domingo , dezembro 17 2017

DUAS TRAGÉDIAS NO MAR: AS VOZES DO DESESPERO E DA OMISSÃO

É doloroso ver o princípio de salvaguarda da vida humana no mar ser abandonado por covardia, descaso, omissão.

Onze de Outubro de 2013 foi uma das datas mais negras da crise migratória desencadeada pela Guerra da Síria. Nesse dia, 268 pessoas, entre as quais 60 crianças, morriam nas águas do Mediterrâneo, perto da ilha italiana de Lampedusa, depois de um barco pesqueiro sobrelotado proveniente da Líbia se ter virado e afundado. Quase quatro anos depois, a revista italiana L’Espresso divulga agora um conjunto de cinco gravações telefónicas que revelam como as autoridades italianas ignoraram durante cinco horas os pedidos desesperados de auxílio de um médico sírio a bordo.

Segundo a revista italiana, que reproduz as gravações áudio no seu site, o primeiro alerta foi dado às 12h39. A essa hora, o centro de operações da guarda costeira italiana, em Roma, recebe uma chamada de Mohanad Jammo, um médico sírio que dá conta dos problemas a bordo, indicando a presença de “cerca de cem crianças, cem mulheres e talvez cem homens”. Na verdade, soube-se mais tarde, estavam pelo menos 480 pessoas no pesqueiro líbio.

Às 13h17, o médico sírio volta a pedir ajuda. “Enviaram alguém? Somos sírios, somos cerca de 300”, diz. Uma voz masculina responde em tom impaciente: “Eu dou-lhe o número de Malta, porque está perto de Malta – perto de Malta, compreende?” Era o início de uma nova fase do incidente, em que Roma e La Valletta empurram entre si a responsabilidade pelo auxílio aos refugiados sírios.

A tragédia do Costa Concordia – Francesco Schettino, ex-comandante do navio Costa Concordia, foi condenado nesta quarta-feira (11 de maio) a 16 anos de prisão por causa do naufrágio do cruzeiro no qual morreram 32 pessoas, em janeiro de 2012.

De acordo com a Reuters, ele foi condenado por homicídio culposo múltiplo, por ter causado o naufrágio e por abandono do navio pelo tribunal de Grosseto, na Itália. No entanto, ele não irá para a cadeia antes da conclusão do longo processo de apelação na Itália, o que pode levar anos.

O abandono ocasionou o episódio mais famoso em todo o incidente: o momento em que o capitão da Guarda Costeira Gregorio De Falco ordena furiosamente que Schettino retorne ao cruzeiro para supervisionar as operações de resgate com a frase “Vada a bordo, cazzo!”

“Ouça, Schettino, talvez você tenha se salvado do mar, mas eu vou fazer você ficar muito mal. Farei você pagar por isto. Vá para bordo, porra!”, gritou De Falco para Schettino durante um diálogo de quatro minutos, por rádio.

 

VEJA MAIS:

O dia em que a Itália deixou 60 crianças se afogarem

 

Vídeo do acidente e as vozes do desespero e da omissão

 

Costa Concordia

 

Vídeo: Conversa entre o comandante do navio Costa Concordia e a Capitania dos Portos

 

Check Also

UMA PRAIA, UMA GAROTA, UM TUBARÃO

A praia é deslumbrante: uma baía pequena e isolada, com ondas de um azul-turquesa cristalino ...

Anuncie na Revista da Pesca Brasileira

Anuncie na Revista da Pesca Brasileira A revista Pesca & Mar é centenária. Não é ...

PEIXE, BOI, ETC.

A produção brasileira de carne bovina manteve a trajetória de crescimento em 2016, enquanto a ...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *