QUASE LÁ

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A bomba-relógio que explode em 12 anos. ONU e Nobel alertam sobre a curta janela para frear o aquecimento global, enquanto Trump ironiza seus efeitos. Leia análise de Sandra Cohen, G1.

A bomba-relógio que explode em 12 anos. ONU e Nobel alertam sobre a curta janela para frear o aquecimento global, enquanto Trump ironiza seus efeitos. Leia análise de Sandra Cohen, G1.

 

Beleza de recife no litoral de Honduras disputa espaço com as grandes quantidades de plástico: globalização da poluição — Foto: Luciano Candisani

O crescimento sustentável é possível, mas temos apenas 12 anos para frear o aquecimento global. Este é o resumo de duas poderosas mensagens sobre o futuro de nosso planeta, emitidas   pela ONU e pelo Prêmio Nobel. E o futuro é daqui a pouco, em 2030, prazo final para a implementação de mudanças sem precedentes na infraestrutura energética, de acordo com o alerta dramático do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês).

Das duas, uma: ou os países tomam medidas concretas para limitar em 1,5º C o aumento da temperatura global, restringindo também as emissões de gases do efeito estufa, ou arcarão com o ônus de mais mortes e danos materiais. O início da temporada de furacões e o tsunami da Indonésia, que já contabilizou mais de duas mil vítimas, ilustram o teor da advertência do IPCC, que se baseia em seis mil publicações científicas. Um estudo recente aponta que os tsunamis podem se intensificar devido à mudança do clima e a consequente subida do nível do mar.

A meta de 1,5ºC é mais rigorosa do que a estipulada pelo Acordo de Paris, que prevê, no mesmo período, a limitação do aumento da temperatura em 2º C. Assim, segundo o painel, serão preservadas mais 10 milhões de vidas.

Ao mesmo tempo em que digerimos o relatório de 700 páginas, o Nobel de Economia é consagrado a dois cientistas americanos, William Nordhaus e Paul Romer. A dupla provou ser possível combinar crescimento com sustentabilidade e assegurar uma economia de mercado lado a lado com a preservação da natureza.

São dois recados que vão na contramão do governo Trump: em estado de negação e de obstrução das políticas climáticas de seu antecessor, o presidente americano retirou os EUA do Acordo de Paris — que o relatório do IPCC agora demonstrou ter metas obsoletas.

Frequentemente, o presidente desdenha os alertas sobre o aquecimento global e, com ironia, chegou a defendê-lo em dias frios do inverno passado. Atribui as mudanças climáticas a uma suposta fraude chinesa e minimiza a taxa de mortalidade decorrente de seus efeitos.

De acordo com o IPCC, nos próximos 12 anos, as emissões globais de CO2 precisam diminuir 45% em relação aos níveis de 2010. Mas Trump relaxa regras de regulação e caminha na direção dos interesses das empresas de combustíveis fósseis. Esta miopia avassaladora estreita ainda mais a curta janela de oportunidade aberta pelo relatório da ONU.

 

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