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Mercado brasileiro do peixe visa protagonismo alimentar na próxima década.

 

Nos próximos dez anos, a procura pela carne de peixe brasileira deve aumentar nos mercados externo e interno, mas para isso terá de superar o tímido consumo doméstico, barreiras ambientais e perdas recentes geradas pela greve dos caminhoneiros, que, pelos cálculos da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), afetará “cerca de 2% da taxa de crescimento”.

Além disso, Francisco Medeiros, presidente da associação, prevê que nenhuma proteína animal terá maior taxa de consumo no Brasil quanto a de peixe, e acredita que esse cenário assegurará um papel de destaque para esta proteína no crescimento mundial da demanda por alimentos.

“Do ponto de vista da sustentabilidade, nós estamos melhores. Se você precisa engordar 1 kg de bovino, vai gastar de 6 a 7 kg de ração. Uma ave, 2 kg. O peixe hoje trabalha com 1,2 ou 1,3 kg“, avaliou.

O otimismo com o futuro se respalda também nos números do anuário estatístico da piscicultura de 2018, produzido pela associação; em 2017, o setor cultivou 691,7 mil toneladas de peixe, um crescimento de 8% em relação a 2016.

A oferta interna limitada se manifesta em importações: em 2017, os números foram de US$ 1,318 bilhão; já nas importações, o país faturou pouco menos US$ 150 milhões em 2017 com a venda de peixe para o exterior, sendo os Estados Unidos o principal destino.

João Crescêncio Aragão Marinho, diretor do Departamento de Planejamento e Ordenamento da Aquicultura da SEAP, afirmou que o Brasil é favorecido por uma imagem internacional favorável e bem reconhecida.

“Um relatório da FAO estima que o Brasil deve registrar um crescimento de 104% na produção da pesca e aquicultura até 2025”, explicou o diretor, que acredita haver “grande oportunidade” de o país se tornar um dos principais fornecedores desta “nobre proteína”.

Mesmo assim, há entraves neste sentido. Para Gustavo Locatelli, piscicultor da Coopacol, cooperativa de Cafelândia (PR), embora a regulação ambiental seja um limitador para o crescimento – posição compartilhada pela Peixe BR -, a expansão deve ser “pensada”. “Conheço vários produtores que querem investir, mas estão sendo impedidos. Mercado não falta. Há espaço para expandir, mas, segundo órgãos (ambientais), isso vai afetar áreas de preservação. Então essa evolução deve ser cautelosa”, ressaltou.

Fonte: OTÁVIO NADALETO EFE/UOL

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https://www.peixebr.com.br/mercado-brasileiro-do-peixe-visa-protagonismo-alimentar-na-proxima-decada/

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