MANCHANDO O MAR

Identificadas pela primeira vez em 2 de setembro, as manchas de óleo já atingiram pelo menos 130 praias do Nordeste. Todos os nove estados da região tiveram trechos contaminados e até agora não se conseguiu conter o avanço do que foi identificado pela Petrobras como óleo cru. Essas manchas de óleo, além do impacto ambiental, impactam também atividades ligadas ao turismo, como hotelaria, transporte, alimentação, pesca, vida.

Ibama multa navio em mais de R$ 1 milhão pelo despejo de resíduos no mar em SP. Autuação é decorrente de flagrante ocorrido nas proximidades do Porto de Santos. Segundo Ibama, houve despejo de resíduos sólido e líquido da lavagem de porão do navio. / Manchas de óleo atingem 99 locais no litoral do Nordeste e origem é petróleo que não é do Brasil, diz Ibama.

..

Ibama flagra descarte de resíduos feito por navio de fertilizantes na costa de SP — Foto: G1 Santos

..

Substância ficou concentrada no entorno de navio estrangeiro na costa de SP — Foto: G1 Santos

..

Mancha no oceano se espalhou pela barra de Santos, SP, e por mais três cidades — Foto: G1 Santos

..

Equipes da Receita Federal alertaram o Ibama sobre possível crime ambiental na costa de São Paulo — Foto: G1 Santos

..

Manchas de óleo atingem 99 locais no litoral do Nordeste Tartaruga foi encontrada coberta de óleo no litoral do RN — Foto: Redes Sociais

;;

Localidades afetadas pelo óleo desde o começo de setembro — Foto: Arte/G1

A agência marítima Orion, representante brasileira do navio estrangeiro Rook, foi multada em R$ 1.005.000,00 pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), informou o órgão nesta quarta-feira (18). A penalidade refere-se ao despejo irregular de resíduos do cargueiro no mar, próximo ao Porto de Santos.

O Ibama flagrou em janeiro indícios de que resíduos sólido e líquido, decorrentes da lavagem dos porões do navio que transporta grãos, tinham sido lançados ilegalmente na costa paulista. Uma mancha com material particulado foi avistada na linha d’água próxima ao cargueiro e se espalhou por uma área equivalente a 200 campos de futebol.

O alerta feito à autoridade ambiental ocorreu pela equipe da Receita Federal durante patrulhamento marítimo na região do fundeadouro – área onde os navios aguardam para acessar o cais. Além de agentes do Ibama, foram mobilizados policiais federais e militares da Marinha para fazer uma vistoria a bordo do cargueiro no mesmo dia

As equipes encontraram os porões do cargueiro, que embarcaria fertilizantes no porto, completamente limpos, mas não localizaram o material residual que deveria estar armazenado em tanques. Pela legislação federal, segundo a Capitania dos Portos de São Paulo, é proibido o descarte dessa substância em área próximo a costa.

Segundo o Ibama, a empresa autuada tem prazo de até 20 dias para pagar o débito da multa ou apresentar defesa prévia que será avaliada, posteriormente, em processo aberto no órgão. Os representantes da agência marítima Orion no Porto de Santos informaram ao G1, por telefone, que não estão cientes dessa penalidade.

FlagranteO navio Rook tem bandeira de Chipre e, na ocasião do flagrante, ficou impedido de acessar o complexo portuário enquanto ocorria a fiscalização na região da Barra de Santos. O cargueiro tem aproximadamente 190 metros de comprimento e 29 de largura (boca), e tem porte bruto com carga estimado em 37 mil toneladas.

Antes de operar nos portos, é comum que os navios sejam preparados para embarcar ou descarregar produtos. A limpeza do porão é um procedimento que faz parte do processo e está sob responsabilidade da agenciadora da embarcação estrangeira no país, por essa razão a multa do Ibama não foi aplicada para a dona do cargueiro.

“Todo navio possui um tanque para armazenar resíduos. Há substâncias que podem ser descartadas no mar, respeitando limites e distâncias, e outras que devem ser retiradas quando ele atraca no porto”, explicou, na ocasião, o capitão dos portos de São Paulo, o capitão de mar e guerra Daniel Américo Rosa Menezes.

