PEIXE CONGELADO

O novo Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade de Peixe Congelado – RTIQ que entra em vigor no dia 01 de setembro deste ano foi o foco da assembleia extraordinária convocada pelo Sindicato dos Armadores e das Indústrias da Pesca de Itajaí e Região – SINDIPI no começo deste mês de agosto. As normas que integram o regulamento são contestadas por especialistas em todo o país. O Ministério da Agricultura – MAPA que no final do ano passado realizou uma consulta pública sobre o tema, foi alertado por entidades representativas da pesca, inclusive o SINDIPI sobre a diferença do regulamento brasileiro para o que se pratica em outros países e o que consta na literatura nacional e internacional.

De acordo com o Engenheiro de Alimentos Estevam Martins, Coordenador Técnico do sindicato, as novas regras que fixam valores de pH que mede a qualidade da carne do peixe, níveis de sódio, limite de Glaciamento de 20% para 12%: camada de gelo que o protege, vão gerar um prejuízo para toda a cadeia produtiva. “Esse RTIQ, vai normatizar tanto a produção, quanto a qualidade, até a própria comercialização do pescado. Se esse regulamento tiver alguma informação que a indústria não consiga atender, o custo vai ser muito elevado. Vão ter penalidades como apreensão do produto e auto de infração que pode gerar multa de até 500 mil reais e a perda do SIF no caso de três auto de infração,” destaca  Estevam.

Para tentar amenizar os prejuízos e reivindicar alterações no RTIQ, armadores e donos de indústrias associadas ao SINDIPI decidiram contratar o “Instituto de Pesca – Centro de Pesquisa do Pescado Marinho” de São Paulo para a realização de estudos sobre pH, Sódio, Glaciamento, entre outros. O primeiro relatório sobre pH deve ser apresentado nos próximos dias e em 60 dias os demais. A primeira etapa deste trabalho é uma revisão bibliográfica sobre a literatura científica nacional e internacional, posteriormente serão realizadas pesquisas com peixes provenientes da captura.  Em assembleia Geral Extraordinária foi aprovado a criação de um fundo para financiar estes investimentos do setor produtivo.

Jorge Neves, presidente do SINDIPI, participou da assembleia extraordinária e celebrou o resultado. “Isso é uma vitória para a pesca de Santa Catarina e para o resto do país, pois vai refletir no coletivo, mas para isso alguém precisa começar. Isso na minha opinião vem dar uma nova visão para o futuro. Pois nós estávamos desacreditados e com um futuro incerto. Então, eu acho que com essa nossa união e fazendo tudo dentro da lei e como deve ser feito, nós vamos alcançar êxito”, explica Neves.

A intenção da diretoria do sindicato é promover nos próximos dias um encontro com várias entidades representativas da pesca para tentar incluir novos parceiros no rateio desta pesquisa. Além da participação de armadores e empresários da indústria o Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Pesca de Santa Catarina – SITRAPESCA também vai participar do rateio para investimento em pesquisa.

 

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