PALAVRA DO PRESIDENTE: ENXUGANDO GELO

PALAVRA DO PRESIDENTE

ENXUGANDO GELO

 

Não é nada tranquila essa tarefa de enxugar gelo. Pode até ser inútil, mas dá um tremendo trabalho.  Tudo isso em nome de dar um jeito na situação da pesca. De encontrar uma saída. Você viaja, participa de reuniões, organiza seminários, agenda encontros, dá entrevistas, escreve artigos, cumpre normas, luta, debate, conversa, reivindica, protesta, faz acordos, e não acontece nada. Isso faz parte da missão do enxugador de gelo. Leia artigo de Alexandre Guerra Espogeiro, presidente do Saperj.

Não é nada tranquila essa tarefa de enxugar gelo / Medium

Todos os profissionais da pesca são importantes, cada um em sua função. O gelador, por exemplo. Ele executa tarefas inerentes à conservação do pescado, adotando processos de resfriamento ou enxágue, conforme a capacidade do barco, para evitar a deterioração do produto. Conserva peixes com gelo e os peixes devem ser sempre arrumados de maneira a manter espaços nas extremidades das embarcações, para permitir a circulação do ar frio. A profissão de gelador requer muitos conhecimentos, pois a qualidade do peixe que chega a terra para ser comercializado vai depender deste profissional.

O gelador tem uma tarefa, um objetivo claro. Ele faz o seu trabalho e pode se orgulhar por ter cumprido a sua missão. Depois de duas semanas no mar, ele sai do barco e pisa no cais com a sensação do dever cumprido. Ele faz de uma equipe. É um profissional produtivo. Tem orgulho do seu trabalho.

Confesso que em todos esses anos como profissional da pesca não tenho sentido essa sensação. Na verdade, para ser sincero, nos últimos anos tenho me sentido como um enxugador de gelo.

Não é nada tranquila essa tarefa de enxugar gelo. Pode até ser inútil, mas dá um tremendo trabalho.  Tudo isso em nome de dar um jeito na situação da pesca. De encontrar uma saída. Você viaja, participa de reuniões, organiza seminários, agenda encontros, dá entrevistas, escreve artigos, cumpre normas, luta, debate, conversa, reivindica, protesta, faz acordos, e não acontece nada. Isso faz parte da missão do enxugador de gelo.

É um transtorno, uma obsessão. Quase chega a ser uma doença como o TOC, o tal do Transtorno Obsessivo Compulsivo.  Os especialistas dizem que o TOC está entre as dez maiores causas de incapacitação, de acordo com a Organização Mundial de Saúde. Estima-se que cerca de quatro milhões de brasileiros sofram com a doença.

As pessoas com Transtorno Obsessivo Compulsivo, dizem os especialistas, podem ter sintomas de obsessões, compulsões ou as duas coisas.  Esses sintomas podem interferir em todos os aspectos da vida, como trabalho, escola e relacionamentos pessoais. O TOC é um transtorno comum, crônico e duradouro.

Quem vive na pesca não pode deixar de ser tomado por obsessões e compulsões. Ou por ilusões como o Ministério da Pesca.

O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) foi criado em 1 de janeiro de 2003 com o nome de Secretaria Especial da Aquicultura e Pesca (SEAP) pela medida provisória 103, que depois se transformou na lei nº 10.683. A transformação em ministério se deu pela lei nº 11.958 de 26 de junho de 2009. Em 2015 foi extinto e incorporado como Secretaria ao MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e do Abastecimento).  (MAPA). Agora mudou do MAPA para o MDIC (Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior). O nome continua pomposo: Secretaria de Aquicultura e Pesca (SAP) vinculada à Presidência da República.

