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Sobre nós

69 ANOS DE HISTÓRIA DO SAPERJ

A TRAJETÓRIA DO SINDICATO

No dia 8 de junho de 1948, era fundada a Associação Profissional dos Armadores do Rio de Janeiro, constituída para fins de estudo, coordenação, proteção e representação legal da categoria dos armadores de pesca na base territorial do estado da Guanabara.

Em 1973, passa a se chamar Sindicato dos Armadores de Pesca do Rio de Janeiro.

Em 1997, passa a se chamar Sindicato dos Armadores de Pesca do Estado do Rio de Janeiro, filiando-se em 1999 à Federação de Agricultura do Estado do Rio de Janeiro, tendo como objetivos “estudar, propor, pleitear e adotar medidas cabíveis as interesses dos produtores rurais, armadores de pesca, constituindo-se seu defensor e cooperar em tudo quanto possa concorrer para a prosperidade da categoria que representa”.

A HISTÓRIA DO SINDICATO CONFUNDE-SE COM A QUESTÃO DO ENTREPOSTO DE PESCA

Na década de 1940, ainda durante a Segunda Guerra Mundial, o Entreposto da Praça XV foi construído para substituir o velho e colonial Mercado, que servia de base para a comercialização de pescado e também para produtos agrícolas. Existe ainda uma das torres do mercado, onde hoje se localiza o restaurante Albamar.

Em 1940 e 1950, o número de barcos era relativamente pequeno e usavam praticamente toda a área hoje ocupada pelas lanchas e barcas. O entreposto ficou obsoleto já em meados da década de 1950, década em que já era o maior centro de comercialização de pescado. Aos poucos, o cais foi sendo tomado por outras atividades, e tornou-se pequeno demais para o crescente número de embarcações.

Com a subida vertiginosa dos preços dos combustíveis, alguns passaram a descarregar em outros portos, enviando o pesca para o Rio em caminhões, trazendo um novo problema já que não havia espaço para descarregar essa produção motorizada.

Em 1956, o Sindicato, através do relatório da Missão Portuguesa de Pesca no Brasil, já denunciava que “as próprias instalações terrestres, recinto de vendas, câmaras de armazenamento, locais de expedição de pescado, instalações frigoríficas, abastecimento de água e combustíveis, etc., deixam muito a desejar, não só para o tráfego e exigências técnicas atuais, mas sobretudo para o mais amplo desenvolvimento que se prevê”.

Em 1975, o Governo da época apresentou a todos os interessados um projeto de construção de um novo entreposto, que terminou arrendado a uma empresa particular. Assim, o entreposto continuou funcionando até 1991.

No dia 27 de maio de 1991, o entreposto foi interditado. As autoridades da época (o presidente Fernando Collor, o governador Leonel Brizola e o prefeito Marcello Alencar) justificaram tal decisão como uma medida drástica para evitar uma epidemia de cólera. O verdadeiro motivo foi a realização da Rio-92. A cidade foi maquiada para receber chefes de Estado e de Governo que participaram da Conferência Mundial sobre o Meio Ambiente.

A FRAGMENTAÇÃO DA PESCA: SEM CAMA E SEM ESCAMAS

O Rio de Janeiro sempre esteve na vanguarda da pesca. Foi daqui que saíram três artes de pesca fundamentais para a atividade pesqueira evoluída em todo o país: a pesca de linha de fundo com caíques; a pesca de camarão com arrasto de porta; e a pesca de sardinha com traineiras, todas introduzidas no fim do século XIX e início de século XX por pescadores portugueses. Passando por aperfeiçoamento e adaptações, essas três artes se espalharam por todo o litoral brasileiro. Na década de 1980, foi o Rio quem deu início à pesca de atum em águas brasileiras.

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O Estado do Rio de Janeiro possui a terceira maior costa pesqueira do país, com 635 km, e um dos melhores conjuntos de baías, estuários, manguezais (verdadeiras maternidades, creches, berçários da vida marinha), lagos e lagunas de todo o planeta.

O litoral do Estado do Rio de Janeiro é beneficiado por uma significativa produtividade primária, causada por ressurgências temporais, influenciadas pelas águas frias da corrente das Malvinas, o que caracteriza a região como favorável em termos de recursos pesqueiros. Estima-se um estoque de 150 mil toneladas/ano podendo o Estado, portanto, dobrar a sua produção.

A atividade pesqueira no Estado utiliza cerca de 60 mil pescadores, empregando outras 120 mil pessoas em atividades indiretas (indústrias de beneficiamento, produção de insumos, distribuição e comercialização de pescado, etc.). São cerca de 200 mil empregos, diretos e indiretos.

O número de embarcações de pequeno e médio porte operando no Estado é de aproximadamente 10 mil, sendo que a pesca industrial (de maior escala, que é o nosso caso) utiliza cerca de 250 embarcações.

Somos o 3º maior produtor de pescado do Brasil (dependendo do ano e das estatísticas somos o 2º).

A cidade do Rio de Janeiro é o maior mercado consumidor de pescado: temos um consumo médio de 16,4 kg per capita, três vezes menos que países como Japão e Portugal.

A cidade do Rio de Janeiro é o maior centro distribuidor de pescado do país: recebemos pescado de estados como Santa Catarina, São Paulo, Rio Grande do Sul, e importamos de países como Argentina, Chile, Uruguai, etc.

Tínhamos aqui o maior parque industrial da América Latina, formado por indústrias localizadas nos municípios de Niterói e São Gonçalo, enlatando cerca de 500 milhões de latas/ano de sardinha e atum.

Apesar de todos esses números, apesar de toda essa MAIORIDADE – terceira maior costa, maior mercado consumidor, maior centro distribuidor, ex-maior parque de enlatamento – a pesca do Estado do Rio enfrenta desafios como a falta de um entreposto, de um atracadouro e a perda de espaço e de mão-de-obra para as empresas offshore.

PESCA NÃO É SÓ PESCADOR. SÃO CERCA DE 200 MIL EMPREGOS E CENTENAS DE PROFISSÕES

quemsomos

Somos mais de 200 mil pessoas vivendo da pesca, direta e indiretamente. (Os números no Brasil são sempre aproximados: nossas estatísticas ou são estáticas ou são móveis ou maquiadas).

O problema da pesca no estado do Rio de Janeiro é social: são homens lutando para manter seus empregos e seus barcos para alimentar suas famílias. São milhares de pessoas produzindo riqueza, emprego, saúde e ameaçados pela ausência de uma política pesqueira que valorize sua ação e seu papel dentro da economia do estado.

A pesca não é só armador e pescador, barco e peixe. A atividade pesqueira envolve pescadores, armadores, peixeiros, peixarias, restaurantes, indústrias de enlatamento, supermercados, estaleiros, mecânicos, carpinteiros, eletricistas, pintores, pregoeiros, balanceiros, descarregadores, cozinheiros, fabricantes de cabos de aço, fabricantes de redes, fábricas de gelo, fábricas de equipamentos de salvatagem, estações de rádio, etc.

A pesca industrial moderna não é uma atividade primária, “extrativa”. Hoje, ela envolve alta tecnologia. Navegador via satélite, radar, piloto automático, sistema de comunicação com rádios e telefones celulares de alcance mundial, sonar.

A pesca é um universo com milhares de pessoas, centenas de profissões, uma rede de atividades interligadas e interdependentes.