O COLETIVO, O CARDUME E O TRABALHO DE EQUIPE – SAPERJ
terça-feira , setembro 22 2020

O COLETIVO, O CARDUME E O TRABALHO DE EQUIPE

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Nenhum homem é uma ilha. Não dá para mudar o mundo sozinho. Não se muda uma mentalidade negativa fazendo exercícios espirituais de pensamento positivo. É preciso ação, iniciativa, prática, empreendimento, energia, desempenho, confiança. O Coletivo precisa de parceiros, de trabalho de equipe. No Coletivo é a união que faz a força.

Leia na íntegra a palavra do presidente

A pesca industrial é e sempre foi um coletivo. Um barco de pesca exige um trabalho de equipe. Há tempos atrás uma tripulação permanecia unida, trabalhando na mesma embarcação por anos seguidos. Era o que se contava. Hoje isso acontece raramente, se é que acontece. A falta de mão de obra é um dos nossos grandes desafios. Para um jovem, ser pescador não tem a mesma atração de ser um surfista. Na minha adolescência, quando entrei na pesca, eu tinha meu pai e meu avô como exemplos a seguir. Foram os meus mestres. “Filho de peixe, peixinho é”, era o que se dizia. Não se diz mais. Pescadores não querem para seus filhos uma vida dura; ficar anos no mar, longe da família, sem acompanhar o crescimento das crianças, pode ser uma experiência traumatizante. Armadores também não desejam que seus filhos passem a vida cuidando de barcos, descargas, inadimplências, lutando contra avarias e portarias.   Sem falar que a própria atividade hoje não é vista de forma positiva pelos formadores de opinião. Cada vez mais se rima pescador com predador. A pesca não está com essa bola toda. É melhor ser jogador de futebol.

Mas é exatamente por isso, mais do que nunca, que é preciso lutar pela importância da pesca industrial brasileira. Ela não é só uma atividade digna: a pesca industrial é relevante, é insubstituível, tem um papel a cumprir na ocupação do mar brasileiro e na produção de um alimento saudável para milhões de brasileiros. É urgente resgatar a importância da pesca para a economia e a sociedade deste país que parece que acaba na praia e vira as costas para o mar, parecendo desconhecer e desprezar a sua imensa Amazônia Azul.

Mudar essa mentalidade exige um trabalho de equipe. Pensando nisso é que o Conepe trocou a palavra Conselho para Coletivo. O Coletivo Nacional de Pesca e Aquicultura, no qual estou presidente, reúne Sindicatos Patronais e Associações representativas de Armadores de Pesca, Indústrias de Processamento e Atacadistas de Pescados de todo o país. Além disso, o Coletivo preside a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Pesca, foro consultivo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) para a identificação de oportunidades ao desenvolvimento das cadeias produtivas, articulando agentes públicos e privados, definindo ações prioritárias de interesse comum, visando à atuação sistêmica e integrada dos diferentes segmentos produtivos.

De acordo com especialistas e pensadores, o Coletivismo é “um elemento cultural básico da natureza humana que existe como o inverso do individualismo. Coletivistas salientam a importância da coesão no seio dos grupos sociais e, em alguns casos, a prioridade dos objetivos do grupo são mais importantes que objetivos individuais. Os coletivistas muitas vezes concentram seus objetivos em comunidade, sociedade, nação ou país.”

         Nenhum homem é uma ilha. Não dá para mudar o mundo sozinho. Não se muda uma mentalidade negativa fazendo exercícios espirituais de pensamento positivo. É preciso ação, iniciativa, prática, empreendimento, energia, desempenho, confiança. O Coletivo precisa de parceiros, de trabalho de equipe. Leio que a denominação “trabalho em equipe” ou “trabalho de grupo” surgiu depois da Primeira Guerra Mundial, e é um método muitas vezes usado no âmbito político e econômico como um sistema para resolver problemas. O trabalho em equipe possibilita a troca de conhecimento e agilidade no cumprimento de metas e objetivos compartilhados, uma vez que otimiza o tempo de cada pessoa e ainda contribui para conhecer outros indivíduos e aprender novas tarefas.

         Isso é tudo que queremos. Mas o Coletivo precisa de outros Coletivos. Nesse sentido, é fundamental a parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que tem nos ajudado a levar a pesca industrial para a esfera do agronegócio, que é o nosso lugar. Nunca é demais agradecer à Federação da Agricultura, Pecuária e Pesca do Estado do Rio de Janeiro (Faerj), na figura de seu presidente, Rodolfo Tavares, que tem sido um incansável parceiro de luta há quase duas décadas. A seu lado, ganhamos força, experiência e representatividade.

         O fim do Ministério da Pesca e a nossa ida para a Secretaria Nacional de Pesca do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) pode e deve ser encarada como uma oportunidade de escapar definitivamente das promessas (jamais cumpridas) das políticas pesqueiras partidárias e instituir uma prática pesqueira baseada em atos, fatos e realizações. Quando o Ministro Blairo Maggi declara que “a burocracia é que leva à ineficiência e nós temos na pesca uma regulação muito dura”, isso é música para os nossos ouvidos.  Quando o Comandante da Marinha, Almirante Eduardo Bacellar Leal Ferreira, afirma que “na Amazônia Azul, nossas fronteiras são linhas imaginárias sobre o mar”, e que é preciso “salvaguardar os interesses brasileiros” nessa imensa área, nós nos sentimos parte dessa missão, já que há décadas a frota da pesca industrial tem sido uma presença constante em nossas águas jurisdicionais, muitas vezes competindo com embarcações estrangeiras.

         Sim, o Coletivo precisa de outros Coletivos. Precisamos fugir das redes da burocracia e aperfeiçoar as nossas redes de contato. Nessa longa batalha pela dignidade e representatividade, pela sobrevivência, podemos aprender com os peixes. Quando os peixes se reúnem em cardumes, eles procuram nadar em sincronia de movimentos, o que faz com que todos os indivíduos se pareçam com um só diante do predador. É como se formassem uma massa homogênea que impede o foco em um indivíduo particular.  Um trabalho de equipe. Um esforço coletivo. No Coletivo é a união que faz a força.

 

Alexandre Guerra Espogeiro

Presidente do Saperj

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