O fato é que nesses anos todos teve mais espaço para a política do que para a pesca. Os mesmos problemas e situações de sempre continuam sem solução: a não emissão de autorizações e licenças, inatividade de sistemas, falhas do PREPS, falta de um sistema de coleta de dados biológicos e estatísticos, não pagamento de compromissos já assinados e cujos recursos estavam empenhados, não cumprimento de obrigações do Brasil junto aos órgãos e organismos internacionais como a ICCAT, de problemas crônicos de certificação sanitária e rotulagem de produtos, etc.

Um detalhe: foram construídos inúmeros terminais de pesca a um custo “contabilizado” provavelmente muito superior a 400 milhões e que por incrível que pareça nunca funcionaram. Mas chegaram a ser inaugurados três ou quatros vezes, como o “Terminal Pesqueiro Público” de Niterói, localizado no canal de São Lourenço, um local assoreado e atulhado de carcaças de embarcações. Esse tal terminal não recebeu até hoje um barco ou um peixe.

Capa da Edição 171 da Revista Pesca&Mar

Mas a prova definitiva da “politização da pesca” é a profusão de distribuição de carteiras de pescador profissional, o “seguro-defeso”, a “bolsa-pescador”. Dois a cada três beneficiários do seguro-defeso não teriam direito a receber o recurso pelas regras do programa, mas acabam custando R$ 1,5 bilhão ao ano aos cofres do governo, segundo resultado de auditoria do Ministério da Transparência e da Controladoria-Geral da União (CGU). De acordo com relatório dessas entidades, o registro dos segurados “é ineficiente em nível intolerável para justificar a manutenção da política pública” e defende a reformulação completa do programa. Para competir com o milagre da multiplicação dos peixes, a politização da pesca resolveu também realizar o seu milagre: a multiplicação dos pescadores.

Enquanto isso, continuamos aqui dando nó em pingo d’água, batendo na mesma tecla. enxugando gelo. Estou assumindo mais um mandato, até 2020, como presidente do Saperj, consciente do fato de que nada conseguimos até hoje além de muitas obrigações e nenhum incentivo para o nosso desenvolvimento. A luta continua. E se um dia me oferecessem uma bolsa, um seguro ou uma aposentadoria como enxugador de gelo podem ter certeza de que não vou aceitar.

SAPERJ EM AÇÃO

 Acompanhe as últimas notícias sobre as iniciativas sobre as batalhas do nosso sindicato.

Foto: Saperj

Realizamos, no dia 12 de setembro, uma visita ao Terminal Pesqueiro Publico de Niterói (ex-CIPAR) para avaliar a possibilidade futura de ser utilizado como ponto de descarga para a nossa frota pesqueira.

A visita foi promovida pelo Secretário de Desenvolvimento de Niterói, Luis Paulino.

Além da comitiva da Prefeitura estavam presentes o Superintendente da Agricultura do RJ, Essiomar e o atual coordenador da pesca no RJ do MDIC, Jayme.

Também acompanharam a visita o Luis Penteado, da FNTTAA, e Antonio Moreira, do Sindicato dos Pescadores.

Realmente o estado atual do Terminal é deplorável e, mesmo nunca sendo usado, terá que passar por muitos reparos para poder ser utilizado.

O objetivo da Prefeitura é reivindicar a posse do Terminal e anexar uma área ao lado, cujo terreno pertence a ela e onde funciona uma usina de asfalto, para poder ampliar o cais de atracação das embarcações e espaço de manobra para caminhões.

 

Foto: Saperj

Também será estudada a possibilidade da construção, nesta nova área, de uma estrutura para recepção e comercialização de pescado.

Obviamente, o empreendimento só será viável se for realizada a dragagem do canal, o que deixamos bastante enfatizado.

No dia 13, também atendendo ao convite do secretário Luis Paulino também participamos de uma visita ao Mercado de Peixe São Pedro onde a Prefeitura pretende revitalizar a área e incentivar a criação de um polo gastronômico de pescado.

O interessante na visita foi que eu conheci o Coronel Cony, diretor de planejamento do trânsito de Niterói, onde tive a oportunidade de comentar com ele a necessidade de autorizar o estacionamento de carros em frente ao nosso Sindicato.

