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Nosso Presidente

 
O QUARTO
MANDATO

PRESIDENTESSSSNo meu quarto mandato, 12 anos depois do primeiro, eu posso afirmar com uma triste certeza: nada mudou, tudo continua na mesma paralisia, e isso não deixa de causar espanto e um pouco de desesperança. Mas insisto e não desisto. Seria interessante que o MPA tivesse autonomia e deixasse de ser o garoto-propaganda do Ibama, que continua com a mesma equipe de sempre, com o mesmo discurso de sempre, divulgando pesquisas nas quais a gente nunca é ouvido, mas onde aparecemos como responsáveis pelos desequilíbrios da natureza: só falta acusar a pesca comercial pelo aquecimento global, pelo despejo de esgoto nas águas marinhas, pelos derramamentos de petróleo.

Durante todos esses anos, já é possível dizer que as autoridades responsáveis não entendem nada ou muito pouco de pesca comercial industrial. Seria pedir demais que nomeassem e dessem poder de decisão a quem entende do assunto?

O que leva um armador a ocupar pela quarta vez a  presidência de um sindicato, um cargo não remunerado e sem a mínima possibilidade de negociar e fazer bons contratos? A minha resposta é que o armador não pode desistir da pesca e do mar. A esperança tem que vencer o desespero. Antes de mais nada, é preciso fazer um balanço.

 
PRIMEIRO
 MANDATO

No meu primeiro mandato, no número 80 da revista Pesca & Mar, edição julho/agosto de 2002, lá estou eu cheio de esperanças, dizendo:

“Não sou presidente de mim mesmo. O Sindicato não sou eu, somos todos nós”.

E falando em nome de toda a diretoria:

O nosso programa de trabalho inclui o reconhecimento da importância da atividade pesqueira para todo o conjunto da sociedade;

A revitalização do setor pesqueiro  fluminense;

A luta pela criação de uma política pesqueira através de uma parceria real entre a pesca e a administração pública municipal, estadual e federal; e

Como prioridade máxima, a construção de um Terminal/Entreposto moderno e permanente.

 
SEGUNDO
 MANDATO

No segundo mandato, na revista Pesca & Mar nº 99, edição de setembro/outubro de 2005, eu já estou um pouco mais escolado e digo:

“Estamos bem. Se o sindicato fosse um barco, poderíamos dizer que ele está inteiro, sem problemas no motor, sem atritos a bordo, com todas as despesas em dia, sem necessidade de ir para o estaleiro e muito menos de mudar de rumo. Durante três anos,  zemos todo o possível”.

E vou em frente:

“Tenho orgulho em dizer que não temos nada a ver com CPI, CPMI, cassação, corrupção, mala, propina, mensalão.  Aqui, o presidente exerce seu cargo e não ganha um centavo. Os diretores não recebem um tostão. Não gastamos um dólar furado na campanha para o segundo mandato. Com modéstia e bom humor, acredito que o nosso Sindicato pode servir de exemplo para tirar o Brasil do mar de lama em que está mergulhado até a alma”.

Como se pode ver, eu ainda estava bastante otimista.

 
TERCEIRO
 MANDATO

No terceiro mandato, a revista Pesca & Mar n º 117, edição de setembro/outubro de 2008, já registra uma certa impaciência, um certo desconforto com os problemas acumulados durante anos e sem sinal de solução à vista:

“O cenário de hoje é muito diferente do que encontrei no meu primeiro mandato. Estávamos eufóricos com a criação da Seap, pensávamos que nossos problemas seriam todos resolvidos. Ledo engano. Pelo contrário, só aumentaram. Estamos enfrentando uma política protecionista para os artesanais, na qual nós, armadores e pescadores de embarcações maiores, estamos sendo acusados por todos os problemas ambientais. Somos hoje obrigados a arcar com os custos de rastreador de satélite, observadores de bordo, sistemas para abastecimento de óleo diesel e ainda ganhamos em troca uma enxurrada de instruções normativas proibindo a pesca e diminuindo cada vez mais a nossa área de atuação”.

E afirmo a seguir:

“Vejo aumentar bastante a minha responsabilidade à frente do sindicato, pois tenho que lutar contra coisas absurdas para tentar manter vivos a nossa entidade e, principalmente, os nossos armadores”. E concluo com as seguintes palavras: “Mas, como sempre fomos esperançosos e perseverantes, tenho fé que as coisas vão melhorar, que 1 + 1 vai voltar a ser 2 e que, ao  final do meu terceiro mandato, vou estar aqui comemorando o nosso entreposto, nosso atracadouro e, principalmente, a boa fase de nossos armadores”.

Hoje sabemos que nada disso aconteceu. E agora, no meu quarto mandato, depois de um sem fim de Instruções Normativas, de muitas multas, de proibições e mais proibições, de milhares de promessas jamais cumpridas, será que vou aprender alguma coisa?

Penso que seria interessante que o MPA tivesse autonomia e deixasse de ser o garoto-propaganda do Ibama, que continua com a mesma equipe de sempre, com o mesmo discurso de sempre, divulgando pesquisas nas quais a gente nunca é ouvido, mas onde aparecemos como responsáveis pelos desequilíbrios da natureza: só falta acusar a pesca comercial pelo aquecimento global, pelo despejo de esgoto nas águas marinhas, pelos derramamentos de petróleo.

Fala-se em medidas preventivas, e elas são, no fundo, um atestado de capacidade para administrar pesca e mar. Fala-se também em princípio de precaução, que é, na certa, um atestado de incompetência para resolver os problemas do mar e da pesca.

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Como nada mudou nos últimos 12 anos, repito aqui a plataforma do meu primeiro mandato: “O nosso programa de trabalho inclui o reconhecimento da importância da atividade pesqueira para todo o conjunto da sociedade; a revitalização do setor pesqueiro fluminense; a luta pela criação de uma política pesqueira através de uma parceria real entre a pesca e a administração pública municipal, estadual e federal; e, como prioridade máxima, a construção de um Terminal/Entreposto moderno e permanente”. Além, é claro, do nosso atracadouro. Durante todos esses anos, já é possível dizer que as autoridades responsáveis não entendem nada ou muito pouco de pesca comercial industrial. Seria pedir demais que nomeassem e dessem poder de decisão a quem entende do assunto?

 
QUARTO
 MANDATO

No meu quarto mandato, 12 anos depois do primeiro, eu posso afirmar com extrema convicção: nada mudou, tudo continua na mesma paralisia, na mesma poça, no mesmo beco sem saída, e isso não deixa de causar espanto e um pouco de desesperança. Mas eu insisto, não desisto. E, como nada mudou, repito aqui a plataforma do meu primeiro mandato:

“O nosso programa de trabalho inclui o reconhecimento da importância da atividade pesqueira para todo o conjunto da sociedade; a revitalização do setor pesqueiro fluminense; a luta pela criação de uma política pesqueira através de uma parceria real entre a pesca e a administração pública municipal, estadual e federal; e, como prioridade máxima, a construção de um Terminal/Entreposto moderno e permanente”. Além, é claro, do nosso atracadouro.

Alexandre Guerra Espogeiro
Presidente do SAPERJ