéis, etc. O empreendedor deverá definir seu público-alvo para a atividade que desenvolverá.

Aviso: Antes de conhecer este negócio, vale ressaltar que os tópicos a seguir não fazem parte de um Plano de Negócio e sim do perfil do ambiente no qual o empreendedor irá vislumbrar uma oportunidade de negócio como a descrita a seguir. O objetivo de todos os tópicos a seguir é desmistificar e dar uma visão geral de como um negócio se posiciona no mercado. Quais as variáveis que mais afetam este tipo de negócio? Como se comportam essas variáveis de mercado? Como levantar as informações necessárias para se tomar a iniciativa de empreender?

O comércio de peixes e frutos do mar é um negócio que está relacionado com a qualidade de vida, por oferecer alimentos tidos como fundamentais para uma alimentação saudável.

shutterstock_196962686Os peixes representam excelente fonte de proteínas, ferro e sais minerais, além de conter ácidos graxos ômega 3, que são elementos que trazem benefícios à saúde, segundo os especialistas.

Uma peixaria constitui o negócio onde são comercializados diferentes tipos de peixes e frutos do mar diretamente ao mercado consumidor.

O mercado consumidor de uma peixaria situa-se entre residências, restaurantes, supermercados, bares e restaurantes, hospitais, hotéis, etc. O empreendedor deverá definir seu público-alvo para a atividade que desenvolverá.

Numa peixaria, o mix de produtos oferecidos à clientela vai desde os peixes de água doce e de água salgada até os crustáceos e moluscos, filés e postas, além de peixes congelados. Peixes e cortes especiais para sashimi, por exemplo, são exemplos de produtos que também podem ser oferecidos.

Segundo especialistas, uma boa opção para investimento nesse negócio é montar uma “boutique”, que pode ser entendida como uma peixaria caracterizada pela excelente qualidade dos produtos colocados à venda, traduzindo-se em grande diferencial em relação às lojas tradicionais e sem deixar de considerar o público-alvo definido.

Fontes:

Sebrae

Pegn – Pequenas Empresas Grandes Negócios