Ele acenou a possibilidade de permitir a parada temporária de carros, do tipo carga e descarga.

 

 

PESCARIA DE BONITO LISTRADO COM ISCA-VIVA

Crédito: Youtube

 

Exmo. Sr. Vice-Almirante Lima Filho

MD Diretor da Diretoria de Portos e Costas

Marinha do Brasil

 

Inicialmente agradecemos a oportunidade que nos foi concedida para apresentar a importância que representa a pescaria de bonito listrado com isca-viva, responsável pelo fornecimento da matéria prima para o nosso parque industrial de atum enlatado, que produz 160 milhões de latas/ano de atum em conserva, empregando diretamente cerca de 1000 pescadores e, em toda cadeia produtiva, mais de 15 mil trabalhadores.

Todavia, como foi explanado na apresentação, a pesca de bonito listrado com isca-viva vem sendo impactada fortemente pela presença das plataformas de extração de petróleo, notadamente nas Bacias de Campos e Santos, devido à concentração deste recurso pesqueiro nas proximidades das plataformas, que funcionam como verdadeiros atratores artificiais de peixe, mas que, por requisitos de segurança estabelecidos nas Normas da Autoridade Marítima (NORMAM), os barcos não podem pescar a menos de 500 metros das plataformas.

A busca de uma solução para diminuir a atração que estas estruturas exercem sobre os cardumes de bonito listrado torna-se imperiosa para a continuidade desta importante cadeia produtiva de pescado, altamente sustentável, e que contribui para o desenvolvimento socioeconômico do Brasil com o seu potencial para gerar alimento, emprego, renda e divisas para o país, como também no aspecto estratégico, pela ação de presença na área marítima que engloba a nossa Zona Econômica Exclusiva.

Neste mister, solicitamos o apoio desta Diretoria para interagir com outros parceiros, principalmente a PETROBRAS, que opera cerca de 130 plataformas/navios sonda nas Bacias de Petróleo acima citadas, a fim de implementar um projeto piloto para a instalação de boias atratoras, de forma a poder afastar os cardumes da zona de segurança das plataformas e assim possibilitar que nossas embarcações possam continuar a exercer a sua atividade de pesca, respeitando as normas da autoridade marítima.

Consultamos, também, a possibilidade de indicar um representante da PETROBRAS para que possamos iniciar os contatos preliminares com aquela empresa.

Respeitosamente.

Flavio Leme

Presidente da Comissão Nacional da Pesca da CNA

Assessor Técnico do SAPERJ

 

 

PARA ONDE VAI A PESCA?

PARA ONDE VAI A PESCA?

O FIM DO MAR

 

Não existe a menor dúvida: o mar já não é o mesmo mar de 50 anos atrás. De 30 anos atrás. Para ter certeza disso, basta ler os jornais, acessar as mídias eletrônicas. Ou passear pela Ilha da Conceição, aqui no Rio. Navegar pela Baía da Guanabara. Ou conferir as estatísticas do Instituto de Geografia e Estatística (IBGE) e confirmar que os pescadores perderam seu espaço para as empresas dos setores de óleo e gás e naval. Enquanto isso, para as novas gerações, o mar está fora de moda.  Não é mais o espaço da aventura, do espírito marinheiro, da descoberta de um novo mundo. O jovem prefere ser surfista e não quer ser pescador. Prefere aplaudir o pôr do sol numa praia a entrar de gaiato num navio. Mas navegar é preciso, e não é nada espantoso que as novas gerações prefiram navegar na internet.

 

Pescadores na Baía de Guanabara / Crédito: Museu do Amanhã

 

Não existe a menor dúvida: o mar já não é o mesmo mar de 50 anos atrás. De 30 anos atrás. Para ter certeza disso, basta ler os jornais, acessar as mídias eletrônicas. Ou passear pela Ilha da Conceição, aqui no Rio. Navegar pela Baía da Guanabara. Ou conferir as estatísticas do Instituto de Geografia e Estatística (IBGE) e confirmar que os pescadores perderam seu espaço para as empresas dos setores de óleo e gás e naval.

