O MAR DE PABLO NERUDA


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Pablo Neruda (1904-1973) foi um dos mais importantes poetas da língua castelhana do século XX. Chileno sem fronteiras, poeta do mar, do amor e da fraternidade humana, ele recebeu o Nobel de Literatura em 1971.

 

O MAR

Necessito do mar porque me ensina:

não sei se aprendo música ou consciência:

não sei se é onda ou onde ou ser profundo

somente rouca voz ou deslumbrante

suposição de peixes e navios.

O fato é que até quando estou dormindo

de algum modo magnético circulo

na universidade do marulho.

 

Não somente conchas trituradas

como se algum planeta estremecido

participara paulatina morte,

não, do fragmento reconstruo este dia,

de um cavaco de sal e estalactite

de uma colherada o deus imenso.

 

O que antes me ensinou eu guardo! É ar,

um incessante vento de água e areia.

 

Parece pouco para um homem jovem

que aqui chegou para viver seus incêndios,

e no entanto era um pulso que subia

e descia ao seu abismo,

o frio do azul que crepitava,

o desmoronamento de uma estrela,

o terno desprender-se de uma onda

desperdiçando neve com a espuma,

o poder quieto, ali, determinado

como um trono de pedra no profundo,

substituiu o lugar que acreditavam

tristeza tenaz, amontoando olvido,

bruscamente mudou minha existência:

minha adesão ao puro movimento.

 

Sem título

EL MAR

NECESITO del mar porque me enseña:
no sé si aprendo música o conciencia:
no sé si es ola sola o ser profundo
o sólo ronca voz o deslumbrante
suposición de peces y navios.
El hecho es que hasta cuando estoy dormido
de algún modo magnético circulo
en la universidad del oleaje.
No son sólo las conchas trituradas
como si algún planeta tembloroso
participara paulatina muerte,
no, del fragmento reconstruyo el día,
de una racha de sal la estalactita
y de una cucharada el dios inmenso.

Lo que antes me enseñó lo guardo! Es aire,
incesante viento, agua y arena.

Parece poco para el hombre joven
que aquí llegó a vivir con sus incendios,
y sin embargo el pulso que subía
y bajaba a su abismo,
el frío del azul que crepitaba,
el desmoronamiento de la estrella,
el tierno desplegarse de la ola
despilfarrando nieve con la espuma,
el poder quieto, allí, determinado
como un trono de piedra en lo profundo,
substituyó el recinto en que crecían
tristeza terca, amontonando olvido,
y cambió bruscamente mi existencia:
di mi adhesión al puro movimiento.

Veja mais:

Video: O mar

Poemas traduzidos

Museu Neruda

Filme Neruda

 

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