PALAVRA DO PRESIDENTE: – SAPERJ

PALAVRA DO PRESIDENTE:

FELIZ MAR 2020

Água e óleo não se misturam. Vivemos em um tempo em que até os oceanos podem ser positivos e negativos. Podem ser água e óleo. Nós ficamos com o lado claro e limpo do futuro.  Sem um pouco de otimismo, ninguém sai de casa para ganhar seu pão. Ninguém põe um barco no mar sem ter fé e esperança de que dias melhores virão. Um Próspero e Feliz 2020.

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Água e fogo não se misturam / Crédito: Greenme-G1

Parece fogo de artifício, e é, mas também é uma água-viva. Feliz 2010 / Crédito: Megacurioso

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O vazamento de óleo assustou a população, prejudicou o cotidiano das cidades litorâneas, afetou a vida dos animais marinhos na região, lançou um manto de desconforto sobre o turismo, a pesca, o cotidiano. Mais do que isso: não invadiu só as praias, mas tomou conta dos corações e mentes dos brasileiros. Cada mancha tinha o peso de uma dor, de uma tristeza, de um sentimento de luto.

Fomos pegos de surpresa como todo brasileiro que gosta de ter sua roupa lavada, seu corpo saudável, sua casa em ordem. Para nós da pesca, o mar sempre nos deu casa, comida, roupa, trabalho, saúde. O mar manchado que tomou conta da mídia não é o mar que conhecemos.

A verdade é que o mar brasileiro é um ilustre desconhecido para a maioria do nosso povo. Foi preciso uma calamidade dessas para que o mar e o peixe chegassem às primeiras páginas dos jornais, ganhassem programas especiais nas redes de TV, ocupassem amplos espaços na mídia. O mar e o peixe foram destaques nas plataformas digitais, foram debatidos como nunca nas redes sociais.

Dizem que água e óleo não se misturam. Mas acabamos tendo que ver, com certo espanto, tudo junto e misturado: água, óleo, mar, peixe, manchas, manchetes, muitos memes, mimimis, fatos, boatos.  Demorou algum tempo para que tudo ficasse claro e imperasse a voz da razão. Isso aconteceu quando a Marinha do Brasil lançou a “Operação Amazônia Azul – Mar Limpo é Vida”.

“Desde o início de setembro, o Brasil está unido no combate ao crime ambiental ocorrido na região Nordeste do nosso País. Inédito na história brasileira, pela extensão geográfica e pela duração no tempo, suas consequências atingiram cerca de 2.250 km de extensão de nossas costas, em algum momento nesse período”, afirma um comunicado da Marinha. E prossegue: “Como previsto no Plano Nacional de Contingência, para a gestão de ações de resposta e elucidação dos fatos, o Grupo de Acompanhamento e Avaliação (GAA), formado pela Marinha do Brasil, o IBAMA e a ANP, vem realizando um trabalho incessante, desde a primeira aparição de manchas de óleo, de monitoramento do litoral e limpeza das praias, além de conduzir investigação sobre causas e circunstâncias do evento.”

Essa presença alivia o estresse e desmancha qualquer equívoco. Temos uma força que garante nossa segurança e defende o nosso mar.

Mas voltando à água e ao óleo, agora em outro contexto. De acordo com o documento “A Economia dos Oceanos em 2030”, cálculos preliminares com base na Base de Dados sobre a Economia dos Oceanos, da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) estimam a produção da economia dos oceanos em 2010 em 1 trilhão e meio de dólares, sendo que “o  petróleo e  o gás offshore representaram um terço do valor acrescentado total dos setores de atividade relacionados com o oceano, seguidos do turismo marítimo e costeiro, equipamento marítimo e portos. O emprego direto a tempo inteiro na economia dos oceanos ascendeu a cerca de 31 milhões de postos de trabalho em 2010. Os maiores empregadores foram as empresas de pesca industrial com mais de um terço do total, e o turismo marítimo e costeiro, com quase um quarto”.

Ainda segundo o documento, em 2030 serão três trilhões de dólares e “o crescimento mais rápido em termos de emprego deverá ocorrer na energia eólica offshore, na aquicultura marinha, transformação de pescado e atividades portuárias”.

Essa é a parte água. Agora vem a parte óleo: de acordo com o relatório especial do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), “os oceanos, fontes de vida na Terra, podem se tornar nossos piores inimigos em escala global se nada for feito para travar as emissões de gases de efeito estufa, de acordo com o rascunho de um relatório obtido com exclusividade pela AFP”. E mais: “Os estoques de peixes podem diminuir, os danos causados pelos furacões podem aumentar e 280 milhões de pessoas seriam deslocadas pelo aumento do nível do mar”.

Não adianta brigar com os fatos. É melhor separar, apartar, respirar fundo. Vivemos em um tempo em que até os oceanos podem ser positivos e negativos. Podem ser água e óleo. Nós ficamos com o lado claro e limpo do futuro.  Sem um pouco de otimismo ninguém sai de casa para ganhar seu pão. Ninguém põe um barco no mar sem ter fé e esperança de que dias melhores virão.

Um Próspero e Feliz 2020.

 

Alexandre Guerra Espogeiro
Presidente do Saperj

 

A verdade é que o mar brasileiro é um ilustre desconhecido para a maioria do nosso povo. Foi preciso uma calamidade dessas para que o mar e o peixe chegassem às primeiras páginas dos jornais, ganhassem programas especiais nas redes de TV, ocupassem amplos espaços na mídia. O mar e o peixe foram destaques nas plataformas digitais, foram debatidos como nunca nas redes sociais.  Para nós da pesca, o mar sempre nos deu casa, comida, roupa, trabalho, saúde. O mar manchado que tomou conta da mídia não é o mar que conhecemos.  O mar manchado que tomou conta da mídia não é o mar que conhecemos.

 

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