Segundo o IBGE, o número de pescadores localizados na região metropolitana do Rio de Janeiro em 1991 era de 4.774 trabalhadores, enquanto em 2010 contavam-se apenas 1.771, ou seja, uma redução de cerca de 62%. O pescador artesanal já perdeu cerca de 50% da Baia de Guanabara para área de exclusão. Hoje restam por volta de nove mil famílias que ainda dependem desta atividade para sobrevivência.

Vista aérea da Ilha da Conceição / Crédito: O Globo

A Ilha da Conceição está com sua área costeira totalmente ocupada por empresas que prestam serviços para a indústria do petróleo. São empresas de logística e transporte marítimo, manutenção de navios, estaleiros e outras atividades relacionadas à cadeia do petróleo e gás que estão ocupando áreas onde tradicionalmente os pescadores artesanais exercem suas atividades. A partir da perda do território de pesca, esses trabalhadores têm relatado dificuldades ao atracar suas embarcações. Devido esse aumento de custos, muitos acabam migrando para outras ocupações.

Além desse impacto no território, outras atividades contribuem para o agravamento do caso. O próprio percurso das barcas do trajeto Rio-Niterói é um empecilho à pesca. Em algumas áreas próximas a dutos, não é proibido pescar, mas, como eles interferem na temperatura da água, os peixes se afastam da região. Além do assoreamento em áreas da Baía, os lixos, as carcaças de navios abandonadas. Tudo isso vai minando a atividade e reduzindo o espaço dos pescadores.

Petróleo x Peixe – O que fazer?  Todos sabem que, no Brasil, a pesca vem de tradição familiar, passa de pai para filho. Infelizmente, deixou de ser atraente, perdeu lucratividade e a mão de obra se evade para setores mais fortes. Para o petróleo. A saída seria a devolver a lucratividade da pesca. Recuperar o mar perdido.

Mas os pescadores precisam sobreviver e trocam o peixe pelo petróleo. A migração para plataformas de petróleo, navios de apoio e rebocadores em mar aberto (offshore) é o principal fator da falta de mão de obra na pesca profissional no Brasil. Em Itajaí, maior porto pesqueiro nacional, a transferência de mão de obra afeta a grandes e médios armadores, desfalcados também por aposentadorias e envelhecimento da tripulação. Mais do que salariais, as causas estão diretamente ligadas a melhores condições de trabalho, busca de qualidade de vida e mais tempo para convivência com a família.

Na sua nova tarefa, os pescadores são recrutados devido às suas características próprias, e são treinados depois de acordo com a aptidão e capacidade de cada um. Bons navegadores, os pescadores se adaptam com facilidade às condições adversas do mar e do clima e a longos períodos longe da família.  A adequação física e psicológica facilita a lida com tecnologias embarcadas, mesmo as mais modernas.

E tem a questão de uma rotina mais confortável. No setor petroleiro, o profissional permanece confinado em embarcações confortáveis por 30 dias, mas depois tem o mesmo período para ficar em casa. Sem contar férias, 13° salário e outras vantagens na aposentadoria. Quem não quer ganhar bem, ficar com a família nos fins de semana, ter um tempo para se encontrar com os amigos, trabalhar para empresas que são gigantes poderosos? É muito mais confortável trocar o peixe pelo petróleo.

 

Pescador joga a rede a poucos metros de um terminal de gás na Baía de Guanabara / Crédito: O Globo

 Fugindo do mar – Para David Soares, sociólogo e doutor Psico-Sociologia e Ecologia Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), “seria impossível escrever a história da pesca no Brasil sem um capítulo especial sobre a Baía de Guanabara. No período colonial, pescadores portugueses vieram ao país e se fixaram na área do Caju, desenvolvendo a primeira colônia de pesca brasileira. A Baía de Guanabara tornara-se, desde cedo, palco de relevantes inovações técnicas da pesca, nas quais a contribuição de portugueses e espanhóis foi significativa. Eles introduziram técnicas como a rede de cerco e o arrasto de portas na região da Baía, influenciando a cultura pesqueira em outras regiões do país.”

