PALAVRA DO PRESIDENTE: A LOTERIA DA PESCA

Peixes não entendem nada de política pesqueira. Não têm votos, não são devotos, mas podem ser vítimas de falsas promessas e de falsos milagres. O lugar deles é na mesa de milhões de consumidores graças ao esforço dedicado e incansável dos trabalhadores do mar. Armadores e pescadores precisam deixar de apostar na loteria da pesca e aprender a fazer política pesqueira para defender sua atividade com competência, sem dar chance à sorte, ao acaso ou ao azar.

O fato é que a atividade pesqueira virou sorteio, aposta, loteria. O armador arma um barco (investe em óleo, gelo, rancho, salários, etc.) e a partir desse momento joga suas redes (e suas fichas) no mar. Se a sorte for boa, todos lucram. Mas se ele tiver uma maré de azar, sua vida vira uma roleta russa. O barco se transforma numa arma apontada contra a cabeça do armador.

Leia a palavra de Alexandre Guerra Espogeiro, presidente do Saperj e do Conepe.

 

Não deixa ser desagradável, triste, humilhante, quando um produto que é a base da boa saúde do brasileiro vai parar nas páginas policiais. É claro que as operações da polícia se refletem sobre todo o setor pesqueiro nacional e, até que tudo se esclareça, os pecadores e os pescadores ficam envolvidos na mesma rede de intrigas. Mais do que nunca é preciso separar o joio do trigo, o certo do errado, o culpado do inocente, o falso do verdadeiro.

No dia 16 de maio, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) veio a público esclarecer que apoia a ação da Polícia Federal e vem colaborando com as investigações. Todos os servidores envolvidos na ação foram afastados preventivamente por 60 dias e, os que possuem cargos em comissão, exonerados das funções.  Será aberto procedimento administrativo (sindicância) para investigar o envolvimento dos citados nas operações Lucas e Fugu da Polícia Federal.

Cito a nota de esclarecimento: “Sobre a operação Lucas, envolvendo a Superintendência do Estado do Tocantins, é importante destacar que a servidora já estava exonerada há mais de 30 dias e que as investigações não atingem o sistema como um todo, se referindo a desvio de conduta de uma servidora. Com relação à Operação Fugu, realizada em Santa Catarina, todo o trabalho técnico, durante os nove meses de investigação, foi realizado com a participação de técnicos do Mapa, inclusive com a análise de amostras efetuadas no Lanagro (laboratório do ministério) no Pará. Por fim, o Ministério da Agricultura deixa claro que mantém a mesma postura de transparência e de cooperação com as investigações, como ocorreu durante os trabalhos de investigação da Operação Carne Fraca, deflagrada em março deste ano.”

Só que ninguém poderia imaginar que manifestantes invadiriam a Esplanada dos Ministérios, em Brasília, para protestar contra as reformas propostas pelo governo federal e para pedir a saída do presidente Michel Temer, ateariam fogo na sede do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Tais acontecimentos no coração do poder do País levariam armadores e pescadores a acreditar que o lugar seguro para nós seria levar os seus barcos para o mar e esperar que a situação se acalme, o diálogo substitua a violência e que os incêndios sejam apagados.

Mas como conseguir escapar se a pesca virou uma loteria e os próprios barcos podem virar armas perigosas?

É do conhecimento de todos que, por decisão do departamento de Registro, Monitoramento e Controle da Aquicultura e Pesca do Ministério da Agricultura – MAPA, do Ministério do Meio Ambiente e do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços – MDIC, através de portaria publicada no dia 10 de maio, no Diário Oficial da União, foi decidido um sorteio para a seleção das 32 embarcações da modalidade do cerco da região sudeste/sul para a pesca da tainha.  Os armadores precisam fazer a inscrição por meio de um formulário eletrônico no site do MAPA.

Ainda conforme a portaria, para integrar o processo de sorteio as embarcações devem seguir alguns critérios, como por exemplo, estar devidamente aderidas PREPS – Programa Nacional de Rastreamento de Embarcações Pesqueiras por Satélite e com o equipamento de monitoramento funcionando.

