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PESCADORES BRITÂNICOS QUEREM DISTÂNCIA DA UNIÃO EUROPEIA

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Mike Walker, pescador aposentado na cidade, resume o que muita gente pensa a respeito da União Europeia nessa cidade portuária no sul da Inglaterra.A entrada da Grã Bretanha na União de 28 países encorajou a França, a Espanha, a Holanda “e o resto todo” a “violar nossas águas”, afirmou Walker.

Outras pessoas talvez escolham palavras menos extremas, mas a opinião de Walker é comum nessa cidade de 17 mil habitantes e sinaliza o desconforto generalizado da Grã-Bretanha com a União Europeia, antes que o país vote no dia 23 de junho o referendo para decidir se deve continuar fazendo parte da união. Não importa se as queixas envolvam peixes, imigrantes ou regras irracionais, muitos britânicos se incomodam com o que interpretam como a interferência de instituições europeias e burocratas de Bruxelas.

No caso de Brixham, o maior porto pesqueiro comercial da Inglaterra, muitos querem que a Grã-Bretanha retome o controle das águas. A área, que fica a 322 quilômetros do litoral é controlada por Bruxelas e se encontra repleta de navios com bandeira europeia, que jogam redes e muitas vezes exploram até o leito marinho.

No mundo todo, a maioria das nações soberanas, incluindo EUA e Canadá, tem domínio sobre os direitos de pesca dentro do limite de 322 km a partir do litoral. Os pescadores de Brixham argumentam que uma Inglaterra livre da supervisão europeia poderia banir as embarcações estrangeiras e devolver os empregos aos britânicos.

É claro que eu quero que o país saia da união”, afirmou o pescador Michael Sharp, com os braços desafiadoramente cruzados. “Todas as guerras que travamos contra a França e a Alemanha nós nunca vamos nos entender, não é?”

As pesquisas de opinião pública realizadas em todo o país indicam que a saída da união, apelidada de Brexit, corre grandes riscos de ocorrer. Mas mesmo no setor pesqueiro, a visão comum em Brixham sobre a Brexit não é compartilhada em todos os portos britânicos.

Ainda existe um forte apoio à União Europeia, por exemplo, em alguns dos portos escoceses, que tem altos lucros com a venda de salmão, mariscos e lagosta para outras partes da Europa. Caso a Grã-Bretanha deixe a união, os pescadores escoceses podem ser afetados por impostos de exportação altíssimos.

Os pescadores de Brixham, por outro lado, contam com poucos incentivos de comércio internacional, já que vendem principalmente para o mercado interno. Em sua opinião, a Brexit representa menos concorrentes estrangeiros. Menos concorrência também pode ajudar a aumentar o faturamento dos pescadores locais, que atualmente varia entre US$ 43 mil e US$ 100 mil ao ano.

De acordo com as atuais regulamentações da União Europeia, as embarcações britânicas podem pescar mais nas águas do país do que os barcos estrangeiros. Contudo, muitos pescadores de outras partes tiraram proveito das leis europeias para abrir empresas na Inglaterra. Isso permite que eles comprem barcos com bandeira britânica, utilizados para pescar conforme a cota britânica. Uma iniciativa do governo inglês para combater essa prática foi impedida em 1992 pelo Tribunal de Justiça Europeu.

Mais de um terço da frota que opera na costa sudoeste da Inglaterra pertence a estrangeiros, afirmou Jim Portus, ex-regulador de pesca da Grã-Bretanha e atual executivo-chefe do grupo comercial South Western Fish Producer.

Uma vez que essas embarcações vendem os peixes no país de origem de seus donos, afirmou Portus, “eles navegam sob a bandeira britânica, mas não trazem qualquer benefício para a Grã-Bretanha”.

Naturalmente, os pescadores britânicos também têm o direito de pescar na costa de outros países da União Europeia. Mas “essas águas não têm nada que a gente queira”, afirmou Ian Perkes, comprador que trabalha todos os dias no mercado de peixe de Brixham.

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*Em inglês

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