PALAVRA DO PRESIDENTE: GESTÃO COMPARTILHADA

Não há como deixar de apoiar a Gestão Pesqueira Sustentável e Rentável. É tudo que queremos. É tudo que precisamos.  Uma gestão sem antagonismos políticos e ideológicos, ancorada no diálogo entre produção e preservação.

 

A teoria do mar precisa reconhecer a prática do mar, e agir em consonância, em parceria, em harmonia. A teoria e a prática precisam navegar lado a lado. Reafirmo aqui o nosso compromisso irrevogável com a pesca sustentável. Sustentável e rentável / Imagem: Mundo Carreira
Um por todos e todos por um planeta azul da cor do mar / Imagem: recid – Rede Livre

 

Na abertura da reunião sobre Gestão Pesqueira Sustentável e Rentável, envolvendo representantes da FAO, da FIPERJ, mestres e armadores, declarei que existe uma tendência mundial contra a pesca de arrasto e que países como a Costa Rica estão tomando medidas para a sua proibição total. Enfatizei que estava mais do que na hora do setor pesqueiro buscar alternativas ecológicas.

Essa não é uma opinião: é uma certeza. É um raciocínio lógico, uma tomada de consciência, uma aceitação do óbvio evidente: se o mar morrer, se o peixe desaparecer, a pesca será extinta. Essa é a realidade e não adianta discutir com a realidade. É isso ou nada. É o que temos para hoje.

Dito isso, é preciso deixar claro que a pesca não pode continuar sendo saco de pancadas e bode expiatório dos preservacionistas do momento. Jogar na nossa conta a culpa exclusiva pela ameaça de extinção de espécies marinhas é uma inverdade, uma denúncia vazia, um descalabro. Vamos rachar essa conta com o aquecimento global, com a expansão imobiliária que extingue os manguezais, com a exploração de petróleo, com os vazamentos, com os rios que despejam toneladas de resíduos nos litorais. Cada um deve arcar com sua parte. A pesca não vai fugir sem pagar. Mas não deve, não pode e não merece pagar sozinha. O mar é nosso. Está virando um lixão. Vamos limpar juntos.

Não é paranoia, mania de perseguição, é a pura verdade: há décadas que a cabeça do setor pesqueiro está a prêmio. Na luta pela visibilidade e pela respeitabilidade, o setor pesqueiro perdeu a luta midiática contra os preservacionistas. Conseguiram pregar em nós o rótulo de predadores. Eles são os mocinhos e nós os vilões. Eles são os santos e nós os pecadores.  Chega. Vamos acabar com a campanha de descrédito, intimidação e marginalização da pesca. Nós somos trabalhadores do mar. Ponto.

Não há como deixar de apoiar a Gestão Pesqueira Sustentável e Rentável. É tudo que queremos. É tudo que precisamos.  Uma gestão sem antagonismos políticos e ideológicos, ancorada no diálogo entre produção e preservação, em projetos de monitoramento constantes, na isenção dos resultados matemáticos, na ciência e não na inconsciência, na transparência e não na politização. Pescadores e técnicos devem estar no mesmo barco, lado a lado, trocando experiências. Nós queremos ser convidados para a mesa de discussões e participar da tomada de decisões sobre portarias, instruções normativas, decretos, etc. Não desejamos ter nossa presença limitada a Comitês Consultivos que podem consultar, mas não ouvem o que dizemos, não levam em consideração a nossa verdade a nossa vontade.   A teoria do mar precisa reconhecer a prática do mar, e agir em consonância, em parceria, em harmonia. A teoria e a prática precisam navegar lado a lado.   Reafirmo aqui o nosso compromisso irrevogável com a pesca sustentável. Sustentável e rentável.

Parece absurdo, mas ainda precisamos descobrir o mar brasileiro. O Brasil precisa reconhecer que o mar faz parte de seu território. Para muitos o nosso mar só passou a existir com a Petrobras. A Marinha do Brasil vem trabalhando há décadas para mudar essa mentalidade terrestre e incorporar a “Amazônia Azul” ao nosso país.

Realizada por empresários e produtores independentes, sem recursos governamentais (com a única exceção da equalização do preço do óleo diesel nacional ao internacional), a pesca industrial caracteriza-se por ser uma atividade de elevado empreendedorismo em função dos altos investimentos realizados na construção, manutenção e equipagem das embarcações e nas infraestruturas de processamento. A pesca industrial não é somente uma atividade primária, está longe disso: ela é um universo com milhares de pessoas, centenas de profissões e com uma imensa rede de atividades associadas. Por isso a atividade pesqueira é muito importante para o agronegócio, sendo responsável pela geração de alimento, trabalho e renda para a população brasileira.

 Por tudo o que foi dito aqui, e por muito mais que se poderia dizer, peço à sociedade e às autoridades constituídas que reconheçam o setor pesqueiro como produtores de alimentos para a sua mesa, criadores de empregos, pagadores de impostos, cidadãos responsáveis, e, repito, trabalhadores do mar.  

 

Alexandre Guerra Espogeiro
Presidente do Saperj

“Jogar na nossa conta a culpa exclusiva pela ameaça de extinção de espécies marinhas é uma inverdade, uma denúncia vazia, um descalabro. Vamos rachar essa conta com o aquecimento global, com a expansão imobiliária que extingue os manguezais, com a exploração de petróleo, com os vazamentos, com os rios que despejam toneladas de resíduos nos litorais. Nessa rachadinha, cada um deve arcar com sua parte. A pesca não vai fugir sem pagar. Mas não deve, não pode e não merece pagar sozinha. O mar é nosso. Está virando um lixão. Vamos limpar juntos.”

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