Mas o fato é que a atividade pesqueira virou sorteio, aposta, loteria. O armador arma um barco (investe em óleo, gelo, rancho, salários, etc.) e a partir desse momento joga suas redes (e suas fichas) no mar. O barco sai do cais para uma viagem de duas semanas e, na volta (se tudo der certo, se não acontecer nenhum acidente, se a sorte estiver do seu lado), o mar vai recuperar seus investimentos, saldar suas contas, pagar a tripulação, enfim, ele vai fugir da inadimplência, sair do vermelho.

Se a sorte for boa, todos lucram. Se a sorte for mais ou menos, ele pode ficar feliz com um empate: não ganhou, mas também não perdeu.

Mas se ele tiver uma maré de azar – a pesca foi boa, mas o mercado estava péssimo; o mercado estava bom, mas a pesca foi péssima; o motor do barco pifou; um princípio de incêndio na casa de máquinas; uma avaria na proa; o barco ficou um mês no estaleiro; o mestre caiu doente – sua vida vai encalhar. Esses azares acontecem.

O armador começa a perder sua aposta do barco com o mar e ele vai se estressar, cair em depressão. Cada viagem passa a ser uma corrida contra o prejuízo. E é quando o barco vira uma arma: o armador adoece de hipertensão, de cardiopatia, de insônia, de falta de recursos, de perda de crédito e de confiança.  As dívidas aumentam. Ele entra no vermelho e na inadimplência. E já não se trata mais de sorte, de sorteio, de loteria, de aposta. É uma roleta russa. O barco se transforma numa arma apontada contra a cabeça do armador. A saída é pular fora da pesca. Vender o barco. Se livrar do barco. Tentar a sorte em outra atividade. Mudar de vida, se ainda tiver força, apoio e disposição.

Se existe uma moral nessa história, ela é a seguinte: armadores e pescadores precisam deixar de apostar na loteria da pesca e aprender a fazer política pesqueira para defender sua atividade com competência, sem dar chance à sorte, ao acaso ou ao azar.

 

Alexandre Guerra Espogeiro

Presidente do Saperj e do Conepe

PESCA UNIDA

Associações e sindicatos da pesca artesanal e industrial em Santa Catarina tomaram a iniciativa de registrar voluntariamente dados sobre seus desembarques na safra de tainha. Isso está sendo feito em um banco de dados, alimentado via aplicativo, que armazena informações sobre as capturas, tipo de arte de pesca, local e data do desembarque.

A iniciativa conta com o apoio técnico da Oceana, que auxilia os pescadores na estruturação de seus processos de monitoramento e também acompanhando todas as etapas de inserção e análise dos dados. A partir de hoje, todas as informações estão sendo divulgadas em tempo real no “Tainhômetro”, um painel digital que mostra em tempo real, a produção de tainha em SC na safra de 2017 e pode ser visitado no link www.tainhometro.com.br.

Até as oito horas do dia 12 de junho, já foram contabilizadas 225 toneladas de tainha desembarcadas no litoral catarinense. Os dados estão sendo registrados pelas seguintes entidades: Associação dos Pescadores Profissionais Artesanais de Emalhe Costeiro de Santa Catarina (APPAECSC), Federação de Pescadores do Estado de Santa Catarina (Fepesc), Sindicato dos Armadores e da Indústria da Pesca de Itajaí (Sindipi) e a Pastoral dos Pescadores de Laguna.

A iniciativa de monitorar voluntariamente a safra de tainha tem três objetivos principais. Primeiro, mostrar ao governo que é possível saber quanto se pesca em tempo real. Segundo, ter informações para garantir a atualização dos estudos e os ajustes necessários para uma gestão científica e qualificada dessa pescaria. E, por último, empoderar os pescadores que serão capazes de, pela primeira vez, mostrar a importância socioeconômica da atividade e cobrar as políticas públicas necessárias para o desenvolvimento da pesca – que é uma atividade econômica e precisa ser tratada como tal. A falta de uma política governamental séria de monitoramento e análise de dados e, de controle da pesca, não pode mais ser usada como desculpa para a não adoção de medidas já utilizadas com sucesso em várias regiões do mundo.

 

Veja ainda:

 O Tainhômetro

 

‘Tainhômetro’ reúne dados em tempo real sobre a pesca da tainha em SC

 

Tainhômetro é lançado em Santa Catarina

 

O BRASIL E A CONSERVAÇÃO DE OCEANOS

O Brasil apresentou, no Dia Mundial dos Oceanos, compromissos voluntários para a conservação dos recursos marinhos durante a Conferência sobre Oceanos 2017, realizada pela Organização das Nações Unidas (ONU). O evento, sediado no prédio da ONU em Nova Iorque, teve como tema Nossos Oceanos, Nosso Futuro: Parcerias para a Implementação do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 14 (ODS 14).

O compromisso do Brasil com o ODS 14 foi reforçado por meio de uma série de medidas, com destaque para o Fundo Azul do Brasil, o Santuário de Baleias do Atlântico Sul e o planejamento espacial marinho com especial atenção para a Região dos Abrolhos, Cadeia Vitória-Trindade e Costa Norte do Brasil.

“Estamos orgulhosos do que o Brasil tem feito pela proteção e conservação das baleias e da biodiversidade e ecossistemas marinhos. Queremos olhar para frente e trabalhar ainda mais para a conservação marinha”, comenta José Pedro de Oliveira Costa, secretário de Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente. A pasta é uma das organizações que representam a nação brasileira no encontro da ONU.

Investimento e conservação – Principal medida proposta pelo Brasil na Conferência, o Fundo Azul do Brasil será dedicado à implementação de medidas de conservação da biodiversidade nas áreas jurisdicionais costeiras e marinhas brasileiras. O projeto propõe a ampliação e o aprimoramento da gestão de áreas protegidas, buscando atingir a meta de 10% de conservação eficaz dessas áreas.

Parcerias distintas serão responsáveis pelo investimento previsto de US$ 140 milhões até 2022. O valor contribuirá para a restauração de espécies ameaçadas, a recuperação de estoques pesqueiros, promoção de boas práticas no desenvolvimento do turismo sustentável e pescarias de pequena escala, com impactos positivos também na mitigação de mudanças climáticas.

 

Veja mais:

Brasil e Oceanos

Brasil e Oceanos 2

 

Brasil e Oceanos 3

 

O MAR E A INTERNET

Como trabalham as pessoas e os robôs que consertam os cabos da internet ocultos sob o mar.

   Os cabos são instalados no fundo do mar, mas os reparos são feitos a bordo de navios especiais e com ajuda de robôs. O rompimento de um cabo submarino de internet é algo imprevisível. Alguns podem passar anos sem nenhum dano. Outros, contudo, acabam sofrendo rasgos em poucos meses.  Nesse emaranhado de cerca de 300 cabos que nos conectam à rede nas profundezas aquáticas – alguns submersos a mais de 8,5 km – nem todos estão expostos a danos na mesma proporção.

      A operação não é simples. Trata-se de um trabalho conjunto entre homem e máquina, muitas vezes a milhares de metros abaixo do mar, condição em que precisão e técnica são fundamentais.

            “Produtos de navegação, como equipamentos de pesca que se enroscam nos cabos ou âncoras que se arrastam com eles, são as causas mais comuns de rompimentos”, afirma John Manock, editor da SubCableWorld, publicação da Technology Systems Corporations, empresa de comunicação baseada na Flórida e especializada en tecnologia marítima.

Um relatório de 2015 do Comitê Internacional de Proteção de Cabos (ICPC, na sigla em inglês) apontou que operações marítimas respondem por 65% a 75% dos danos nos cabos.

“A atividade sísmica também pode provocar estragos, especialmente em áreas de alta atividade, como o círculo de fogo do Pacífico, mas não representa nem 10% das ocorrências”, afirma Manock.

