A PESTE E AS RUÍNAS

A peste é o nosso calcanhar de Aquiles. A tragédia está batendo em nossa porta e descobrimos que não somos deuses, não chegamos nem a semideuses. Somos barcos na tempestade.  As cidades morrem. As civilizações desabam.   Atenas inventou a democracia, sobreviveu à peste, mas foi destruída pelos homens, os de fora e os de dentro. Estamos revivendo uma tragédia que já foi escrita há mais de dois mil anos. Chegaremos ao terceiro milênio? Deixaremos ruínas?

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“Aquiles, filho do rei Peleu e da deusa Tétis, tornou-se invulnerável quando, ao nascer, foi banhado pela mãe nas águas do rio Estige. Apenas o calcanhar por onde Tétis o segurou não foi molhado e continuou vulnerável. “Algumas variantes dizem que Aquiles foi flechado no calcanhar por Páris, que conhecia seu segredo. Mas não há citações em Homero sobre a morte do herói”, , diz o mitólogo Henrique Murachco, da Universidade de São Paulo. / Texto: Superinteressante – Imagem: Darumadecor

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“A Ilíada é a primeira obra da literatura ocidental, um poema épico de 15 mil versos composto por volta de 700 a.C., assim intitulado por relatar um incidente ocorrido durante o cerco dos gregos (denominados ‘aqueus’, ‘argivos’ e ‘dânaos’ por Homero) a Ílion, uma cidadezinha na região de Troia (no noroeste da atual Turquia)” / Imagem: SESI-SP Editora

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Ésquilo (525 ou 524 a.C.- 456 a. C.), o mais antigo dos três grandes dramaturgos gregos e criador da tragédia em sua forma definitiva (os outros dois são Sófocles e Eurípedes), combateu nas batalhas de Maratona e Salamina contra os invasores persas, dois momentos decisivos para a democracia e a civilização ocidental. Principalmente a de Salamina, no dia 29 de setembro de 480 a.C., a primeira batalha naval de que se tem notícia / Imagem: Zahar

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“Armadilha de Tucídides”: expressão popularizada por Graham Allison em 2012 e extraída de uma passagem da História da Guerra do Peloponeso: “O aumento do poder de Atenas e o medo que isso causou em Esparta tornou a guerra inevitável”. Tradução: o crescimento do poder de uma potência emergente passa a ameaçar os interesses da potência hegemônica, a ponto de causar uma guerra / Estátua de Tucídides em frente ao parlamento austríaco. Foto: Wienwiki / Walter Maderbacher

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Tucídides: “Não se encontrou remédio algum, pode-se dizer, que contribuísse para o alívio de quem o tomasse – o que beneficiava um doente prejudicava outro – e nenhuma compleição foi por si mesma capaz de resistir ao mal, fosse ela forte ou fraca; ele atingiu a todos sem distinção, mesmo àqueles cercados de todos os cuidados médicos” – A peste de Atenas (1652), por Michael Sweerts – Imagem: Museo de Arte del Condado de Los Angeles

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Atenas sobreviveu à peste, mas não conseguiu evitar a derrota definitiva contra Esparta. Para Tucídides, enquanto Péricles esteve à frente da cidade em tempo de paz, seguiu uma política moderada e a manteve segura, e foi sob seu governo que Atenas atingiu o auge de sua grandeza. – A civilização ocidental nasceu aos pés da Acrópole. E nós, deixaremos tragédias, teatros, odisseias, ruínas? – Imagem: Teatro de Dionísio / Pinterest

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O texto é longo. A vida é curta. Talvez valha a pena.

         “A  Ilíada é a primeira obra da literatura ocidental, um poema épico de 15 mil versos composto por volta de 700 a.C., assim intitulado por relatar um incidente ocorrido durante o cerco dos gregos (denominados ‘aqueus’, ‘argivos’ e ‘dânaos’ por Homero) a Ílion, uma cidadezinha na região de Troia (no noroeste da atual Turquia)”, informa Peter Jones na introdução da edição da Companhia das Letras, 2013.

         O primeiro canto da obra tem muita ira. Agamêmnon, o comandante da força expedicionária grega, recebeu como butim a filha de Crises, um sacerdote local de Apolo. Obrigado a devolvê-la, exige uma substituta, que por acaso é  Briseida,  espólio de guerra de Aquiles. Esta é razão da ira do herói. Da cólera de Aquiles, que deixa os gregos na mão e só volta à luta nos últimos capítulos, depois da morte do seu grande amigo Pátroclo.

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Além da ira, da cólera, tem a peste.

         O sacerdote Crises implora e o deus Apolo manda a peste que abate implacavelmente toda tropa de guerreiros gregos, que viram comida de cães e de aves carniceiras. (A fonte da peste são as flechas do deus, um arqueiro infalível.)

         “A Ilíada também é a primeira tragédia do mundo”, afirma o já citado Jones. “Duzentos anos antes de os poetas trágicos gregos criarem a expressão artística para o palco, Homero apreendeu sua natureza essencial na figura de Pátroclo   e ainda mais na de Aquiles — um herói inicialmente injuriado, de ascendência divina, que vê seu mundo inexplicavelmente transformado em cinzas em consequência das decisões que tomou por livre e espontânea vontade, ainda que de maneira intempestiva —, cuja grandeza está em sua recusa a renunciar à responsabilidade por seus atos, mesmo que a consequência inevitável seja a própria morte.”

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         Ésquilo (525 ou 524 a.C.- 456 a. C.), o mais antigo dos três grandes dramaturgos gregos e criador da tragédia em sua forma definitiva (os outros dois são Sófocles e Eurípedes),  combateu nas batalhas de Maratona e Salamina contra os invasores persas, dois momentos decisivos para a democracia e a civilização ocidental. Principalmente a de Salamina, no dia 29 de setembro de 480 a.C , a primeira batalha naval de que se tem notícia. Como se isso não bastasse,  ser soldado marinheiro, Ésquilo escreveu  a Trilogia de Orestes (Oréstia – Agamêmnon, Coéforas, Eumênides, Editora Jorge Zahar, 1991, tradução de Mário da Gama Kury).

          A primeira representação Agamêmnon  foi em 458 a.C., em Atenas, e conta como o herói da Ilíada, adversário de Aquiles, voltou para casa, depois de dez anos de lutas, para ser trucidado pela amada esposa Clitemnestra e o amante dela, Egisto.

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         Barcos na tempestade.

         Numa cena antes da chegada do futuro morto, o Corifeu (regente ou diretor do coro do antigo teatro grego) pede ao Arauto para detalhar a tempestade que os deuses tinham despejado sobre a frota grega que retornava vitoriosa para a pátria e  boa sorte do barco de Agamêmnon. Eis o Arauto de  Ésquilo, traduzido por Mário Gama Kury:

“Pois mar e fogo, antes ferozes inimigos,

em aliança se juntaram e a selaram

despedaçando as infelizes naus argivas!

Em plena noite os vagalhões nos açoitavam.

As naus se entrechocavam todas, impelidas

irresistivelmente p elos ventos trácios

e proas destruíam proas com fragor

em meio à fúria da procela; golpeadas

sem trégua pelas fortes chuvas, nossas naus

desarvoravam, desgarravam-se, perdiam-se,

joguetes da tormenta grávida de males.

E quando a luz do sol apareceu radiosa

o mar Egeu surgiu florido de cadáveres

de gregos e destroços do desastre náutico.

No entanto nós, e nossa nau com o bojo intacto,

fomos poupados por alguma divindade

que ocultamente pôs mão forte no timão.

Quis a fortuna salvadora acomodar-se

em nossa p roa e felizmente nos livrou

de enormes ondas e de escolhos traiçoeiros. ·

Assim salvamo-nos da morte no oceano,

mal crendo ainda em nossa sorte favorável.

Pensamos ansiosos, quando veio o dia,

em nossos novos infortúnios e na frota

aniquilada pela negra tempestade.

Agora, se qualquer dos nossos inda vive,

há de sem dúvida pensar que nós estamos

perdidos (e por que não pensaria assim

se o mesmo imaginamos a respeito deles?).

Mas praza aos céus que o fim de tudo seja bom”.

