QUASE INFERNO

Temperatura dos oceanos cresce 450% nas últimas 6 décadas e bate terceiro recorde consecutivo em 2019, diz estudo.  Últimos cinco anos foram os mais quentes para as águas oceânicas; aquecimento ocorre em taxas mais elevadas do que previsto anteriormente, alertam cientistas.

Geleiras são afetadas pelo aquecimento das águas do oceano — Foto: Unsplash

Branqueamento de corais ocorre por aumento de temperatura do oceano e é intensificado pelo aquecimento global. — Foto: ARC Centre of Excellence for Coral Reef Studies

Acordo de Paris não basta para manter aquecimento global na meta, diz ONU / Crédito: Rede Globo
Bolha de água quente (hot blob) no Pacífico / Imagem: El Clarín

A temperatura média dos oceanos atingiu o maior registro da história em 2019 e bateu o terceiro recorde consecutivo, de acordo com um estudo internacional  na revista científica “Advances in Atmospheric Sciences”.

O estudo aponta que os oceanos estiveram 0,075 °C acima da média registrada de 1981 a 2010. Nas últimas seis décadas, essa temperatura subiu 450%, informa a publicação, o que corresponde a uma elevação de 46 mm no nível dos oceanos.

Além de os oceanos estarem mais quentes, a temperatura está se elevando a uma velocidade cada vez maior e, mesmo que as emissões de gases do efeito estufa parem, os oceanos continuarão a ter temperaturas elevadas porque demoram a se estabilizar, alertam os pesquisadores.

“Esse aquecimento medido dos oceanos é irrefutável e é mais uma prova do aquecimento global. Não há alternativas razoáveis, além das emissões humanas de gases que retêm o calor, para explicar esse aquecimento”, afirma o líder da pesquisa, Lijing Cheng.

A elevação da temperatura dos oceanos é medida em “zetta joules”, que se refere a energia acumulada ou absorvida.

Em termos técnicos, em 2019 os oceanos acumularam uma energia média de 228 zetta joules acima do que havia sido registrado de 1981 a 2010. O número é 25 zetta joules acima do que registrou em 2018, até então a maior temperatura acumulada.

“É como se os oceanos tivessem absorvido o calor liberado pela explosão de 3,6 bilhões de bombas atômicas como a de Hiroshima”, compara Cheng, professor associado do Centro Internacional de Ciências Climáticas e Ambientais do Instituto de Física Atmosférica (IAP) da Academia Chinesa de Ciências (CAS).

Segundo Cheng, a temperatura média do oceano até 2 mil metros de profundidade é de aproximadamente 5,85 °C. Esse número, no entanto, é menos preciso para monitorar o aquecimento dos oceanos do que a análise da variação da temperatura.

“Por exemplo, nos trópicos, a temperatura da superfície do mar é maior que 28 °C, mas cai para cerca de 2 °C a 2 mil metros. Já nas regiões polares, a temperatura é próxima de 0°C. Essa enorme variação dificulta a obtenção de um número exato de temperatura média global. Porém, para anomalias de temperatura (alterações relacionadas à temperatura média), elas são menos heterogêneas espaciais e alguns padrões de larga escala se formam, portanto nossa estimativa é mais confiável”, afirma em entrevista ao G1.

Com as águas oceânicas mais quentes, há o derretimento de geleiras, que leva ao aumento do nível do mar e ameaça comunidades costeiras; o embranquecimento dos corais, que reflete a perda de vitalidade neste ambiente que fornece alimento e abrigo para diversas espécies marinhas; e o aumento de tempestades e furacões.

“Quando a energia do Sol chega à Terra, parte dela é refletida de volta ao espaço, e o restante é absorvido e irradiado por gases de efeito estufa, como o dióxido de carbono. Isso é chamado efeito estufa, o que mantém nossa Terra quente. Desde a revolução industrial, as atividades humanas liberam cada vez mais gases de efeito estufa no ar com a queima de carvão, de petróleo e o transporte”, explica Cheng, em entrevista ao G1.

Citando outros estudos, os pesquisadores elencam algumas consequências do aumento da temperatura dos oceanos:

  • Derretimento das camadas de gelo, elevando o nível do mar;
  • Redução do nível de oxigênio das águas, afetando a vida marinha e corais;
  • 95% dos recifes de coral sofrerão branqueamento até o final do século, se as emissões de gases do efeito estufa continuarem;
  • Maior evaporação e aumento da umidade na atmosfera, levando a um ciclo hidrológico extremo;
  • Condições mais propensas a fortes chuvas e inundações, além de furacões e tufões;
  • Formação de fenômenos como o El Niño e La Niña;

O artigo liga os grandes incêndios registrados em 2019 ao aumento da temperatura dos oceanos.

Leia mais:

https://g1.globo.com/natureza/noticia/2020/01/13/temperatura-dos-oceanos-cresce-450percent-nas-ultimas-6-decadas-e-bate-terceiro-recorde-consecutivo-em-2019-diz-estudo.ghtml

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