Manchas de óleo no Nordeste –  As manchas negras que têm aparecido em praias do Nordeste desde o início de setembro já atingiram 99 locais em 46 municípios de 8 estados, de acordo com o Ibama. A maior parte (41%) está no Rio Grande do Norte.

Uma investigação do órgão aponta que o óleo que está poluindo as praias têm a mesma origem, mas ainda não é possível afirmar de onde ele viria. Segundo a Petrobras, trata-se de óleo cru, que não é produzido no Brasil.

“Um dos pontos que chamam mais a atenção neste caso é a fragilidade do sistema de fiscalização e monitoramento da costa, que está enfraquecido. Isso traz graves consequências e um dos reflexos são as manchas de óleo, que ninguém sabe de onde vem. Se tivéssemos fiscalização marinha, isso não aconteceria”, afirma Anna Carolina Lobo, gerente dos programas Marinho e Mata Atlântica do WWF-Brasil.

Nas redes sociais é possível ver moradores compartilhando vídeos e fotos dos bichos cobertos por óleo negro. A recomendação do Ibama é que, nestes casos, a população acione os órgãos ambientais competentes para que os animais sejam avaliados antes de devolvidos ao mar.

Relatório da Petrobras afirma que óleo no Nordeste parece petróleo extraído na Venezuela

Um relatório da Petrobras afirma que as manchas que estão poluindo praias do Brasil são uma mistura de óleos da Venezuela. Nesta terça-feira (8), subiu para 138 o número de áreas do litoral nordestino com resíduos.

O óleo denso e pegajoso chegou nesta terça ao litoral norte da Bahia, nas praias do Forte, Baixio e Porto de Sauípe.

Em Alagoas, o óleo atinge 15 praias, e duas estão em situação mais grave: Coruripe e Piaçabuçu. Os pescadores nem estão indo para o mar.

O óleo também ameaça os corais. No Rio Grande do Norte, mais uma tartaruga foi encontrada coberta de óleo e morreu no fim da tarde.

Equipes do governo já recolheram 133 toneladas de óleo desde o mês passado no Nordeste.

Mais cedo, nesta terça-feira, o presidente Jair Bolsonaro disse de novo que os investigadores já consideram um país onde o óleo foi extraído. Ele não falou o nome, disse apenas que pode ter sido criminoso.

“Eu não posso acusar um país, vai que não é aquele país. Não quero criar problemas com outros países. É reservado”, afirmou o presidente.

“É um volume que não está sendo constante, não é? Se fosse um navio que tivesse afundado, estaria saindo ainda óleo. Parece que […] criminosamente algo foi despejado lá”, acrescentou.

Um laboratório da Petrobras analisou 23 amostras do resíduo recolhido. Os técnicos compararam as moléculas com o material produzido pelo Brasil.

“Cada petróleo teria entre aspas um DNA específico. Então, esse conteúdo de moléculas que está em cada amostra é que me permite diferenciar um petróleo do outro e correlacioná-los, buscar semelhanças ou diferenças. Então a gente, grosseiramente, pode dizer que cada petróleo tem um DNA diferente”, afirmou o geólogo Mário Rangel, gerente do laboratório de geo-química da Petrobras.

Origem do óleo

A Petrobras concluiu que o óleo não é produzido, comercializado nem transportado pela estatal. Um relatório da Petrobras, encaminhado aos investigadores, afirma que os resíduos encontrados são uma mistura de óleos venezuelanos.

Questionado, o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, disse que ainda não é possível dizer de onde o óleo veio. Mas disse que há três hipóteses:

  • um navio afundado;
  • um acidente durante a passagem de óleo de um navio para outro;
  • despejo criminoso.

Foi descartado que o óleo tenha brotado de uma fissura no fundo do mar o que seja fruto da limpeza de um tanque de um navio.

