LOUCOS POR NAUFRÁGIOS

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Estando no mar, em 1726, era possível ser peixe ou cabra-macho. É por isso que quando o intempestivo capitão da nau Santa Rosa, Bartolomeu Freire, cortou o rosto do comandante de regimento com uma espada, numa discussão a bordo, o militar foi em busca de vingança. No dia 7 de setembro daquele ano, durante uma tempestade em alto-mar, ele ateou fogo no paiol de pólvora, fazendo voar pelos ares um carregamento de, pelo menos, quatro toneladas de moedas de ouro que estavam sendo levadas do Brasil para Portugal — adotemos, por licença poética, a versão mais romântica da história, já que nenhum dos 700 homens a bordo sobreviveu para contar seu ponto de vista.

As altíssimas profundidades e a falta de informações fizeram com que o tesouro do Santa Rosa permanecesse adormecido em algum lugar da costa de Pernambuco por quase três séculos. Isso, é claro, até pouco tempo, quando a tecnologia evoluiu a ponto de permitir que o homem chegasse a territórios nunca dantes mergulhados — assim como outras histórias que estão vindo à tona, contadas na belíssima reportagem de Natasha Mazzacaro, publicada na revista de domingo de O GLOBO.

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Apesar de haver muito peixe (e barco afundado) no mar, a Salvanav é a única empresa privada do país a promover, regularmente, expedições de busca e salvamento de naufrágios do período colonial, um terreno competitivo em outros países, como os Estados Unidos. Em compensação, graças a alguns apaixonados pelo assunto, as pesquisas de naufrágios evoluíram muito nas últimas décadas. Um dos responsáveis por isso é o professor de biologia Maurício Carvalho, que registra tudo em seu site, Naufrágios do Brasil.

Sem ufanismo, o mergulhador não tem medo de dizer que o Brasil possui um dos maiores patrimônios subaquáticos do mundo. Isso porque o país acabava comprando navios que já estavam velhos em seus países de origem e que vinham naufragar justamente em águas nacionais. Logo, temos alguns dos barcos mais raros do planeta.

— As caldeiras são cilíndricas em 99% dos barcos a vapor. Conheço cinco vapores submersos com caldeiras quadradas no Brasil. Elas explodiam o tempo todo — cita ele.

Ninguém sabe ao certo quantos cascos jazem silenciosos em águas brasileiras. Registrados, Maurício tem 2.600, principalmente do século XVIII, quando o comércio marítimo intercontinental ia de vento em popa. Sua lista começou a engordar em 1995, quando ele percebeu que não havia muito informação sobre o assunto e resolveu inventar, nos primórdios da internet, uma ferramenta que faz com que ele se autointitule criador informal da Wikipédia.

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