O MAR OCEANO DE FERNANDO PESSOA – SAPERJ
sábado , setembro 26 2020

O MAR OCEANO DE FERNANDO PESSOA

Fernando António Nogueira Pessoa (Lisboa, 13 de junho de 1888 — Lisboa, 30 de novembro de 1935), foi um poeta, escritor, publicitário, astrólogo, crítico literário, inventor, empresário, tradutor, correspondente comercial, filósofo e comentarista político português.

 

Fernando Pessoa é o mais universal poeta português. Por ter sido educado na África do Sul, numa escola católica irlandesa, chegou a ter maior familiaridade com o idioma inglês do que com o português ao escrever os seus primeiros poemas nesse idioma. O crítico literário Harold Bloom considerou Pessoa como “Whitman renascido”, e o incluiu no seu cânone entre os 26 melhores escritores da literatura ocidental.

 

Mas ele é português antes de mais nada e acima de tudo:

 

Ó mar salgado, quanto do teu sal

São lágrimas de Portugal!

Por te cruzarmos, quantas mães choraram,

Quantos filhos em vão rezaram!

Quantas noivas ficaram por casar

Para que fosses nosso, ó mar!

 

Valeu a pena? Tudo vale a pena

Se a alma não é pequena.

Quem quer passar além do Bojador

Tem que passar além da dor.

Deus ao mar o perigo e o abismo deu,

Mas nele é que espelhou o céu.

 

 

Fernando Pessoa é pura vertigem marítima:

 

Quero ir convosco, quero ir convosco,

Ao mesmo tempo com vós todos

Pra toda a parte pr’onde fostes!

Quero encontrar vossos perigos frente a frente,

Sentir na minha cara os ventos que engelharam as vossas

Cuspir dos lábios o sal dos mares que beijaram os vossos

Ter braços na vossa faina, partilhar das vossas tormentas

Chegar como vós, enfim, a extraordinários portos!

Fugir convosco à civilização!

Perder convosco a noção da moral!

Sentir mudar-se no longe a minha humanidade!

Beber convosco em mares do Sul

Novas selvajarias, novas balbúrdias da alma,

Novos fogos centrais no meu vulcânico espírito!

Ir convosco, despir de mim – ah! põe-te daqui pra fora! –

O meu traje de civilizado, a minha brandura de ações,

Meu medo inato das cadeias,

Minha pacífica vida,

A minha vida sentada, estática, regrada e revista!

 

No mar, no mar, no mar, no mar,

Eh! pôr no mar, ao vento, às vagas,

A minha vida!

Salgar de espuma arremessada pelos ventos

Meu paladar das grandes viagens.

 

Fernando Pessoa foi muita gente: Álvaro de Campos, Alberto Caieiro, Ricardo Reis, Bernardo Soares, entre outros. Viaje um pouco no mar oceano de Fernando Pessoal.

 

 

 

Pessoa: Mar português

 

Parte-se de mim qualquer coisa

 

Ode marítima

 

Tabacaria

 

Poema em linha reta

 

Veja também

UMA PRAIA, UMA GAROTA, UM TUBARÃO

A praia é deslumbrante: uma baía pequena e isolada, com ondas de um azul-turquesa cristalino ...

ATUM VEGETAL E AFINS

A gigante de alimentos Nestlé está lançando uma nova alternativa de atum vegetal na Suíça, ...

FIGHT CRAB

Personagens com garras longas podem sim ter uma vantagem em combates contra personagens que se ...