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PÁSCOA SEM BACALHAU

Páscoa sem bacalhau: veja receitas com outros peixes e frutos do mar

Quando se trata de almoço de Páscoa, parece ser automático pensar em bacalhau. O peixe é onipresente no menu festivo em todo tipo de receita: assado, gratinado, na forma de moqueca ou até com crosta de linhaça e chia, para quem quer uma pegada mais “fitness” no feriado.

A “culpa” do cardápio é dos portugueses, de acordo com a banqueteira Rita Atrib, do bufê paulistano Petit Comité – foi com a vinda da Família Real para o Brasil em 1808 que o peixe acabou entrando na vida da população, em especial nas festas como Páscoa e Natal. “Ele é um produto caro e, por isso fica difícil para os brasileiros consumi-lo com muita frequência.”

Justamente por conta do preço – ou por causa de seu sabor – há quem prefira procurar alternativas para os almoços da Sexta-feira Santa (quando, tradicionalmente, não se consome pratos com carne vermelha) e do domingo de Páscoa.

“Se a pessoa quiser gastar menos, a merluza é comumente usada no lugar das receitas feitas com bacalhau”, explica Rita. “Existem também outros peixes com sabor e textura que chegam mais ou menos perto do ingrediente, como o pintado, surubim ou pirarucu, considerado o ‘bacalhau da Amazônia”.

Outras sugestões de Rita Atrib de peixes para a ocasião são tainha, atum, sardinhas e cação. “Para quem não pode gastar muito, cubos de cação ao forno ficam uma delícia se assados à moda do bacalhau à portuguesa – com batatas, cebolas, tomates, ovos, alho azeitonas, ervas frescas e, é claro, muito azeite”.

Se preço não for impedimento, a banqueteira tem outras sugestões de prato com frutos do mar especialmente para a ocasião. “Pode ir da sardinha à lagosta, não existe regra. Para quem gosta e pode investir um pouco mais, um delicioso bobó de camarão é uma sugestão que agrada a maioria das pessoas”, diz. Sugestões como o Salmão no Papillote ou ainda o Atum com Molho de Cachaça  também são opções interessantes para o almoço festivo.

RECEITAS

OPERAÇÃO SEMANA SANTA

 

PEIXE VIVO

Rede de supermercados cria embalagem de congelados que se comportam como peixes recém-pescados.

            Com a tecnologia atual, o peixe congelado pode ser uma opção melhor que peixe fresco. Novos processos na indústria da pesca permitem que os peixes sejam congelados diretamente nos barcos ou em poucas horas após serem capturados, preservando seu sabor, textura e benefícios nutricionais.

Por outro lado, os peixes vendidos nos mercados como “frescos” frequentemente passaram por uma longa viagem de uma semana ou mais até chegarem às prateleiras das lojas e durante esse período o processo de decomposição do peixe está em andamento, fazendo com que o peixe congelado seja uma opção mais saudável.

Comer frutos do mar congelados pode parecer uma punição. Mas com a tecnologia atual, o peixe que sai do seu freezer é delicioso, nutritivo, econômico e geralmente melhor para o meio ambiente do que frutos do mar recém-pescados… Frutos do mar congelados, por diversos motivos, são melhores do que frescos, de acordo com o National Geographic.

Entretanto, muitas pessoas não sabem disso e ainda tem preconceito de incluir peixe congelado em suas dietas. Então, para comunicar o frescor de sua linha de peixes congelados, Mila, uma cadeia de supermercado polonesa com 189 lojas pelo país decidiu fazer um experimento com seus clientes.

Mas como mostrar o frescor de um peixe congelado e mudar a percepção do consumidor?

Dando vida às suas embalagens. Assim surgiu “The Live Fish Pack” (“pacote de peixe vivo”, numa tradução bastante livre).

Utilizando técnicas animatrônicas, foi desenvolvido um conjunto de embalagens especiais que faziam os peixes congelados se comportarem como peixes recém-pescados. As embalagens foram conectadas através de wi-fi a um sensor de proximidade e elas podiam tremer ou pular nos freezers, surpreendendo os consumidores que se aproximavam da seção de comida congelada.

A ativação foi transmitida pela internet onde as pessoas podiam ver a loja em tempo real e ativar três diferentes tipos de peixe para surpreender os clientes.

Confira

 

Mais peixe vivo

 

Regulamentação Sanitária e Infraestrutura da Pesca

Desafios da regulamentação sanitária de embarcações pesqueiras e infraestrutura de desembarque de pescado

Por Lilian Azevedo Figueiredo*

perca.fw

O peixe é uma excelente fonte de proteína animal e de outros nutrientes essenciais. Em 2006, o consumo mundial de pescado foi de 16.7 quilos/habitante/ano, e até 2030 este consumo deve aumentar para 20 quilos por ano (FAO).

Por volta de 1985 se deu o ápice da pesca extrativa nacional, quando foi registrada uma captura de 956.684 toneladas de pescado. Após um período de recessão, em 2009 a pesca extrativa voltou a se estabilizar.

O último dado estatístico oficial da produção de pescado nacional, realizado no ano de 2011 pelo Ministério da Pesca e Aquicultura, indicou uma produção de 1.431.974,4 toneladas, destes aproximadamente 60% originados da pesca extrativa. A pesca extrativa marinha foi apontada como a principal fonte de produção de pescado nacional, responsável por 553.670,0 t (38,7% do total de pescado), seguida pela aquicultura continental (544.490,0 t; 38,0%), pesca extrativa continental (249.600,2 t; 17,4%) e aquicultura marinha (84.214,3 t; 6%).

A crescente demanda por pescado fresco, somada à necessidade de um maior controle na qualidade da matéria-prima nos estabelecimentos comerciais, implica na necessidade de regulamentação das atividades de manipulação e conservação do pescado a bordo das embarcações e nos locais de desembarque. Tais medidas têm uma influência decisiva na qualidade dos produtos levados à mesa do consumidor.

A qualidade do pescado pode ser afetada por vários fatores, tais como: os métodos de pesca utilizados; as condições de infraestrutura das embarcações; a manipulação a bordo, assim como os locais de desembarque. A maior qualidade da matéria prima, além de beneficiar o consumidor, contribuirá para a diminuição do desperdício do pescado, maior oferta de produtos da pesca no mercado interno e, consequentemente, maior rentabilidade ao pescador.

A agilidade no resfriamento do pescado recém-capturado e a sua manutenção em baixas temperaturas, durante o cruzeiro de pesca, compreendem requisitos básicos das boas práticas nas operações de manipulação a bordo. Esses requisitos somados à adequação estrutural das embarcações pesqueiras e das infraestruturas de desembarque são primordiais para que as características sensoriais do pescado sejam preservadas.

Visando estimular a sustentabilidade da atividade pesqueira mediante o estabelecimento de requisitos para a manutenção da qualidade do pescado (matéria-prima) destinado ao consumo humano, o Ministério da Pesca e Aquicultura publicou, em 2104, o Programa Nacional de Controle Higiênico-Sanitário de Embarcações Pesqueiras e Infraestruturas de Desembarque – “Embarque Nessa”. Os requisitos higiênico-sanitários constantes no “Embarque Nessa” são aplicáveis tanto às embarcações pesqueiras, quanto às infraestruturas de desembarque que forneçam o pescado como matéria-prima para o processamento, em estabelecimentos oficiais de inspeção, cujo produto final seja destinado aos mercados nacional e internacional.

Além dos benefícios inerentes à oferta de um pescado de maior qualidade ao mercado nacional, com a publicação do Programa Nacional de Controle Higiênico-Sanitário de Embarcações Pesqueiras e Infraestruturas de Desembarque, o Brasil assume o compromisso, advindo da Missão Europeia realizada pela Food and Veterinary Office para avaliação do sistema oficial de inspeção de produtos da pesca, no qual ficou apontado a necessidade da observância às normativas da União Europeia, no que concerne à atuação do sistema oficial sobre a produção primária. A não observância do disposto no relatório final acarretaria na interrupção das exportações brasileiras de pescado por aplicação de barreira sanitária reconhecida internacionalmente.

A publicação desse Programa revela a necessidade de adequação tanto das embarcações pesqueiras, quanto dos Terminais Pesqueiros Públicos – TPPs não vinculados aos órgãos oficiais de inspeção à norma.

A frota industrial no Brasil é composta por cerca de 1.600 embarcações e envolve cerca de 9 mil trabalhadores. A adequação física destas embarcações compreende, basicamente, alteração das superfícies que entram em contato com o pescado (como a proa e local de armazenamento do pescado). Para cumprir com o exigido pelo “Embarque Nessa” há necessidade de fortalecimento de programas de fomento da pesca no país,

como o Programa Nacional de Financiamento da Ampliação e Modernização da Frota Pesqueira Nacional – PROFROTA, que tem como finalidade proporcionar financiamentos para a aquisição, construção, conservação, modernização, adaptação e equipagem de embarcações pesqueiras.

Além das alterações estruturais, visando garantir a qualidade do pescado entregue aos estabelecimentos processadores, há de se investir na capacitação dos pescadores e armadores de pesca em aspectos higiênico-sanitários. Tal objetivo poderá ser alcançado por meio de intensificação de cursos ofertados pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), no âmbito do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego

(PRONATEC).

Paralelamente à adequação da frota, é essencial a adaptação e a operacionalização dos Terminais Pesqueiros Públicos (TPPs) já existentes e a construção de novos Terminais nos principais polos de pesca do país. Atualmente, no Brasil, existem dezenove TPPs em execução, em reformas ou sendo construídos, no entanto, apenas os Terminais Pesqueiros Públicos de Santos (SP), Cananéia (SP), Laguna (SC), Camocim (CE) e Vitória (ES)

estão em operacionalização. Isto demonstra a grande dificuldade encontrada atualmente pelo setor pesqueiro para o escoamento do pescado capturado, o que reflete em perdas desnecessárias de matéria-prima devido ao prolongado tempo de espera para cada desembarque.

Em suma, a regulamentação sanitária de embarcações pesqueiras e a regulamentação de infraestruturas de desembarque são passos fundamentais para a oferta de pescado de qualidade na mesa do consumidor. No entanto, para que o setor possa se beneficiar desta inovação, é necessário que, além de programas de fomento para adequação das embarcações e terminais pesqueiros e de capacitação dos trabalhadores, o governo invista em infraestrutura capaz de proporcionar um rápido fluxo entre a pesca e os estabelecimentos processadores de pescado, minimizando com isso as perdas econômicas de cada cruzeiro de pesca.

download*Lilian Azevedo Figueiredo é médica veterinária, com mestrado em Saúde Animal.

Assessora técnica da Comissão Nacional de Pesca e da Comissão Nacional de Aquicultura da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).