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         Os infortúnios de Agamêmnon serão vingados por seu filho, Orestes. Mas quem relataria o naufrágio da gloriosa Atenas, a cidade dos deuses, a pátria e a mátria da cultura ocidental? Tucídides (c. 460 – c. 400 a.C), na História da Guerra do Peloponeso (Editora Universidade de Brasília, Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais; São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2001,  4ª edição, Brasília: Editora Universidade de Brasília, Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais; São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2001, tradução de Mário da Gama Kury).

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         Depois da vitória contra os persas (Ésquilo também escreveu Os Persas), Atenas floresceu como potência naval e passou a disputar com Esparta o domínio das outras cidades gregas.

         Para Tucídides, o acontecimento mais importante dos tempos passados foi a guerra com os persas, prontamente decidida em dois combates navais e duas batalhas terrestres. Mas a Guerra do Peloponeso estendeu-se por longo tempo (de 431 a 404 a.C.), e no seu curso a Hélade sofreu desastres como jamais houvera num lapso de tempo comparável. Nunca tantas cidades foram capturadas e devastadas,  algumas, após a captura, sofreram uma mudança total de habitantes. Nunca tanta gente foi exilada ou massacrada, quer no curso da própria guerra, quer em consequência de dissensões civis.

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         E teve a Peste de Atenas em 430 a.C.

         Tucídides: “Nos primeiros dias do verão os peloponésios e seus aliados, com dois terços de suas forças como antes, invadiram a Ática sob o comando de Arquídamos filho de Zeuxídamos, rei dos lacedemônios, e ocupando posições convenientes passaram a devastar a região. Poucos dias após a entrada deles na Ática manifestou-se a peste pela primeira vez entre os atenienses. Dizem que ela apareceu anteriormente em vários lugares (em Lemnos e outras cidades), mas em parte alguma se tinha lembrança de nada comparável como calamidade ou em termos de destruição de vidas. Nem os médicos eram capazes de enfrentar a doença, já que de início tinham de tratá-la sem lhe conhecer a natureza e que a mortalidade entre eles era maior, por estarem mais expostos a ela, nem qualquer outro recurso humano era da menor valia. As preces feitas nos santuários, ou os apelos aos oráculos e atitudes semelhantes foram todas inúteis, e afinal a população desistiu delas, vencida pelo flagelo.”

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         A peste veio da Etiópia. Ou do Egito. Ou da Líbia.  Tucídides foi atacado por ela e sobreviveu: “Médicos e leigos, cada um de acordo com sua opinião pessoal, todos falavam sobre sua origem provável e apontavam causas que, segundo pensavam, teriam podido produzir um desvio tão grande nas condições normais de vida; descreverei a maneira de ocorrência da doença, detalhando-lhe os sintomas, de tal modo que, estudando-os, alguém mais habilitado por seu conhecimento prévio não deixe de reconhecê-la se algum dia ela voltar a manifestar-se, pois eu mesmo contraí

o mal e vi outros sofrendo dele.”

         E Tucídides relata todos os sintomas da doença. Febre, espirros, rouquidão, diarreia, além de outros sintomas nada parecidos como o Covid-19.

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         Vale a pena deixar Tucídides relatar o caráter geral da peste e a reação dos seus contemporâneos. É longo, e terrível.. Quem quiser, pode pular.

         “O caráter da doença desafia qualquer descrição, sendo a violência do ataque, em geral, grande demais para ser suportada pela natureza humana; por um detalhe ela se mostrou diferente de todos os males comuns: as aves e os quadrúpedes que usualmente se alimentam de cadáveres humanos, ou não se aproximavam deles neste caso (apesar de muitos permanecerem insepultos), ou morriam se os comiam. Isto se evidencia ainda mais pelo fato de as aves desse gênero se haverem tornado raras e não mais serem vistas em volta dos cadáveres ou em parte alguma da região; quanto aos cães, sua abstinência deu uma oportunidade ainda melhor de se observar a peculiaridade, pois eles vivem entre os homens.