“São aproximadamente mais de 500 barris de petróleo, o que indica que não é simplesmente a lavagem de um tanque de um navio. Alguma coisa extraordinária aconteceu”, afirmou o presidente da estatal.

“Existe a possibilidade de esse material ser liberado gradualmente”, acrescentou.

Marinha

A Marinha identificou 140 navios-tanque que passaram por águas brasileiras em frente ao litoral nordestino.

Os navios com cargas compatíveis já foram procurados, e a Marinha avalia caso a caso.

De acordo com investigadores, a hipótese mais provável é de um acidente na transferência de óleo de um navio para outro. Mas o caso é considerado complexo e inédito pela extensão da área atingida e pela duração (mais de um mês).

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, pediu ajuda ao governo dos Estados Unidos para identificar a origem das manchas.

Para Marcus Silva, professor de oceanografia e especialista em dispersão de contaminantes, a suspeita é que o óleo entrou em contato com o mar perto da costa.

“Muito provavelmente no litoral entre Pernambuco e Paraíba, distante mais ou menos 40 ou 50 quilômetros da costa”, afirmou.

“Boa parte deste óleo se deslocou pelo litoral carregado pela corrente sul-equatorial e atingiu o litoral norte do Nordeste, não é? Atingiu o litoral do Rio Grande do Norte, Ceará e Maranhão. E uma parte se dispersou pelo litoral sul, atingindo depois Alagoas, o estado de Sergipe e chegando à Bahia nos últimos dias”, acrescentou.

https://g1.globo.com/politica/noticia/2019/10/08/manchas-em-praias-no-nordeste-sao-mistura-de-oleo-venezuelano-diz-relatorio-da-petrobras.ghtml

Manchas em praias do Nordeste são mistura de óleos venezuelanos, diz relatório da Petrobras

https://g1.globo.com/politica/noticia/2019/10/08/manchas-em-praias-no-nordeste-sao-mistura-de-oleo-venezuelano-diz-relatorio-da-petrobras.ghtml

 

Petrobras diz que óleo no litoral do Nordeste é da Venezuela

https://globoplay.globo.com/v/7987200/

Ibama multa navio em mais de R$ 1 milhão pelo despejo de resíduos no mar em SP
https://g1.globo.com/sp/santos-regiao/porto-mar/noticia/2019/09/18/ibama-multa-navio-em-mais-de-r-1-milhao-pelo-despejo-de-residuos-no-mar-em-sp.ghtml

 

Manchas de óleo atingem 99 locais no litoral do Nordeste e origem é petróleo que não é do Brasil, diz Ibama
https://g1.globo.com/natureza/noticia/2019/09/26/manchas-de-oleo-nas-praias-do-nordeste-ja-atingem-99-locais-ibama-diz-que-elas-tem-a-mesma-origem-e-nao-sao-do-brasil.ghtml

Ibama investiga origem de manchas em praias do Nordeste

Manchas de óleo atingem 158 localidades em praias do Nordeste

Manchas de óleo: Projeto Tamar suspende soltura de filhotes de tartarugas
https://globoplay.globo.com/v/7981764/

Manchas em praias do Nordeste são mistura de óleos venezuelanos, diz relatório da Petrobras

https://g1.globo.com/politica/noticia/2019/10/08/manchas-em-praias-no-nordeste-sao-mistura-de-oleo-venezuelano-diz-relatorio-da-petrobras.ghtml

 

Petrobras diz que óleo no litoral do Nordeste é da Venezuela

https://globoplay.globo.com/v/7987200/

Veja também

UMA PRAIA, UMA GAROTA, UM TUBARÃO

A praia é deslumbrante: uma baía pequena e isolada, com ondas de um azul-turquesa cristalino ...

A BALSA DO SEXO

A ‘balsa do sexo’, um dos experimentos mais estranhos de todos os tempos. Em 1973, ...

PESCA SUSTENTÁVEL NA AMÉRICA LATINA E NO MUNDO

O quarto encontro da Aliança Latino-Americana de Pesca Sustentável e Segurança Alimentar, realizado em Mar ...