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Uma carta de Fábio Hazin

O engenheiro de pesca, pesquisador e professor Fábio Hazin foi Secretário de Planejamento e Ordenamento da Pesca do MPA. Nesta carta, ele aborda assuntos polêmicos, defende o benefício da dúvida para os acusados de malfeitos e faz algumas reflexões. “Não sabemos ainda qual a dimensão nem o desenho institucional que a gestão institucional da pesca e da aquicultura terão no MAPA, mas esperemos que, qualquer que seja a estrutura que venha a ser criada, essas conquistas não sejam perdidas e que possamos continuar avançando na gestão pesqueira nacional”, escreve.

Leia a íntegra da carta.

fabio

Car@sColeg@s e Amig@s,

Infelizmente, como todos sabemos, o MPA chegou ao fim e com ele a minha participação como Secretário de Planejamento e Ordenamento da Pesca.

         Sabemos, também, que apesar dos avanços que tivemos nesse período mais recente, certamente o Ministério foi vítima de um longo histórico de má gestão e desmandos Administrativos, não tendo sido possível reverter, em tão pouco tempo, a imagem negativa que se construiu ao longo de anos.

         Quero acreditar, porém, que alguns dos muitos avanços alcançados na última gestão sejam preservados, como a criação dos 10 CPGs, a consolidação dos seus Subcomitês Científicos, a alocação dos R$ 12 milhões destinados aos mesmos via edital do CNPq para subsidiar o processo de gestão, a construção dos Planos de Gestão das principais pescarias e os editais para o início da reconstrução da estatística pesqueira nacional.

         Não sabemos ainda qual a dimensão nem o desenho institucional que a gestão institucional da pesca e da aquicultura terão no MAPA, mas esperemos que, qualquer que seja a estrutura que venha a ser criada, essas conquistas não sejam perdidas e que possamos continuar avançando na gestão pesqueira nacional.

Sobre os eventos de desvios de conduta amplamente divulgados pela mídia nesses últimos dias, acho que algumas reflexões são necessárias.

         A primeira delas é que o MPA não são os 7 funcionários que foram presos. Ele foi e é muito maior do que isso, contando com centenas de técnicos dedicados e bem-intencionados, muitos dos quais entregaram uma parcela considerável de suas vidas profissionais pela causa do desenvolvimento sustentável do setor pesqueiro nacional. Jogar todas essas pessoa em um mesmo saco nesse momento é uma profunda injustiça que não devemos cometer.

         A segunda é que não sabemos ainda qual o real teor e fundamento das acusações que pesam sobre os que foram presos. É muito provável que alguns deles tenham, de fato, cometido atos ilícitos e que devam, portanto, arcar com a consequência plena dos seus atos. Mas é muito possível, também, que alguns deles tenham sido envolvidos por
circunstâncias alheias à sua vontade e sem que tenham agido de má-fé. Julgá-los e condená-los, portanto, não é missão de nenhum de nós, mas sim da justiça que existe para esse fim.

         Então, antes de apanharmos a primeira pedra para atirarmos nesses colegas que certamente estão passando por um dos momentos mais difíceis de suas vidas, não nos esqueçamos de que eles não foram ainda julgados e muito menos condenados e que, portanto, podem, sim, ser inocentes… Que não nos arvoremos a fazermos as vezes de juízes.

         Nesse sentido, não posso falar por todos eles já que não convivi com nenhum deles profissionalmente por temposuficiente, mas não me sentiria em paz se não deixasse aqui o meu testemunho pessoal de pelo menos um deles com quem tive a oportunidade de trabalhar por quase todo tempo em que estive no MPA: Roberto Warlich.

Durante os 6 meses em que convivi com Roberto, pude testemunhar o seu compromisso com o desenvolvimento sustentável do setor pesqueiro, a sua competência, a sua dedicação, e a seriedade com que sempre conduziu todas as tarefas sob sua responsabilidade.

         Jamais testemunhei qualquer tipo de desvio de conduta ou qualquer indício de ilicitude de sua parte, de qualquer natureza. Ao contrário, o que sempre testemunhei foi uma conduta irrepreensível de retidão profissional, de honestidade e de compromisso com o trabalho e com a missão que lhe fora atribuída, atitudes que me fizeram sentir profundamente honrado de ter tido o privilégio de tê-lo como colega de trabalho e como amigo. E profundamente honrado continuarei me sentindo,até que se prove o contrário. Não poderia deixar de registrar publicamente esse testemunho, nesse momento tão difícil para ele e para toda a sua família.

Em relação aos demais, não posso tecer os mesmos comentários porque, como disse, não tive a oportunidade de conviver com eles da mesma forma. Mas acho que todos, sem exceção, merecem, no mínimo, o benefício da nossa dúvida.


Fábio Hazin

 

PENTE-FINO NO EX-MPA

A ministra da Agricultura, Kátia Abreu, determinou pente-fino em estrutura do antigo Ministério da Pesca. Entre outras medidas, foi criado um grupo de trabalho para corrigir problemas encontrados pela Controladoria-Geral da União (CGU). Foram cortados 70% os cargos comissionados do antigo ministério. A nova Secretaria da Pesca contará apenas com três diretorias. Mobiliário vai para o Centro da Embrapa de Aquicultura e Pesca no Tocantins.

Katia abreu

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