EM DEFESA DO MAR BRASILEIRO

EM DEFESA DO MAR BRASILEIRO

Pela primeira vez mulher comanda território brasileiro mais distante do continente. Capitão de corveta Rosângela dos Santos Farias está à frente do Posto Oceanográfico da Ilha da Trindade.

Poucas mulheres conseguiram pôr os pés no arquipélago de Trindade e Martim Vaz, o território brasileiro mais distante do continente, descoberto há pouco mais de 500 anos. Hoje, porém, é uma mulher que comanda os 30 militares do Posto Oceanográfico da Ilha da Trindade (POIT), estabelecido em 1957.

 Em frente ao que restou de um dos vulcões que criaram a porção de terra entre o Brasil e a África, a capitão de corveta Rosângela dos Santos Farias, de 47 anos, reflete sobre a chegada dos novos tempos:

— Essa ilha foi entreposto de traficantes de escravos. Os escravos eram selecionados e despachados aos seus destinos. Eu seria uma escrava, se eu estivesse aqui 200 anos atrás. Para mim, isso significa um avanço muito grande da sociedade, que permite a uma mulher negra estar aqui no papel tão importante que é o de chefe. É uma vitória da igualdade entre todos, entre raças, entre os sexos — afirma ela, que substituiu, em abril, o capitão de corveta Carlos Luís Fernandes Ribeiro, e que fica no cargo até agosto.

O arquipélago de Trindade e Martim Vaz nasceu há mais de 3 milhões de anos, após cinco grandes eventos vulcânicos, a 1,2 mil quilômetros da costa brasileira. Trindade tem um terreno equivalente a 400 campos de futebol, e seus picos mais altos chegam a 600 metros. Martim Vaz é um conjunto de ilhotas menores — somadas, têm o tamanho de três campos de futebol —, a 47 quilômetros de Trindade.

Nunca houve tantas mulheres no posto da ilha. A primeira militar chegou lá só em 2011, como sargento. Atualmente, além de Rosângela há outras duas mulheres trabalhando em Trindade, para cuidar da expansão da rede ótica.

— São poucos os que têm a oportunidade de pôr os pés aqui, um lugar com, no máximo, 40 pessoas, predominantemente do sexo masculino — ressalta a sargento Mônica Santos da Costa, de 35 anos.

A também sargento Larissa Lima, de 28, conta que desde 2011 buscava uma oportunidade em Trindade:

— Quando me voluntariei, quis enfrentar o desafio de ser uma das mulheres que poderiam habitar a ilha.

Para a comandante, as mulheres estão desbravando novas fronteiras:

            — Sou muito orgulhosa de ter sido escolhida. Abro esse caminho às outras mulheres que tiverem vontade de participar do mesmo processo. As mulheres garantem o território delas e a igualdade de direitos e deveres em relação aos homens — observa Rosângela.

Para conquistar o posto, a capitão de corveta passou por processo seletivo que incluiu avaliação psicológica e testes físicos. Em casa, precisou convencer marido e filho:

— Era um desejo meu há mais de dez anos. Pessoas que estiveram aqui contaram como era a ilha, e a vontade foi crescendo. Retomei o assunto e, desta vez, consegui chegar a um consenso com a família, que me apoiou muito — conta ela, formada em Pedagogia. Após os quatro meses na função, Rosângela deverá voltar ao 1º Distrito Naval, no Rio.

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https://oglobo.globo.com/sociedade/pela-primeira-vez-mulher-comanda-territorio-brasileiro-mais-distante-do-continente-22928086

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