OPERAÇÃO SALVAMENTO

Prefeitura de Niterói quer abrir terminal pesqueiro de R$ 10 milhões que nunca funcionou. Projeto de terminal pesqueiro em Niterói ganha boxes e restaurante.

Ter um lugar com 7.200 metros quadrados onde barcos de pesca industriais pudessem atracar e descarregar até 25 toneladas de pescado por dia foi a promessa feita pelo então ministro da Pesca Marcelo Crivella, há quatro anos, durante a inauguração de um terminal pesqueiro na Avenida do Contorno, no Barreto, próximo à Ponte Rio-Niterói. A obra consumiu R$ 10 milhões, mas não foi adiante. O local está abandonado desde então porque o Canal de São Lourenço, que passa pelos fundos do imóvel, é praticamente inavegável, e os barcos não chegam até lá. A prefeitura de Niterói tenta agora salvar o empreendimento através de uma Parceria Púlico-Privada (PPP).

A Secretaria municipal de Desenvolvimento Econômico, Indústria Naval e Petróleo e Gás pretende ampliar o terminal pesqueiro unindo sua área ao terreno ao lado, usado para produção de asfalto pela Empresa Municipal de Moradia, Urbanização e Saneamento (Emusa). Depois entregará a administração do espaço a uma empresa por meio de licitação. A futura gestora será autorizada a instalar boxes e restaurantes no local.

Com o objetivo de viabilizar o negócio e permitir o acesso de barcos até lá, a prefeitura contratou a empresa Concremat, em dezembro, para realizar o Estudo de Impacto Ambiental (EIA/Rima) do desassoreamento do Canal de São Lourenço. A ordem de início dos trabalhos será publicada no Diário Oficial nos próximos dias. Segundo o secretário responsável pela pasta, Luiz Paulino Moreira Leite, o EIA/Rima, que custará R$ 599.856, servirá para pressionar a liberação da verba de R$ 30 milhões pelo Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil (MTPA) para a execução da dragagem.

— Com o EIA/Rima, a Secretaria de Portos fará a dragagem, e nosso objetivo é que o terminal pesqueiro esteja funcionando dentro de um ano — diz o secretário.

Apesar de as estruturas para descarregamento da pesca na cidade serem precárias, o potencial da atividade em Niterói é grande. Dados do Sindicato dos Armadores de Pesca do Estado do Rio de Janeiro (Saperj) apontam que das cerca de 583 mil toneladas de pesca extraídas no país em 2014 (dado mais recente), a maior parte é oriunda de Itajaí, em Santa Catarina, seguida de Niterói. A cidade é líder no estado com produção média anual de 31.400 toneladas, seguida por Angra dos Reis com 31 mil toneladas e Cabo Frio com 17.250. No entanto, boa parte do produto pescado na região acaba sendo comercializada em outros estados. Atualmente, os locais de desembarque pesqueiro de Niterói e São Gonçalo são provisórios e não comportam a demanda, desde a desativação em 1992 do Terminal Pesqueiro da Praça Quinze. Hoje, no Rio de Janeiro, são 104 barcos de pesca industrial filiados ao Saperj, com mil pescadores embarcados na região de mar aberto próximo a Niterói.

Leia mais:

O Globo

Veja também

O MENINO DE SOFIA

Sofia 2018: volume da pesca cai com El Niño. Tem que ficar de olho no ...

RELATÓRIO TAINHÔMETRO

Em sua estreia o mecanismo de cotas, que terá ajustes para a próxima temporada, ajudou ...