TERMINAL DE R$ 10 MILHÕES

No Barreto, o espaço de 7.200 metros quadrados foi cedido por 50 anos pela Companhia Docas ao governo federal, e o investimento feito na obra chegou a cerca de R$ 10 milhões. Além das esteiras, o local conta com um galpão que seria usado para o beneficiamento do pescado. O terminal também teria uma fábrica de gelo e posto de combustível. A promessa do Ministério da Pesca era que o pescador poderia descarregar, reabastecer e até vender o pescado, tudo no mesmo espaço.

De acordo com o então Ministério da Pesca, o terminal estaria disponível para receber embarcações interessadas em desembarcar pescado no local. Ainda segundo o órgão, no entanto, houve demora na conclusão da remoção das embarcações naufragadas, e isso dificultava a operação regular do cais. O ministério afirmava que foram retiradas da região mais de uma dezena de embarcações. A demora se devia ao fato de a Capitania dos Portos ter que pelo menos tentar identificar os donos dessas carcaças antes de removê-las. Sobre a dragagem, o ministério afirmava que o serviço está em fase de contratação. (Tudo palavras ao vento.)

Em meio a projetos e terminais inoperantes, os pescadores da região reclamavam da falta de um espaço apropriado para trabalhar.

— O pescador precisa de um espaço e não o tem. Desde 1992, quando foi fechado o terminal pesqueiro da Praça Quinze, no Centro do Rio, não temos um lugar adequado. O que acontece hoje é que fazemos a descarga de peixe em vários “pontinhos”, como no Gradim (São Gonçalo), em Jurujuba (Niterói) e até em Ramos (Rio). Depois, temos que pagar o frete para levar o pescado para a Ceasa para vender — afirmava Gilberto Alves, presidente da Colônia de Pescadores Z-8, de Niterói e São Gonçalo.

Na época, o então ministro, Crivella explicava que ainda seriam necessários R$ 300 milhões para a conclusão da dragagem do canal. “O governo entrou em crise, a licença ambiental teve que ser refeita, a dragagem esbarrou em outros problemas. Muitas vezes planejamos um projeto achando que teoria e prática são a mesma coisa. No papel, tudo funciona. Na prática, há imprevistos.”

Segundo Crivella, houve dificuldade na localização dos donos dos barcos e problemas com licenças. “A expectativa é que a licença esteja autorizada pelo Inea no começo de 2017 para o início da dragagem”, prometeu.

O ano de 2017 chegou. O ex-ministro Crivella é prefeito da cidade do Rio de Janeiro, o Ministério foi extinto, e a pesca está à deriva no mar grosso da política.

Terminal fantasma 1

Terminal fantasma 2

Terminal fantasma no SBT

 

 

Leia na revista Pesca & Mar 168: PROMESSAS ENCALHADAS

Veja também

UMA PRAIA, UMA GAROTA, UM TUBARÃO

A praia é deslumbrante: uma baía pequena e isolada, com ondas de um azul-turquesa cristalino ...

PEIXE MORTÍFERO

PEIXE MORTÍFERO Uma cidade do Japão transmitiu um alerta de emergência depois que porções potencialmente ...

UM MAR DE EVENTOS EM 2018

UM MAR DE EVENTOS EM 2018 Quem trabalha na produção, processamento ou comercialização de pescado ...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *