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ATÉ QUE ENFIM A UNIÃO DA PESCA

Pescadores industriais e artesanais de Santa Catarina se unem por cotas.

 

Ao se verem no mesmo aperto, na mesma rede de restrições, armadores industriais e pescadores artesanais se uniram – o que era impensável alguns anos atrás. Os dois setores defendem que o governo adote o sistema de cotas para a pesca da tainha. Desta forma, o peixe estaria protegido e todas as modalidades teriam direito a uma fatia dos cardumes.

Até mesmo a pesca artesanal, considerada de menor impacto aos cardumes de tainhas, cuja safra da pesca industrial começou quinta-feira, sentiu o peso das novas determinações do governo federal em relação à tainha. Com exceção das redes de arrasto de praia e das pequenas embarcações, os demais pescadores, que trabalham com a chamada pesca de emalhe anilhada, também têm sido sistematicamente excluídos da safra. Receberam menos licenças do que o esperado, e recorreram à Justiça para pleitear o direito às capturas.

– O governo está criminalizando a pesca, tanto industrial quanto artesanal – diz o advogado Ernesto São Thiago, que representa os pescadores.

ONG X GOVERNO – O projeto foi apresentado no ano passado pelo Instituto Oceana, que financiou estudos para avaliar o estoque de tainhas no Sul e Sudeste do país. A recomendação é de um limite anual de 4,3 mil toneladas anuais, que seriam suficientes para permitir a recuperação do peixe. A ideia, no entanto, não chegou a ser discutida pelo comitê que regulamenta a tainha dentro do Ministério do Meio Ambiente.

Recentemente o Ibama encaminhou um ofício ao Ministério Público Federal (MPF), reclamando da interferência do Instituto Oceana na gestão pesqueira, e dizendo que a proposta de cotas “confronta, de forma grave, com o cenário em implementação, do definido no plano, qual seja: a total retirada da pesca com cerco realizada pelas grandes traineiras”.

UNIÃO – A união entre pescadores “industriais” e artesanais pode ser temporária, no caso da tainha ou da portaria 445.

Mas se a pesca não se unir como um todo, cada qual em seu barco, todos no mesmo mar, não vai ter a mínima chance de sobreviver como atividade. De se defender. De se fazer ouvir. De conseguir respeito e dignidade. De acabar com esse jogo onde somos tratados como moleques, como irresponsáveis, como analfabetos, como deficientes, como predadores, como bandidos.

 

No mar, na hora do perigo, somos todos irmãos.

Na terra, a desunião é a nossa fraqueza.

E vamos ser sinceros: tem gente unida se aproveitando dessa nossa fraqueza em terra. Enterrando a gente.

Vamos aprofundar a nossa união temporária e fazer dela uma união permanente.

Somos todos trabalhadores do mar.

E merecemos respeito pelo menos por ocupar o mar brasileiro.

Por oferecer uma pesca ao Brasil e aos brasileiros nossos irmãos terrestres.

Viva a pesca brasileira!

 

União de pescadores

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