Manock diz que é um equívoco associar esses danos a mordidas de tubarões. Segundo ele, o ICPC afirma que esses casos não representam nem 1% dos casos registrados entre 1959 e 2006.

“Causas habituais incluem terremotos e âncoras perto da costa, em regiões de rotas pesqueiras”, concorda Hayduk.

Mas como é possível identificar danos em um cabeamento submarino?

 

Internet no fundo do mar

Lançamento de cabos submarinos

Tubarão Morde Cabo de Internet de Fibra Óptica

 

DEVORADO TITANIC

Cientistas acreditam que, em algumas décadas, pode ser que não sobre mais nada do navio. Tudo por causa de uma espécie de bactéria que está aos poucos comendo seu casco de ferro. Eventualmente, todos os navios – incluindo o Titanic no Atlântico – serão completamente devorados, seja por bactérias que se alimentam de metal ou corrosão da água do mar. O ferro da embarcação de 47 mil toneladas acabará no oceano. Em algum momento, parte dele será incorporado aos corpos de animais e plantas marinhos. O Titanic então terá sido reciclado.

Robert Ballard, oceanógrafo da Universidade de Rhode Island em Narragansett, descobriu o navio naufragado em 1985. O que não se sabia na época era que a descoberta só aconteceu por causa do envolvimento de Ballard em uma missão secreta da Marinha britânica para localizar os restos de dois submarinos nucleares americanos que afundaram durante a Guerra Fria. O Titanic apenas foi encontrado entre os dois submarinos.

Na época da descoberta, o navio estava impressionantemente preservado. Por estar 3,8 km abaixo da superfície, submetido a pouca luz e pressão intensa, se tornou inabitável para a maioria dos tipos de vida, o que atrasou a corrosão. Depois de 30 anos, porém, o casco está enferrujando por causa de bactérias que corroem metal. Alguns pesquisadores agora dão um prazo de validade de 14 anos até que o navio desapareça para sempre.

 

Titanic devorado

Titanic pode sumir para sempre devorado por ‘superbactéria’

Titanic sinks in REAL TIME – 2 HOURS 40 MINUTES

Eu te devoro

 

O BARCO DO AMOR DE CALÍGULA

Das paradisíacas margens do lago Nemi, bacia cercada de colinas na região central da Itália, os cidadãos comuns do Império Romano viam de longe as ruidosas festas sexuais que aconteciam à bordo dos barcos do amor de Calígula (12-41 d.C.), o mais polêmico dos mandatários da Antiguidade. Regadas a grandes quantidades de álcool, essas celebrações foram símbolos dos excessos do monarca, mas também sinalizaram sua ruína.

Naquela época, os plebeus apenas sonhavam com o que acontecia detrás das amuradas, mas uma nova pesquisa conduzida pela Agência de Proteção Ambiental da Calábria deve fornecer detalhes sobre os misteriosos navios. O estudo visa descobrir a localização da maior das três embarcações do imperador.

Curto e intenso – Calígula ficou famoso pelo seu curto, porém intenso, comando de Roma. Em quatro anos, foi de mandatário amado pelo povo a vítima de um complô de senadores, fartos de seus desmandos. Os relatos sobre esse reinado foram escritos por historiadores desfavoráveis, por isso é difícil discernir lendas de fatos.

Entre os acontecimentos duvidosos estão o de que ele quis nomear cônsul seu cavalo, de que manteve relações incestuosas com três irmãs e de que mandou fechar a baía de Nápoles com uma sequência de barcos comerciais por puro capricho, entre outras insanidades. Apesar disso, a maioria dos historiadores concorda que o imperador apresentava perversões como essas em alguma medida.

Também há consenso de que suas excentricidades megalomaníacas dilapidaram os cofres romanos. “Mesmo que algumas das acusações sejam exageradas, Calígula parece ter tido uma natureza bastante instável”, afirma Francesco Camia, professor de arqueologia da Sapienza, Universidade de Roma, que não está ligado às buscas. “Talvez sofresse de problemas psicológicos.”

 

O barco do amor de Calígula

As naus de Nemi

O CALÍGULA DE CAMUS