PESCANDO COM BOTO E BIGUÁ

Cultura que envolve a pesca com o boto tem mais de 100 anos e ganha reforço com certificado catarinense. Conheça o ukai, a pesca com pássaros, uma tradição que tem mais 1.300 anos no Japão.

Interação com pescadores ocorre há mais de 100 anos (Foto: Carolina Bezamat/Arquivo pessoal)

 

A cidade de Gifu, no Japão, tornou-se famosa pelo ukai, uma técnica de aproximadamente 1.300 anos na qual os pescadores utilizam como principal ferramenta de trabalho a ave aquática cormorão, conhecida também como corvo-marinho ou biguá / Credito: M. Kawai/Wikimedia Commons

Com sorriso maroto João Bertolino, 65 anos, estava entusiasmado cercado de tanta gente querendo bater foto com ele. A pescaria nem tinha rendido. “O vento não ajudou”, dizia o lagunense nativo. O motivo de tanto assédio? Ele carregava orgulhoso o certificado de registro da pesca artesanal com auxílio dos botos como patrimônio cultural imaterial de Santa Catarina.

             Bertolino e seus companheiros da Pastoral da Pesca estavam na primeira fila quando o historiador da Fundação Catarinense de Cultura, Rodrigo Rosa, relatou o documento narrando a interação do boto com o pescador, atividade única, carregada de orgulho pelos pescadores e transmitida pela experiência oral entre as famílias, seus descendentes e amigos.

            Primeiro registro encontrado foi uma carta do marechal Vieira da Rosa, de 1905, o militar passou pela região e descreveu o convívio do homem com o boto.

Pescando com pássaro – A cidade de Gifu, no Japão, tornou-se famosa pelo ukai, uma técnica de aproximadamente 1.300 anos na qual os pescadores utilizam como principal ferramenta de trabalho a ave aquática cormorão, conhecida também como corvo-marinho. [Corvo-marinho, biguá (Brasil), calilanga, galheta, induro ou cormorão designação vernácula (do inglês cormorant), é a designação de diversas aves marinhas Suliformes (tradicionalmente eram classificadas nos Pelecaniformes) da família Phalacrocoracidae. O grupo tem cerca de 40 espécies, pertencentes ao géneros Phalacrocorax, Microcarbo e Leucocarbo. É o que garante a Wikipedia.]

Mesmo não tendo penas impermeáveis, o biguá caça a sua presa mergulhando na água. Graças a essa habilidade, a espécie foi a escolhida para ser treinada para esse tipo de pesca. Funciona assim: os pescadores amarram uma corda em volta do longo pescoço das aves e, em seguida, eles são lançados ao mar. Ao capturar um peixe, os biguás são puxados de volta aos barcos, onde têm a presa arrancada de seu bico. O laço com a corda é feito de uma maneira que só peixes pequenos possam ser engolidos.

A pescaria com os biguás é também praticada em outras regiões da Ásia, como China e Coreia, mas o festival de Gifu é o mais famoso. Todos os anos, milhares de pessoas viajam para assistir os barcos no rio Nagara. Há, inclusive, um pedido da cidade à UNESCO para que a atividade se torne Patrimônio Cultural Imaterial.

 

Tradição da pesca com boto

http://www.laguna.sc.gov.br/noticias/index/ver/codMapaItem/97570/codNoticia/494838

 Boto-da-tainha é Patrimônio Natural da cidade de Laguna desde 1997

http://g1.globo.com/sc/santa-catarina/nossa-terra/2013/noticia/2013/11/botos-ajudam-pescadores-na-captura-de-peixes-em-laguna-sul-de-sc.html

Pesca com biguá

https://super.abril.com.br/comportamento/conheca-o-ukai-a-milenar-tecnica-japonesa-de-pesca-com-passaros/

Outro lado: pesca afeta as aves marinhas (bycatch)

http://voluntariosnamadeira.blogspot.com/2018/04/bycatch.html

Outro lado: México vai usar golfinhos treinados pela Marinha dos EUA para salvar botos em extinção

https://www.bbc.com/portuguese/geral-40539141

 

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