FERRUGEM NAVAL

Setor naval fechará quase 80 mil vagas até 2020. Estaleiro Mauá soma dívidas de R$ 1,5 bi e tenta novo investidor. Embarcações de R$ 17,6 bilhões enferrujam em estaleiros.

Nos últimos quatro anos, pelo menos 60 mil empregos, boa parte de mão de obra qualificada, foram eliminados das estatísticas da indústria naval brasileira / Foto: O Globo

 

Fundado em 1845 e responsável por fabricar as primeiras plataformas de petróleo do país, na década de 1960, o Estaleiro Mauá, em Niterói, tenta um novo capítulo em sua história em meio a dificuldades financeiras / Foto: O Globo

 

Declínio. Operários que trabalham na manutenção de petroleiros inacabados no Estaleiro Mauá caminham sobre tubos enferrujados: crise financeira da Petrobras e escândalos de corrupção mergulharam indústria naval em nova crise – Márcia Foletto / Agência O Globo

 

Nos últimos quatro anos, pelo menos 60 mil empregos, boa parte de mão de obra qualificada, foram eliminados das estatísticas da indústria naval brasileira. Foi a consequência do novo declínio do setor, que havia sido revitalizado no início dos anos 2000 com a política de priorizar equipamentos nacionais na exploração e produção de petróleo. De acordo com o Sinaval, que reúne as empresas do setor, os estaleiros brasileiros empregam atualmente 25 mil trabalhadores no país. Eram 84 mil em 2014. A expectativa da entidade é que esse número seja reduzido ainda mais, para cerca de seis mil pessoas em 2020.

Para cortar custos, a Petrobras passou a buscar na Ásia, sobretudo na China, plataformas mais baratas como forma de cortar custos. Desde 2016, foram pelo menos nove unidades contratadas de estaleiros chineses. Segundo consultores, esse número tende a aumentar a curto prazo, com novas encomendas para atender à demanda da produção no pré-sal, que está crescendo. Outras empresas do setor que atuam no Brasil fazem movimentos semelhantes.

Estaleiro Mauá – Fundado em 1845 e responsável por fabricar as primeiras plataformas de petróleo do país, na década de 1960, o Estaleiro Mauá, em Niterói, tenta um novo capítulo em sua história em meio a dificuldades financeiras. A atual crise na empresa ganhou força há três anos, quando a Transpetro cancelou o contrato de construção de três navios petroleiros. Com isso, o estaleiro acumulou dívidas de R$ 1,5 bilhão e enfrenta um processo de recuperação judicial, cujo plano prevê a possibilidade de atrair um sócio estrangeiro para concluir as unidades.

No estaleiro, o cenário é desolador, com seis funcionários fazendo a segurança do local interditado que abriga os três navios e a manutenção de toneladas de aço. Nesse espaço, que corresponde a cerca de metade da área de todo o estaleiro, dois petroleiros estão no mar à espera de uma solução. Um, batizado de Irmã Dulce, tem 95% das obras concluídos. O outro, chamado Zélia Gattai, está com 89% prontos.

Situação pior tem o terceiro petroleiro, ainda localizado no pátio (chamado de carreira), com 60% das obras feitas. O espaço em que já transitaram 3.500 funcionários é hoje um grande vazio, com o navio inacabado cercado de tubos, correntes e uma chaminé com o logotipo da Petrobras desbotado. Estima-se que os ativos tenham valor de US$ 300 milhões, cerca de R$ 1,2 bilhão, segundo fontes do setor.

Ferrugem – A euforia do setor naval na última década, a reboque da indústria do petróleo, deu lugar a um cenário melancólico em alguns dos principais estaleiros do país. Eles se tornaram cemitérios de plataformas, sondas e navios petroleiros, essenciais para ampliar a exploração e a produção de petróleo e gás, sobretudo no pré-sal. A crise financeira da Petrobras e os casos de corrupção envolvendo construtoras e fornecedoras do setor nos últimos anos levaram à suspensão de contratos bilionários. Embarcações que receberam investimentos de pelo menos US$ 4,3 bilhões (R$ 17,6 bilhões) enferrujam inacabadas no cais. Em alguns casos, a construção foi interrompida com 90% das obras concluídos.

O caso mais grave envolve a Sete Brasil, empresa criada para viabilizar a construção de 28 sondas em estaleiros nacionais. O projeto naufragou, afetada pelo esquema de corrupção revelado pela Operação Lava-Jato. Das 17 sondas que chegaram a ser iniciadas, apenas quatro, com mais de 50% de obras feitos, devem ser concluídas com a ajuda de um novo sócio, como está previsto no novo plano de recuperação judicial da Sete, que será apresentado no próximo dia 11.

— As demais sondas vão potencialmente virar sucata, pois não terão contrato e ainda precisam de muito dinheiro para serem concluídas — destacou uma fonte a par da negociação.

Estima-se que somente quatro sondas paradas há três anos nos estaleiros Brasfels, em Angra dos Reis (RJ), e Jurong, em Anchieta (ES), estejam avaliadas em cerca de US$ 3,4 bilhões. As duas do Brasfels têm 90% e 70% das obras concluídas. As outras duas, no Jurong, têm os mesmos níveis de construção.

Com as obras paradas, a Enseada Indústria Naval, que construiu um estaleiro em Paraguaçu, na Bahia, para fabricar seis sondas, viu o número de funcionários cair de oito mil para 250.

Crise 1:

https://www.portosenavios.com.br/noticias/ind-naval-e-offshore/setor-naval-fechara-quase-80-mil-vagas-ate-2020?utm_source=newsletter_8649&utm_medium=email&utm_campaign=noticias-do-dia-portos-e-navios-date-d-m-y

Crise 2

https://www.portosenavios.com.br/noticias/ind-naval-e-offshore/estaleiro-maua-soma-dividas-de-r-1-5-bi-e-tenta-novo-investidor?utm_source=newsletter_8649&utm_medium=email&utm_campaign=noticias-do-dia-portos-e-navios-date-d-m-y

Crise 3

https://oglobo.globo.com/economia/embarcacoes-de-176-bilhoes-enferrujam-em-estaleiros-23031676

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