É URGENTE APRENDER A LER O MAR – SAPERJ
sábado , outubro 31 2020

É URGENTE APRENDER A LER O MAR

Não somos um país de leitores. Milhões de nós consumimos peixes, mas não nos preocupamos em saber como eles chegam à nossa mesa. Mas não existe milagre dos peixes. Existe, sim, um trabalho duro de sal a sol. É urgente: precisamos aprender a ler o mar brasileiro.

 

Exemplar de bonito-listrado com marca MiniPAT® implantada, pronto para ser liberado ao mar. Detalhe da cama de marcação adaptada com fitas métricas para medição do comprimento furcal. / Foto: Lauro A. Saint Pastous Madureira.

Já temos por onde começar. Está saindo do forno um livro imperdível: Sustentabilidade da Pesca do Bonito-Listrado no Brasil. Os organizadores são  Lauro A. Saint Pastous Madureira e Cassiano Monteiro-Neto.

Trata-se de um trabalho abrangente, multidisciplinar, realizado   em parceria com institutos, núcleos de estudos, laboratórios de pesquisas de cinco universidades e uma instituição de gestão pesqueira, que, conjuntamente, definiram os objetivos específicos. Os pesquisadores leram o mar com tecnologia de satélites, marcas eletrônicas, viagens, workshops, entrevistas, muita ciência e bastante consciência.

“Um dos apontamentos mais recorrentes foi a necessidade de implantar um sistema de monitoramento e comunicação da atividade pesqueira, em escala nacional. Trata-se de uma ferramenta fundamental para a gestão, que é regido pelo princípio da precaução, a fim de evitar que os recursos naturais atinjam pontos de inflexão”, explicam os organizadores Lauro Madureira e Cassiano Monteiro-Neto  nas considerações finais. ” Outra questão bastante comentada foi a ausência de um banco de dados de abrangência nacional, capaz de subsidiar com segurança os diferentes métodos de análises e de permitir a interpretação da forma mais plausível possível, da história da pesca deste recurso, desde quando era pouco ou nada explorado. Esse problema também está vinculado à ausência de um sistema integrado de monitoramento, levando em conta que dados ineficientes tiram o vigor das ações que visam a sustentabilidade dos recursos naturais marinhos.”

Eles lembram que “a sustentabilidade é construída, principalmente, sobre três pilares, o ambiental, o social e o econômico. Em relação à dimensão social, no contexto do Projeto Bonito-listrado, as análises mostraram que há um vasto campo de pesquisas ainda inexplorado em relação à pesca industrial no Brasil.”

E aprofundam o argumento: “Reconhecemos que, para promover a sustentabilidade, é preciso conhecer. Mais que conhecer, é necessário compreender, porque “a compreensão se baseia no conhecimento e o conhecimento não pode avançar sem uma compreensão tácita preliminar” (ARENDT, 1994, p. 333). Com base em Arendt, acreditamos que o conhecimento só avançará se coincidir com os interesses daqueles que precisam garantir o futuro da pesca. É importante ressaltar que as demandas das agendas internacionais para sustentabilidade dos oceanos enfatizam a necessidade de aprimorar o conhecimento e a pesquisa científica, no sentido de desenvolver ‘estratégias para gerar conscientização acerca da relevância natural e cultural do oceano’, portanto, compartilhar tornou-se obrigatório.”

Apresentamos o livro “Sustentabilidade da Pesca do Bonito-listrado no Brasil” como conclusão de ações interdisciplinares desenvolvidas por um projeto de pesquisa multidisciplinar. Este trabalho é resultado do esforço conjunto dos pesquisadores para compartilhar informações após três anos de análises de dados sobre as fases iniciais, reprodução e crescimento biológico da espécie; averiguações sobre o habitat e a dinâmica oceanográfica; observações sobre a pesca, a cadeia produtiva e a socio­economia. O objetivo é disponibilizar os resultados obtidos para toda a sociedade e contribuir para que a sustentabilidade seja efetiva em toda a abrangência da pesca do bonito-listrado no Brasil. / Foto: Lauro A. Saint Pastous Madureira.

 

Distribuição geográfica das posições de captura de bonito-listrado pela frota da Leal Santos entre 2013 e 2018. Cada ponto em vermelho representa uma posição de pesca.

Mapa da costa brasileira mostrando a delimitação das possíveis áreas de desova do bonito-listrado e da principal área de pesca (ANDRADE & SANTOS, 2004).

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