Era este, então, o caráter geral da doença, pondo de lado muitos outros sintomas menos frequentes, que afetavam cada pessoa de maneira diferente. Enquanto durou a peste, ninguém se queixava de outras doenças, pois se alguma se manifestava, logo evoluía para aquela. Às vezes a morte decorria de negligência, mas de um modo geral ela sobrevinha apesar de todos os cuidados. Não se encontrou remédio algum, pode-se dizer, que contribuísse para o alívio de quem o tomasse – o que beneficiava um doente prejudicava outro – e nenhuma compleição foi por si mesma capaz de resistir ao mal, fosse ela forte ou fraca; ele atingiu a todos sem distinção, mesmo àqueles cercados de todos os cuidados médicos. Mas o aspecto mais terrível da doença era a apatia das pessoas atingidas por ela, pois seu espírito se rendia imediatamente ao desespero e elas se consideravam perdidas, incapazes de reagir. Havia também o problema do contágio, que ocorria através dos cuidados de uns doentes para com os outros, e os matava como a um rebanho; esta foi a causa da maior mortandade, pois se de um lado os doentes se abstinham por medo de visitar-se uns aos outros, acabavam todos perecendo por falta de cuidados, de tal forma que muitas casas ficaram vazias por falta de alguém que cuidasse deles; ou se, de outro lado, eles se visitavam, também pereciam, sobretudo os altruístas, que por respeito humano entravam nas casas dos amigos sem preocupar-se com suas próprias vidas, numa ocasião em que mesmo os parentes dos moribundos, esmagados pela magnitude da calamidade, já não tinham forças sequer para chorar por eles. Eram os sobreviventes que com mais frequência se apiedavam dos moribundos e doentes, pois conheciam a doença por experiência própria e a essa altura estavam confiantes na imunidade, pois o mal nunca atacava a mesma pessoa duas vezes, pelo menos com efeitos fatais. Eles não somente eram felicitados por todas as pessoas como, no entusiasmo de sua alegria naquelas circunstâncias, alimentavam a esperança frívola de que pelo resto de suas vidas não seriam atingidos por quaisquer outras doenças.”

 

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         Mais: “Em adição à calamidade que já os castigava, os atenienses ainda enfrentavam outra, devida à acomodação na cidade da gente vinda do campo; isto afetou especialmente os recém-vindos. Com efeito, não havendo casas disponíveis para todos e tendo eles, portanto, de viver em tendas que o verão tornava sufocantes, a peste os dizimava indiscriminadamente. Os corpos dos moribundos se amontoavam e pessoas semimortas rolavam nas ruas e perto de todas as fontes em sua ânsia por água. Os templos nos quais se haviam alojado estavam repletos dos cadáveres daqueles que morriam dentro deles, pois a desgraça que os atingia era tão avassaladora que as pessoas, não sabendo o que as esperava, tornavam-se indiferentes a todas as leis, quer sagradas, quer profanas. Os costumes até então observados em relação aos funerais passaram a ser ignorados na confusão reinante, e cada um enterrava os seus mortos como podia. Muitos recorreram a modos escabrosos de sepultamento, porque já haviam morrido tantos membros de suas famílias que já não dispunham de material funerário adequado. Valendo-se das piras dos outros, algumas pessoas, antecipando-se às que as haviam preparado, jogavam nelas seus próprios mortos e lhes ateavam fogo; outros lançavam os cadáveres que carregavam em alguma já acesa e iam embora.”

 

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         Concluindo: “De um modo geral a peste introduziu na cidade pela primeira vez a anarquia total. Ousava-se com a maior naturalidade e abertamente aquilo que antes só se fazia ocultamente, vendo-se quão rapidamente mudava a sorte, tanto a dos homens ricos subitamente mortos quanto a daqueles que antes nada tinham e num momento se tornavam donos dos bens alheios. Todos resolveram gozar o mais depressa possível todos os prazeres que a existência ainda pudesse proporcionar, e assim satisfaziam os seus caprichos, vendo que suas vidas e riquezas eram efêmeras. Ninguém queria lutar pelo que antes considerava honroso, pois todos duvidavam de que viveriam o bastante para obtê-lo; o prazer do momento, como tudo que levasse a ele, tornou-se digno e conveniente; o temor dos deuses e as leis dos homens já não detinham ninguém, pois vendo que todos estavam morrendo da mesma forma, as pessoas passaram a pensar que impiedade e piedade eram a mesma coisa; além disto, ninguém esperava estar vivo para ser chamado a prestar contas e responder por seus atos; ao contrário, todos acreditavam que o castigo já decretado contra cada um deles e pendente sobre suas cabeças, era pesado demais, e que seria justo, portanto, gozar os prazeres da vida antes de sua consumação.”

