PALAVRA DO PRESIDENTE: NAVEGANDO NO NEVOEIRO

PALAVRA DO PRESIDENTE

NAVEGANDO NO NEVOEIRO

Estamos navegando no nevoeiro, mas temos que acreditar que isso passa / Crédito:pixabay.com
Estamos navegando no nevoeiro, mas temos que acreditar que isso passa / Crédito: pngmart.com

 

Não é nenhum segredo. O atual momento que vivemos é de total indecisão, de dúvida total. De espanto. De perplexidade. No Brasil e no mundo.   Estamos navegando no meio de um nevoeiro. Correndo perigo. Não sabemos para onde vamos. Ninguém sabe. Mas temos um compromisso com a pesca, aqui, agora, sempre. E uma promessa, uma decisão, uma batalha: sair desse nevoeiro.

Parece que estamos no meio de um nevoeiro, sem saber para onde ir. A greve de caminhoneiros parou o país. Mas nem isso ficou claro. O país inteiro se dividiu: greve ou locaute? Caminhoneiros ou empresários? Os caminhoneiros com empresários? Mas parece que isso já é passado. E vem a conta do prejuízo. Os dez dias de greve custarão R$ 15 bilhões para a economia, o equivalente a 0,2% do Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas produzidas no país), informou o Ministério da Fazenda. Outras fontes garantem que foi muito mais, porém só existe uma certeza: é toda a população, cada um de nós, que vai pagar a conta. Isso não é nenhuma novidade.

         Vejam a pesca da tainha. Você abre o Diário Oficial da União e lê o artigo 2º da Portaria nº 24 de 15 de maio de 2018: “Art. 2º A pesca da tainha nas regiões Sudeste e Sul terá a seguinte temporada anual: I – para modalidade cerco/traineira, entre 1° de junho e 31 de julho; II – para modalidades de emalhe costeiro de superfície que não utilize anilhas: a) até 10 AB, entre 15 de maio a 15 de outubro; b) acima de 10 AB, entre 15 de maio e 31 de julho; III – para modalidades de emalhe anilhado, entre 15 de maio e 31 de julho; IV – para modalidade desembarcada ou não motorizada entre 1° de maio e 31 de dezembro.”

Você chega no artigo 9º e lê que “fica estabelecida em 3.417 toneladas a cota máxima de captura de tainha para a temporada de pesca de 2018, válida para as frotas de cerco/traineira e emalhe anilhado no estado de Santa Catarina e compreendendo as temporadas de pesca permitidas para essas modalidades, conforme definido no art. 2º”. E está lá no parágrafo 1º que a cota máxima para a frota de cerco/traineira é de 2.221 (duas mil, duzentas e vinte uma) toneladas.

Pois você não precisa ler o documento até o fim, não vai dar tempo, porque no dia 11 de junho o mesmo Diário Oficial publicou a Portaria 63 da Secretaria Especial da Aquicultura e da Pesca decretando: “Fica encerrada a temporada de pesca, em todo litoral Sudeste e Sul, da frota de cerco/traineira registrada no estado de Santa Catarina.” A pesca da tainha para nós teve 10 dias nesse ano de 2018, foi um piscar de olhos. Assim que nossos barcos alcançaram as cotas e os armadores de Santa Catarina suspenderam a pesca antes da portaria do Governo. Acredito que essa decisão deixa bastante claro que estamos conscientes de nosso esforço e de nosso empenho para o desenvolvimento sustentável, para preservação dos recursos pesqueiros do mar brasileiro. Mas, no meio do nevoeiro, será que teremos algum reconhecimento e respeito?

A verdade é que o mar não é nada confiável. Você pensa que está tudo bem, tudo calmo e lá vem a tragédia de Sepetiba. Dois barcos no fundo e doze vidas perdidas. O Brasil inteiro acompanhou as buscas e os resgates e teve uma vaga ideia das aflições e dos sofrimentos dos trabalhadores do mar e de suas famílias. É estranho pensar que, para essas famílias, é um imenso alívio o fato de os corpos terem sido encontrados e poder dar a eles um local de descanso em terra.

Cada vez que um barco sai do cais ninguém sabe o que vai acontecer. Talvez volte. Talvez não volte. A vida não está fácil para ninguém, mas viver e trabalhar no mar nunca foi tranquilo, nunca foi totalmente seguro. O sentimento, no mundo de hoje, é que estamos sempre correndo perigo, na rua, em casa, no mar. Para aqueles que sofreram a dor de perder um ente querido, nossos pêsames, nosso abraço e nossa compreensão.

Não é nenhum segredo. O atual momento que vivemos é de total indecisão, de dúvida total. De espanto. De perplexidade. No Brasil e no mundo. Estamos navegando no meio de um nevoeiro, correndo perigo. Não sabemos para onde vamos. Ninguém sabe. Mas temos um compromisso com a pesca, aqui, agora, sempre. E uma promessa, uma decisão, uma batalha: sair desse nevoeiro.

Alexandre Guerra Espogeiro
Presidente do Saperj e do Conepe