UMA GRANDE ARTE

UMA GRANDE ARTE

 

Para você que está chegando agora,  aí vai uma vaga ideia sobre a complexidade da pesca marinha, pois diferentes espécies habitam diferentes estratos no mar, refletindo na variedade de petrechos e estratégias.  Artes de pesca é a forma como se denominam nas ciências, na engenharia de pesca e mesmo na legislação pesqueira os instrumentos ou aparelhos usados para pescar. A pesca é uma grande arte. E o trabalhador do mar é um grande artista, sempre se equilibrando na corda bamba das ondas.

Pesca de cerco – Ilustração de M. Recabal. Image ID: fish2200, NOAA’s Fisheries Collection.

 

Espinhel para 30 anzois com gdirador e cabo de aço de 30 metros – Rodan Esporte e Lazer

 

ARRASTO DE PARELHA (Bottom pair trawl) – O arrasto de parelha consiste na utilização de uma rede cônica de grande dimensão cuja boca é mantida aberta pela distância entre as duas embarcações, em geral de mesmo porte. O lançamento e o recolhimento da rede são realizados por somente uma embarcação. Durante a operação, os dois barcos devem manter velocidade uniforme e uma distância constante entre si, para realizar um perfeito arrasto. É bastante similar ao arrasto de portas, provida de asas mais longas e com maior abertura vertical (altura da boca da rede). Esta modalidade é muito utilizada pela frota comercial de grande porte, que se destina a captura de espécies demersais ao longo da costa. As principais espécies capturadas são: camarões, bróteas, cabrinhas, caçonetes, castanhas, corvinas, betaras, lulas, maria-luiza, maria- mole, polvos, pescadas e raias.

EMALHE DE SUPERFÍCIE, DE MEIA-ÁGUA E FUNDO (Pelagic gillnet, Bottom gillnet e Midwater gillnet) – O emalhe consiste em um aparelho de pesca que funciona de forma passiva, pois a captura ocorre pela retenção dos peixes na malha da rede de emalhe, também denominada de rede de espera. A rede é de forma retangular que se estendem ao mar nos pontos de passagem de cardumes. Existem três tipos de rede de emalhar: de superfície, onde a rede não é fundeada e fica à deriva da embarcação, e de fundo ou de meia-água, onde a rede fica fundeada e sinalizada por boias durante a operação de pesca. Estas redes são muito utilizadas na captura de espécies pelágicas e demersais, sendo seletivas quando projetadas na captura para um determinado tamanho de peixe. Principais espécies capturadas com rede de superfície: cação-martelo, angona e anequim. Principais espécies capturadas pela frota com rede de fundo: peixe-sapo, abrótea e anequim.

ESPINHEL DE SUPERFÍCIE E DE FUNDO (Longline e Bottom longline) – O espinhel consiste em um aparelho de pesca que funciona de forma passiva, com a utilização de iscas para a atração dos peixes. As iscas mais usadas são a sardinha, cavalinha e lula. O espinhel é formado pela linha principal (linha madre), linhas secundárias (alças) e anzóis. Nas duas extremidades do aparelho são colocadas boias luminosas e boias rádio para facilitar sua localização, uma vez que tanto o barco como o aparelho fica a deriva durante toda a operação de pesca sujeitos a correntes marítimas e ventos. A largada do espinhel é realizada pela popa a uma velocidade de 5 a 6 nós, o que torna a operação bastante perigosa exigindo um trabalho sincronizado por parte da tripulação. Na despesca o recolhimento é realizado com auxilio de um guincho especial (line-hauler), que recolhe a linha principal, possibilitando livremente a passagem da linha secundária. Os peixes ao chegarem a bordo da embarcação, são recolhidos por pescadores com auxilio de um bicheiro. Quando se trata de peixes de grande porte é usada uma tralha para o embarque. Atualmente são usados espinhéis de filamento continuo totalmente mecanizado desde a iscagem até o lançamento e recolhimento do aparelho. Todos os sistemas usam métodos de limpeza dos anzóis e retirada dos rejeitos. Estes equipamentos são colocados de maneira que os anzóis e máquinas de iscagem possibilitem um menor esforço por parte da tripulação. Existem dois tipos de espinhéis: de superfície, que é deixado à deriva sustentado por boias, e o de fundo, que permanece fixo ao fundo com emprego de âncoras ou poitas. Principais espécies capturadas pela frota de espinhel de superfície: albacoras, cação-azul, dourado e meca. Principais espécies capturadas pela frota de espinhel de fundo: chernes e pargo-rosa.

CERCO (Purse seine) – O cerco consiste na utilização de uma grande rede utilizada para cercar cardumes de peixes. Após a visualização dos cardumes, um bote, denominado de “panga” é baixado da embarcação levando uma das pontas da rede, fazendo o cerco do cardume, formando uma bolsa onde os peixes ficam cercados. Ao recolher a rede, a bolsa reduz seu tamanho, até o momento adequado para a despesca.