Vazamento de plataforma deixou longo rastro na baía de Guanabara em novembro de 2013 / Foto: Genílson Araújo / Agência O Globo)

“Ó mar salgado, quanto do teu sal São lágrimas de Portugal!”, escreveu o poeta Fernando Pessoa. Isso é passado. De acordo com matéria publicada pela TSF Rádio Notícias, em abril deste ano, até lá na santa terrinha os jovens recusam 20 mil euros para entrar na pesca. O programa para atrair jovens pescadores ficou quase deserto. Num ano, o Ministério do Mar recebeu apenas duas candidaturas. “Bem procurámos, um pouco por todo o país, sinais de jovens pescadores dispostos a usar as ajudas do governo para comprar o primeiro barco”, informa Jerónimo Rato, da CAPA, a Cooperativa e Armadores da Pesca Artesanal. A oferta de 20 mil euros vem, na maior parte, de fundos comunitários para pescadores com menos de 40 anos. “Arrisca-se a ser dinheiro deitado ao mar. Não há quem queira tornar-se armador. Não há tripulantes para novas embarcações, só um maluco é que se metia nisso!”, explica Jerónimo.

Nos últimos anos, a solução tem sido embarcar pescadores reformados (aposentados). O setor permite a reforma a quem tenha 55 anos de idade e 30 anos de atividade, porque a pesca é considerada uma profissão de desgaste rápido. Por lei, os pescadores aposentados não podem ir ao mar. Mas alguns vão enquanto podem, para pagar as contas ou para ajudar familiares com barcos. O problema é que muitos já não podem, já não têm condições físicas. A saída é contratar pescadores estrangeiros em situação irregular, e isso não é de hoje. “Começou há anos, fomos pondo trabalhadores reformados e depois filipinos, marroquinos, indonésios, homens de leste…”, conta Jerónimo Rato. E prossegue: “A multa para quem traga um ‘observador’ – um pescador sem documentos para pescar -, ronda os 300 euros para o mestre da embarcação e outro tanto para o pescador. As autoridades tendem a fechar os olhos, exceto quando há fiscalizações no mar ‘aí, é a doer, não perdoam”.

Jerónimo Rato diz que, por este andar, não resta outra saída ‘senão encostar os barcos à muralha’. Outra alternativa seria a reestruturação da frota de pesca nacional: com menos barcos, pelo menos por uns tempos, os portugueses poderiam chegar.  Jerónimo garante que, da autoridade portuária à ministra do Mar, todos sabem o que se passa nos barcos de pesca. O armador diz que o setor está saturado de esperar por respostas.

Já no tempo do anterior governo, foi decidido avançar com o Regulamento de Inscrição Marítima, um diploma que permitiria reconhecer os documentos de pescadores dos países que têm acordos com Portugal. “Nem o anterior governo, nem este que já lá está há quinze meses, resolvem o problema”. Nesse ponto, as autoridades pesqueiras portuguesas não são diferentes das brasileiras.

Navegar é preciso – Fica a pergunta: quando os pescadores vão ter o mar de volta? E outra pergunta: quando os jovens vão voltar a descobrir a pesca e o mar?

Quanto aos jovens, talvez sempre tenha sido assim. Viver no mar e do mar é só para aqueles que nasceram com a vocação marítima. E mesmo esses não querem que seus filhos sigam esse caminho porque sabem como é dura a vida no mar. E hoje é bem mais dura do que há algum tempo atrás. De qualquer forma, navegar é preciso. Sendo assim, não causa espanto que as novas gerações prefiram navegar na internet.

