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O MAR OCEANO DE FERNANDO PESSOA

Fernando António Nogueira Pessoa (Lisboa, 13 de junho de 1888 — Lisboa, 30 de novembro de 1935), foi um poeta, escritor, publicitário, astrólogo, crítico literário, inventor, empresário, tradutor, correspondente comercial, filósofo e comentarista político português.

 

Fernando Pessoa é o mais universal poeta português. Por ter sido educado na África do Sul, numa escola católica irlandesa, chegou a ter maior familiaridade com o idioma inglês do que com o português ao escrever os seus primeiros poemas nesse idioma. O crítico literário Harold Bloom considerou Pessoa como “Whitman renascido”, e o incluiu no seu cânone entre os 26 melhores escritores da literatura ocidental.

 

Mas ele é português antes de mais nada e acima de tudo:

 

Ó mar salgado, quanto do teu sal

São lágrimas de Portugal!

Por te cruzarmos, quantas mães choraram,

Quantos filhos em vão rezaram!

Quantas noivas ficaram por casar

Para que fosses nosso, ó mar!

 

Valeu a pena? Tudo vale a pena

Se a alma não é pequena.

Quem quer passar além do Bojador

Tem que passar além da dor.

Deus ao mar o perigo e o abismo deu,

Mas nele é que espelhou o céu.

 

 

Fernando Pessoa é pura vertigem marítima:

 

Quero ir convosco, quero ir convosco,

Ao mesmo tempo com vós todos

Pra toda a parte pr’onde fostes!

Quero encontrar vossos perigos frente a frente,

Sentir na minha cara os ventos que engelharam as vossas

Cuspir dos lábios o sal dos mares que beijaram os vossos

Ter braços na vossa faina, partilhar das vossas tormentas

Chegar como vós, enfim, a extraordinários portos!

Fugir convosco à civilização!

Perder convosco a noção da moral!

Sentir mudar-se no longe a minha humanidade!

Beber convosco em mares do Sul

Novas selvajarias, novas balbúrdias da alma,

Novos fogos centrais no meu vulcânico espírito!

Ir convosco, despir de mim – ah! põe-te daqui pra fora! –

O meu traje de civilizado, a minha brandura de ações,

Meu medo inato das cadeias,

Minha pacífica vida,

A minha vida sentada, estática, regrada e revista!

 

No mar, no mar, no mar, no mar,

Eh! pôr no mar, ao vento, às vagas,

A minha vida!

Salgar de espuma arremessada pelos ventos

Meu paladar das grandes viagens.

 

Fernando Pessoa foi muita gente: Álvaro de Campos, Alberto Caieiro, Ricardo Reis, Bernardo Soares, entre outros. Viaje um pouco no mar oceano de Fernando Pessoal.

 

 

 

Pessoa: Mar português

 

Parte-se de mim qualquer coisa

 

Ode marítima

 

Tabacaria

 

Poema em linha reta

 

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