PALAVRA DO PRESIDENTE – AGORA OU NUNCA

É bom ter no comando da Secretaria de Aquicultura e Pesca alguém que fala a nossa língua, a língua da pesca. O jovem secretário Jorge Seif Junior conhece e vive na pele todas as dificuldades e potencialidades do setor.  Ele é a nossa chance. Talvez a nossa última chance. É agora ou nunca.

Vamos precisar de asas e de muita disposição para ordenar o setor pesqueiro / Imagem: Freaking News

 

O novo Secretário de Pesca é nosso barco. Temos que subir a bordo e, unidos, trabalhar lado a lado com ele como se não houvesse amanhã. Ele é a nossa chance. Talvez a nossa última chance. É agora ou nunca / Crédito: YouTube

 

Além de burocracia e lentidão, o cabo de guerra entre produção e preservação era um entrave para o desenvolvimento das atividades de aquicultura e pesca no país / Imagem: Pngtree

 

Esse ano de 2019 começou de forma triste e trágica. Tantas pessoas inocentes mortas debaixo de um mar de lama em Brumadinho. O sonho de dez meninos da base do Flamengo destruído pelo fogo. A ciclovia Tim Maia, no Rio, continua sendo derrubada pelas ondas desde as Olimpíadas. As vítimas das enchentes. Os feminicídios. A morte de Ricardo Boechat na queda de um helicóptero e o reconhecimento de seu trabalho por taxistas, porteiros, donas de casa, pelo presidente da República. Boechat foi (é) a prova de que é preciso dizer o que se sente, sem temor de polarizar, sem ter medo exigir respeito.

         Mas, por incrível que pareça, este foi o melhor começo de ano do setor pesqueiro em todos os tempos. Por mais de não sei quantas décadas a pesca sempre foi comandada por alguém de cima ou de fora. Nos últimos anos, políticos que não sabiam colocar uma minhoca num anzol mandaram e desmandaram, fizeram e aconteceram, transformaram seus gabinetes em cabides de emprego e balcão de votos. Nada era certo ou confiável. As estatísticas eram chutes. Nem o seguro defeso era seguro.

Nesse imprevisível ano de 2019 temos um empresário da pesca no comando da Secretaria de Aquicultura e Pesca. Jorge Seif Júnior, carioca radicado em Santa Catarina, tem 41 anos, é formado em Administração e é armador de pesca, filho de armador de pesca, proprietário de barcos.   Está filiado ao partido do presidente Jair Messias Bolsonaro, o PSL. Seif não está acima nem fora: ele vem de dentro da pesca. É jovem, bem formado, bem informado, conhece e vive na pele todas as dificuldades e as potencialidades, as tristezas e as alegrias do nosso setor.

         Jorge Seif Junior sabe que os desafios são gigantescos, e diz: “Hoje estamos abandonados quanto a estatísticas, e o distanciamento delas acaba dando brecha para insegurança jurídica muito grande, para decisões unilaterais, como proibições. Tem que ter discussões profundas. Hoje, você pode trabalhar, está lá pescando, com contas para pagar, você tem funcionários, despesas materiais, e no dia seguinte sai uma portaria, com força de lei, que te proíbe. Isso não existe.”

         Eu não disse que ele viveu na pele as nossas dificuldades, os nossos dramas? E ele diz mais: “Precisamos combater esse tipo de ação, que nós questionamos e acreditamos que sejam unilaterais, impositivos e arbitrários. Temos que fazer um Censo Pesqueiro, saber quantas embarcações existem no Brasil, quantos pescadores, quantas indústrias, qual o tamanho da cadeia de verdade, regulamentar e desburocratizar. Mas os desafios são gigantescos”.

         É bom ter no comando da SAP alguém que fala a nossa língua, a língua da pesca. E, além disso, alguém em sintonia com as altas autoridades. Em meio às medidas provisórias e decretos na arrancada do novo governo, o presidente Jair Messias Bolsonaro deu fim à gestão compartilhada da Secretaria Nacional de Aquicultura e Pesca com o Ministério do Meio Ambiente (MMA). A decisão atendeu a um pedido do setor produtivo, que tradicionalmente questiona as restrições impostas pelo MMA.

Entidades ligadas à preservação ambiental ainda avaliam se a mudança poderá trazer algum prejuízo ao desenvolvimento sustentável. O secretário Jorge Seif Junior garantiu que não haverá prejuízo, pois não se trata de reduzir o controle ambiental sobre a pesca, mas de diminuir a burocracia e a lentidão de processos. Numa entrevista, Seif afirmou que era prejudicial a SEAP estar submetida à aprovação de “um órgão que tem poder de polícia ambiental” e “ótica radical”. Todas as decisões relacionadas à pesca precisavam, até então, ser assinadas também pelo ministro do Meio Ambiente.

         Essa separação de poderes vinha sendo pedida há décadas pelo Saperj.  “Há anos e anos venho dizendo aqui que não se pode servir a dois senhores. Isso é bíblico, mas devia ser uma postura administrativa. A pesca não pode continuar sendo assombrada por essa contradição, por essa luta de poder, por esse cabo de guerra. O setor pesqueiro e aquícola precisa se livrar dessa sombra para poder brilhar com luz própria”, escrevi aqui recentemente, e repito com alegria.

         Além disso, com a mudança de governo, a pesca voltou para casa, sim, voltou para o Ministério da Agricultura, de onde nunca deveria ter saído.  Pois é. Sonhos se realizam. Preces são atendidas. Batalhas são vencidas. A vida, o mar, a pesca, a esperança, tudo isso continua.

         O jovem secretário Jorge Seif Junior é nosso barco. Temos que subir a bordo e, unidos, trabalhar lado a lado com ele como se não houvesse amanhã. Ele é a nossa chance. Talvez a nossa última chance. É agora ou nunca.

OLHO

“Nos últimos anos, políticos que não sabiam colocar uma minhoca num anzol mandaram e desmandaram, fizeram e aconteceram, transformaram seus gabinetes em cabides de emprego e balcão de votos. Nada era certo ou confiável. As estatísticas eram chutes. Nem o seguro defeso era seguro. As coisas vão mudar.”

Alexandre Guerra Espogeiro
Presidente do Saperj

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