O PEIXE ROBÔ E OUTROS SUSTOS

O PEIXE ROBÔ E OUTROS SUSTOS

 

Na beira do cais ninguém teve tempo para lamentar a morte de Stephen William Hawking, o físico e pesquisador britânico que se despediu deste mar aos 76 anos.   Hawking nasceu em 8 de janeiro de 1942, exatamente 300 anos após a morte de Galileu, e morreu na mesma data do nascimento de Albert Einstein (14 de março de 1879).  Detalhes interessantes, mas detalhes.

V

ale a pena registrar alguns alertas de Hawking. “O desenvolvimento da inteligência artificial total poderia significar o fim da raça humana”, afirmou. Ele fez a  advertência ao responder uma pergunta sobre os avanços na tecnologia que ele próprio usava para se comunicar, a qual envolve uma forma básica de inteligência artificial. O físico britânico, que sofria de esclerose lateral amiotrófica (ELA), uma doença degenerativa, estava usando um novo sistema desenvolvido pela empresa Intel para se comunicar, e os mecanismos faziam dele o mais perfeito dos robôs: um cérebro brilhante acoplado a uma máquina radiante.

Hawking dizia ainda que as formas primitivas de inteligência artificial desenvolvidas até agora têm se mostrado muito úteis, mas ele teme eventuais consequências de se criar máquinas que sejam equivalentes ou superiores aos humanos. “Essas máquinas avançariam por conta própria e se reprojetariam em ritmo sempre crescente. Os humanos, limitados pela evolução biológica lenta, não conseguiriam competir e seriam desbancados”, dizia Hawking com sua voz robótica, mas na beira do cais todo mundo a filme cheio de exterminadores do futuro.

Mas o futuro está vindo com a mesma velocidade da cadeira supermoderna do Hawking. No campo da energia renovável, a Toyota surpreendeu ao anunciar recentemente que pretende inaugurar uma planta energética na Califórnia que transforma o gás metano produzido pelas vacas em água, eletricidade e hidrogênio. Será a primeira do mundo a comercializar 100% de energia e hidrogênio renováveis e terá capacidade de produzir 2,35 MW de eletricidade e 1,2 tonelada de hidrogênio por dia.

A partir de sensores instalados na plantação e nas máquinas, os fazendeiros digitais usam plataformas integradas de inteligência artificial e Internet das Coisas para comandar as lavouras de olho em smartphones e tablets que trazem dados, como condições do clima, do solo e de todo processo, do plantio a colheita, essenciais para decidir quando e quanto irrigar, otimizar o uso de insumos e, ao final do dia, como produzir mais em menos espaço.

No mar a coisa também está indo de um tal jeito que daqui a alguns anos vai ficar difícil descobrir se você pescou um atum ou um peixe-robô. Uma equipe de cientistas do CSAIL (laboratório de ciências da computação e inteligência artificial do  Instituto de Tecnologia de Massachusetts publicou um estudo sobre um novo robô que eles desenvolveram. Trata-se do SoFi, um peixe robô de aparência realista que pode nadar ao lado de outros peixes e oferece aos biólogos marinhos uma maneira de “espiar” a vida dos seres subaquáticos.

Segundo Daniela Rus, uma das autoras do estudo, “ficamos empolgados de ver que nosso peixe pode nadar lado a lado com outros peixes, e eles não fugiram dele. Isso é bem diferente do que acontece quando um mergulhador humano se aproxima”, diz. Trata-se, segundo ela, de uma “ferramenta extraordinária para estudar biologia marinha”. “Para descobrir a vida secreta dos animais que vivem debaixo d’água, precisamos juntar mais dados. Isso pode ajudar”, diz.

Há anos atrás os cientistas anunciaram um peixe-robô em forma de atum, que foi  chamado de BIOSwimmer – ou simplesmente Robô Tuna. Seu papel seria patrulhar os mares em torno do país em busca de atividades suspeitas em portos locais, como o tráfico ou contrabando. O controle seria feito totalmente a partir de um laptop, mas o bicho mecânico também poderia ter um computador de bordo e sistemas de comunicação. Talvez já tenha até virado um drone em forma de peixe-voador.

Na beira do cais ninguém está ligando muito para essas tecnologias. Até o dia em que a galera acordar e descobrir que o mar virou uma máquina artificial de ondas de plástico. Todo mundo vai se arrepender de não ter ouvido o alerta da voz robótica do Stephen  Hawking.

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