PESCA MARINHA 150

PESCA MARINHA 150

Pela primeira vez estudo mostra detalhes da atividade nos últimos 150 anos. Leia texto de João Lara Mesquita.

Antigos pescadores romanos transportavam redes com peixes para atender à alta demanda pelos frutos do mar mais frescos possíveis. Ilustração: National Geographic Creative / Alamy Stock Photo

 

A pesca no passado. (Foto: www.hakaimagazine.com)

 

“Por milhares de anos, o marisco tem sustentado comunidades, meios de subsistência e economias em todo o mundo. Na antiga Roma, empresários ricos abocanharam a propriedade à beira-mar e construíram fazendas de peixes elaboradas.” Novo estudo mostra efeitos da pesca nos últimos 150 anos, em matéria do site www.hakaimagazine.com.

“No Chile do século XV, as pessoas do litoral trocavam mariscos por recursos internos. Os vikings que viviam nas ilhas Lofoten, na Noruega, eram atacantes ferozes e poderosos, mas também eram pescadores prodigiosos de bacalhau do Atlântico (o Gadus morhua). Durante milênios, mudanças na política e mudanças tecnológicas alteraram drasticamente quando e onde as pessoas vão pescar. Mas registros científicos precisos dessa vasta história da atividade pesqueira capturam, na melhor das hipóteses, uma minúscula fatia do todo.”

 “A maioria dos estudos científicos sobre os padrões globais de pesca se estende apenas até a década de 1950, quando grupos como a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação começaram a manter registros detalhados. Em um novo esforço de pesquisa, Reg Watson, ecologista da pesca na Universidade da Tasmânia, e seu colega Alex Tidd, cientista pesqueiro do Galway-Mayo Institute of Technology na Irlanda, vasculharam bancos de dados online, registros regionais de gerenciamento, satélites de rastreamento de embarcações e registros históricos que datam de 1869. Com eles produziram primeiros mapas abrangentes da pesca marinha global nos últimos 150 anos.”

Estudo completo da pesca marítima mundial? – Certamente que não. “O estudo não explica a história da pesca, claro, mas revela padrões detalhados de pesca entre países, incluindo diferenças na composição das capturas e nas artes pesqueiras, por um período de história muito maior do que os registros anteriores. Os especialistas também estimaram as taxas de captura ilegal, não declarada e descartada.”

Como a pesca mudou a biodiversidade marinha – Watson diz que examinar as tendências da pesca durante um período tão longo oferece um vislumbre de como a pesca mudou a biodiversidade marinha. Olhando para trás no tempo, dá aos pesquisadores uma ideia mais clara das populações históricas de peixes antes de serem fortemente exploradas pela pesca industrial moderna. Esta informação pode ser usada para avaliar a sustentabilidade da atividade pesqueira moderna. O especialista, Chris Wilcox, da Organização de Pesquisa Científica e Industrial da Commonwealth do governo australiano, explica o novo estudo: “Tem muito valor para as pessoas que estão tentando entender como a pesca está esgotando os ecossistemas”.

Algumas descobertas do novo estudo – Por exemplo, “os resultados mostram que, antes de 1900, os Estados Unidos, o Canadá e o Japão tinham as pescarias mais ativas. Mesmo assim, os desembarques foram registrados em quilogramas, não toneladas. E a maioria dos peixes eram de fundo ou pequenas espécies pelágicas. Após a virada do século, o Reino Unido se recuperou. Os desembarques registrados atingiram o pico nas décadas de 1930 e 1940.”

A mudança mais dramática na pesca: a tecnologia de ponta – “A mudança tecnológica estimulou uma nova era de pesca em alto-mar na primeira metade do século 20, à medida que velas e remos foram substituídos por diesel e vapor, permitindo que as embarcações viajassem mais longe e suportassem mares tempestuosos.”

“Enquanto a Segunda Guerra Mundial desacelerou a expansão da pesca, a indústria se recuperou com força total durante o boom econômico da década de 1950. A primeira traineira com freezer do mundo, a Fair Try, foi lançada em 1953 e preparou o caminho para viagens mais distantes e comércio global. As frotas começaram a vasculhar o fundo do mar e empreenderam longas viagens para capturar atum, lula e camarão. Alguns países mais pobres reduziram sua própria pesca comercial e permitiram que frotas estrangeiras entrassem em suas águas. O Japão, o Peru e a Rússia chegaram ao topo da lista de desembarques pesqueiros globais.”

O domínio da China – “Hoje a China domina. O país aumentou sua frota global no início dos anos 2000. Seus navios navegam mais águas estrangeiras do que o seu próprio mar territorial.” E, observação do MSF, seus métodos são pra lá de controversos. “Os avanços tecnológicos, como o sonar e o radar, permitiram às embarcações de pesca rastrear as condições do mar e trabalhar durante a noite. Enquanto as frotas industriais estão viajando mais longe e pescando mais profundamente do que há um século, o número de peixes capturados tem caído desde a década de 1990. Watson diz que as razões são diferentes em todo o mundo. Em algumas áreas, a pesca foi reduzida no interesse de uma gestão sustentável. Noutros, o mar foi simplesmente sobreexplorado.”

Mudanças nos últimos 150 anos – A pesca global evoluiu muito nos últimos 150 anos. De acordo com Watson, os próximos 150 também poderão ver mudanças importantes. Em particular, ele vê uma série de desafios. A demanda por frutos do mar pode aumentar ainda mais, à medida que os sistemas alimentares em terra sofrem com a mudança climática, diz ele. Mas se o combustível se tornar um recurso mais limitado, as frotas podem não conseguir viajar tão longe no mar como atualmente. Isso pode resultar em uma expansão da aquicultura, o que poderia colocar ainda mais pressão sobre os litorais. “Estamos começando a ver como tudo está conectado”, diz Watson. “Não se trata apenas de ver de onde vem a captura, mas a imagem maior da pesca e nossa dependência disso.”

 

Mar Sem Fim:

https://marsemfim.com.br/pesca-historico-dos-ultimos-150-anos/amp/

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