Os cardumes podem ser capturados junto à superfície, à meia-água ou próximo ao fundo. A pescaria é voltada especialmente, para a sardinha-verdadeira. Outras espécies também podem ser capturadas: cavalinha, corvina, enchova, palombeta, sardinha-lage e tainha.

VARA E ISCA-VIVA (Bait boat, pole and line) – Nesta modalidade de pesca, a isca é capturada através do cerco com auxílio da panga. Os barcos que se destinam a esse tipo de pesca dispõem de viveiros (tinas) com circulação contínua de água, para manter uma baixa taxa de mortalidade das iscas, uma vez que peixes como a sardinha, cavalinha, xixarro, etc., não suportam cativeiros por tempo prolongado. Após a obtenção da isca, o atuneiro para e lança ao mar a isca-viva, que é composta por peixes vivos juvenis de sardinha, manjuba, xixarro, etc. A embarcação, em toda a sua extensão, deve ter uma saída de água, semelhante a um chuveiro para estimular a concentração de pequenos peixes na superfície. Os peixes vivos são lançados ao mar, para manter o cardume junto ao barco. À borda do barco, vários pescadores munidos de vara com linha e anzol, as lançam em cima do cardume e em seguida, puxam-nas para bordo. Esses anzóis são cobertos por uma imitação de penas de aves, fabricados de fibra sintéticas, com a finalidade de simular um pequeno peixe quando atirados na água. Não possuem farpas,

facilitando assim o escape do peixe quando cai no convés da embarcação. Esta modalidade de pescaria se destina à captura de atuns e afins, cujos cardumes são encontrados junto à superfície. A principal espécie capturada é o bonito-listrado.

GARATEIAS E ZANGARILHOS – É um petrecho de captura de calamares, onde as linhas com seus respectivos pesos são lançadas na água, e em movimentos contínuos, as mesmas sobem e descem. Esse movimento, quando realizado nas embarcações modernas, dotado de máquinas automáticas é conhecido como (“jigging”). Nesse tipo de pescaria são utilizados dois ou mais tipos de anzóis especiais. O mais simples conhecido como garateia, e o mais sofisticado como zangarilho. Sendo este último, mais seletivo, capturando apenas calamares. As embarcações que utilizam o “jigging” são conhecidas também como poteiros na Espanha, e toneiras em Portugal.

LINHA DE FUNDO OU LINHA DE MÃO – É uma arte de pesca muito usada na captura de peixes de fundo, em parcéis, bancos e bordos da plataforma continental. Compõem-se das seguintes partes: linha, alça, chumbada e anzol. Linha: o tipo mais usado é o nylon monofilamento de 1 a 2 mm de diâmetro ou monofilamento de 2 a 3 mm. Serve para dar a necessária profundidade ao aparelho, variando de 500 a 300 metros. A isca mais usada é a sardinha, agulha preta, lula, camarão, etc. Quando uma linha de fundo é dotada de vários anzóis denominamos de pesqueira. O nome é dado em função da pesca do pargo que é uma espécie que vive em cardumes, possibilitando ao pescador aprisionar vários peixes numa só “ferrada”. Essa linha possui de 5 a 15 anzóis, sendo muito empregada na pesca junto ao talude. No Norte e Nordeste é utilizado na captura do pargo.

ARMADILHAS – São armadilhas transportáveis, que contam com uma ou mais abertura (funil de entrada), para a entrada do pescado, sendo muito eficaz na captura de espécies de pouco movimento que vivem próximo ao fundo.  As armadilhas podem ser arriadas ao fundo individualmente ou em série, com auxilio de uma linha mestra de um ou mais arinques com poita e boia. Os potes são largados ao fundo em baterias de 50 a 100 unidades, que são presos a uma linha mestra a distância de 5 a 20 metros um dos outros. Em uma das extremidades é preso um arinque com poita e boia, para localização do aparelho. No caso dos potes, a despesca é realizada a cada 24 horas, quando os mesmos são recolhidos e lançados novamente. Para retirar o polvo do pote, bate-se com violência a palma da mão no orifício do fundo, provocando dessa forma a saída do molusco. É um petrecho de pesca usado na captura de polvos, bastante encontrado no estado do Espírito Santo. As iscas utilizadas nas armadilhas podem ser naturais como o ventre do cação, ou artificiais como a louça branca. Uma isca que dá excelente resultado é um frasco plástico de cor branca com pequeno orifício ou sacos de redes, onde são colocados pequenos peixes como a sardinha. Principais espécies capturadas: lagosta, caranguejo de profundidade e polvo. As armadilhas de maior porte são empregadas na captura de peixes como o cherne, mero e pargo.

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