 

 

OLHO 1

Todos sabem que, no Brasil, a pesca vem de tradição familiar, passa de pai para filho. Infelizmente, deixou de ser atraente, perdeu lucratividade e a mão de obra se evade para setores mais fortes. Para o petróleo. A saída seria devolver a lucratividade da pesca. Recuperar o mar perdido.

 

OLHO 2

Viver no mar e do mar é só para aqueles que nasceram com a vocação marítima. E mesmo esses não querem que seus filhos sigam esse caminho porque sabem como é dura a vida no mar. De qualquer forma, navegar é preciso. Sendo assim, não causa espanto que as novas gerações escolham navegar na internet.

 

PEIXE, BOI, ETC.

Foto: agência espacial brasileira

A produção brasileira de carne bovina manteve a trajetória de crescimento em 2016, enquanto a piscicultura teve a maior expansão entre as criações da pecuária, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O efetivo de bovinos brasileiros chegou a 218,2 milhões de cabeças no ano passado, o maior patamar já registrado pela Pesquisa da Pecuária Municipal.

Com crescimento de 3,3%, acima da média nacional, a principal região criadora de bovinos continua sendo o Centro-Oeste, com 34,4% do rebanho. O Norte manteve a segunda colocação, com aumento de 1,7%. Segundo a pesquisadora do IBGE Mariana Oliveira, o baixo custo da terra e a boa disponibilidade hídrica têm permitido o crescimento na região.

Foto; Mar Sem Fim

São Félix do Xingu, no Pará, é o município brasileiro com o maior efetivo de bovinos, e Marabá, no mesmo estado, está na quinta colocação. A pesquisa mostra que 2016 teve uma retração na produção de leite de 2,9% e um aumento de 15,2% no preço, que atingiu média nacional de R$ 1,17 por litro. De acordo com Mariana, o aumento de preço pode incentivar um novo crescimento da produção de leite, com mais produtores investindo no efetivo de fêmeas que são ordenhadas, que caiu 6,8% em 2016.

Peixe etc. – A piscicultura brasileira cresceu 4,4% em relação a 2016, atingindo 507,1 mil toneladas. O aumento, na avaliação do IBGE, se deve tanto ao incremento da produção quanto à maior regularização do que é produzido. Quase metade da piscicultura brasileira (47,1%) corresponde à criação de tilápia, e 27% das criações de tambaqui.

Rondônia se manteve na liderança nacional da produção aquícola em 2016, conforme a mais nova versão da Pesquisa Pecuária Municipal (PPM), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em todo o País. O PIB aquícola foi de R$ 4,61 bilhões em 2016.

Giro do Boi

A pesquisa, que consolida informações fornecidas por 2910 municípios dos 27 Estados, apontou crescimento de 4,4% na piscicultura em 2016 ante o ano anterior, com 507,12 mil toneladas produzidas. O dado contrasta com o apurado pela Associação Brasileira da Piscicultura (PeixeBR) em 2016: 640 mil toneladas.

Embora Rondônia tenha mantido a liderança no ranking do IBGE com 90,64 mil toneladas, o que mais chama a atenção nesta versão da PPM é o crescimento das despescas no Sudeste (+43,1%), puxada por um surpreendente aumento de 47,5% na produção paulista, para 48,35 mil toneladas. O IBGE credita o desempenho ao aumento do investimento na atividade e entrada de novos produtores na região.

Já o Paraná manteve a segunda posição com despesca de 76,06 mil toneladas, um aumento de 9,8% na comparação com 2015. O Mato Grosso, que superava São Paulo até o ano passado, caiu para a quarta posição com 40,41 mil toneladas, queda de 14,8%.

Entre as Regiões, Norte (1,4%) e Sul (6,9%) também cresceram, mas a estiagem no Nordeste e um ajuste do volume produzido no Centro-Oeste motivaram quedas de 7,8% e 11,8%, respectivamente.

A tilápia seguiu como a espécie mais criada no Brasil, com 239 mil toneladas despescadas em 2016, ou quase metade (47,1%) do total da piscicultura. A produção da espécie aumentou 9,3% em relação a 2015.