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            Atenas (potência marítima) sobreviveu à peste, mas não conseguiu evitar a derrota definitiva contra Esparta (potência terrestre). Para Tucídides, que lutou na guerra como almirante (não foi bom nisso), enquanto Péricles esteve à frente da cidade em tempo de paz, seguiu uma política moderada e a manteve segura, e foi sob seu governo que Atenas atingiu o auge de sua grandeza.

         Quando começou a guerra, parece que ele estimou realisticamente a magnitude da força da cidade, mas ele foi vitimado pela peste. “Péricles sobreviveu dois anos e seis meses ao início da guerra; depois de sua morte foi ainda mais admirado pelo valor de suas previsões quanto à mesma. De fato, ele havia aconselhado os atenienses a manterem uma política defensiva, a cuidarem de sua frota e a não tentarem aumentar o seu império durante a guerra. Eles, porém, agiram contrariamente a tudo isto e, mais ainda, em assuntos aparentemente alheios à guerra foram levados por ambições pessoais e cobiça a adotar políticas nocivas a si mesmos e aos seus aliados; enquanto produziram bons resultados, tais políticas trouxeram honras e proveito somente a cidadãos isolados, mas quando começaram a fracassar foram altamente prejudiciais a toda a cidade na condução da guerra”.

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         [Tucídides destaca:  “A razão do prestígio de Péricles era o fato de sua autoridade resultar da consideração de que gozava e de suas qualidades de espírito) além de uma admirável integridade moral; ele podia conter a multidão sem lhe ameaçar a liberdade) e conduzi-la ao invés de ser conduzido por ela) pois não recorria à adulação com o intuito de obter a força por meios menos dignos; ao contrário, baseado no poder que lhe dava a sua alta reputação, era capaz de enfrentar até a cólera popular. Assim,  quando via a multidão injustificadamente confiante e arrogante, suas palavras a tornavam temerosa) e quando ela lhe parecia irracionalmente amedrontada) conseguia restaurar-lhe a confiança. Dessa forma Atenas (embora fosse no nome uma democracia) de fato veio a ser governada pelo primeiro de seus cidadãos. Seus sucessores,  todavia,  equivalentes uns aos outros mas cada um desejoso de ser o primeiro, procuravam sempre satisfazer aos caprichos do povo e até lhe entregavam a condução do governo.”]

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         [Jogos Olímpicos.

         Os primeiros jogos olímpicos foram realizados em 776 a.C. com apenas um evento  uma corrida a pé de aproximadamente 200 metros chamada Stadion, que deu origem à palavra estádio. Os jogos eram realizados de quatro em quatro anos e o período de tempo entre os jogos ficou conhecido como Olimpíada.

          Uma trégua era declarada e estritamente respeitada durante cada jogo olímpico. Um jogo só para homens e dedicado a Zeus.

         Havia festivais femininos nos quais os homens eram banidos, sendo o mais famoso o Heraia, em Argos, dedicado a Hera, a ciumenta esposa de Zeus.

         Durante a Guerra do Peloponeso, os inimigos se misturaram e competiram lado a lado. Isso é mais que fair play, ou espírito esportivo.]

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          A  Peste de Atenas não foi identificada até hoje de maneira segura.  Alguns estudiosos falam em febre tifóide eruptiva, outros em tifo, cujos sintomas se aproximam mais dos descritos com tanta precisão por Tucídides para que alguém, no futuro, pudesse conhecê-la e exterminá-la, a peste.

         Foi o que ele fez também com a história de Atenas: descreveu sua poderosa singularidade de mátria e pátria do civilização ocidental para que os homens do futuro, seus herdeiros, não caiam na mesma armadilha de uma guerra sem vencedores, a longo prazo, contra qualquer Esparta.

                O alarme está soando. Os sinais. Os avisos. Os sintomas. Socos. Estão batendo na porta. Socando a porta. Mas parece que nós não estamos nem aí. (Francisco Maciel)

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