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“VISITE ATAFONA ANTES QUE ACABE”

Avanço do mar volta a assustar moradores e pescadores em Atafona.

 

É vento soprando, perigo rondando. Quando vem do nordeste, a rajada de ar deixa os moradores da praia acordados como sentinelas. Em noites de lua cheia ou crescente, a maré alta invade a orla e engole o que encontra pelo caminho. Depois, quando o mar amansa, restam escombros parecidos com sepulturas na areia, pedaços do que já foram casas. Tem sido assim desde 1973. Havia não uma, mas 500 residências, igreja, posto de combustível para embarcações, delegacia, um prédio de quatro andares, 15 ruas inteiras: tudo tragado pelo Atlântico insaciável.

O mar de Atafona é marrom. Azul são os olhos do pescador Manoel Rosa, que veem com temor o escurecer do céu, enquanto sopra o “nordestão brabo”, como ele chama o vento. Passará a noite insone, com mulher, filho e sogra, à espera do inimigo. As defesas contra o mar são poucas naquela pequena casa de dois cômodos, usada como canil pelo antigo proprietário, um advogado de Campos que abandonou a construção: uma cerca de madeira e um banco de areia de dois metros de altura. O mar ainda não bate à porta, mas já começou a golpear a base da pequena duna que sustenta tudo. O canil que virou casa virá abaixo. Só não se sabe quando.

— Sou nascido em Atafona, minha casa ficava lá onde está aquele barco — diz o pescador de 46 anos, apontando uma traineira no meio do mar, a pelo menos 500 metros de distância. — Não tenho como pagar aluguel. A casa estava vazia, a gente entrou. Ninguém consegue dormir aqui. O barulho do mar assusta.

Em uma placa no Pontal de Atafona, lê-se uma pichação catastrófica: “Visite Atafona antes que acabe”. No escombro de uma casa, outra frase que remete ao fim do mundo: “Jesus está chegando”, e a sensação é que só mesmo a providência divina pode salvar o pequeno distrito do desaparecimento. O temor dos moradores aumentou nas últimas duas semanas, quando a água do mar invadiu o Pontal, onde o Paraíba do Sul encontra o Atlântico. O bar do Santana, antes bar do Almir Largado, foi obrigado a fechar as portas depois que as ondas levaram o deque, derrubaram palmeiras e inundaram o espaço.

Leia mais sobre o drama de Atafona

 

Atafona 2006

 

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