O tambaqui foi a segunda espécie mais cultivada no Brasil, com 27% do total de peixes em 2016 e uma despesca total de 136,99 mil toneladas.

Santa Catarina ainda é o líder nacional na produção de ostras, vieiras e mexilhões, com 97,9% das 20,83 mil toneladas produzidas em 2016. A maré vermelha na região, no entanto, provocou uma queda sutil de 1,1% na produção nacional em relação ao ano anterior.

A carcinicultura rendeu 52,12 mil toneladas em 2016 segundo o IBGE, uma redução de 26,1% em relação a 2015. O dado está em consonância com que o previu a Associação Brasileira dos Criadores de Camarões (ABCC) – menos de 60 mil toneladas em 2016. A disseminação da mancha branca segue como principal justificativa da queda na produção, que apurou queda de 26,2% no Nordeste – centro que produz 99,2% do camarão nacional – em relação a 2015.

Porcos e Galinhas – As produções de suínos e galináceos também tiveram alta em 2016. O rebanho de suínos teve expansão de 0,4%, enquanto  os galináceos registraram aumento de 1,9%, influenciado pela perda de poder aquisitivo dos consumidores. Segundo o IBGE, a proteína do frango é considerada mais acessível do que a do bovino e suíno.

Em 2016, o Brasil atingiu o maior número de galináceos – 1,35 bilhão, e Brasília concentrava o maior efetivo. As cidades de Bastos, em São Paulo, e Santa Maria do Jetibá, no Espírito Santo, ficam com a segunda e a terceira colocação.

 

 

DE VOLTA AO NORMAL

Maior empresa enlatadora de pescados da América Latina retoma produção em Itajaí.  Empregados da área da fábrica da Gomes da Costa retornaram aos postos. Companhia havia parado os trabalhos no final de outubro.

Mais de 1,5 mil funcionários da Gomes da Costa em Itajaí retornaram ao trabalho na manhã desta segunda-feira (6) após a maior parte da fábrica ter suspendido a produção em 27 de outubro por falta de peixe e problemas na importação. Segundo a empresa, cerca de 200 trabalhadores na área de embalagem estão em férias coletivas e voltam em 20 de novembro. A empresa produz diariamente dois milhões de latas de sardinha e 500 mil latas de atum. Essa foi a primeira vez que a Gomes da Costa paralisou as atividades em pelo menos 10 anos.

O anúncio da volta dos funcionários da fábrica foi feito por nota. A empresa também esclareceu que a produção de embalagens fica em outro prédio e que elas foram feitas em número suficiente para que esse material não falte até a volta dos empregados das férias coletivas.

As fábricas de alimentos e de embalagens ficam em Itajaí. Na cidade catarinense, a Gomes da Costa é a empresa que mais gera empregos, com dois mil empregados diretos.

Problemas na safra e importação – A empresa disse que a sardinha teve uma baixa safra este ano. Geralmente, a taxa de importação do peixe era de 30%, mas neste ano passou para 95%, aumento que prejudicou a reposição de estoque.

O atum também teve problemas na importação. Conforme a NSC TV, o governo passou a exigir documentos que não eram solicitados. Algumas cargas tiveram que voltar para o país de origem. Por isso, a empresa não estava com peixe o suficiente para operar.

Outra justificativa da Gomes da Costa foi a interdição na metade de outubro, por parte da Fundação do Meio Ambiente (Fatma), de uma unidade que faz o bioprocessamento dos resíduos de peixe. O motivo foi o mau cheiro.

A empresa disse que a medida também prejudicou os trabalhos porque não há o que fazer com os resíduos de peixe. Na nota enviada nesta segunda, a Gomes da Costa afirmou que “sobre o resíduo do peixe, ainda não temos o destino que gostaríamos, já que a fábrica de BIO continua parada”.

 

Retomando a produção

Paralisação temporária